10 agosto 2009

SORRY, I CAN'T

Tem dias que dá preguiça mesmo de viver. A gente olha pra própria vidinha mais ou menos e se pergunta: o que, diabos, eu estou fazendo aqui? A resposta, a gente não consegue dar. Mas tem dias que simplesmente não dá. Não dá pra acreditar no futuro, no presente e desconfiamos até mesmo do passado. Tem horas que a gente parece estar no meio de um pesadelo (ou no meio de um sonho bom que nunca vai se realizar). Tem dias que não dá pra acreditar que a Xuxa usa hidratante Monange, que a Gisele Bündchen usa Pantene e que a Carolina Dieckmann tem dentes sensíveis. Chega uma hora que a realidade te espreme num canto, te dá um tapa na cara e te pergunta: o que é que você está fazendo aqui?

Não sei. Não sabemos. Procuramos pistas na ciência, na fé e na religião. Criamos Deus e deuses pra explicar o inexplicável. Buscamos pistas de que estamos no caminho certo ou, pelo menos, no melhor caminho. Acreditamos nos sinais, no destino e na contradição deles. Entendemos um pé-na-bunda como um sinal de que era pra ser assim. Entendemos um re-encontro como um plano traçado pelo destino. E assim vamos mexendo as peças de um jogo louco e sem explicação.

Aonde queremos chegar fazendo o que fazemos, sendo quem somos, acreditando no que acreditamos? E, afinal, quem somos? Em que acreditamos, se não acreditamos em nós mesmos? Desconstruímos sonhos ou os arremessamos ao acaso. Desacreditamos da sorte, do acaso ou do destino. Despedaçamos nossa auto-estima, nossa confiança na própria fé. Insultamos Deus e o diabo.

E assim, seguimos à própria sorte. Mandamos e desmandamos na nossa vida. A vida manda e desmanda na nossa sorte. Procuramos refúgio nos nossos vícios ocultos, ainda que esses vícios sejam academia e solidão. Fugimos do mundo pra fugir de nós mesmos. Fugimos de nós mesmos para fugir do mundo. Tem dias que simplesmente não dá. Não dá pra rir de piada sem graça, não dá pra agüentar a chatice alheia (já basta a nossa própria), não dá pra gostar de comer rúcula (quem inventou essa porra?). Chamem de TPM, de crise existencial ou o diabo. Tem dias que só uma enorme barra de chocolte com ovomaltine te entende. Desculpa, mas tem dias que não dá pra brincar de faz-de-conta. Não posso. Hoje, não.

23 julho 2009

AMOR, TATUAGENS, ADESIVOS E A LUCIANA


Estou eu saindo da academia, feliz, quando vejo uma moto parada. Horrível. Não entendo nada de moto não, mas de feio e bonito, eu entendo. E era horrível. Pra piorar a feiúra da pobre coitada da moto, havia nela um adesivo com letras garrafais onde se lia: LUCIANA. Deduzi logo de cara que o dono da moto é mesmo apaixonado por essa Luciana. Pobre Luciana! Foi arrumar um homem com tamanho mau-gosto.

Eu não deixaria namorado meu tatuar meu nome nele. Não acharia graça nenhuma se ele colocasse um adesivo gigante com meu nome onde quer que fosse. Não vejo romantismo nenhum em pichações com declarações de amor e nomes dentro de corações. Mas, quer saber?! Senti uma pontinha de inveja da Luciana. Luciana tem um namorado barango com uma moto velha e um puta mau-gosto, mas que não tem vergonha de mostrar pros outros que ele tem namorada. Luciana.

Tem homem que tem medo de compromisso. Tem homem que tira a aliança pra sair à noite e se passar por solteiro. Tem homem que começa a namorar mas continua sendo solteiro pras peguetis dele, pois ele sequer dará alguma pista. Tem homem que começa e termina namoro e continua prospectando novas interações por onde passa. Aqueles que fazem declaração pública de amor são bregas, Wandos ou jogadores de futebol. Falar de amor é brega. Expor que você ama é brega multiplicado por vinte. E tatuar nomes em partes do corpo só sendo pagodeiro mesmo.

Mas nós, mulheres, precisamos disso. De provas concretas e palpáveis de que somos amadas. Gostamos de ouvir declarações de amor, gostamos de receber cartões, gostamos de serenatas (tá, isso não existe mais e ninguém nunca fez uma serenata pra mim, mas a idéia me agrada), simplesmente gostamos de demonstrações públicas de afeto. A gente gosta de saber que o cara com quem a gente divide a vida não se importa de mostrar pro mundo que ele tem “dona”, de colocar nele a plaquinha de “ocupado”.

Demonstração pública de afeto não tem nada a ver com expor sua vida ou seus amores. Ninguém precisa saber se vocês brigaram ou tiveram uma noite maravilhosa. Ninguém precisa saber quais são seus problemas, se ela tem ciúme ou se ele não liga quando diz que vai ligar. Não to falando de expor a intimidade ou fazer um reality show da vida. Mas para nós, mulheres, seres carentes de amor que somos, as pistas palpáveis são fundamentais. A gente quer ver o Orkut do namorado com o status de “namorando”, a gente quer que ele coloque foto nossa no MSN, a gente quer frases, palavras, cartas e declarações.

Quando a gente ama, quer mostrar pro mundo que amar pode dar certo. Na minha ingênua cabecinha, só uma pessoa totalmente envolvida e livre de qualquer intenção com outra pessoa, pode expor publicamente que encontrou alguém – seja no Orkut, no MSN ou na moto - e que o posto de namorada não está mais disponível. Não sou a favor de tatuagem com nome de namorada, mas isso é só um gosto pessoal. Não sou a favor de motos ou adesivos e isso também é apenas um gosto pessoal. Pode me chamar de louca. Mas, pra mim, amor tem a ver com exclusividade, com abrir mão de todo resto e (por que não?) com tatuagens, adesivos e outras formas de comunicação. Felizes as Lucianas.

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Queridos, obrigada pelos e-mails fofos e carinhosos como sempre. Muito bom saber que, de alguma forma, eu ajudo a formar opiniões e cabeças pensantes nessa vida!

Ah, e a comunidade no orkut com quase 600 pessoas!!! Tchau, morri pra sempre!!!!!!!

09 julho 2009

A MINHA DOR

“Smile though your heart is aching”.
(Charlie Chaplin)

Minha dor, guardo comigo. Aprendi a ser assim desde muito nova ainda. Você pode me olhar e não fazer a mínima idéia do que se passa aqui dentro. Você pode achar que estou feliz ou que acabei de ganhar na mega-sena quando na verdade acabei de perder uma pessoa que amava. Choro quando escrevo e escrevo quando quero chorar. Minha história ninguém conhece. Minhas agonias, meus amores perdidos, meus desencontros com o meu próprio mundo. Guardo comigo.

Não sei se isso é bom ou ruim. Tem gente que diz que falar ajuda a “colocar pra fora o que te faz mal”. Como vomitar em alguém. Despejar um balde de lixo na cabeça de alguém que não tem nada com isso. Não gosto dessa idéia. Sou meio homem nessas horas. Prefiro entrar na minha caverna, ficar muda sem falar com ninguém e resolver o assunto na minha cabeça. Coisas que aprendi numa cidade pequena onde as pessoas precisam viver de aparência. Estar, a todo momento, mostrando que está tudo bem, que a vida é boa, que o amor é lindo, que ninguém tem problemas em casa. Aprendi muito cedo a disfarçar minha dor.

Hoje não aceito qualquer coisa. Já aceitei demais. Não tenho que aceitar mais nada que alguém queira me impor sem meu consentimento. Aceitei calada as mazelas da vida, que desciam arranhando goela abaixo. Não aceito mais nada. Desculpe, não posso mais. Dói. Fere. Corta. Mas depois cicatriza. E toda cicatriz é uma pele mais forte. Mais resistente. Menos sensível. Segundo a Wikipédia, a cicatrização alivia a dor do corte, pois a pele se fecha novamente e só fica a marca do machucado. Concordo. Alivia a dor e depois fica a marca do que foi machucado.

Não aceito que me julguem sem me conhecer. Não aceito que me conheçam pelo meu sorriso ou pela falta dele. Se eu te contar minha vida, ouça sem me interromper. Não me dê conselhos, pois o que você terá ouvido são apenas histórias e não sentimentos. Demonstre compaixão, mas jamais tenha dó de mim. Não vou me fazer de vítima, muito menos assumir uma culpa que não for minha.

