31 maio 2006

MOVIDA PELA PAIXÃO

Eu não tenho mais idade pra me apaixonar. Não mesmo. Não sou mais uma adolescente e meus dezoito anos já viraram história. Mas, sentir aquele frio na barriga é muito bom. Já contei aqui mil vezes. Não gosto de nada morno. Se não tiver paixão, se não tiver emoção, se não me arrancar do chão, não serve.

Tem coisa melhor do que aquele telefonema no meio da tarde? Aquela ligação que te deixa com um sorriso apaixonado grudado na cara o resto do dia. Tem coisa melhor do que estar com alguém que te faz rir o tempo todo? Aquela pessoa que tem “aquela coisa que você não sabe explicar” que faz você não querer sair de perto dela nunca mais.

Sabe o que eu não consigo entender? Gente morna. Namoro de longa data em que as pessoas “se acostumam” com a outra. Como pode isso? Como pode alguém estar cansado sexta-feira à noite e querer dormir? Como pode alguém empurrar a própria vida com a barriga? Não vou atirar a primeira pedra. Já cometi essa insanidade. Mas hoje, e cada dia, sou uma nova pessoa. Penso. Logo, mudo de idéia. De gosto. De roupa. De estilo. De vida.

Você já esteve com alguém pensando em outra pessoa? Eu já. Você já namorou uma pessoa enquanto amava outra? Eu já. O pior erro. Mas eu não imaginava o que estava perdendo. O tanto que é bom você estar com a pessoa certa. Com aquele cara que você olha pra ele e pensa: “é exatamente com você que eu queria estar agora, nesse instante”. E o Brad Pitt poderia aparecer pelado na sua frente. E quem mais fosse. E você não trocaria aquele momento por nenhum outro. Por nenhuma outra sensação de mundo. Por ninguém mais no mundo. Nem outro lugar. Nada.

Não sei muita coisa do que quero pra minha vida. E nem tenho essa pretensão. Mas sei isto: quero tudo intenso. Tudo agora. Tudo pra já. Minha vida já está acontecendo e eu não tenho mais tempo a perder com sorrisos amarelos. Com abraços frouxos. Com bocas aleatórias. Com noites sem dias seguintes. Com pessoas que não se dão. Quero viver tudo intensamente. Até a última gota. Correr o risco. Me atirar. E sentir o coração bater forte. Sair pela boca. Me engolir. Ter aquela sensação de não estar cabendo no próprio corpo (mais alguém aqui já sentiu isso?). Quero ser arrebatada. Não conseguir dormir à noite. Acordar com olheiras e estar linda mesmo assim. Quero rir de mim mesma. Rir sozinha no meio da rua. Sair descabelada. Quero andar cantando. E fazer poesia em dia de chuva. Quero cair da escada com as pernas pra cima. Quero um dia. Uma hora. Um minuto. Desde que seja de verdade. E a verdade é que eu quero me apaixonar.

23 maio 2006

NÃO PERCA SEU TEMPO COMIGO


Verdade seja dita. Eu não sou como você esperava. Eu não sou uma loira-barbie pra te acompanhar nas festas jet-setters que você freqüenta. Eu não tenho um par de peitos de 300ml de silicone em cada um. Não tenho uma bunda de 102cm de diâmetro como a da Juliana Paes. Eu sou muito mais do que você espera. Muito mais do que você agüentaria. E talvez até mais do que você merece.

Porque eu sou fiel aos meus sentimentos. Vou estar com você quando eu realmente quiser estar. Vou te ligar quando eu quiser falar com você. Porque eu não passo vontade. E nem vou passar vontade de você. Não vou fazer joguinho. Eu me entrego mesmo. Assim. Na lata. Eu abro meu coração. Rasgo o verbo. Me dou em prosa. E se te disser que não te quero, meu olhar vai me desmentir na tua frente. Porque eu falo antes de pensar. Eu falo até sem sequer pensar. Eu penso falando. E se estou com você, aí, não penso duas vezes. Não penso em nada. Não quero mais nada.

