16 março 2008

RAZÃO PRA SER. EMOÇÃO PRA QUE?

Vi na TV, recentemente, um psicólogo dizendo que a mulher demora mais pra terminar um relacionamento, mas quando faz, é porque já tentou de tudo. Já deu chance, já perdoou, já pediu pra mudar, já mudou, já fez e aconteceu e nada mudou. Já os homens têm mais facilidade em jogar tudo pro alto. Porém, na maioria das vezes, eles voltam atrás. Se isso é verdade, eu não sei, mas eu, particularmente, ando mais adepta da razão.

Nós, mulheres, somos mais tolerantes. A gente fica em casa enquanto o namorado vai beber com os amigos. A gente fica em casa enquanto ele vai jogar futebol. A gente fica em casa enquanto ele viaja a trabalho. Mas, enquanto a gente ta em casa, a cabeça pensa, dá voltas, procura uma saída. A cabeça pesa. A cabeça põe na balança os prós e os contras. Enquanto ele grita, a gente fica muda. E pensa. Dizem que a mulher é mais emoção, mas, me desculpem. Quando decidimos algo importante na nossa vida, somos só razão.

E a razão demora. Pensa. Repensa. Pesa. Calcula. Avalia. A razão dá chance. Acredita na mudança. A razão faz a gente mudar. A emoção é toda atrapalhada. A emoção sai batendo a porta. A emoção grita. Xinga. Esperneia. Faz pirraça. Chora. A emoção põe tudo a perder no momento errado. Mulher é muito assim. Emoção pura ao longo do caminho. Mas a gente sabe que, quando a decisão é séria, a coisa precisa ser pensada. E a gente não põe tudo a perder a toa.

Quando damos a cartada final é porque não há mais nada a perder. A gente já olhou por todos os ângulos, já fez os cálculos de todas as probabilidades disso dar certo e concluiu que não dá. A gente vai sentir falta. O domingo à noite vai ser foda. Vai doer pensar que ele vai ser de outra. Mas tudo isso a gente já pensou antes. Nada disso vai ser mais foda do que continuar no relacionamento.

Relacionamentos são pra deixar a gente mais feliz. Estou falando de rolo, namoro, casamento. Se veio mais um pra ficar com a gente, é pra somar. Se ta dando dor de cabeça, se ta pesado, se ta sofrido, se ta fazendo mal, melhor sem ele. Um namorado me disse, certa vez, que não estava feliz comigo. Achei justo que terminássemos. A última coisa que quero, no mundo, é fazer alguém infeliz. Se já não é fácil agüentar a própria infelicidade, agüentar a dos outros é quase impossível.

Já fui só emoção. Daquele tipo de mulher que desliga telefone na cara, depois liga de novo (a doida, né?!). Que termina namoro na hora que ta irritada. Que vai embora da casa do namorado carregando a mala. Que procura pra voltar, em prantos. Que fala, grita, xinga e chora ao mesmo tempo. Nada que uma dose cavalar de razão e cabeça fria não resolvam. Hoje, deixo as coisas pra resolver depois. De cabeça fria, a gente pensa melhor e corre menos risco de fazer merda. Hoje, depois de ter dito muita coisa que magoou muita gente e ter ouvido muita coisa que me magoou, eu penso antes de falar. Eu respiro fundo e conto até cem mil se precisar. A palavra dita não tem volta. A ferida que ela causa fica pra sempre. Então, hoje, prefiro ser mais razão e menos emoção. Prefiro demorar pra tomar decisões, mas fazer a coisa certa.

29 fevereiro 2008

AZAR NO JOGO

Hoje descobri porque eu não tenho sorte no jogo. Porque toda vez que eu jogo, eu penso que vou usar o dinheiro pra ajudar muita gente de quem eu gosto. Só de carro, acho que seriam uns 20. Queria retribuir muita coisa boa que já fizeram pra mim. Pagar muitas viagens, viajar e levar muita gente comigo. Mas, segundo uma amiga minha, jogo é coisa do capeta, então, quando a gente joga, a gente tem que pensar: se eu ganhar, eu vou fazer mal pra fulano, fulano e fulano. Pra poder dar certo. Por isso que eu nunca ganho nada. Do fundo do meu coração que eu queria pensar qualquer coisa do tipo, mas simplesmente não consigo.

Queria ter recebido outro tipo de educação da minha família. Meus valores, minhas crenças, meus objetivos nunca me empurraram pra frente. Sempre fui tão correta com todo mundo, sempre fiz o bem, sempre fui sincera, sempre fui educada, sempre amei demais, sempre agi de boa fé, sempre fui fiel, sempre paguei minhas contas em dia. E o que eu tenho recebido de volta não se parece em nada com o que eu tenho feito. E pior: o que tenho visto é o mal prevalecer. Quem se dá bem são as pessoas que agem de má fé com as outras. São as vagabundas. As interesseiras. Os covardes. Os de alma pequena.

Quem tem se dado bem é sempre aquele que usa o outro, que engana, que abusa da boa vontade das pessoas. Quem tem se dado bem é quem pega dinheiro emprestado e não paga, quem sai sem pagar a conta, quem usa o “jeitinho brasileiro”. São os políticos corruptos. São os que sonegam impostos. São os que cobram juros abusivos. São os que fazem falsas promessas milagrosas. Os que vendem produtos pra emagrecer que não funcionam. São os que falsificam remédios, bolsas e tênis. São aqueles que usam a força da publicidade pra vender sonhos distantes. Pra vender terreno na lua. São as igrejas que usam o nome de deus pra roubar os pobres fiéis. São os patrões que não pagam os direitos dos empregados. São os maus empregados.

Por isso, queria fazer tudo diferente. Queria ser uma pessoa pior. Queria não chorar quando magôo alguém. Queria não me culpar quando erro. Queria ligar o foda-se no talo. Queria que eu quisesse que alguém se fudesse. Mas não desejo mal a ninguém. Não consigo. Queria não acreditar quando a Madonna fala, cabalisticamente, que tudo que a gente faz volta pra gente. Mas eu acredito. Não porque é minha musa falando, mas porque eu acho mesmo que o que a gente faz volta pra gente. Algumas vezes, volta em dobro. Queria que Newton nunca tivesse inventado a terceira lei pra confirmar meus pensamentos: a toda ação, corresponde uma reação, de igual força e intensidade, em sentido contrário (basicamente, é isso). Mas, mesmo eu acreditando em Newton, Madonna, Cabala, ou seja lá o que for, nada de bom tem voltado pra mim ou pra quem quer ser de bem. O bandido tem se saído melhor que o mocinho. O mal ta vencendo o bem. O país, as pessoas, os amores e o orkut só confirmam minha teoria de que bonzinho só se fode. De que eu estou perdendo meu tempo e minha chance de ficar milionária por ser uma cidadã de bem. Hoje, joguei na mega-sena pra tentar a sorte no jogo. Mas, se jogo for coisa do capeta mesmo, vou precisar treinar mais um pouco.

......................................................

Amores, sei que deveria dar bons exemplos, mas, às vezes, não consigo. Às vezes também, meu lado cético fala mais alto. Ando assim. Descrente.
Vai passar. Beijocas.

13 fevereiro 2008

SOBRE ANJOS


Eu sempre soube que nenhuma pessoa, nenhum ser humano neste mundo é só bom ou só mau. Todo mundo tem seus dois lados: o bem e o mal. Ainda que esses dois se confundam ou um deles predomine. Mas uma pessoa com o nome tão diferente não poderia mesmo ser igual a nenhuma outra. Não poderia se encaixar em nenhuma regra, seguir nenhum padrão. Minha amiga chamada Kédima.

Deve ser porque Kédima não é um ser humano como a gente. Kédima é anjo. A pessoa com o maior coração que já conheci em toda minha vida. Com a alma mais pura. Com o sentimento mais sincero. Com as palavras mais doces. A pessoa que já me levou pras festas e já me levou pro hospital. Minha médica. Minha plantonista. Minha emergência. Meu socorro. Se não fosse por ela ser mais nova que eu, poderia dizer que minha amiga é uma mãe pra mim.