Não me diga onde errei. Eu sei. Conheço meus acertos mais louváveis e meus erros mais repulsivos. Se der errado, vivo meu luto de novo. Não me importo. Vai doer. Vai ferir. Vai cicatrizar e formar uma casquinha que depois sai só de passar a mão de leve como quem toca um mosquito do corpo. Bem ou mal, minha história me fez ser quem sou. Viveria cada segundo de novo como se fosse uma despedida. Talvez eu cometesse os mesmos erros. Talvez eu cometesse outros erros. Mas jamais passaria impune até aqui. Cada um sabe da sua história e só isso importa. Por isso, guardo comigo minha dor, minhas agonias e meus pesadelos mais tenebrosos. Divido as alegrias, as conquistas e os sonhos mais altos. Escrevo sobre o que eu sinto. Escrevo como uma forma de despejar meu lixo na cabeça de alguém. Acho mais limpo e igualmente purificador. Escrevo porque dor não cabe no papel – ou eu não saberia explicar. E dessa forma, minha dor continua só minha. Guardo comigo.

Foto: olhares.com

02 junho 2009

NUA E CRUA


Eu queria ser famosa. Estampar as capas das revistas com minha felicidade instantânea e dizer que estou ótima depois de uma separação traumática. Queria ir pro Big Brother e fazer melhores amigos em uma semana. Queria dizer que amo com um mês de namoro. Queria que, quando alguém me chamasse de gostosa, isso fosse um elogio ao meu caráter e não um “eu te comeria se você me desse mole”. É provável que eu fosse mais feliz assim.

Mas eu sou tradicional. Sou convencional, apesar de não ser normal. Se eu me corto, eu sangro. Se bato o dedo no pé da mesa, dói. Sou uma pessoa comum. Acredito no até que a morte nos separe e também no eterno enquanto dure. Acredito que, se eu sou capaz de ser fiel, alguém mais pode ser. Acredito que eu não sou uma laranja, mas preciso da minha outra metade pra me sentir inteira. Valorizo as pequenas atitudes, assim como condeno pequenas mancadas. Sou rancorosa, guardo por anos uma coisa que me magoou de verdade. Sei perdoar. Passo por cima dos erros pra ficar junto das pessoas que eu gosto. Tenho meus limites. O primeiro deles é meu amor-próprio. Perdôo uma vez, porque errar é humano. Perdôo duas porque o ser humano é estúpido às vezes. Mas não posso viver perdoando porque isso seria incompetência minha.

Acredito que as pessoas aprendem com os próprios erros e com o tempo. Acredito também que quem traiu uma vez e foi perdoado vai trair de novo. Acredito que aquelas pessoas que vivem falando mal dos outros vão falar mal de você com esses outros. Acredito que as pessoas só mudam por vontade própria e nunca pelo pedido de outra pessoa. Acredito que tudo que eu acredito hoje vai mudar com o tempo. E que, no futuro, talvez, eu acredite em menos coisas. Ou em nada mais.

Nunca vendi meu corpo, nem nunca sequer considerei essa possibilidade. Eu sei exatamente o tipo de homem que sai com puta. E esse tipo me dá náusea. Nunca precisei experimentar drogas pra pertencer a nenhum grupo. Me dou bem com todo tipo de gente e as pessoas costumam gostar de mim apesar do que eu sou. Tenho verdadeira repulsa por homem mulherengo. Detesto aquele tipinho “caminhoneiro” (que fala pra esposa que tem uma em cada ponto, mas ela é a única que ele ama). Detesto mulher corna que se explica pras pessoas “mas ele me ama”. Sexo com outras pessoas só é perdoado quando é o homem que faz. Detesto homem machista. Detesto o tipinho que vai pra farra enquanto a mulher tonta espera em casa. Detesto mulher tonta.

Eu queria ser famosa pra fingir que não sinto dor. Pra fingir que sou perfeita na capa das revistas masculinas. Pra fingir que não preciso fingir. Queria ser famosa pra ser uma fruta e não uma cabeça que pensa. Mas escrever nunca deu dinheiro, nem capa de revista, nem melhores amigos no Big Brother. Escrever é pra pessoas de quinta como eu, que não vão fazer seu primeiro milhão vendendo o que tem no meio das pernas pra adolescentes de 30 anos de idade. Queria ser famosa pra experimentar uma vida que, dizem por aí, é melhor que a minha. Queria ser famosa pra ver se eu conseguiria ser eu.

25 maio 2009

PECULIARIDADES

Belo Horizonte é a única cidade no mundo onde homem corre de mulher. Pra bem longe. Funciona da seguinte forma: uma cidadã dá dois passos em direção a um cidadão belo-horizontino. E ele dá dois passos na direção contrária. Feia ou bonita. Alta ou baixa. Gorda ou magra. Não interessa. Eles simplesmente não estão a fim de você. Essa é a dura realidade daquelas que estão solteiras em Belo Horizonte. Nem experimente paquerar um cidadão nessa cidade. Ele a fará se sentir a pior das criaturas. Cruzeirenses ou Atleticanos. Pobres ou ricos. Feios ou bonitos. Eles se acham as última bolachas do pacote. E não são.

Numa cidade com 35 mulheres pra cada homem (minha estatística!), esses infelizes se acham na condição de escolher o cruzamento da cara da Gisele Bundchën com a bunda da Juliana Paes. E, enquanto eles esperam suas musas, se acham no direito de destratar ou ignorar as pobres mortais da capital mineira. Eles não são gays. Gays sabem tratar muito bem uma mulher. Mas, casos que tenho visto por aí colocam em dúvida a masculinidade desses cidadãos. Tenho uma amiga que buscava e levava o cara em casa, pagava motel e ele se achava no direito de dar end nela. Homem que trata mal mulher é o fim da picada.

Em contrapartida, as mulheres de Belo Horizonte ficaram mal-acostumadas. No sentido exato da palavra. Acostumadas com o pior mesmo. Elas aturam homens da pior qualidade. Ligam pra caras que dão end nelas, racham conta de cinco reais, pegam homens que pegam dois ônibus pra chegar na casa delas, se enrolam com caras que têm namorada, pegam homens a pé e se sujeitam a buscar e levar o cara lá na puta-que-pariu. E a lista não pára por aí. Ainda tem homem malcriado. Homem que desliga o celular no final de semana. Homem que aparece na sua casa com revista de mulher pelada debaixo do braço. Homem que liga de madrugada depois que viu que não ia pegar nada na noite. Homem que escreve “gostoza”. (Jesus, me abana!) Homem que chega com bafo de cerveja. Homem que não te ajuda a carregar uma sacola pesada. Homem que chama amiga pra tomarem vinho a sós na casa dele. E ainda tem aquele que canta sua melhor amiga. É!!! Pensa que to exagerando?

No tempo dos nossos avós, era diferente. Os homens eram verdadeiros cavalheiros. Mandavam flores. Abriam e fechavam a porta do carro. Não deixavam as mulheres fazer nenhum esforço físico. As mulheres eram tratadas como princesas. Hoje, as mulheres se sujeitam a tudo pra arrumar um marido. A mulher quis se igualar ao homem e acha que, para isso deve beber cerveja no gargalo, sentar de perna aberta, arrotar alto e dormir com um homem diferente em cada noite. Tomaram o caminho errado. A mulher precisou se rebaixar pra se igualar ao homem. Deixaram de ser as princesas que merecem ser tratadas como tais e começaram a assumir o papel que elas mesmas cobiçaram um dia: rachar conta de cinco reais, pagar motel, buscar e levar homem em casa. Ótimos exemplos de como a mulher se igualou ao homem.

Em Belo Horizonte, esse papel que a mulher assumiu se tornou tão forte que os homens pararam de fazer qualquer esforço. Deixaram de ser os caçadores para se tornarem as caças. Aqui, são as mulheres que têm que seduzir o tempo todo. São elas que paqueram, que ligam, que pedem telefone, que dão em cima. E os caras? Meros observadores, frouxos, sem atitude, pois eles não sabem se colocar no papel que as mulheres deixaram pra eles: o de escolher.

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P.S.: Esse texto não é uma obra de ficção. É apenas uma compilação de confissões trocadas em mesa de bar por amigas finas, que adoram champanhe e tiveram que aturar esses malas! Amigas, estou solidária à causa!

11 maio 2009

INIMIGO OCULTO

Seus verdadeiros amigos são aqueles que não vão sumir porque você está namorando e não vai mais pra balada com eles. Seus verdadeiros amigos não vão te criticar porque seu carro não toca o último dj do momento. Seus verdadeiros amigos não vão questionar seu gosto musical desatualizado porque você está por fora do que está rolando na night. Seus verdadeiros amigos não vão se preocupar mais com o modelo do seu celular do que com seu caráter. Seus verdadeiros amigos não vão mudar de melhores amigos a cada estação do ano.