Então, não perca seu tempo comigo. Eu não sou um corpo que você achou na noite. Eu não sou uma boca que precisa ser beijada por outra qualquer. Eu não preciso do seu dinheiro. Muito menos do seu carro. Mas, talvez, eu precise dos seus braços fortes. Das suas mãos quentes. Do seu colo pra eu me deitar. Do seu conselho quando meu lado menina não souber o que fazer do meu futuro. Eu não vou te pedir nada. Não vou te cobrar aquilo que você não pode me dar. Mas uma coisa, eu exijo. Quando estiver comigo, seja todo você. Corpo e alma. Às vezes, mais alma. Às vezes, mais corpo. Mas, por favor, não me apareça pela metade. Não me venha com falsas promessas. Eu não me iludo com presentes caros. Não, eu não estou à venda. Eu não quero saber onde você mora. Desde que você saiba o caminho da minha casa. Eu não quero saber quanto você ganha. Quero saber se ganha o dia quando está comigo.

Você não vai me ver mentir. Desista. Mentiria sobre a cor do meu cabelo. Sobre minha altura. Até sobre meus planos para o futuro. Mas não vou mentir sobre o que eu sinto. Nem sob tortura. Posso mentir sobre minha noite anterior. Sobre minha viagem inesquecível. Mas não agüentaria mentir sobre você por um segundo. Não na sua cara. Mentiria pras minhas amigas sobre a sua beleza. Diria que tem corpo de atleta e um quê de Don Juan (mesmo sabendo que elas iriam descobrir a farsa depois). Mas não me faça mentir e dizer que não te quero. Que eu não estou na sua. Não me obrigue a jogar. Não me obrigue a dizer “não” quando eu quiser dizer “sim”. Não me faça tirar você da minha vida porque meu coração ainda acelera quando você me liga.

Insisto. Não perca seu tempo comigo. Porque eu não quero entrar no seu carro se não puder entrar na sua vida. Não me conte seu passado se eu não puder viver seu presente. Não faça planos comigo se não me incluir no seu futuro. Não me apresente seus amigos se, amanhã, vou virar só mais uma. Me poupe do trabalho de adivinhar seus pensamentos. Diga que me quer apenas quando for verdade. Diga que está com saudade apenas se sentir minha falta do seu lado. Peça minha companhia quando não desejar só meu corpo. Me ligue quando tiver algo pra dizer. Mas, por favor, me desligue quando não estiver mais afim de mim.


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Pessoal, esse texto circula na internet com várias autorias. Mas o texto é MEU e, assim como todos os outros, é registrado na Biblioteca Nacional, no escritório de direitos autorais.

Portanto, pesquisem antes de espalhar as coisas na internet.
Beijos.

15 maio 2006

AS TARDES DE DOMINGO


Este é só mais um texto sobre as tardes de domingo. As tardes de domingo de uma cidadã solteira. Avulsa mesmo. Sozinha. Em casa. Mora sozinha. Almoça sozinha nos finais de semana. Dorme sozinha. Acorda sozinha no domingo com a cara borrada de maquiagem da noite anterior. Viaja sozinha. Dirige sozinha pela estrada. Dança sozinha em casa com o som alto. Chora sozinha. Uma cidadã que está cansada de todos acharem que ela é uma super-mulher. E ela se sentir uma menina ainda. Carente. Intensa. Que quer abraçar o mundo. Que tem preguiça profunda de gente que mente. De gente que se entrega pela metade.

E a cidadã enfrenta mais uma tarde de domingo daquelas que não se tem nada pra fazer. Ninguém pra quem ela gostaria de ligar. Seu celular toca uma vez. END. Toca duas. END. Toca três. END mortal. E ela começa a colecionar números. Sete cidadãos ligando no mesmo final de semana. Seis ENDs. 160 contatos no MSN. 32 bloqueados. Alguns scraps com cantadas baratas no orkut. 492 amigos. Zero sentido nisso tudo.

A cidadã-super-mulher-de-uma-figa é metida a entender os homens. Mas não entende nem sobre si mesma. Não entende como consegue não se apaixonar pelo vizinho que lhe mandou uma cesta de café-da-manhã porque a viu uma única vez na vida. Uma cesta deliciosa com um bilhete mais do que gentil. Um convite pra sair que nunca saiu do papel. Ou porque ela não se apaixonou por aquele cara que cozinhava quando ela tinha preguiça de sair pra almoçar. E a recebia em casa com taças de champagne na mão e um sorriso no rosto.

E ela não entende o que leva um cidadão a convidá-la pra sair. Buscá-la em casa num carro importado que vale mais do que seu apartamento. Levá-la ao melhor restaurante. Ser um gentleman. Pagar a conta. Abrir (e fechar!) a porta do carro. Depois sumir. Aparecer novamente. Sumir. Aparecer novamente. A cidadã simplesmente não entende porque ele não some de vez.