Minha amiga mais linda. Mais alta. Mais magra. Mais sarada. Mais chique. Mais fashion. Mais poderosa. Minha inspiração. Minha companhia. Minha conselheira. Minha vizinha. Meu apoio. Meu sorriso. Meu conforto. Minha carne e unha. Minha cutícula! Kédima é essa cidadã de alma aberta. De princípios claros. De valores verdadeiros.

Amiga que conheceu a Brena forte dando bolsada na balada e conheceu a Brena esmaecida tomando soro no hospital de madrugada (e ainda saiu pagando estacionamento... ai, que vergonha!). Amiga tão menina e tão madura. Tão nova e tão sábia. Tão doce e tão segura. Forte por dentro e por fora. Que me dá forças quando eu preciso e poderia bater em alguém se eu precisasse.

Kédima, amiga, cutícula. Você é uma pessoa especial. Pra mim e pra todas as pessoas que tiveram a sorte de te conhecer nesse mundo. Tão boa que não consegue ver maldade no mundo e nas pessoas. Tão boa que eu nem sei se eu mereço sua amizade. Deus te colocou no meu caminho pra eu aprender a ser uma pessoa melhor a cada dia. Pra eu ver que esse mundo ainda tem jeito. Que ainda existe gente com tamanho caráter, humildade, presteza, bondade, educação, gentileza. Pra eu ver que o dicionário é pequeno pra eu achar tanto adjetivo quanto você merece. Porque você é só boa. Amo você, amiga. Você é um anjo neste mundo estranho.

08 fevereiro 2008

NINGUÉM DISSE QUE IA SER FÁCIL


Quando alguém disser pra você que quer só seu lado bom, corra pra bem longe. É muito fácil gostar de alguém “perfeito”. É muito simples querer alguém só pra festa. Muito cômodo estar com alguém só na hora do bem-bom. Mas, na hora que o calo aperta, é que você conhece aquele com quem você faz planos pra vida.

Você divide a mesma cama com alguém, traça roteiro de viagem, viaja, torra o dinheiro - que você não tem - indo e vindo, gasta seu tempo, sua juventude, suas forças. Você supera coisas que jamais pensou que fosse suportar. Você finge que não vê outras tantas e, lá pelas tantas, você vê que foi tudo em vão. Como que alguém que só te quer rindo, indo, dançando, bebendo, cantando, beijando, amando pode te amar de verdade? Cadê o “na saúde e na doença, na alegria e na tristeza” e aquela história toda? Cadê o “até que a morte nos separe”?

Na minha cabecinha inocente, duas pessoas que se amam deveriam formar um casal apaixonado. Daqueles que a gente vê em filme. Com direito a corridinha na beira do mar de mãos dadas e tudo mais. Com beijo romântico no pôr-do-sol. Na minha imaginação adolescente, o amor nunca perde o viço. Era só isso que eu pedia pra mim. Flores, frases, vinhos, praias, corações, edredons. Mas quem mandou eu acreditar nos filmes, nos livros, nos textos, nas palavras, nas promessas?

Não entendo de morar junto, não entendo de casamento, não entendo de uma vida a dois, muito menos de amor. Mas o amor não deve ser só receber sem se dar. Se fosse, estaria à venda. E não está. Porque o outro lado não precisa de dinheiro pra amar. Só precisa amar de volta com a mesma intensidade. E o amor precisa de intensidade. De intenção. O amor não é querer o fácil só porque lhe convém.

Talvez seja por isso que certos tipos de homens apreciam prostitutas. Amor enlatado. Descartável. Pra viagem. Só na hora que convier. Sexo sem tpm. Vapt-vupt. Au revoir. Enquanto o dinheiro der. Sem rachar conta de água, de luz, de telefone, de condomínio, de iptu e de restaurante. Sem dor de cabeça. Até que a próxima noite os separe. Na alegria, sem tristeza. Na saúde, com doença.

Se o amor tem um preço, é este: amar vinte quatro horas por dia, sete dias por semana. Amar cem por cento. Amar por inteiro. Infinito. Sem data de validade ou prazo pra expirar. Dar sem garantias de receber nada em troca. Apostar todas as suas fichas. Ser todo. Se o amor tem um preço, um jeito, uma forma, uma fórmula. Se o amor tem jeito. Eu não sei. Eu não sou fácil, não me vendo, não aceito migalhas, não gosto de metades. Sou um império do bem e do mal. Sou erótica, sou neurótica. Sou boa, sou má. Sou biscoito de polvilho. Açúcar, sal, mousse de maracujá. Só não sou um brinquedinho. Que alguém joga no canto do quarto quando não quer mais brincar. Sou um pacote. Uma mala. Sou difícil de carregar.

30 janeiro 2008

CRIMES MORAIS

Alguém entra na sua casa, rouba suas coisas, agride você. Esse alguém cometeu, de uma só vez, vários crimes. Previstos em vários artigos da Constituição. Alguém entra na sua vida, rouba seu tempo, destrói sua confiança, agride sua auto-estima, estilhaça o pouco que resta da sua confiança no amor. E sai ileso. Mas não seria esse o pior crime que alguém pode cometer contra outra pessoa? Agressão só é penalizada quando alguém encosta a mão em alguém? Como se pune quem causa uma ferida que não está exposta?

Acredito que tomar uma surra de um boxeador deve doer menos do que ser traído. A dor física passa em algumas horas ou, em casos mais graves, alguns dias. Pra dor física, existe remédio. Pras feridas, existe curativo. Mas quem cura a dor de um coração destruído? Como se cura a dor de uma confiança perdida? O que fazer com as feridas cravadas na alma de alguém que sai na rua descrente do mundo? Como penalizar o agressor que, sem usar mãos, armas ou objetos cortantes e pontiagudos, causou ferimentos graves em alguém? Por que ninguém previu isso na lei?

As pessoas lotam os consultórios psiquiátricos, se entorpecem de remédio pra ansiedade, remédio pra depressão, remédio pra pressão, remédio pra dormir, remédio pra acordar. Remédio pra viver. Pra fazer viver quem quer morrer. Remédio pro irremediável. Pra dor que não passa. Pra ferida que ninguém vê. Vãs tentativas de resolver o caos interno. As pessoas tentam remediar uma dor que parece que nunca vai ter fim, um sofrimento que vem de dentro. Bem fundo. Tão fundo que nenhum remédio ou substância tóxica é capaz de alcançar.

Entendo perfeitamente crimes passionais. Entendo perfeitamente quando minha amiga diz que não consegue conversar mais com o ex-namorado porque ela tem vontade de bater nele. Entendo meu amigo que diz que preferia ver a namorada morta do que com outro. Sinceramente, entendo. Quando alguém te machuca, te decepciona, te magoa, a dor é tão grande que você quer agredir a pessoa de volta. Você se sente impotente. Enganado. Ferido. Frustrado. Dá vontade de matar. De morrer. De sumir. Seu mundo desaba bem na sua frente. Você sente que perdeu seu tempo, sua vida, sua auto-estima, suas forças. E qual a pena pro agressor nesse caso? Qual a pena pra alguém que entrou na sua vida, na sua casa, nos seus sonhos, nos seus planos e, num piscar de olhos, destruiu tudo como se tivesse esse direito?

O que sempre falo com meus amigos (como se conselho valesse de alguma coisa) é que vingança não é remédio. Nem fazer justiça com as próprias mãos. Acredito que o tempo se encarrega disso. Acredito que pessoas que usam da confiança e boa vontade das outras nunca vão se dar bem na vida. Ou não vão ser felizes. Ou nunca vão conseguir amar de verdade. Ou não mereciam a gente. Ou que a gente deve agradecer por ter se livrado de um encosto. Ou sei lá o que. Nunca fui boa conselheira. Talvez essas sejam as formas da vida punir quem brinca com o coração dos outros. Não sei mesmo. Em todo caso, deseje o mal de volta pra pessoa. Não por vingança. Só pra ver se ela é forte como você.

.................................

Esse texto é resultado de uma conversa de MSN com meu melhor amigo (quase irmão). Prometi que iria escrever sobre o tema e taí.
Beijocas.

11 janeiro 2008

EU QUERO TER CERTEZA

E, depois que ouvi essa frase, todas as únicas certezas que eu tinha na vida foram pro ralo. Escorreram pelo meu rosto lavando o resto de alma que eu ainda tinha nele. Logo eu, que nunca tive sequer uma certeza na vida, preciso dar garantias pra alguém de algo que eu não faço a mínima idéia. Eu digo que amo, mas talvez eu não saiba o que é amor. Eu ouço juras de amor de gente que confunde os sentimentos. E me confunde.