Seus verdadeiros amigos não gostam mais ou menos de você porque você bebe ou não. Seus verdadeiros amigos nunca vão te oferecer drogas - lícitas ou não. Seus verdadeiros amigos nunca te metem em fria. Seus verdadeiros amigos vão querer sair com você de carro importado ou de kombi. Seus verdadeiros amigos não cancelam um compromisso na última hora com você só porque apareceu um programa mais interessante na mesma hora. Seus verdadeiros amigos não te chamam pra fazer algo apenas porque ninguém mais quis ir. Seus verdadeiros amigos não esperam você pedir um favor duas vezes. Seus verdadeiros amigos fazem você não se sentir culpada por precisar pedir um favor. Seus verdadeiros amigos vão se sentir felizes por ajudar. Seus verdadeiros amigos não tentam decidir sua vida. Seus verdadeiros amigos não te dão conselhos, não te julgam, mas sempre te ouvem. Seus verdadeiros amigos não ficam perguntando se você está feliz ou triste pra te apresentarem soluções mágicas.

Amigos de verdade não são perfeitos. Mas são completos. Amigos de verdade não são amigos pela metade. Não existem meios amigos. Amigos de verdade são aqueles que te dizem sim, te dizem não, mas que nunca te deixam sem resposta. Nunca vão te deixar na mão. Amigos de verdade são aqueles com quem você pode contar em dia de chuva ou em dia de sol na piscina do seu prédio. Que não trocam sua amizade por um amigo mais rico, mais bem-sucedido ou que tenha uma piscina maior. Seus verdadeiros amigos não têm todas as respostas. Não são donos da verdade nem mestres da sabedoria. Seus verdadeiros amigos não vão criticar seus gostos, seus hábitos ou seus valores. Não vão achar um defeito em tudo que você compra, gosta ou faz. Seus verdadeiros amigos não vão falar que você é brega porque você comprou alguma coisa no shopping popular. Seus verdadeiros amigos não vão secretamente frequentar o mesmo shopping popular que você terça-feira à tarde. Seus verdadeiros amigos não vão destratar seus outros amigos que não têm dinheiro e puxar o saco daqueles que têm. Seus verdadeiros amigos não comem linguiça e arrotam caviar.

Amigos de verdade podem te decepcionar. Podem errar. Podem nem sempre falar a coisa certa. Eles podem nem sempre ter o melhor conselho, a melhor palavra, a melhor saída. Mas eles sempre têm o melhor ombro, o melhor sorriso e, principalmente, a melhor intenção. Amigos de verdade estão presentes na noite com champanhe e na noite sem dinheiro. Amigos de verdade não são parte da sua família, não assinaram nenhum contrato com você, mas escolheram você com todos os seus defeitos pra dividir as alegrias e as tristezas. Seus verdadeiros amigos conhecem seu ponto fraco, mas jamais usariam isso contra você. Seus verdadeiros amigos conhecem de perto seus defeitos mais ardidos, mas não ficam apontando o dedo na sua cara. Seus verdadeiros amigos gostam de você apesar de tudo que você é.

01 maio 2009

DO QUE NEM EU ENTENDO

Vivemos esperando. Vivemos nos frustrando. Vivemos nos frustrando porque vivemos esperando. Vivemos olhando para o futuro e criando expectativas de que vamos encontrar a felicidade em um lugar que ainda não chegamos. A tal felicidade está sempre no pote de ouro no final do arco-íris que não chega nunca. A felicidade está no dinheiro que eu não tenho, no corpo que eu nunca vou ter, no carro que eu não dirijo, no amor da minha vida que é o amor da vida de outra. Mas e quando a gente consegue o corpo que a gente queria, o emprego dos sonhos, o amor pra vida inteira? Pra onde vai a felicidade que nunca chega? Por que é que a gente está sempre achando que falta alguma coisa pra ser feliz, mas essa alguma coisa está sempre naquilo que a gente não tem?

O ser humano quer aquilo que ele não pode ter. Ouvi isso esses dias e concordo totalmente. A gente vive na eterna busca para permanecer vivo. Estamos sempre atrás de algo que está sempre distante. Criamos expectativas irreais. Criamos modelos de felicidade baseados em um padrão ideal. Buscamos a felicidade na perfeição. O melhor emprego, o melhor casamento, a melhor família. A gente tem que ser bem-sucedido, a gente tem que casar e ter filhos antes dos 30, a gente tem que ter filhos. Falsos modelos de sucesso criados pela sociedade e por nós mesmos. Sucesso é ter um emprego milionário, mesmo que você abra mão da sua vida pra ganhar dinheiro (tenho uma amiga morando num lugar onde ela não conhece ninguém, acorda às 5h20 da manhã pra trabalhar, volta pra casa às 23h20, trabalha de segunda a segunda, não namora há dois anos, mas ta fazendo seu pé-de-meia). Sucesso é ter um casamento por 30 anos, mesmo que você durma no sofá há 23. Sucesso é ter se casado antes dos 30 mesmo que você tenha se casado com um pangaré qualquer pra contar pras suas amigas que você encontrou o homem da sua vida. Sucesso é ter filhos mesmo que você não tenha a mínima vocação pra maternidade e que não tenha um pingo de paciência com crianças. Sucesso é uma palavra criada pelo ser humano pra definir uma coisa qualquer que você precisa ter ou ser, que nem você mesmo sabe se queria ter tido ou sido.

A gente se frustra porque o final do arco-íris nunca chega. A gente se frustra porque mesmo com o melhor emprego, a melhor família, o melhor casamento, os melhores amigos, os melhores tudo, não nos consideramos felizes. E continuamos achando que a felicidade está naquilo que não temos. Felicidade é a nossa busca interna. Que nunca tem fim. Sucesso é um rótulo criado pela sociedade, pela mídia ou por qualquer outro nome que se queira dar para conceitos que são enfiados nas nossas cabeças desde pequenos, feito uma lavagem cerebral. Felicidade e sucesso são caminhos que nem sempre se cruzam.

Largamos nossas carreiras de músico, bailarina, ator, pintor, porque isso não dá dinheiro. Largamos nossos sonhos, nossas vocações, aquilo que realmente sabemos fazer, para fazer uma faculdade de direito, de engenharia, de medicina porque é isso que aprendemos que dá dinheiro e sustento na vida. Não nos casamos aos 18 porque somos muito novas, e nos precipitamos em ser certeira aos 35 porque já passou da hora. Qual é essa maldita hora? Qual é essa infeliz fórmula da felicidade? Quem escreveu as regras do sucesso? Eu vou ser infeliz se aos 30 não tiver achado o homem da minha vida? Se eu nunca quiser ter filhos. Se eu for morar na praia. Se eu virar hippie. Se eu não ganhar dinheiro, mas fizer aquilo que eu gosto. Eu vou ser uma pessoa pior pra quem? Pra mim mesma ou pro resto do mundo? Ter sucesso de verdade é ser feliz do seu jeito.

12 março 2009

NÃO ME INTERESSA


Não me impressiono com cifras, títulos ou promessas. Não acredito em palavra dita ou escrita. Acredito em atitudes, somente. Palavras, eu já tenho. Nasci com esse dom. Posso te contar minha vida inteira e, ainda assim, você não vai saber nada de mim. Quer me conhecer lendo meus textos? Nem tente. Eu não conseguiria descrever um décimo de tudo que eu penso mesmo que eu soubesse todas as palavra do mundo.

Não reconheço um homem meu tipo à distância. O homem meu tipo vai muito além de um cara bonito qualquer que cruza meu caminho. Não sou do tipo que precisa ser paquerada pra aumentar minha auto-estima. Isso eu já tenho de sobra. Me amo desde os horríveis dedos dos pés aos bem tratados fios de cabelo. Uso xampus de 90 reais. Me cuido como se eu fosse uma princesa. E exijo ser tratada como tal.

Não preciso dar golpe do baú, golpe da barriga ou golpe da periquita louca. Tem muita mulher se dando bem dando pro homem certo, mas eu prefiro me dar bem do meu jeito. Vim ao mundo a passeio. Não pretendo construir nenhum império nem ficar aqui por muito tempo. Cuido de duas calopsitas que são as coisas mais importantes na minha vida. Todo resto é bobagem. Pode ficar com meu carro, meu dinheiro, minhas roupas. Só preciso dos meus documentos pra eu lembrar quem sou. Como se eles, os documentos, pudessem me dizer.

Nunca seria política. Não sei agradar ninguém dizendo algo que não penso. Ou que não é. Tento dar bons exemplos. Tenho consciência de que sou responsável por tudo que escrevo uma vez que deixo alguém ler. Falo palavrão na hora certa. Xingo na hora errada. Escrevo tudo que vem à minha cabeça sem roteiro, sem pensar se vão gostar ou não. Escrevo tudo que penso. Não penso em tudo que escrevo. Escrevo porque é a forma de organizar meus pensamentos. Escrevo porque é a forma de eu me conhecer mais e de você me conhecer menos.