A cidadã-filósofa-barata-de-merda entende é que os homens fazem tudo errado. Que não adianta abrir a porta do carro, se ele não abre o coração. Que não adianta mandar flores, se ele não manda no rumo da sua vida. Que não adianta convidar pra sair, se ele não a convida pra fazer parte da vida dele. Que não adianta passar a noite se, no dia seguinte, ele some sem dar notícias. Que não adianta pagar a conta se o que ela quer mesmo não tem preço.

E a tarde de domingo vai chegando ao fim. Aquele gosto azedo de segunda-feira no ar. Pra começar tudo de novo. Sozinha. De saco cheio de promessas baratas. De bocas aleatórias. De pessoas que nada sabem a seu respeito. De carinho com muita mão e pouco sentimento. De músculos fortes e cabeça fraca. De agenda cheia e vida vazia. Uma cidadã sem saco pra joguinhos. Que fala o que pensa. O que sente. Que não passa vontade. Mas que, às vezes, não liga pro único cidadão que ela quer por puro medo de ser mal interpretada. Por puro medo de dar tudo errado. Essa cidadã acha que controla o futuro, mas morre de medo dele. E não controla a própria vida. Muito menos os próprios sentimentos. E lá vai ela começar tudo de novo. Com aquela pose de super-mulher. Aquela barriga dura e aquele coração mole.

10 maio 2006

TUDO IGUAL

Você já ouviu várias histórias sobre “igualdade entre homens e mulheres”. Já ouviu também várias histórias sobre Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e Fada Madrinha. Pois bem. Você quer aquele lindo. Mas acontece que você nasceu mulher, ou seja, a menos que ELE te convide pra sair, sua linda história de amor acaba aqui, nesta linha.

Não importa se você tem 13 ou 31 anos, certas coisas nunca mudam. Se você nasceu mulher, vai ter todos os homens a seus pés, mas sua sentença será bancar a desentendida sempre, para que eles pensem que ELES estão no comando. Deixar que eles tomem a iniciativa sempre (seja lá qual for o quesito). Caso contrário, você será execrada pelo resto da sua existência por estar fazendo o papel que o homem pensa que é dele.

Alguém, por favor, me explica o que é essa cultura machista que transforma a mulher na caça e o homem no caçador. Por que nós, mulheres, temos que esperar a boa vontade dos homens de convidar a gente pra sair?

Eu posso dirigir de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro. Sozinha. Ir e vir de onde eu bem entender. À noite. De madrugada. Administrar minha própria casa. Pagar minhas contas. Trabalhar. Cuidar da minha própria vida. Sair de manhã e voltar à noite. Ser dona do meu próprio nariz. Mas, na hora que estou do lado de um homem, preciso me tornar um ser “indefeso”, ser o que não sou de verdade. Fingir uma fragilidade que não existe.

Por que os homens se assustam tanto com essa nossa independência? O que é essa cultura machista em que o homem precisa ser mais inteligente que a mulher? Mais forte. Dirigir melhor. Mais rico. Ter mais poder. Estar no comando da empresa. Ter o poder de decidir se vai ou não te convidar pra sair. Vai ou não assumir um compromisso. Vai ou não te pedir em casamento.

Quer saber?! Essa falsa igualdade entre os sexos está cansando a minha beleza. Você é igualmente independente. Você viaja sozinha no seu próprio carro. Pilota como um homem. Troca pneu no meio da estrada. Sabe o que é uma correia do alternador. Troca lâmpada. Instala chuveiro elétrico. Conserta a descarga. Prega prego na parede. Pinta a escada. Faz leg-press com 140kg. Mas experimente agir como um homem. Beijar vários no mesmo final de semana. Fazer sexo com pessoas aleatórias. Flertar com o bonito da academia e convidá-lo pra sair. Não, não pode.

Pro inferno então com esse papo de igualdade. Vou rever meus conceitos. Parar com esse blog e fingir que não sei escrever. Que não tenho opinião formada sobre assunto nenhum. Bater meu carro por aí. Assistir Ana Maria Braga e aprender a cozinhar (tudo bem que eu sei fazer ovo cozido, mas meus amigos dizem que isso não conta). Me tornar uma “lôra burra”. Colocar 300ml de silicone em cada peito. Passar as tardes no salão de beleza. Na academia. No clube. Vou abandonar tudo e ser dondoca. Comprar um poodle e tosar o pêlo dele com aqueles pompons nos pés. Arrumar um homem velho e rico que pague minhas contas. Todas elas, por favor.