Dizem que, quando a gente ama alguém, deve deixar livre. Então, realmente não sei amar. Não consigo dizer que amo e ficar longe. Não consigo gostar e não ter notícia. Não me dou bem com a distância. Não entendo relacionamentos abertos. Não admito traição. Não entendo quem gosta e não quer ficar junto. Não entendo quem diz que ama e não sabe se quer. Não entendo alguém que quer certezas sem apostar no relacionamento.

O dia que eu coloquei meu passarinho no dedo, levei ele pra rua e ele não quis ir embora, mesmo podendo voar, eu entendi o que é liberdade. É querer estar junto mesmo com milhares de outras possibilidades lá fora. É poder ir e querer ficar. É ter a chance de escolher. Liberdade é ter milhões de caras na sua cidade pelos quais você poderia se interessar mas você se enfia num aeroporto lotado pra atravessar o estado e ficar com quem você quer. Liberdade é poder falar que ama. Liberdade é poder falar do que não gosta. É saber conviver com a diferença e respeitar isso. É entender que ninguém é exatamente do jeito que você imaginou que fosse. É estar junto e fazer planos. É estar junto sem saber o que vai acontecer amanhã. É querer continuar mesmo que os planos dêem todos errados. Mesmo que você não tenha nenhuma certeza.

Vou seguir o que dizem e deixar livre. Vou seguir. Livre. Fazendo planos pra minha própria vida. Ou não. Vou simplesmente deixar que as coisas sigam seu curso natural. Livre. Que a vida continue. Que as incertezas passem. Que a paz reine. Que o amor renasça. Que possamos fazer escolhas certas e escolhas erradas. Que a tal liberdade sirva pra isso. Pra nos permitir viver errando, acertando, amando, descobrindo.

Eu nunca quero ter certeza de tudo na vida. Acho que amar é isso. Saber dar sem garantias. Sem exigir nada em troca. Arriscar, acreditando que vai dar certo. Sem olhar pra trás e se arrepender porque deu errado ou porque não era bem assim que você planejou. Acho que amar é a incondicionalidade. Não impor condições. Não ter prazo de validade. Não sei nada sobre amar, mas desconfio que não tem nada a ver com certezas.

23 dezembro 2007

SOBRE ESPERANÇAS E EXPERIÊNCIAS


Nunca gostei de fazer promessas de ano novo. Nunca cumpro nada do que prometo no começo de cada ano e acabo me frustrando. Um arraso. Antigamente, eu fazia uma lista de coisas. Que só serviam, é claro, pra eu perceber o tanto de coisas que gostaria de ter feito e não fiz. Agora, com mais um ano chegando ao fim, resolvi fazer uma não-promessa. Acho que essa vai ser mais fácil de cumprir. Explico: menos expectativas. É isso. Minha promessa de ano novo é esperar menos, ser menos exigente. Comigo e com os outros. Descobri que as pessoas exigentes demais são as que se frustram na mesma proporção. Quanto mais a gente espera dos outros, mais a gente continua esperando.

Espero tirar nota dez e me frustro com o nove. Espero contar com todos os meus amigos sempre que precisar e me frustro com as desculpas esfarrapadas que eles dão pra me deixar na mão. Espero que eu seja magra, linda, loira e sarada e me frustro se tenho vontade de fazer nada, comer só porcaria e ficar o mês inteiro sem malhar. Espero que minha pele seja igual eu faço ela ficar no photoshop e me frustro cada vez que vou ao dermatologista e ele não me deixa tomar sol no rosto.

Aquela história de “quanto mais alto o coqueiro, maior o tombo” é bem verdade. A gente sonha demais, espera demais, quer demais. E o que a gente encontra são pessoas normais, peles normais, barrigas de chope, banhas laterais, cabelos desgrenhados. Gente que tira meleca do nariz – do próprio e dos outros. Gente que amarra o cabelo com a calcinha amarela no terceiro encontro. Gente que tem micose na unha do pé.

Bons tempos aqueles que eu assistia a Xuxa cantar Lua de Cristal e acreditava que o mundo poderia ser melhor se eu fosse uma pessoa melhor. Que todos os meus sonhos iam se realizar só porque eu queria. Que todas as pessoas do mundo eram loiras, lindas, lisas e paquitas. Que o mundo era um arco-íris. Hoje, eu sei que arco-íris é apenas a bandeira gay, que algumas paquitas viraram mulheres de reputação duvidosa (o Word não quer reconhecer o nome que escrevi aqui) e a Xuxa virou uma chata que colocou no mundo mais uma menina mimada, dando exemplos modernos com sua produção independente.

De verdade, queria escrever um texto cheio de esperanças e promessas para o ano novo. Mas todo ano que passa, acredito mais na experiência do que na esperança. Então, desta vez, vou fazer uma promessa diferente. Vou esperar menos. Vou esperar o beijo de boa noite ao invés do eu te amo. Vou esperar o carinho ao invés das palavras bonitas. Vou esperar o som, o sorriso, o gesto. Vou esperar a sinceridade, a simplicidade. Vou esperar menos do que eu posso dar. Vou esperar a companhia sincera de poucos amigos. Vou esperar o final de semana ao invés de querer o pra sempre. Vou acreditar que o “pra sempre sempre acaba”. Vou assistir menos filmes com Leonardo DiCaprio. Ouvir menos música sertaneja. Vou ser menos romântica - no sentido literal da palavra. Vou parar de esperar que todos os filmes tenham finais felizes. Que nossos bichos de estimação vivam pra sempre. Vou parar de esperar. Minha promessa de ano novo é bem simples: não me prometo mais nada.

.................................

Amores, um Natal lindo pra todos e um 2008 cheio de sucesso!
Beijos

26 novembro 2007

UMA LÁSTIMA


Quando eu era criança, me ensinaram que a gente deve fazer o bem sem esperar nada em troca. Me ensinaram que as pessoas não vão ser boas comigo porque eu sou boa com elas. Me ensinaram a nunca esperar nada em troca. Até no “catecismo” (é, eu fiz isso!) me contaram que seu Jesus ajudou não sei quantas pessoas e só uma voltou pra agradecer (não sei contar história direito, mas é mais ou menos isso). Eu já deveria ter aprendido nessa hora.

Mas não. A gente quebra a cara, apanha da vida, se ferra e não aprende. Você ajuda uma pessoa que depois quer puxar seu tapete, você respeita alguém que mal conhece essa palavra, você presenteia pessoas que fazem pouco caso de você no dia do seu aniversário, você é fiel ao cara que só está esperando a primeira oportunidade pra te colocar um par de chifres, você paga o jantar da sua amiga que depois quer rachar o estacionamento de três reais com você.

Seria muita hipocrisia minha dizer que gosto de fazer o bem pras pessoas e só tomar ferrada em troca. Mas não sou covarde o suficiente pra dizer que sou boazinha pra agradar o mundo e não me importo se as pessoas agem com descaso comigo. Me importo sim. Não tolero descaso, falta de consideração, falta de respeito. Não tolero gente sem educação porque sou educada com as pessoas. Não tolero gente que não cumpre com a própria palavra porque, a partir do momento que eu me comprometer com algo, vou cumprir com o que foi dito.

Nunca admiti, na minha vida, homem que diz que vai ligar e não liga. Nunca entendi minhas amigas que tomam end dos caras e insistem em ligar pra eles mesmo assim. Nunca entendi mulher que toma chifre e finge que não sabe. Na verdade, nunca entendi gente que finge de burro pra continuar pastando. Descaso, falta de consideração, falta de educação, falta de respeito, falta de hombridade, falta de coleguismo, falta de ser gente. Nunca vou entender como alguém acha isso normal.