Não me importo em ser clichê, nem em repetir isso a cada texto. Não me importo de escrever mil vezes sobre o mesmo tema. O amor é clichê e inesgotável. Impossível não ser igual a tudo que já foi dito. Impossível não dizer de novo a mesma coisa. Ouvi na rádio esses dias uma bandinha “emo” cantar que “pra existir história, tem que existir verdade”. Clichê? É. Mas é a maior verdade que ouvi nos últimos tempos.

Não existe mesmo história sem verdade. Mentira tem perna curta, já diz o ditado. E eu digo mais: meias-verdades andam de perna-de-pau. Uma hora, inevitavelmente, elas vão cair. Toda palavra dita se torna mentira sem uma atitude coerente. A verdade está na coerência, na transparência e nas atitudes. Acredito nisso. Acredito em calopsitas, xampus caros e atitudes coerentes. Todo resto é bobagem.

02 março 2009

HAPPY-HOUR DE VERDADE


A nova moda dos grandes centros agora é freqüentar consultórios psiquiátricos, psicólogos, analistas e afins. Isso mesmo! Stress está na moda. Cismaram que é legal trabalhar 16 horas por dia. Super moderno dizer pros amigos que trabalha “horrores” e que não tem tempo nem no final de semana pra tomar uma cervejinha. Super da hora virar noite no escritório. Top do top da tendência é ser workaholic (viciado em trabalho, mas é mais chique falar em inglês, óbvio). Agora, se você quiser ficar por dentro mesmo dessa nova tendência, freqüente um psiquiatra, um analista e um psicólogo porque você está estressado com tanto trabalho. Tome remédios para dormir. Vários. A lista eu já conheço de cor e salteado, conversa de churrasco de domingo e happy-hour (desde quando sair com chefe mala é “happy”???). Conheço todos de nome. Só de nome.

Eu acredito mesmo é no equilíbrio. No trabalho na hora do trabalho e no descanso na hora do descanso. Acredito em descansar os pés num bom par de chinelos na beira da praia no final de semana. Acredito em sair do escritório e dar uma malhada pra relaxar o corpo e a mente. Acredito em uma boa caminhada de manhã cedo com devida disposição pra acordar e não olheiras gigantes por não ter dormido à noite. Acredito em uma alimentação saudável e não sanduíche de fast-food na hora do rush. Acredito que quem inventou esse monte de palavras em inglês no meio da nossa língua tem mais é que se fuder. E acredito que, se esse mundo estressado não me rodeasse, eu não ia mandar ninguém se fuder.

É errado agora gostar de piscina, de mar ou de sol? Qual é?! Saí na rua outro dia, no meio da semana, de camiseta de alça com um tiquinho de marca de biquíni e as pessoas me olhavam como se eu estivesse cometendo uma infração muito grave. Está errado que eu não passo o sábado e domingo inteiro trabalhando também? É errado que minha pele não é branco-escritório? É contra a lei que eu queira me cuidar? Que eu queira ter um tempo livre pra mim? Que eu possa fazer as unhas, pintar cabelo, depilar minhas pernas?

Bonito é ter olheiras, bunda murcha e cor de doente. Bonito é ter a perna peluda, as unhas cheias de cutículas e a raiz do cabelo com cinco dedos de outra cor. Bonito é não ter tempo pra nada. Não ter tempo pra ver os amigos, a família que mora longe e o namorado. Bonito é se entupir de remédios, só falar de trabalho quando encontra tempo pra não trabalhar. Bonito é ter casa na praia e não poder ir. É chegar em casa e ver que seu filho, de repente, envelheceu sete anos. Bonito é ver que o tempo está passando e você não está ficando mais novo.

Vou soar clichê como sempre, mas o que se leva dessa vida é a vida que se leva, como alguém - tão clichê quanto eu - disse uma vez. Deletei todas minhas amigas malas que ficam com o raio do MSN no ocupado 24 horas por dia, que trabalham até meia-noite sete dias por semana e que se acham mais importantes que o resto do mundo por trabalhar 16 horas por dia. Deve haver um meio-termo, não é possível! Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Literalmente. Nem tanto à São Paulo, nem tanto à Bahia. Nem tanto ao escritório, nem tanto à praia. Equilíbrio. Essa é a palavra chave. Esse é o único remédio que conheço.

15 janeiro 2009

AMOR PRA VIDA INTEIRA

Sou do signo de Áries. Fogo. Sou direta. Franca. E exijo o mesmo das pessoas. Não gosto de meias-palavras ou meias-verdades. Só uso meias brancas. Mas nunca passo o reveillon de branco. Sou do avesso. Talvez eu seja, sim, o oposto daquilo que você espera de mim. Sou hiperativa ao extremo. Gosto de todos os bichos. Não gosto de muitas pessoas. Minha vida é desalinhada. Dirijo como um homem e choro como uma criança. Talvez eu mereça mais que isso.

Talvez meu jeito estúpido de amar as pessoas ao meu redor não seja suficiente. Talvez eu precise começar do zero e aprender a amar. Aprender a viver como se diz no manual. O colégio de freiras não serviu pra muita coisa na minha vida. Minha família nunca me ouviu de verdade. Por isso, sou temperamental. Aprendi com as aves. Não gosto de ser incomodada sob o risco de eu te dar uma bicada e arrancar seu dedo fora. Gosto da liberdade, mas adoro companhia. Adoro minhas pernas encostando nas suas na hora de dormir.

Admiro as araras azuis. Aprendi no Discovery Channel que elas passam a vida inteira com o mesmo companheiro. São livres. Ninguém, nem nenhuma lei, obriga ninguém a ficar junto por mais tempo do que o amor consegue fazê-lo. Eu acredito nisso. No amor livre. No amor enquanto houver amor. No respeito, na cumplicidade, na transparência.

Por não saber o que quero da vida, vivo fazendo o que não quero. Por não saber amar, vivo levando na cara. Por amar demais, vivo sonhando. Por não acreditar nos sonhos, vivo me ferrando. Por me ferrar sempre, vivo me fechando. E por me fechar demais, vivo sem amor. Vivo com poucos amigos, poucas cifras e poucos CDs. Vivo com alguma poesia, uma caixa de lápis de cera e duas calopsitas. Vivo sem sorte no jogo e apostando no amor.

Não quero amor de fim de noite. Não quero amor de uma noite só. Não tenho mais idade - nem saco - pra micareta. Não sei mais paquerar ou fazer joguinho de “não te quero só pra você me querer”. Não preciso que me queiram pra massagear meu ego. Tenho foco. Sou mulher de um homem só. Não preciso de conversinha com ex-rolos no Messenger porque sei bem o que eu quero. Não preciso de homem pra massagear meu ego. Não preciso testar meu poder de sedução mantendo possíveis casos amorosos na internet. Não preciso de ninguém pra me dizer o quanto sou linda, gostosa e inteligente. Pra isso, tenho espelho, academia, papel e caneta. Não preciso usar meu corpo ou muito menos minhas palavras pra conquistar alguém. Pra isso, tenho sentimentos que falam por mim.

Acredito no amor, apesar de o amor não acreditar em mim. Valorizo as pequenas coisas, como o chocolate no fim da tarde e o almoço no meio do dia. Valorizo a boa intenção. A boa fé. Acredito nas palavras do coração pra fora. E nos sentimentos do coração pra dentro. Acredito em tudo que vem de dentro da alma. Acredito no agora e desconfio – muito – do futuro. Desejo o bem pra quase todas as pessoas que conheço. Acredito no desejo. Acredito na vontade que faz acontecer. Acredito que tudo que queremos de verdade acontece. Não acredito em signos, cartas e tarô. Respeito todas as crenças. Acredito no amor que dura uma vida inteira. Desconfio do amor que dura uma noite. E respeito todas as formas de amar.

08 janeiro 2009

ETERNO ENQUANTO DURE


Todos os dias, milhares de casamentos chegam ao fim. Todos os dias, milhares de pessoas se casam. Então, por que tanta gente ainda se casa, se tem tanta gente se separando? Por que insistimos em acreditar no “pra sempre” que sempre acaba? Seria a vitória da esperança sobre a experiência? Sim, seria. Quando se trata de amor, somos mais insistentes. Lutamos até o fim por quem a gente ama. Agarramos com unhas e dentes. Acreditamos no futuro enquanto mal conseguimos viver em paz com o presente. Fazemos planos. Construímos castelos no ar. Vivemos sonhos que não são nossos. Compartilhamos a vida. Mais que isso, compartilhamos a idéia de um futuro juntos.