E viva a desigualdade.


P.S.: Tudo mentira, viu, gente?! Continuo aquela mesma Brena que tem forte atração por vinhos baratos e por homens mais novos que racham conta de três reais. Aff.

26 abril 2006

AMIGA PELA METADE


Que história é essa de amiga pela metade? Eu não gosto de metades. De gente que não sabe ser. Que não sabe a que veio. De respostas em monossílabos. “Não” e “sim” nunca foram resposta. Isso não é amizade. Amizade de verdade tem que ter cumplicidade. Tem que ter olho no olho. Sentimento. Troca. Troca de confidências. De desabafos. Amores à parte. Esses não trocamos.

Quem é você que se diz minha amiga e eu não sei da sua vida? Que já fomos confidentes e hoje eu nem sei se está saindo com alguém. Se está feliz. Se ele te faz feliz. E eu não sei o nome do cara que está saindo com aquela que um dia se disse minha amiga sem conhecer o verdadeiro sentido da amizade. De compartilhar emoções perdidas. Conquistas. Derrotas. De compartilhar aquela noite de sexta-feira, quando ninguém te chamou pra sair e você teve que ficar em casa assistindo tv.

Quer saber? Você não me apetece. Tenho preguiça profunda de gente que não se dá. De gente “pé atrás”. De gente que é amigo nas horas vagas. Não, baby, eu quero full time. Eu quero a amiga que é toda ouvidos. Conselhos. Palavrão. Choro. Riso. Noite. Champagne. Vinho barato. Festas. Tropeços na calçada. Convites pro evento do ano. Mico do ano. Chocolate no cinema. Fila de cinema. Shopping no meio da tarde. Piscina no sábado de manhã. Assunto que não acaba mais. Telefonema sem assunto. Viagem pra praia. Os bonitos no trânsito. Os feios por toda parte. Os caras que a gente quer. Os caras que a gente não quer. Os caras que querem a gente. Os caras que não querem a gente. A gente.

No amor, existe essa história de “cara metade”. Não sei. Nunca achei que tivesse faltando nada por aqui. Agora, não me venha com essa moda de “amiga pela metade”. Não vai colar. Dobre seus monossílabos numa mala e envie-os pra Abu-ghraib. Daí, se os sintomas persistirem, despacho você junto semana que vem.

19 abril 2006


Tive que aprender, na marra, a lidar com a saudade que nunca vai passar. A saudade de quem foi embora pra sempre. E sempre quis escrever isso, mas nunca antes tive coragem. Ou, talvez, nunca tenha tido forças. Começo e, de repente, não consigo mais teclar.

Se eu soubesse que aquela seria a última vez que eu fosse te ver, teria te abraçado mais forte. Teria atrasado minha viagem, em meia hora que fosse, pra jogar conversa fora. Pra lembrar do seu sorriso ingênuo. Pra contar casos que agora eu não posso mais te contar. Casos do Vitinho, do Henrique e do Renatinho. Coisas que não fazem sentido pra mais ninguém, mas pra gente fazia. E como. Outro dia, tive notícias do Vitinho. Queria ter te contado.

E das vezes que eu chorei na escada do prédio. Menina. Por uma coisa tão banal. E você, tão menina quanto eu, me socorria. E me dizia palavras que pareciam tão mais maduras do que eu. E nem eram. Éramos duas meninas com nossos problemas adolescentes que, para nós, eram os maiores problemas do mundo. E seu chapéu de Paquita? Está na minha casa até hoje. Assim como todas as cartas com aquela letra linda que só você tinha na época do colégio. Aquela letra que escrevia as fichas do nosso “Xou da Xuxa”. Aquela sua inocência de menina que nunca passou. Pessoa boa que pensava que o mundo era bom também.

Por um ano, guardei seu presente de aniversário. Por falta de tempo pra gente se encontrar e eu poder entregá-lo pessoalmente a você. Já era quase o outro aniversário quando nos encontramos pra aquela que seria a nossa despedida. Mas só soube disso depois. O destino aprontou essa comigo. E ainda me pergunto se as coisas acontecem do jeito que têm que acontecer mesmo. Quis Deus que eu tivesse te entregado seu presente de aniversário naquele dia. Não fosse isso, não me perdoaria por não ter achado um tempo que fosse pra te encontrar.