Sempre esperei que as pessoas agissem comigo da mesma forma que ajo com elas e é por isso - e só por isso - que sou honesta. Que sou franca. Que sou amiga. Que sou fiel. Só por isso me esforço pra ser uma pessoa boa. Porque espero das pessoas o mesmo tipo de atitude. E não porque quero ser a Madre Teresa de Calcutá ou almejo algum tipo de canonização. Mas sabe de uma coisa? Bobagem. Na hora que a coisa aperta, é com um ou outro que você pode contar e só. Aí, cadê aquela sua amiga pra quem você pirateava cds do Jota Quest porque ela não tinha dinheiro pra comprar? Cadê aquela outra que, quando a mãe dela ficou doente, você se ofereceu pra ir com ela de madrugada pro hospital? Cadê aquela amiga que você buscou e levou em casa durante os quatro anos de faculdade? Cadê aquelas que freqüentavam todas as festas na sua casa? Cadê aquela que você levou em casa lá no fim do mundo quinhentas vezes depois das festas? Cadê todo mundo quando você precisa de uma coisa muito simples?

Não sei onde estão essas pessoas e agora, de verdade, prefiro não saber. Prefiro que todas elas se lasquem porque agora vou ser uma pessoa pior. Cansei de fazer o bem e me dar mal. Cansei de esperar atitudes das pessoas e mofar esperando. Cansei desse povo sobrando inútil na minha vida. Cansei de ser a boazinha. A que sempre se fode. Cansei dessa hipocrisia de fazer o bem de graça. Cansei de ser a única a me lascar. Cansei de me lascar de graça.

10 novembro 2007

É SÓ O MEU JEITO

Você já devia saber que uma garota que já deu uma bolsada na cara de alguém não está pra brincadeira. Já deveria conhecer meu tom seco e sarcástico e minha insuportável mania de falar a verdade sem me importar com o que os outros vão pensar. Sem me importar se vão continuar gostando de mim mesmo assim. E mesmo assim você me quis. Mesmo conhecendo meus defeitos mais ácidos e meu (mau) humor oscilante. Mesmo assim você pagou o preço e apostou todas as suas fichas pra ver no que ia dar. Corajoso você.

Nunca precisei fingir que sou uma pessoa boa. Nunca precisei fingir que eu não to nem aí quando eu to mais aí do que aqui. Não faz meu tipo. Me esforço às vezes pra ser romântica, pra acreditar nos planos. Pra acreditar nas pessoas. Nunca chorei pra convencer. Talvez porque não faço questão de convencer. Ou, como você mesmo diz, sou direta. Fria. Seca. É. Nada disso é novidade pra ninguém. É só o meu jeito.

Mas o que você não sabe é que eu nunca precisei assistir novela pra construir frases bregas. Nunca li e-mails de auto-ajuda em Power Points coloridos - que piscam, cantam e mostram imagens de santos - e ainda assim sou brega. Nunca precisei ser melosa pra ser romântica. Nunca precisei fazer esforço pra dizer que amo. Só consigo chorar se estiver triste. Não sei fazer cena. Meu personagem é o mais puro retrato de mim. Sem máscaras.

Deve ser por isso que sou tão chata. Intolerante. Exigente. Dou 100% de mim e exijo o mesmo em troca. É alto o preço. Mas você - todo orgulhoso - ligou, insistiu, chegou e disse que queria pagar pra ver. E eu – confiante – disse sim, aceito. Aceitei que você ia aceitar minha chatice. Minhas “nóias” (como você diz). Aceitei trocar a boa vida de solteira pelo seu colo macio. Larguei a balada e me prendi a você. Soltei o mundo pra segurar a sua mão.

Não é qualquer um que agüenta, eu bem sei. Mas você arrumou um jeito de me dobrar. Fez um origami de mim e agora eu estou na sua mão. Por você, abri uma exceção. Virei minha vida do avesso. Abri minha casa. Meu coração. Por você eu apaguei os nomes do meu celular. Esqueci os abdomens sarados. Apaguei meu passado. Por você, parei de escrever, avacalhei a rima e esqueci os versos. Por você, abandonei os outros alvos. Acertei na escolha. Larguei as festas, os riscos. Larguei a vodca com energético. Misturei amor com você.

Não é nada fácil. Mas você é bom nisso. Você me amolece com suas palavras. Me suporta com esse seu jeito doce-azedinho. Você é uma pessoa boa e acha que o mundo é bom. Aprendeu a ver o mundo com seus olhos (me ensina?). E eu sou pura. Pura azedura. Puro teste de paciência com você. Testo seus nervos, sua pele, seu suor. Testo suas noites de sono. Seus sonhos. Misturo os meus com os seus. Me perco em você todo. Agora só falta a gente achar um caminho. Me ensina a falar a sua língua. Me ensina a ver o mundo bom que você quer me mostrar lá fora. A ver o que eu não vejo. Me leva pra você. Some comigo no mundo. Me coloca pra dormir e só deixa eu acordar se for do seu lado. Não me deixa sozinha nunca mais.


.............................................................


Amores, desculpem meu sumiço infinito. Tenho dormido mais cedo e, como funciono melhor à noite, tá phoda de escrever de dia! Prometo não me ausentar por tanto tempo novamente.
Beijos e continuem por aqui.

06 outubro 2007

SOL E SOLIDÃO

Acho que minha alma se retirou do meu corpo. Ou talvez seja só tristeza. Saí de casa sem rumo. Querendo comprar algo que talvez não estivesse à venda em lugar algum. Saí de casa pra procurar alguma coisa que eu não encontrei em mim. Os chocolates não me apetecem mais. As promoções não fazem minha cabeça. Olho no espelho do shopping e minha cara pálida entrega que saí de casa sem o mínimo cuidado comigo mesma. O cabelo preso pra trás da orelha compõe meu desleixo. O retrato mais fiel.

Os olhos esmoecidos. O corpo quente como num estado febril. As mãos fracas. A cabeça longe. Dirigir se torna um risco nessas horas. Os reflexos diminuem. Já não respondo mais a estímulos. O celular não toca e a sensação de vazio preenche meu corpo inteiro. O silêncio me afunda no banco do carro e então volto pra casa. Aquela casa pequena onde eu sempre me dei muito bem sozinha agora parece que vai me engolir.

Estou sozinha.

Tenho uma família que me ama. Tenho um namorado que diz que me ama. Tenho poucos amigos. Mas nessas horas, sou só eu. Já saí sem destino e voltei pra casa. Já procurei lugares pra me divertir à noite, mas me faltou vontade. Só queria querer. A gelatina que comi no café da manhã é o que me sustenta de pé até às dez da noite quando penso em comer alguma coisa e meu estômago embrulha. Meu corpo magro – que já é mais osso do que pele – dá claros sinais de alerta. A pressão cai. A visão fica ligeiramente turva. Os músculos mal seguram o corpo.

E o corpo é tudo que me resta. Esse resto de mim. Alguma coisa se perdeu ontem entre 1h40 e 2h10 da manhã. Entre uma briga e outra. Entre palavras cuspidas na cara. Minha alma, pra não sofrer, decidiu se retirar. Saiu sem se despedir ou ao menos dizer se volta. Foi embora deixando comigo a solidão. Não tenho sono. Não tenho fome. Não tenho vontade. Não consigo rir. Nem chorar. Não sinto amor. Não tenho ódio. Não quero ir. Não consigo ficar. Não quero falar com ninguém. Não quero minha própria companhia.

Acho que descobri o que é solidão. Não é tristeza. Não é morar sozinha com um passarinho por doze anos. Solidão é ter uma família. Ter amigos. Ter namorado. Solidão é ter uma casa linda pra morar. Ter um carro lindo. Ter um emprego. Ter dinheiro pra pagar as contas. Ter uma piscina pra tomar sol. Ter um dia lindo de sol. Solidão é ter tudo. É ter tudo isso e não ter poesia na vida. Não ter cor. Não ter sol. Não ter a si mesma. Solidão é quando sua alma te deixa solta num canto qualquer e você tenta juntar os pedaços.

28 setembro 2007

E QUEM PAGA MINHAS CONTAS?


Impressionante como as pessoas não se cansam dessa formulazinha batida de novela de “quem matou fulano”. Ta aí porque eu não assisto tv. Senão eu que iria me matar. E o tal Big Brother, meu deus?! Sétima edição da mesma baboseira??? A gente precisa mesmo disso? Será que nossa vida é tão desinteressante assim que precisamos da vida dos outros pra nos distrair? Será realmente que não temos mais em que pensar a não ser em quem matou quem na novela? To começando a achar que o problema é comigo.