Esperança. Se não fosse ela, ninguém se casaria mais. Se não acreditássemos que sim, pode dar certo, não haveria porque arriscar. Nós apostamos nossas fichas no amor. Acreditamos em contos-de-fadas, nos filmes com finais felizes e na novela das nove. Assistimos ao “Em nome do amor” e ao “Vai dar namoro”. Choramos quando Leonardo DiCaprio faz glub glub e se afoga nas gélidas águas do oceano junto com o Titanic. No fundo – sem trocadilho – acreditamos que amar pode dar certo.

Não nos casamos porque pensamos que vamos nos separar um dia. Muito pelo contrário. Casamos porque acreditamos que vamos ficar juntos e felizes para sempre. Temos o pé no chão e a cabeça nas nuvens. Temos o coração em outras mãos que não são nossas. Decidimos a nossa vida, o nosso final de semana. Nós. Pensamento conjunto pra uma vida a dois. Abrimos mãos das possibilidades infinitas de noites perdidas porque acreditamos ter encontrado a pessoa certa. A única. Aquela. Temos o genro que nossas mães pediram a Deus ou simplesmente temos o cara com quem gostamos de passar nossas tardes de domingo. Temos alguém que nos leva ao hospital segunda-feira de manhã e que sai pra comprar xarope sábado no meio da chuva. Temos um ao outro e talvez isso baste.

Amor não tem que ser pra sempre. Como já disse o poeta, que seja eterno enquanto dure. Mas não acreditamos que o amor tenha hora marcada pra acontecer. Que saiba a hora exata de chegar e de ir embora. De repente, amamos. De repente, não amamos mais. Assim mesmo, sem aviso prévio, sem data marcada, sem carta na porta. Amamos por diversas razões que desconhecemos. Deixamos de amar por outras que sabemos menos ainda. Desconhecemos razões.

Amamos simplesmente porque queremos estar juntos. Amamos porque gostamos do cheiro, do calor, do beijo. Amamos porque gostamos de assistir tevê sábado à noite deitados no sofá. Amamos porque não sabemos cozinhar. Amamos porque gostamos de ir ao supermercado juntos. Amamos porque não temos nada em comum um com o outro. Amamos porque dividimos o mesmo edredom. Amamos porque gostamos das nossas escovas de dente na mesma pia. Amamos porque gostamos do jeito dele deixar todas as coisas em seus devidos lugares. Amamos porque não entendemos a letra dele. Amamos porque não sabemos amar. Amar é acreditar. Acreditar que pode dar certo. Acreditar em um futuro juntos apesar de. Amar é não ter a mínima pista ou garantia de que pode mesmo dar certo. Amar é um álbum de figurinhas.

28 novembro 2008

POR UMA VIDA MENOS ORDINÁRIA

Hoje de manhã, fui levar meus donativos na Cruz-Vermelha pra ajudar as vítimas da tragédia em Santa Catarina. Nem precisa dizer que saí de lá em prantos e assim permaneci por ininterruptos trinta minutos. Tristeza e esperança. Uma mistura de tristeza com a pobreza do mundo e de esperança por ver que existem pessoas boas. Não consegui ficar lá por muito tempo. Senhoras de idade avançada chegavam com seus maridos levando comida. Varias pessoas chegando e saindo, cada um ajudando como podia. A maioria senhores de idade, classe média.

Em seguida, fui almoçar no self-service onde almoço quase todos os dias. Eu fui uma das últimas a entrar no restaurante que estava encerrando o horário de almoço. Do lado de fora, pude ver dois homens adultos e uma criança de uns oito anos de idade. Todos com vasilhas de plástico nas mãos, esperando o horário do restaurante fechar pra ganhar a comida do dia. Cenas como essa me cortam o coração.

É muito fácil acreditar em Deus quando você dorme numa cama queen, anda de carro com ar-condicionado que seus pais te deram e mora num prédio com lavanderia cujo condomínio é maior que o salário de uma família inteira. É muito fácil rezar e agradecer a Deus por tudo que você tem quando você tem tudo que quer. Agora, tente explicar o que é Deus pra alguém que não tem o que comer. Pra quem perdeu casa, dignidade e família na enchente. Tente explicar como Deus é bom pro menino que nasceu na favela e viu a mãe morrer com um tiro na cabeça. Será que Deus gosta mais de mim do que das pessoas cujas casas foram levadas pela força das águas? Será que Deus gosta menos daquele pai com a criança na porta do self-service segurando uma vasilha sem comida e esperando sua vez de comer? Será que Deus gosta mais dos filhos da Angelina Jolie do que dos filhos da mulher que dorme embaixo da marquise do meu prédio?

Hoje de manhã, olhando praquela miséria toda, aquele amontoado de coisas e trapos jogados na sede da Cruz-Vermelha (colchões velhos, cobertores sujos, roupas usadas) que vão servir pra muita gente que não tem sequer um teto agora, cheguei a falar em voz baixa: Deus, cadê você? E então percebi que o inferno é aqui mesmo, na Terra. E enquanto milhares de boas almas se mobilizam para ajudar como podem, as pessoas agradecem a Deus a ajuda recebida. Chamamos de Deus as bênçãos que recebemos.

Talvez Deus exista sim, mas não é o cara que fica escutando nossas orações repetidas em terços, novenas de 900 dias e que comparece à missa todo domingo pra ouvir nossos pedidos. Mais importante que rezar, ir à missa ou subir a escada da catedral do escambau de joelhos é sermos humanos. Tem muita gente que faz promessa pra arrumar namorado e, em troca, fica um ano sem comer chocolate. O que ficar um ano sem chocolate vai ajudar o mundo? Isso é pra Deus ou pra cintura de quem fez a promessa? Enquanto cada um estiver voltado pro próprio umbigo, não há Deus que dê conta do mundo. Quando cada um fizer sua parte, ajudar como pode, pensar mais no outro, se doar mais, vamos olhar pro lado todo dia e saber exatamente onde Deus está. Em cada um de nós.

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Amores, quem quiser ajudar, em BH, a Cruz-Vermelha está recebendo doações na sua sede: Alameda Ezequiel Dias, 427 (atrás do Parque Municipal). Tem estacionamento lá dentro e tudo mais. Beijos a todos.

04 novembro 2008

O FIM DA PICADA

Mais um ano vai chegando ao fim e, de repente, nos damos conta de que as lojas Americanas já estão enfeitadas com pinheiros e bolas douradas, e que, por não termos nos comportado bem em todos os meses anteriores, Papai Noel não vai trazer presentes na noite de Natal. Precisamos urgentemente reparar nossos erros, afinal, o ano está se encerrando e temos mesmo que ser bons e fazer o bem. Adoro essa hipocrisia que se acentua nos meses de novembro e dezembro.

Passamos os dias, o ano, a vida, voltados para nosso próprio umbigo. Compramos coisas caras, pagamos longas prestações e assumimos dívidas a perder de vista no cartão de crédito. Freqüentamos bons restaurantes. Gastamos com balada e bebida cara. Pagamos o que podemos. Acho justo, afinal, não é pra isso que trabalhamos? Trabalhamos para pagar nossas próprias contas, não as dos outros. Estou mentindo? No máximo, damos um trocado pro flanelinha (com muita má vontade) e uma moedinha no sinal de trânsito.

Mas o final do ano se aproxima. Natal, Papai Noel, os veadinhos e o escambau. Tudo isso mexe com as pessoas e nos sentimos compelidos a sermos pessoas melhores. Sim, da noite para o dia. O tio-avô gordo caloteiro da família se traveste de bom velhinho, as madames compram brinquedinhos na loja de 1,99 para levar para as crianças carentes que passaram o ano todo abandonadas nas creches, os artistas drogados fazem doações de cheques no programa do Gugu. Acho lindo. Linda hipocrisia que assola o mundo.

Muito bonito fantasiar-se de velhinho barbudo na noite do dia 24 de dezembro, visitar creches, fazer doações e levar brinquedos para criancinhas carentes. Mas será que é isso mesmo que faz de nós pessoas melhores? Será que é disso mesmo que o mundo, as crianças, os orfanatos e os pobres estão precisando? E quanto a todas as noites de julho na gélida São Paulo onde mendigos descalços dormem nas ruas debaixo de papelão sem ter sequer uma meia para esquentar os pés? E quanto às farras de carnaval em que pessoas catam latinhas jogadas na rua por aqueles que se embriagam e sequer tem o mínimo de educação pra jogar a lata no lixo? E quanto àqueles que precisam de roupa o ano todo pois precisam se vestir não só em dezembro?