The Maris, você vai ser, pra sempre, minha melhor amiga de infância. Quando você foi embora, levou junto parte da minha história. Mas eu tenho minha máquina do tempo. E o que me faz voltar ao passado são minhas lembranças. Lembranças de um tempo que não volta nunca mais. Espero que Deus esteja cuidando de você direitinho, porque eu ainda tenho vários casos pra te contar. Por enquanto, é só saudade.

12 abril 2006

QUERO VOLTAR HOMEM


Na próxima encarnação (se é que isso existe mesmo), eu quero voltar homem. Tenho pedido isso todos os dias nas minhas orações, porque acredito que, se eu fosse homem, minha vida seria muito mais fácil.

Eu quero voltar homem pra achar que futebol é a coisa mais importante do mundo. Pra conseguir odiar o Eurico Miranda num dia e amá-lo no outro. Pra saber de cor e salteado a escalação de todos os times de todos os campeonatos (suma importância!). Para que minha maior referência histórica seja a escalação completa da seleção nas copas de 1970, 1974, 1978... e quiçá 2006.

Pra achar que eu posso pegar tanto mais mulheres quanto mais caro for meu carro. Tanto mais mulheres quanto mais gorda for minha conta bancária. Tanto mais mulheres quanto mais eu mentir para seduzi-las. Para achar que a cerveja é minha melhor companhia. E que estar embriagado é o melhor que eu posso fazer por mim antes de “pegar” uma mulher. Pra achar que eu preciso me fazer de bom moço pra levar uma mulher pra cama (enquanto tem tanta mulher fácil por aí, né?!). Pra conseguir classificar as mulheres em “fácil” e “difícil” me baseando em um único critério (precisa explicar qual é???).

Vou querer ser homem para que minha maior preocupação com o futuro se resuma a “quem vai ser a próxima capa da Playboy?”. Pra não fazer a mínima idéia do que se passa na cabeça de uma mulher, mas conhecer até o útero da Sheila Carvalho. Pra nunca ter tempo pra ler sites com conteúdo, mas visitar 50 sites pornográficos por dia. Para pensar que os e-mails mais interessantes são aqueles de mulheres em poses ginecológicas. Pra pensar que mulher é um objeto. Um decote. Um rabo de saia. Uma bunda de 102cm de diâmetro. Um par de peitos de 250ml cada um.

Vou ser homem pra achar que não preciso ter vaidade nenhuma e que ninguém se importará se minha barriga mais parecer uma nhá-benta. Ou pra passar as tardes na academia, tomar bomba e ficar medindo meu bíceps com do meu amigo no espelho. Pra achar que um braço de 40cm é mais importante do que um QI de 130. Pra ler tudo sobre hemogenin, deca-durabolin, winstrol e durateston, mas nunca ter lido Nietzsche.

Definitivamente, preciso ser homem na próxima encarnação. Mas, enquanto esse dia não chega, continuo aqui. Mulher. Complicada. Loira. Nada burra. E apaixonada por esses homens.

P.S.: Homens da minha vida, não fiquem bravos comigo. Mas é que, realmente, não ando muito bem com vocês!

05 abril 2006

O DIA SEGUINTE


Lá está você. Protagonizando aquela cena digna de novela mexicana. Você se tranca no banheiro. Senta na tampa do vaso sanitário. Apóia o rosto nas mãos e os cotovelos nas pernas. Chora. Chora, não. Desaba! Você chora até perder as forças. E deixa a dor escorrer pelos olhos. E essa dor te consome. Suga de você toda energia, todo viço da pele e todo brilho dos olhos. Mas é que você nunca soube muito bem lidar com finais infelizes. E vai ter que aprender na marra agora.

Acontece que não te contaram que Romeu e Julieta morreram e nunca mais se encontraram. Não te contaram que hollywood cria histórias mágicas que não se repetem na vida real. E você acreditou que podia ter o amor da sua vida pra sempre. E agora, você está sem chão. Sem forças. Sem rumo. Sem o mínimo controle da situação. E o que é pior: sem a mínima vontade de começar tudo de novo. Encarar a vida de solteira. As cantadas baratas. As noites vazias. Os “eu te ligo” nada confiáveis. Os finais de semana em casa. Os finais de semana na rua. Os feriados em que você precisa arrumar uma super viagem bacana pra não correr o risco de sobrar na capital sozinha.