Minha conta da Intelig venceu há dois dias e ainda não chegou a fatura pra eu pagar. Isso porque os Correios estão em greve. O que me lembra ainda que meu recurso da multa por estacionar em local proibido também não chegará no prazo ao órgão que me multou. E por falar em multa, acho que vou ter que pagar sozinha o conserto do meu carro. O conserto, não! Os consertos. Plural. A fechadura da porta que o ladrão tentou arrombar, o amassado na lateral depois que aquele imbecil bateu no meu carro e não assumiu e, ah, as pastilhas de freio que estão arranhando. Agora me lembro porque não assisto novela. A última coisa que preciso é saber quem matou Taís. Me poupem.

Num país onde prostituta vira ídolo na novela, na Luciana Gimenez e na vida real, não é de se espantar que o assunto do momento é o tal defunto. Até a MTV espera a porra da novela terminar pra exibir a outra porra que é o Vídeo Music Brasil. A premiação que eles esperam o ano inteiro e fazem contagem regressiva por 364 dias. E tudo isso pra premiar uma bandinha desafinada como a tal Fresno e a outra bandinha emo NX ZERO (como se escreve isso?). É, pelo que parece, talento não é o que conta por aqui. O que conta é conhecer a pessoa certa. Mais que isso! Dar para a pessoa certa, como fizeram nossa diva Luciana Gimenez, a intelectual Adriane Galisteu e a nova arreganhada do momento, Mônica Veloso (que, além de abrir as pernas pro Renan e na revista, ajudou o país a esquecer o mensalão no banheiro).

Pra tentar chegar aos pés da audiência da Globo e tirar as atenções de tantos famosos na MTV, nossa diva leva aos palcos uma moça de família da rua Augusta pra falar sobre o tema “Ela só vai ao baile funk sem calcinha”. Que belos exemplos na televisão brasileira! Agora me lembro também porque não vou colocar filho no mundo. Pra não ter o desgosto de descobrir o que é que uma garota vai fazer no baile funk de saia curta e sem calcinha.

Enquanto eu ligo o computador pra ver os e-mails com as putarias que meus amigos me mandam, os renans comem as mônicas e eu ajudo a pagar a conta do motel. Enquanto as aspirantes a famosas dão pros produtores e pros donos de emissoras, eu tenho que tolerar as cantadas baratas do playboyzinho fracassado do meu trabalho. Enquanto as bandinhas sem o mínimo talento recebem prêmios e dão entrevistas, eu dou o máximo do meu talento e meu prêmio é fazer hora extra na empresa onde trabalho. Enquanto loiras gordas de nome estranho que falam errado com sotaque roceiro vendem câmeras na tv, eu vendo o almoço pra pagar a janta. Enquanto eu falo “janta”, os deputados torram meu dinheiro em jantares luxuosos, com moças baratas que vão custar bem caro. Enquanto o país quer saber quem matou Taís, Lineu, Odete e o diabo, enquanto os pobres lotam as filas de inscrição pro Big Brother, eu desligo minha televisão e ligo pra Intelig pra pedir minha segunda via. Sou eu que pago a conta.

...............................................

Amores, desculpem o mau-humor!!! Beijos e bom fim de semana.

20 setembro 2007

A VERDADEIRA BALADA DO AMOR INABALÁVEL

De repente, a vodca virou vinho. A festa fechou as portas. A solteira se comprometeu. A cidadã baladeira que não perdia uma festa sequer, perdeu o juízo e se jogou. Perdeu também a paciência com a amiga que fica horas descrevendo a roupa de não sei quantas cifras que ela comprou pra ir àquela super-mega-ultra-power festa do final de semana naquele super-mega-ultra-power lugar que ela já foi zilhões de vezes. A cidadã ouviu o toque de recolher.

Acabou a graça de sair pra paquerar carinhas que não vão dar em nada. Acabaram as noites sem dias seguintes, os dias seguintes que ainda eram a balada da noite anterior. A cidadã não tem mais paciência pra festas regadas a saias que exibem o útero, por cabelos que exalam formol, por decotes que disputam o maior silicone, por playboys que também disputam o maior silicone, pelos silicones que disputam o carro mais caro e o cara mais barato. A música alta torrou a paciência, corrompeu os neurônios e estourou os tímpanos. Suas roupas curtas são tão curtas que não caberiam em nenhum outro lugar a não ser em festas com pessoas dopadas pela droga do momento e embaladas por música que repetem o tuntz-tuntz a noite inteira.

A cidadã, que nunca teve vícios, se viciou. Se viciou em querer um cidadão só. Um cidadão que agüenta todas suas manias. Um cidadão que criou nela o hábito dele. Que viciou ela nele. E agora o vício dela é repetir ele. O vício dele. Vinte quatro horas dele. Sete dias por semana ele. Acorda, ele. Dorme, ele. Só ele.

Ele faz todas as vontades dela, viaja, sua, ri, canta, toca, come, beija. Ela é a cidadã que faz a única vontade dele. Ele compra vinho, ela faz chapinha. Ele toca violão, ela canta música brega. Ele compõe, ela desafina. Ele é sol, ela é de lua. Ele quer envelhecer junto, ela quer morrer antes de envelhecer. Ele planeja o futuro, ela não tem a mínima pista de amanhã cedo. Ele paga previdência privada, ela paga depilação a laser. Ele é tudo que ela sempre quis um dia, antes mesmo de ela saber que queria. Ele quer ela, ela quer ele.

A cidadã ex-baladeira-frenética-sem-rumo recolheu suas fichas e foi apostar em outro lugar. Mais seguro. Com menos risco. Mais certezas. E, por incrível que pareça, mais emoção. A cidadã prefere acordar de manhã e saber pra quem ligar do que tentar lembrar o nome da noite anterior. Prefere estar com alguém que conheça seus defeitos, que tolere suas pirraças, que a ame apesar do que ela é. Prefere saber onde está pisando.

Como se preferir fosse algo que ela tivesse escolhido. Não foi. Aconteceu enquanto ela planejava um final de semana e outro. Aconteceu enquanto ela não tinha planos para o carnaval e lamentava a maldita época do ano em que os rolos mal enrolados aproveitam pra desenrolar. Aconteceu numa noite de céu estrelado e aviões que ainda voavam baixo lá em cima. Aconteceu sem que ela tivesse o mínimo controle ou pelo menos uma vaga pista do que estava fazendo. Aconteceu e ela ainda não sabe muito bem o que está fazendo. Só que, agora, se ela tiver dúvidas, ela tem pra quem perguntar. E quando ela não tiver certezas, ela ainda vai ter ele.

12 setembro 2007

FORA DE MODA

É só ligar a tv ou abrir uma revista qualquer pra você fazer a seguinte constatação: você está fora de moda. Os anúncios publicitários com garotas de 1,80m, 49kg e mais de 300ml de silicone nos peitos não deixam dúvidas: você está realmente fora de moda. Você é magra, sarada e linda, mas isso não basta. Coloque um pouco mais de peito – mesmo que sua altura não comporte os 475ml de silicone que você quer colocar pra ficar igual àquela famosa pelada da tv, da revista e da casa de massagem – coma alface no café da manhã, ricota no almoço e meia cenoura crua ralada no jantar – mesmo que isso vá te causar uma puta dor no estômago, te deixar com bafo de macaco morto e provocar vertigens - use salto 15 pra ver se você fica com o corpo mais esguio – mesmo que você não durma à noite com dores na coluna e tenha que fazer fisioterapia pra arrumar seu joelho.

Sou publicitária, mas não foi pra isso que eu freqüentei uma faculdade. Não perdi minhas noites de sono acordando às seis da manhã por quatro anos seguidos pra fazer as pessoas se sentirem mal. Me recuso a “emagrecer” modelos no Photoshop, me recuso a aumentar bocas, peitos e bundas pra distorcer a realidade e fazer as pessoas acreditarem nisso. Como se já não bastassem as “perfeitas” das revistas com as peles esticadas, as bundas sem celulites, as cinturas sem gordurinhas e com os peitos encostando um no outro. Onde estamos querendo chegar???

Criaram monstros. Pessoas frustradas com o que vêem no espelho de suas casas. Criaram minha amiga que só come salada porque acha que está gorda com 1,72m e 52kg. Que, com esses mesmos 52kg, já fez três lipoaspirações, duas cirurgias no nariz, uma nas orelhas, colocou 275ml de silicone nos peitos e acabou de comprar um pacote de 20 sessões de uma tal estimulação russa. Culpa dela? Acredito que não.