Muito cômodo fazer caridade no final do ano. Acho lindo mesmo. Mas, de verdade, não é de esmola que o mundo precisa. O mundo precisa é das pequenas coisas. E não estou falando de brinquedo de 1,99, de bola de futebol ou de bicicleta no Natal. O mundo precisa é de atitudes mais humanas. De honestidade, de sorriso, de bom-humor, de boa vontade, de amizade, de mães e pais de verdade. De educação. Quer ajudar o próximo? Que tal começar doando aquele monte de roupa cara que você usou uma vez só? Que tal fechar a torneira enquanto escova os dentes, reciclar seu lixo, economizar energia elétrica, usar menos o carro? Que tal adotar um cachorro de rua? O mundo ta cansado de gente que dá esmola e trata mal o porteiro. Que faz caridade e não sorri pra uma criança pobre na rua. Que veste de Papai Noel e rouba dinheiro da empresa. Ser uma boa pessoa não tem a ver com fazer caridade uma vez no ano. É uma postura não só de Natal, mas de uma vida toda. É um olhar diferente sobre o mundo e sobre o que eu posso fazer para melhorar o mundo ao meu redor. Criança gosta de ganhar brinquedo no Natal sim. Mas nos outros dias, ela precisa de carinho, atenção, comida, respeito, educação e saúde. Quer fazer o bem? Comece tratando bem quem está do seu lado.

22 outubro 2008

MULHERES, HOMENS E XAMPUS


Um sonoro “não” e o polígrafo confirmou: ele disse a verdade. “Não” foi a resposta de Juca Chaves quando Sílvio Santos perguntou se ele trairia sua esposa mesmo que ela não tivesse como descobrir. Não, ele não trairia. Juca Chaves teve o aval do polígrafo, “a máquina da verdade”, e a aclamação velada do público. Fidelidade é assunto careta para alguns, está fora de moda na tevê, mas, aposto, sem precisar de nenhuma pesquisa, que nove entre dez mulheres gostariam de ter um marido fiel. Nove. Chutando pra baixo.

Fora das telas de tevê e das máquinas da verdade, as mulheres ainda querem fidelidade. As mulheres ainda acreditam em promessas de xampus caros e homens baratos. Compramos sonhos, promessas, juras de amor eterno. Dizemos que os homens são todos iguais, mas queremos escolher a dedo. E, na verdade, nós, mulheres é que somos todas iguais. Seguimos um padrão de beleza (ou nos frustramos por não estar no dito modelo). Compramos xampus de noventa e seis reais com o rótulo em francês e uma linguagem inventada que diz: Masquintense. Acreditamos na pró-vitamina, nas ceramidas, na queratina e em todos os outros nomes tirados de traz da orelha dos publicitários como ceraflash, cera liss system, serum-reparador e uma lista sem fim. Acreditamos simplesmente porque queremos acreditar. No fundo, sabemos que rótulos e nomes estranhos em línguas não identificadas são criados por publicitários. Acreditamos em creme-anti celulite, em remédio para emagrecer em duas semanas, em cara-metade ou no amor das nossas vidas. Acreditamos no pra sempre que nunca se acaba, ao contrário do que dizia Renato Russo. Fazemos planos de encontrar a pessoa certa. Casamos com votos de até que a morte nos separe. Exigimos exclusividade, fidelidade, sinceridade, transparência, respeito, cumplicidade. A lista é extensa e, nesse ponto, somos todas iguais.

Confesso que me deu uma pontinha de inveja da esposa do Juca Chaves. Quer declaração de amor maior que essa, em rede nacional? Eu não faria mesmo que minha esposa jamais fosse descobrir. Pra mim, essa é a verdadeira fidelidade. É a fidelidade da intenção. É simplesmente não ter vontade de fazer. Não apenas ser fiel porque alguém vai ficar sabendo, porque respeito meus filhos, porque sou um cara casado. Não. É porque não tenho vontade. Caraleo! É por isso que todas nós, mulheres, esperamos (sentadas). Esperamos que a gente não precise pedir, implorar, obrigar. Ninguém é obrigado a namorar, a casar e a ficar junto. Ficamos porque queremos. Namoramos, juntamos, casamos pra garantir exclusividade. Aliança, coleira ou gps não são garantia de nada e sabemos muito bem disso. Então, a única garantia que temos é a intenção do outro.

Eu sei que muita mulher toma chifre e finge que não vê ou simplesmente não liga e também faz o mesmo. Mas to dizendo de mim e da maioria das mulheres que conheço. A mulher que não quer dividir o cara que tem dentro de casa, a mulher que não quer homem chegando de madrugada com cheiro de perfume barato, a mulher que abomina o estilinho Reginaldo Rossi de ser. Foi-se o tempo em que as mulheres ficavam em casa fazendo tricô enquanto seus maridos boêmios comiam putas no centro da cidade. Hoje, mesmo ainda acreditando em promessas de homens e xampus, somos independentes, somos livres pra fazer nossas próprias escolhas, somos pouco tolerantes e sabemos muito bem o que queremos. Queremos alguém para quem fidelidade não é obrigação, é uma escolha.

06 setembro 2008

O HOMEM IMPERFEITO

Quando eu era adolescente, tudo que eu queria na vida era um cidadão com a cara de um dos New Kids on the Block. Nem precisava cantar Step by Step. E, aquilo, pra mim, bastava. Bastava ter uma carinha bonitinha, um olhar de anjo e pronto. Tinha ali o meu homem perfeito. O cara pra casar. Depois de um tempo, uma carinha bonitinha apenas não era mais suficiente. O cidadão precisava freqüentar uma faculdade e ter um objetivo na vida, pelo menos. Mas vai chegando uma idade em que os quesitos são tantos que fica cada vez mais difícil encontrar o homem perfeito. O candidato precisa ter: uma carinha bonitinha, um corpinho de passeio, ser um “rapaz de família”, como diria minha mãe, ser um “moço trabalhador”, como diria meu avô. Não pode ser mulherengo, nem, um dia, ter sido galinha (sim, isso está na genética e, portanto, esse gene maldito vai acompanhá-lo por toda vida, ainda que pareça estar adormecido, melhor não arriscar). Homens pegadores dão náusea em mulheres maduras. E a lista de quesitos aumenta em progressão geométrica. O homem perfeito de quando eu tinha 18 anos passou a ser um traste quando fiz 28.

Mas a saga de encontrar o homem perfeito não acabou com meus vinte e poucos anos como acontece com toda cidadã criada no interior. Não me casei com o primeiro traste que apareceu só pra convidar as tias-velhas pro casamento. Só pra dizer pras amigas que consegui casar antes delas. É, pensa que não? Tem muita mulher assim. Acho isso medieval. Da idade da Pedra. Sei lá, não entendo nada de História. Mas acho bem antigo, se quer saber. Acredito em encontrar a pessoa certa. A tampa da panela. Mas não me convence a idéia do ter-que-casar. Não vou ter filhos. Logo, meu relógio biológico não está fazendo a contagem regressiva “case logo antes que seja tarde demais pra ter um filho”. Não tenho pressa. Tenho objetivo.

Talvez então eu tenha escolhido ficar com você por pura vaidade. Sou tão vaidosa que sempre acreditei que eu seria a única mulher no planeta a encontrar o homem perfeito. E, pra confirmar minha teoria, encontrei você e decidi que não te perco de vista nunca mais. Você vai me dizer que não é perfeito. Concordo. Não é. Mas você é perfeito pra mim. Você é o chinelo velho pro meu pé torto.

Descobri que todos os quesitos foram pro saco quando encontrei você. Você está longe de ser o homem perfeito (a essa altura, já descobri que esse “homem perfeito” não existe, como também não existe o príncipe encantado e, muito menos o tal do cavalo branco). Mas eu também não sou a Cinderela. Já beijei muito sapo, mas sabia que nenhum deles ia virar príncipe depois. Descobri que o homem perfeito nem sempre se parece com o galã da tv ou da bandinha pop do momento. O homem perfeito pode ter uma barriguinha de chope, um ou outro fio de cabelo branco que insiste em aparecer, alguns problemas gástricos e uma dúvida gigante em relação ao futuro. O homem perfeito não precisa saber tudo, nem ter solução pra todos meus problemas. O homem perfeito é aquele que passa uma semana me ajudando a encontrar uma calopsita albina fêmea mansa com mais de dois meses de idade. O homem perfeito é aquele que deixa eu cutucar perebas invisíveis no maxilar dele. O homem perfeito é aquele que se preocupa se eu tomei café-da-manhã e almocei direitinho. O homem perfeito é aquele que me empresta sua camisa branca pra eu dormir na casa dele. O homem perfeito é aquele que deixa escova de dente, chinelo e pijamas na minha casa. O homem perfeito é aquele que passa uma semana com diarréia e insiste em achar que o problema é na garganta. O homem perfeito é assim. Imperfeito. Exatamente como você é.

28 agosto 2008

VOCÊ TEM MSN?