Não estou tirando meu corpo fora. Muito pelo contrário. Meu corpo é a maior vítima desse circo que a mídia armou. Já coloquei meu nariz de palhaço. Uso o Photoshop pra tirar minha cicatriz de quatro milímetros (quatro milímetros!!!) no queixo. Gasto rios de dinheiro em cremes anti-celulites e tratamentos que nunca melhoraram em nada, porque, segundo minhas amigas, meu namorado e até eu mesma, eu não tenho celulite. Mas a mídia insiste em vender cremes milagrosos, xampus de 279 Reais (que fazem o mesmo efeito que os de 3,99 da farmácia), tratamentos que não tratam nada. A solução milagrosa que só te traz um problema maior ainda: a realidade.

E a realidade é que os homens procuram as mulheres perfeitas das revistas e encontram a gente. Eu e você. Gente que dorme e acorda sem Photoshop. Que dorme maquiada e acorda com olheiras. Que come chocolate e mata a academia porque trabalhou o dia inteiro e chegou morta de cansaço em casa à noite. Que a pele da axila não tá lisinha igual os caras vêem na revista porque, de tanto passar gilete, ela começou a ficar meio áspera. Que a pele do rosto tem cicatriz, tem mancha e tem umas espinhas de vez em quando. Que, se alguém beliscar sua bunda, vai ter uma celulitezinha escondida por mais que você malhe, sue e use todos os cremes anti-celulites da farmácia. Gente de verdade. Que não mostra a bunda na tv e não abre as pernas nas revistas como se fosse um consultório ginecológico. Gente de boa fé que acredita no que a mídia vende – e eu não estou falando de produtos aqui. Gente sem muito peito, nem muita bunda, com 1,60m e uma cicatriz no queixo. Gente como eu: fora de moda.

<><><><><>

Amores, desativei os comentários a partir desta postagem. Mas, vocês sabem onde me encontrar: e-mail, orkut, comunidade dos textos (o link tá aí do lado)... enfim... to aí.
Beijos.

24 agosto 2007

AMOR E ORIGAMI

Isso não é um poema. Nunca soube fazer poesia. Escrevo assim mesmo. Reto. Com minhas idéias tortas. Magôo as pessoas com palavras mal-ditas. Duvido do seu amor por mim e te testo o tempo inteiro. É o que você me diz. É o que eu faço sem perceber porque me acostumei a não acreditar nas pessoas. Você move o mundo, sacode nas curvas dessa estrada tonta enquanto eu me recuso a te dar qualquer garantia.

Você me fotografa a cada movimento com seu celular de não-sei-quantos mega pixels e acha lindo até meu nariz torto. Você tem ciúme dos meus amigos da academia que me vêem com roupas minúsculas, dos meus amigos que saem comigo pra balada - e também me vêem com roupas minúsculas - e do veterinário do meu passarinho, que não sabe nem que roupa eu uso. Eu te bloqueio no MSN, desligo o celular pra não te atender e esqueço de passar o perfume que você gosta em mim. Você faz planos pra gente ficar junto pra sempre, enquanto eu estudo a hora que o sol bate no meu prédio no inverno. Você quer casar e ter filhos, eu quero dormir sozinha na minha cama queen e ter uma casa com uma girafa, uma onça e 379 pássaros. Soltos. Você quer me segurar. Eu quero ser solta.

Você escreve melhor que eu, e eu reclamo das suas palavras. Eu peço pra você tirar a barba numa semana e digo que não gosto da sua cara lisa. Você me alisa. Eu te analiso. Você sua pra eu ser sua. Você se esforça. Você vem atrás. Você tenta. Eu implico.

Eu faço leilão comigo mesma pra ver se você dá mais. Eu me coloquei à venda pra ver quanto eu valho pra você. Pra descobrir depois desse tempo todo que eu valho suas noites de sono. Eu compenso a distância. Por mim, você chora, viaja, muda de vida, larga o emprego, muda de rumo, troca de cidade.

Por mim, não precisa fazer nada disso. Acabou o choro, a gente vai ser só riso. Chega de viagem, eu to indo ficar com você. Não precisa mudar de vida, eu mudo com você. Eu mudo e vou continuar sendo a mesma chatinha que você ama. A chatinha tatuada. A sua chatinha. A chatinha que tinha um coração aposentado porque apanhava mais do que batia. A chatura infinita que você dobrou, amoleceu e arrancou de dentro dela uma cidadã que ela não lembrava mais que existia. E agora, não quero esquecer mais um segundo. E se eu esquecer, tenho você pra me lembrar. Tenho você com esse nariz lindo pra me lembrar que eu odeio o meu. Tenho seus textos perfeitos que me deixam sem palavras e me fazem querer apagar tudo que já escrevi. Tenho esse homem maduro do meu lado pra me lembrar que eu preciso ser uma pessoa melhor. Tenho você que conhece meus defeitos e só enxerga o meu melhor. Tenho você que me faz acreditar que não preciso de mais nada. Tenho você e isso me basta. Tenho você e, agora, você me tem.

23 agosto 2007

A ALMA MURCHA E OUTROS SINTOMAS

Mais uma balada e você lá. Alma aberta, coração vazio, copo cheio. O cidadão lindo, cheiroso e sarado do seu lado puxa papo e, você que não tá fazendo nada mesmo, começa uma interação. É “como você se chama?” daqui, “o que você faz da vida?” dali, “quantos anos você tem?” de lá... o currículo inicial básico. Depois de algum tempo, o módulo básico pula pro avançado. E a noite termina no avançado plus com direito a upgrade no dia seguinte. Perfeito.

No começo, tudo é lindo. Ninguém tem defeito. Todo mundo jura fidelidade e amor eterno. No terceiro mês, você desconfia porque a vizinha do quarto andar liga tanto pra ele, porque o futebol termina meia-noite, porque todo dia ele tem uma nova entrevista de emprego, porque ele sempre sai com algum amigo que você nunca ouviu falar antes. Por que tanta história estranha? É só coisa da sua cabeça? Você tá vendo coisa demais? Ou é só ciúme?

Você já não freqüenta as baladas que gostava. Mal sai com as amigas. Perdeu contato com seu amigos homens. Parou de correr às terças e quintas com seu vizinho. Deletou seus ex-namorados, rolos e ficantes do MSN. Excluiu seu orkut. Deletou números suspeitos do seu celular. Você cede, cede, cede. Até uma hora que a corda cede. Arrebenta.

Você cedeu tanto, sem perceber, que murchou. Secou feito uma flor no inverno. E agora espera a primavera da janela da sua casa, de onde, inclusive, você mal sai. É de casa pro trabalho, do trabalho pra casa. Ele que te achava linda, mal te vê. Sua luz apagou. Foi-se o brilho junto com as noites de festa. A poesia virou drama. O avião virou ônibus. O amor se transformou num saco de lixo sem fundo onde vocês vão jogando todas as brigas.

Mas será que o amor é isso? Cadê aquele cidadão que te achava linda com o cabelo atrapalhado de manhã cedo? Cadê aquele cara que andava com o celular tirando foto de cada movimento que você fazia? Cadê aquele cara que fechava os olhos e sentia seu perfume no ar quando você usava Love Spell? Cadê aquele cara que disse que nunca ia te largar? Cadê aquele cara que viajou, que insistiu, que moveu o mundo pra ficar com você? E cadê você?

Você tá em algum canto. Largou sua vida de lado e foi viver a dele. Enquanto ele se divertia com os amigos, você enchia o saco dele com suas crises de ciúme. Enquanto ele ia pra festa, você ficava em casa queimando neurônios imaginando o que ele estaria aprontando. E quanto mais ele vivia, mais você esmoecia. Murcha como uma criança que acabou de descobrir que Papai Noel não existe. Que o amor, você nem sabe mesmo se ele existe. Que a confiança e o respeito às vezes valem mais do que juras de fidelidade eterna. Que não existe nada eterno. Que a gente nunca sabe até onde vai se a gente não pagar pra ver e for junto. Que vai até aonde a gente deixar ir. Que alguns caminhos não têm volta, mas têm várias saídas de emergência. Que a sua vida tem urgência e todo resto é bobagem. Que você nasce sozinho pra aprender a fazer escolhas sozinho. E que você só está acompanhado quando aprende a ficar sozinho.