Até entendo que a internet queira modernizar os relacionamentos. Entendo também que toda essa modernidade mudou a forma da gente conhecer novas pessoas e de se relacionar com as que já conhecemos. É lindo. Com um clique, você acha o cara dos seus sonhos, com um clique você arruma um namorado, com um clique você bloqueia malas, ex-namorados e inconvenientes. Tudo muito prático e sem dor de cabeça. Tudo num clique. Ninguém mais precisa dar fora em ninguém, ficar se justificando ou arrumando desculpa pra sumir da vida de ninguém. Nem pra aparecer nela.

A pergunta “Você tem MSN?” não é uma frase tão inocente quanto pode parecer. É muito mais moderna do que a antiga “me dá seu telefone?”. A sentença “Me dá seu MSN” é quase uma sentença jurídica a ser cumprida. É um passaporte velado pra vida da outra pessoa. É um “vamos manter contato” ou “a gente pode se falar sem que sua namorada fique sabendo” ou ainda “a gente não se pegou ainda, mas a gente vai se falando que uma hora rola”. Pra alegria dos solteiros e pra infelicidade dos comprometidos.

E o tal do Orkut?! Gente! Me explica esses caras que mal falam com você na rua e, no orkut, vêm todo íntimo oooooooooi, lindaaaaaaaaaa. Como assim, cara-pálida??? De onde surgiu essa pseudo-intimidade? No orkut todos são suuuuuuuuuuuuuper amigos de balada, todos têm fotos de viagens inesquecíveis pra Europa ou pra Matão, todo mundo ama todo mundo pra sempre (até que o orkut os separe e a pessoa deleta o perfil e depois volta como se nada tivesse acontecido com o status de: solteiro).

Quer saber?! Acredito que a internet um dia vai encher nosso saco. E acho que não demora muito, não. Eu já ando de saco cheio desse faz-de-conta. Dessa realidade virtual nada parecida com a real. Da pseudo-liberdade, pseudo-intimidade, pseudo-realidade. Na vida real, tenho certeza que a namorada dos caras que xavecam as moças no MSN iam ficar putas da vida. Na vida real, as pessoas que você mal cumprimenta não têm tanta liberdade assim pra te chamar de linda. Na vida real, as pessoas comuns não se falam todo-dia-toda-hora. Na vida real, as pessoas nem são tão bonitas assim quanto suas fotos photoshopadas de orkut e MSN. Na real, prefiro a vida real.

É muito lindo namorar pela internet, conhecer gente nova e bater-papo com os amigos. Mas ainda não será dessa vez que a vida de carne e osso vai ser deixada de lado. Nada substitui o toque, o cheiro, a pele. Nada como o futebol com os amigos, o calor, o suor e a cerveja gelada. Nada como andar de moto sentindo a liberdade batendo na cara. Nada como sentir o abraço, a respiração, e olhar nos olhos de quem a gente ama. Nada como bater perna no shopping com as amigas sábado à tarde, ver o pôr-do-sol na praia e amanhecer na rua depois de uma balada daquelas. Nada como o gosto da sobremesa e do beijo. Nada como assistir tv com o namorado domingo à noite debaixo do edredom. Nada como um lanche despretensioso no meio da tarde pra bater papo sem ter que digitar. Nada como o tom da voz pra dizer que ama. Nada como viajar pra praia e lembrar que existe vida após a internet. Nada como desligar o computador no final do dia e cair na real. Nada como a vida real. Tudo por uma vida mais real.

03 agosto 2008

NÃO DIGA NADA

Eu sei que não sou um exemplo de bom comportamento nem tenho no currículo uma coleção de finais felizes. Eu sei que eu meto os pés pelas mãos na maioria das vezes. Eu sei que quando se trata de relacionamento, eu tenho ciúme, eu sou insegura, eu faço cena. Eu sei de tudo isso e, acredite, eu tento melhorar (apesar de não estar funcionando ainda!). Mas o que eu mais sei é que a gente só aprende dando cabeçada por aí.

Então por que é que as pessoas se acham capacitadas em dar palpites na vida das outras? Alguém me explica? Alguém me explica porque é que aquela amiga que nenhum homem suporta ela por mais de quinze dias pensa que sabe o que é melhor pro seu namoro? Ou por que aquela pessoa que já foi infiel nos seus relacionamentos quer te convencer de que existe fidelidade? Por que a gente sempre tem a fórmula mágica pra vida dos outros? Por que alguém sempre sabe nos dizer exatamente o que fazer, mas nunca faz nada direito? Faça o que eu digo, não faça o que eu faço? É isso?

Você ta fazendo errado! Isso não ta certo! Não pode ser assim! Faça de tal jeito! Espera aí. Quem perguntou? Isso mesmo. Ninguém perguntou. É só um hábito irritante que as pessoas – em especial as mulheres – têm. Ninguém ta pedindo conselho ou colocando a vida aberta para debate. A gente não está interessado em fazer como a melhor amiga faz só porque a experiência dela deu certo. Se fosse assim, a gente ouvia conselho de mãe, de vó, de tia velha e casava virgem, não é?! Não. A gente faz o que a nossa cabeça manda e não o que as pessoas nos dizem. A gente quebra a cara. Sofre. Leva pé-na-bunda. Se decepciona com todo tipo de gente. Mas no final, a gente aprende alguma coisa que não aprenderia se tivesse feito tudo certo.

Tudo certo demais me cansa. Muito Pollyanna pro meu gosto (aliás, que moral tem alguém cujo nome repete doze vezes a mesma letra e usa y no lugar da letra i pra parecer sofisticado?). Que graça tem alguém que machuca o dedo e não grita um palavrão? Que graça teria se a gente conseguisse tudo que quer? Se fizesse tudo conforme o manual. Se só abrisse o presente de Natal depois da meia-noite. Se tudo saísse conforme planejado. Se a gente não tivesse ciúme. Se a gente soubesse exatamente como fazer tudo. Ou se tivesse alguém pra nos dizer sempre como fazer. Não teria graça nenhuma.

Não haveria inspiração pras duplas sertanejas, pros noticiários, pros blogueiros, pra Sônia Abrão ou pra Márcia Goldsmith. Não haveria dor ou poesia. Os dias chuvosos não fariam o menor sentido. O mundo não teria graça se tudo fosse perfeito e se todo mundo tivesse a resposta pro problema alheio antes mesmo do alheio ensaiar querer um conselho. Por isso, detesto que alguém dê palpite na minha vida. Deixe que eu caminhe com minhas próprias pernas curtas dando meus passos pequenos. Um de cada vez. Deixe que eu caia, levante e comece de novo se precisar. Mas, por favor, me deixe fazer sozinha. Do meu jeito errado. Se eu vou me machucar mais do que aprender alguma lição, deixe que eu descubra no final. E, no final, se der tudo errado, quero ver quem vai voltar pra ficar do meu lado.

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Preciso compartilhar uma coisa com vocês! To eu em São Paulo (!!!) quando surge uma pessoa fooofa:
-você é a Brena?
-sou.
-eu leio seu blog!!!

Êeeee!!!

Aline, fofa, obrigada demais. Me manda um email porque não consegui achar seu blog. Beijos a todos.

01 julho 2008

O ESTRANHO MUNDO DE MIM MESMA

O mundo não combina comigo. Por mais adolescente que possa soar pra quem lê, pra mim só isso faz algum sentido. Foi só essa explicação meio infantil que encontrei. Não tenho muitos amigos, não faço o que gosto, nunca achei um emprego que fosse a minha cara. Só faço as escolhas erradas, nunca acertei um número na mega-sena e não posso doar sangue. Tenho tendência a emagrecer e ganho músculos com facilidade. Meu melhor amigo é um passarinho com topete. As únicas pessoas em quem eu confio são meu pai e minha mãe, as únicas que dariam sua vida por mim e me apóiam em qualquer situação. Com certeza, eu não pertenço a este mundo.

Sempre quis ser um exemplo pras pessoas. Criei uma super-heroína que nunca existiu na vida real. Sempre procurei mostrar pras pessoas o lado bom das coisas que eu mesma nunca consegui ver. Sempre disse “vai passar” quando parecia que ia ser eterno o sofrimento e não havia sequer um raio de luz no final do túnel. Sempre passei de ano direto na época da escola. Nunca coloquei um cigarro na boca, nunca experimentei nenhum tipo de droga, nunca bebi além da conta. Pago minhas contas antes do vencimento. Cumpro minhas obrigações e exijo meus direitos. Nunca admiti que me julgassem sem me conhecer. Nunca admiti que desconfiassem do meu caráter ou da minha idoneidade. Nunca usei meu corpo pra distrair os homens. Sempre agi de boa fé. Sempre quis fazer algo na vida que justificasse minha existência estúpida.