<><><><><><>

Não me canso de dizer que este blog não é um diário virtual e que os textos são obras de ficção. Obras na minha mente em construção. E para os curiosos de plantão, comunico que sim, tá tudo lindo!
Beijos e ótimo final de semana.

08 agosto 2007

MENTIRAS SINCERAS

“De vez em quando, nessa vida, a gente engole um caô... pra se arrumar, pra se arrumar, pra namorar, pra namorar, pra ser feliz, pra ser feliz, pra ter amor.”

Elba Ramalho estava certa. Na vida, a gente precisa engolir umas mentirinhas de vez em quando e fazer cara de paisagem. Pra se dar bem. Pra ser feliz. E até pra namorar.

Sempre fui metida à pessoa-mais-sincera-do-mundo e sempre me dei mal. Portanto, não aconselho ninguém a seguir meus passos. Minha mania insuportável de falar a verdade faz com que eu exija o mesmo tipo de atitude das pessoas. E aí, qualquer deslize é o suficiente pra eu mostrar o cartão vermelho. Falta grave. Não tolero mentira de espécie alguma. Se um dia eu perguntar pra uma amiga qual o caminho que ela faz pra chegar até minha casa e ela mentir, a amizade se encerra junto com a resposta dela.

As pessoas mentem basicamente por duas razões: pra protegerem a si mesmas ou pra protegerem alguém. "Eu já disse mil vezes que eu não fiquei com essa garota". E assim, cada um protege o seu como pode. "Olha, seu guarda... eu acabei de estacionar aqui... já ia colocar a faixa-azul". E o “seu guarda” já ouviu esse papo centenas de vezes! "Se você se comportar bem, Papai Noel vai trazer presentes pra você no Natal". E essa era sua mãe te ensinando, desde pequeno, a mentir pra conseguir o que quer.

E assim, homens e mulheres mentem. Seja pra proteger o relacionamento, seja pra tirar o próprio da reta. "Essa é a última cerveja e nós vamos embora". E você esperou por duas horas e intermináveis 48 minutos enquanto o bebum do seu namorado contava piadas sem graça e falava de futebol com os amigos. "Eu nem acho a Sandrinha bonita, você sabe que eu não gosto de mulher com silicone". E lá estava seu namorado hipnotizado quando a cidadã adentrou seu baile de formatura com um decote no melhor estilo mamãe-quero-dar-pra-festa-inteira.

Minha avó dizia que mentira tem perna curta. E eu digo mais: tem perna curta e tropeça. Quem mente tropeça em si mesmo. Tropeça nas palavras. Embola frases. Mistura idéias. Se confunde. Tenta confundir o outro. Engasga. Contradiz a si mesmo a cada três frases ditas. Os olhos piscam mais rápido que o normal e vagueiam sem foco. Quem mente, mais cedo ou mais tarde, acaba se entregando de alguma forma.

E eu, que já me dediquei a estudar sobre mentiras e pessoas que mentem, hoje, preferia mentir pra mim mesma e fingir que nada sei. Preferia acreditar que minha amiga está dizendo a verdade sobre meu cabelo novo. Preferia acreditar quando meu namorado diz que me acha a mulher mais linda do mundo. Preferia acreditar quando minha mãe fala que meu nariz não é torto e que eu nem sou tão baixa assim. Preferia acreditar que a amiga do meu namorado é só amiga mesmo. Preferia acreditar que existe amizade entre homem e mulher e que todos meus amigos gostam de mim só porque eu sou gente fina e não porque me acham sarada e gostosa. Preferia acreditar que as pessoas podem mudar. Preferia acreditar que o que passou é só passado. Preferia acreditar só pra namorar. Só pra ser feliz. Só pra ter amor.

<><><><><><><><><><><><>

Queridos, mais uma vez, obrigada pelos comentários lindos, pelos emails infinitos, pelas pessoas fofas que estão na minha comunidade no orkut (quem fez foi a fofa da Lu e o link da comunidade tá aí do lado). Amo tudo isso!
Beijos.

Foto: Rafaela. Olhares.com

31 julho 2007

JOGOS

Entenda de uma vez por todas: eu não agüento mais fingir que não te quero. Cansei de fazer o seu jogo. De fingir que não estou nem aí. De me segurar cada vez que tenho vontade de te ligar pra falar de nada. De fingir que não te vejo toda vez que a gente se encontra por aí sem querer. Quer saber a verdade? Eu gosto de você. E, por mais que doa em mim admitir isso, acho que passou da hora de eu te dizer.

Assumo: não sei jogar. Sempre que tento, perco. Sempre que jogo, me jogo. Arrisco. Não sei falar frases pela metade. Não sei gostar pela metade. Não sei estar com alguém pela metade. E muito menos vou aceitar suas metades. Cansei de ser a sua segunda opção. De ser o seu refúgio da madrugada. Cansei de ser a carinha bonitinha que você encontra de madrugada e jura amor eterno.

Posso repetir quantas vezes for preciso pra você entender: suas palavras não valem nada. É sua atitude que conta. Se amar for isso, então, vá amar outra mulher. Vá fazer outra de trouxa. Vá jurar amor eterno numa noite e ser visto com outra mulher no dia seguinte. Sinceramente, não entendo.

Se me ama, me prove. Coloque seu coração à prova. Porque eu cansei de colocar o meu. Cansei de dar a alma pra bater. Cansei de esperar por seus telefonemas. De esperar por você. De acreditar em você. Você diz que me ama mas nem ao menos me conhece. O que você sabe sobre mim? Meu nome? Meu sobrenome? Que eu gosto de chocolate? Que eu gosto de música eletrônica e de Madonna? Pouco. Você não me conhece. Não conhece meus sonhos. Não esteve no meu passado e é muito provável que não esteja no meu futuro.

Sabe de uma coisa? Eu mentia pra você quando me mostrava apenas como um corpinho legal. Tudo mentira. Aqui neste corpo, meu bem, tem uma cidadã completa. A mesma cidadã que te abraça e faz carinho no seu cabelo enquanto você dorme. A mesma cidadã que esquenta seu corpo nas madrugadas quando seu celular só precisa discar um número. A mesma cidadã que te atende prontamente de manhã, de tarde e de noite. A mesma cidadã que responde todas as suas mensagens sexta-feira à noite enquanto espera, de você, um convite seu pra sair. A mesma cidadã que finge o tempo todo pra você que não te quer só pra fazer o seu jogo de não-querer. A mesma cidadã que se deixou levar pelo seu papo mole e agora percebe que o mais mole é você. A mesma cidadã que banca a durona do seu lado. A mesma cidadã que nunca vai jogar com você.

Queria fazer o seu jogo, só pra ver você perder.

14 julho 2007

VIVA E DEIXE MORRER

Meu último final de relacionamento não foi lá muito agradável. Fiquei mal. Chorei. Fui ao fundo do poço. Mas voltei. Mais forte. Com mais vontade de começar tudo de novo. E o melhor disso foi que aprendi. Aprendi que existem duas formas de você sair de uma grande merda feita: ou você liga o foda-se ou quem se fode é você. Então eu resolvi ligar o foda-se.

Descobri que nada pode ser tão ruim quanto parece. E que a gente costuma ver nossos problemas como os piores grandes acontecimentos do mundo. Mas não são. Seu último namorado não é a última bolacha do pacote. Acredite em mim. Não é. Mas só o tempo mesmo pra fazer a gente enxergar isso. Não adianta sua melhor amiga falar. Ou sua mãe. Muito menos eu.

Você não vai achar outro cara igual ao seu ex-namorado. Ninguém vai te olhar com aquela carinha fofa e aqueles olhinhos pequenininhos que ele tinha. Ninguém vai segurar seu pé do jeito que seu ex-namorado segurava. Ninguém vai te chamar por aquele apelido que ele inventou pra você. Você não vai achar outro cara como ele. Mas você vai achar um cara que te trata como uma princesa. Vai achar um cara que te faz rir das coisas bobas que ele fala. Vai achar um cara que te amolece com o jeito que ele encosta o nariz dele no seu. Existem milhares de cidadãos bacanas por aí. E esse cidadão pode não ter a boquinha rosinha que você adorava mas vai ter um narizinho em pé que você vai adorar também. Ele pode não ter um calo abdominal pra você implicar mas vai ter aquele pé branco-de-dar-medo que vai te matar de rir.

É assim. Ninguém faz igual a ninguém. Mas alguém pode fazer melhor. Alguém pode fazer diferente e você vai gostar também. As pessoas chegam na sua vida, as pessoas vão embora. É assim que funciona. Final de namoro? Ótimo. Ao invés de ficar deitada na sua cama, chorando, coloque a sua melhor roupa, seu salto mais alto e seu melhor sorriso. A boa notícia é que tem outro cara tão bacana quanto aquele último perdido por aí. E que está cheio de caras bacanas fora da sua cama doidos pra estar nela.

Pra isso serviu meu estágio na vida de solteiro. Pra eu ver que existe um mundo de possibilidades aí fora. Que a gente cai pra aprender a se levantar (isso eu aprendi no último filme do Batman). Que, se alguém não quer estar com você, mande esse alguenzinho de merda pastar! Ele pode ser lindo, cheiroso, gostoso, charmoso e um monte de outros “osos”. Se ele não te quer, ele não tem o primeiro quesito da lista.

Meus amigos dizem que sou fria. Que tenho coração de gelo. De jeito nenhum! Sou apenas prática. A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional. Até porque nunca tive talento pra auto-flagelação. Fui mimada a vida inteira. Por isso gosto de ser bem tratada. Exijo. Comigo, é do meu jeito (my way or the highway). E se não tiver bom assim, querido, passe mais tarde! O produto é de boa qualidade e tem garantia. Não gostou? Devolve. Tem uma fila gigante lá fora só esperando a porta abrir.


<><><><><><><><><>


Queridos, agradeço todos os infinitos e-mails que tenho recebido pedindo cadastro no blog. Só no primeiro dia, foram quase 50! E quase morri do coração. Depois, parei de contar com medo de infartar. Meu coração é fraco, apesar de eu tentar bancar a durona.
Estou respondendo todos os e-mails um por um, mas realmente ainda não sei qual o destino do blog. Estou avaliando as sugestões que tenho recebido.
Amo vocês! Dá vontade de postar cada e-mail lindo aqui!!!
Obrigada demais!
Beijo

22 junho 2007

AMOR, JAZZ E VINHO BARATO


Das duas, uma. Ou você leu meu manual de instruções ou você tem uma bola de cristal em perfeita sintonia comigo. Só pode ser. Porque não é possível alguém ser assim. Alguém que me trata como uma princesa. Que faz todas as minhas vontades. Que despenca de tão longe pra me ver por tão pouco. Não é possível alguém ser tão tudo de bom e fazer tão do jeito que eu gosto. Não é possível uma sintonia tão fina. Uma panturrilha tão grossa. Uma cabeça tão macia.

Eu sabia que esse dia ia chegar. E chegou como um samba de carnaval. Me arrancou do chão. Aumentou minha pulsação. Me levou junto. Eu sabia que um dia eu ia fazer tudo certo. E agora eu entendo porque. Porque agora todas as peças se encaixam e não falta mais nada. Você fez a aposta. Eu perdi.

Perdi noites de sono em baladas freqüentadas por garotas de saias e cabeças pequenas. Por playboys deslumbrados, com algum dinheiro e nenhum pedigree. Por corpos sarados e mentes doentes. Festas com muita pose e pouca atitude. Com convites que custam caro e pessoas que se vendem por tão pouco. Me perdi e não encontrei ninguém. Torrei meu dinheiro e minha paciência. Estourei meu cartão de crédito e, por pouco, não estouro meus tímpanos.

Mas, quer saber? Cansei de música alta. Prefiro quando você fala baixo no meu ouvido. Prefiro ficar vendo os aviões brancos dando rasantes sobre nossos corpos tintos. Prefiro você suave. Prefiro o silencio dos seus olhos me dizendo que me ama. Prefiro seu violão de madrugada. Prefiro você dedilhando. Prefiro quando você se perde nas notas. Prefiro sua música, seu tom.

Por você, eu dei uma nova chance a mim mesma. Eu dei minha cara a tapa. Por você, eu voltei a acreditar no amor adolescente e a ter calafrios na espinha. Por você, parei de ler seus textos e comecei a ter ciúme. Por você, posso largar a música eletrônica e aprender a gostar de jazz. Por você, eu largo os vinhos baratos, os xampus caros e as roupas curtas. Porque quando você está dentro, não existe mais nada lá fora. O mundo acaba aqui, na gente. Porque você me faz tão sua. Porque você me faz tão eu.


<><><><><><><><><><><><><>

Amores, dias lindos pra todos!
Comentem, mandem e-mails, sinais de fumaça, comuniquem-se.
Beijo.

15 junho 2007

OS INCOMODADOS QUE SE RETIREM

Dizem que os incomodados é que devem se retirar. Concordo. Se alguma coisa me incomoda, abandono o barco. Chuto o tal do balde. Ficar insistindo em uma coisa que não vai dar certo nunca foi a minha especialidade. Manter namoros estressantes, amizades interesseiras, empregos sem futuro não faz muito sentido na minha cabeça. Desculpe minha mania de ser clichê, mas a vida é muito curta pra gente perder tempo.

Não é nada fácil me agüentar, eu sei. Sou implicante. Pouco tolerante. Pirracenta. Mimada. Falo o que penso. Faço o que tenho vontade (só o que tenho vontade!). E pior: sou adepta de uma filosofia de vida muito objetiva que eu mesma desenvolvi: “Quer? Quer. Não quer? Não quer”. Muito simples. E é assim que eu gostaria que agissem comigo. Não me quer, saia da minha vida logo. Me quer? Faça por merecer.

Não puxo saco de ninguém. Detesto que puxem meu saco também. Nunca saí com quem não queria estar comigo. Nunca fui à festa sem ser convidada. Não faço amizades por conveniência. Não sei rir se não estou achando graça. Não seguro o choro se o coração estiver apertado. Não atendo o telefone se não estou com vontade de conversar. Não namoro pra falar que tenho companhia. Nunca pertenci a grupos em que as pessoas pensassem, agissem e se vestissem todas iguais. Nunca precisei beber, fumar ou me drogar pra pertencer a nenhum grupo social. Isso não sou eu.

Sou eu a cidadã cansada dos padrões machistas da sociedade. Sou eu a cidadã cansada de ver as capas de revistas com corpos de fora e imaginar se o que conta realmente é ter alguma coisa por dentro. A cidadã que, de tanto pensar, não dorme. De tanto não dormir, não pensa. A cidadã que, aos onze anos de idade, queria consertar o mundo fazendo cover da Xuxa nas escolas e falando pras crianças não se drogarem. A cidadã que não confia nos homens, não acredita na humanidade e gostaria de adotar uma girafa. A cidadã que planeja montar uma família com onças, aves e siris - além da girafa. Sou eu essa cidadã estranha. Sonho que sou a Branca de Neve e acordo engasgada com a maçã.

E de tanto comer maçã podre, aprendi. Agora, jogo fora o que não presta. Ou melhor, saio eu mesma do jogo. Não faz mais sentido acreditar que a sua amiga interesseira vai ser uma pessoa melhor depois que você conversar com ela. Ou que seu namorado vai mudar aquele hábito que te incomoda porque ele te ama. Ou que seu chefe vai reconhecer seu esforço e não vai te demitir quando precisar reduzir o quadro de funcionários. Não funciona dessa forma. Por isso, saio fora antes do final do jogo se eu não estiver de acordo com as regras. Me retiro se a incomodada sou eu.

O que incomoda vai estar sempre ali no mesmo lugar. Mas você não precisa estar. Mude de lugar. Mude de casa. Mude de emprego. Mude de amigo. De ficante. De namorado. De marido. Mude de atitude. Só não fique parada reclamando. Faça aulas de boxe. Aprenda a dar bicudos, a fazer gestos obscenos, a falar palavrão, a xingar as pessoas, a largar tudo pra trás. Aprenda a não levar a vida tão a sério. Aprenda que o stress só vai destruir seu estômago e torrar seu dinheiro em análises e remédios caros. Aprenda que as pessoas não são do jeito que você gostaria que elas fossem. Eu aprendi. Aprendi a hora de me retirar: vou embora antes do final da festa.