Mas, às vezes, acho que minha missão aqui já foi cumprida. Não há nada mais que eu possa fazer pelas pessoas, pelo mundo ou por mim mesma. Já cansei de me decepcionar faz tempo. Não que eu tenha desistido. É que não tenho mais forças. Não consigo mais dizer pras pessoas que vai dar tudo certo. Não, eu não sei se vai dar certo. Não consigo dizer “vai passar”, porque eu sei que passa, mas às vezes demora muito mais tempo do que a gente agüenta e, às vezes, a gente precisa ficar boa já. Não consigo achar que é só uma fase, pois a “fase” pode ser uma vida toda. Não consigo ser otimista depois de tanto chão e tanta estrada de terra. Meus vinte e poucos anos já passaram e levaram com eles minha visão romântica da vida. Não sou mais aquela menina de onze anos de idade que imitava a Xuxa nas escolas públicas, cantando “Arco-íris” e pedindo pras crianças dizerem não às drogas, mesmo imaginando na minha cabeça ingênua que droga era coisa só de bandido.

Hoje, sinto que eu poderia ter feito tudo diferente pra me sentir mais inteirada aqui. Poderia ter passado por cima de algumas pessoas, poderia ter deixado alguns amigos na mão, poderia não ter sido tão honesta, poderia ter mentido pra algumas pessoas, poderia ter mandado outras à merda. Hoje, percebo que, mesmo fazendo meu melhor, não sou a filha, a amiga ou a namorada dos sonhos de ninguém. Simplesmente por achar que o mundo não é do jeito que deveria ser, por não acreditar em contos-de-fadas, por não aceitar migalhas. Por achar ridículas as atitudes do tipo “todo mundo faz, eu também tenho que fazer”. Gente que usa isso como uma desculpa imbecil “todo mundo faz”. Por isso nunca dei certo. Porque nunca tomei as idiotices alheias como minhas. Não tenho nada a ver com “todo mundo”. Não aceito a atitude de “todo mundo” e, hoje, desejo que todo mundo se dane. Hoje, vai ser assim: só eu e meu mundo.

12 junho 2008

AMO.

Seria muito fácil escrever um texto de dia dos namorados pra você não fosse o fato de que você resolveu escrever um texto pra mim também. Assim não vale. Você faz isso muito melhor do que eu e sabe disso. É o seu dom. É o que você sabe fazer, como você mesmo diz. Agora fudeu. Agora vou ter que procurar palavras bonitas, tentar não rimar cão com chão e evitar exclamação. Coisa de publicitário!

Quando eu lia seus textos e tentava entender o que você escrevia, antes mesmo da gente se conhecer, eu já sabia que não ia ser fácil. Quando eu te bloqueava por um mês inteiro no MSN, você nem calculava que eu ia dar muito mais trabalho do que você podia imaginar. É. O começo não foi fácil mesmo. Eu achava que fosse namorar você e continuar solteira. Você de lá e eu de cá. Tudo certo. Achei que dava pra fazer as duas coisas ao mesmo tempo, afinal não era pra ser nada sério mesmo. Mas isso era só o começo.

Isso foi antes de eu descobrir que você organiza as latinhas de refrigerante em linha (!!!) na geladeira. Que você é tão organizado que paga previdência privada e alinha também as almofadas em cima da cama. Que arruma a própria cama. Que arruma tudo que eu bagunço na sua vida. Que você lava as roupas coloridas separadas das brancas e separadas das escuras. Isso foi antes de eu descobrir que eu ia ser só sua. Isso foi antes de eu te conhecer. Isso foi antes de eu me apaixonar. Agora fudeu. Agora eu bagunço sua cama e você não liga. Eu deixo todas as luzes da casa acesa e você vem atrás apagando. Eu faço você assistir Sex and the City comigo - na primeira fila porque eu esqueci os óculos em casa. E você vai. Você faz tudo com o maior prazer. Faz todas as minhas vontades. Me mima. Cuida de mim. Você se preocupa se eu vou arrumar logo um emprego. Você quer me levar ao médico cada vez que eu dou um espirro diferente do normal. Você quer me levar sempre aos melhores lugares. Você faz questão que eu esteja linda. Mais porque sabe que eu me preocupo com a aparência do que por você mesmo. Por você eu poderia acordar e dormir descabelada. Você consegue me achar linda de manhã cedo e fazer eu me sentir a Gisele Bundchen. Você diz que me ama vinte vezes por dia e me faz querer passar o resto dos meus dias com você. Faz eu esquecer que era pra escrever um português bonito, sem palavrões e com tom de poesia.

Agora já era. Ta tudo dominado. Você quer confiscar minha calça jeans velha que marca a bunda, estica o olho cada vez que apita uma mensagem no meu celular e liga de dez em dez minutos toda vez que eu saio de casa depois das nove da noite. E ainda reclama que eu tenho ciúme. Reclama dos meus achismos. Reclama do decote. Reclama da saudade. Reclama do tempo. Reclama de tudo só pra exercitar. Exercitar a chatura. A chatura que eu amo.

Não acredito em datas comerciais. Pra mim, isso é um desculpa sem contexto pras pessoas gastarem dinheiro. E a gente, que deu pra entender de palavras, gasta texto. Eu aqui virando a noite pra colocar no papel meia dúzia de frases legais e você já no décimo sonho porque em meia hora escreve um texto que eu não escreveria nem se passasse todas as noites da minha vida em claro. Por isso prefiro passá-las com você. Pra ver se eu pego um pouco do seu talento pra mim. Pra colar uma linha de cada página que você escreve. Pra ficar admirando suas palavras. Ou simplesmente pra ficar com você mesmo. Pro resto das minhas noites.

10 maio 2008

MEUS HERÓIS MORRERAM DE OVERDOSE

Ronaldo, o jogador-fenônemo-pegador pegou tanto que resolveu mudar de time pra ampliar o campo de atuação. Britney, a namoradinha da América, depois de dar pra meia América, virou alcoólatra, perdeu os filhos e vive se internando nas clínicas de reabilitação. Paris-faz-nada-Hilton ganha a vida deixando “vazar” seus vídeos eróticos na Internet e fazendo cara de “vem me comer” pros fotógrafos de plantão. E agora mais esta: a Mulher Baleia, ops, Mulher Melancia que... ham... faz o que mesmo? Ah, claro! Mostra a bunda na Tv! Sim, esses são nossos ídolos.

E não, eles não se tornaram loucos, alcoólatras, drogados, depravados, fúteis e causadores de escândalos porque são nossos ídolos. Pelo contrário. Eles se tornaram nossos ídolos justamente porque são loucos, alcoólatras, drogados, depravados, fúteis e causadores de escândalos. Alguém se interessa pela vida ou pela carreira de Cláudia Raia? Mãe, atriz, dançarina, cantora. Alguém assistiria na Luciana Gimenez um especial com alguém que tivesse talento ao invés de 121cm de bunda? Que tivesse voz ao invés de 500ml de silicone? Acho pouco provável.

Isso porque a tosqueira é inerente ao ser humano. Explico: o ser humano é tosco. No sentido exato da palavra. Grosseiro. Rude. Sem lapidação ou polimento. Li uma vez que homem gosta de ver mulher pelada, mesmo que seja índia velha na matéria do Fantástico. Achei isso de suma elegância e desenvolvimento intelectual. Coitado de Darwin! Deve estar se revirando no caixão uma hora dessa. Cadê a teoria da evolução?

A gente gosta de ver o pai que joga criança pela janela. A gente gosta de ver a puta que derruba governador. A gente gosta de ver a atriz bonitona que chifra namorado galã. A gente gosta de ver as mulheres que mostram a calcinha “sem querer” (ou a falta dela, na maioria das vezes). A gente gosta de ver a Britney ir parar na delegacia bêbada pela cinquentésima vez. A gente gosta de ver que a Paris Hilton nunca fez nada útil na vida e é ídolo. Que a Mulher Elefante, ops, Melanciiiiiia foi despejada de casa (tadinha!). Que o Ronaldo é humano e versátil (uh!). É do ser humano isso. A tosqueira está em você e está em mim (que sei disso tudo que está escrito aí em cima, ainda que nada disso vá mudar minha vidinha igualmente tosca).

A gente não tem exemplo. Nossos heróis são toscos. Nossos heróis são os Marcelos D2 que acendem um baseado bem na nossa cara. São os Lulas que não sabem de nada. São as Cicarellis que dão na praia. São as mulheres-melancia que dançam “créu” (vergonha alheia!). São os 50Cents que valem exatamente meio dólar. São os Snoop Doggs que colocam a mulher como objeto em seus clipes. São os travestis que vão pra Luciana Gimenez. São os jogadores que gostam de travestis e de putas. São as putas. Fomos nós que os elegemos nossos ídolos. Heróis. Nossos exemplos. Porque eles são a nossa cara. São nosso alterego. O reflexo daquilo que a gente admira no outro. O retrato mais fiel da nossa própria tosqueira.