Até que suas amigas te tiram de casa - praticamente à força - e você decide se aventurar na primeira noitada da sua nova (!!!) vida de solteira. E é então que alguma coisa parece avisar ao sexo masculino que você é “carne nova” no pedaço. Você está altamente solicitada na festa. Aqueles que já te conhecem vêm falar com você. Vêm dizer como está linda. Perguntam pelo namorado. Que namorado??? Tudo bem. Era só um pretexto pra se aproximarem de você e se certificarem de que está mesmo solteira. O papo não é lá dos piores. Você conversa com um, conversa com outro. Conhece gente nova. Ri horrores. Conhece gente interessante. Gente chata. Uns mais novos. Outros mais velhos. Homens bonitos. Outros feios de doer.

Você está cercada de pessoas por todos os lados. Mas você senta no canto da festa sozinha. Você e aquele mísero copo de plástico de vinho suave barato (outra vez!). As pessoas parecem estar se divertindo enquanto você faz um enorme esforço pra entender como alguém pode se divertir daquela maneira. Beijando bocas aleatórias e conversando com pessoas que nada sabem a seu respeito. Virando garrafas de álcool e rindo de si próprios. Subitamente, então, sua filosofia barata é interrompida. Um inconveniente, chato, feio e bêbado tira seu sossego. Fala duas frases. Não pergunta seu nome mas diz que quer te beijar. Você não enxerga quais as razões que a levariam a cometer tal insanidade. Depois de meia hora tentando se livrar daquele encosto, você percebe que ele não vai mesmo sair dali e resolve fazer isso você mesma. Deixa o cidadão falando sozinho e continua na festa. Bebendo, rindo num tom que beira o nervosismo e observando quais as possibilidades na sua nova vida noturna.

Já é quase dia e seus pés doem incessantemente. Todo mundo bêbado e feliz (ou pelo menos se achando). Você bebeu um ou dois copos de vinho e está sóbria. E, mesmo que tivesse se embriagado, sabe que iria pra sua casa dormir e acordar sóbria e com uma puta dor de cabeça. E tudo voltaria ao normal. Mas você nem curte beber assim. É hora de partir e você entra no seu carro. Aquele pedacinho de poucos metros quadrados se transforma no maior espaço do mundo. E você, na menor pessoa do mundo. É tanto espaço sobrando. Você gostaria de não saber o que está faltando, mas você sabe muito bem. Você chora. Compulsivamente. E começa a imaginar, então, como vai ser sua vida daí pra frente. Com perspectivas nada animadoras. Você precisa de você de volta. Com urgência. Precisa preencher aquele espaço e o espaço da sua vida. Porque, daqui pra frente, você será sua melhor companhia.

31 março 2006

IDIOTA X IDIOTA


Por mais que você deteste rótulos e que jamais tenha pensado em classificar os homens da sua vida em diferentes categorias, no final das contas, vai chegar a uma simples - porém reveladora - conclusão. Existem dois tipos de idiota: o idiota propriamente dito e o idiota que pensa que você é a idiota.

O idiota propriamente dito é aquele cara que te engana descaradamente. Que some e aparece depois, na maior cara de pau. Não te faz promessas. Deixa bem claro que prefere sair para beber com os amigos a ir com você ao cinema. Ele se embriaga no final de semana, dorme e se esquece de encontrar com você. Ele te mata de ódio. Mas, de uma coisa, você nunca poderá reclamar. Ele nunca te enganou. Ele não é nada cavalheiro. Do tipo que você abre a porta do elevador e ele entra. Nunca vai te mandar flores. O maior elogio que você vai ouvir dele soa como “você é gostosa pra caralho”. É um completo idiota. Mas, também, completamente inofensivo.

Perigoso mesmo é aquele segundo tipo. O que pensa que a idiota é você. Com esse, todo cuidado é pouco. Ele quer, a todo momento, te impressionar. Ele não conta vantagens, mas isso fica implícito em cada frase que sai da boca dele. Ele não diz pra você que é rico, mas se apressa em contar onde mora (claro, no bairro mais nobre da cidade).

É do tipo que abre a porta do carro (importado!) pra você e a leva para lugares bacanas. Ele te elogia da cabeça aos pés. Sabe como agradar uma mulher. Ele vai te ligar “só pra ouvir a sua voz” (apesar de você achar isso super manjado). Vai fingir que tem ciúmes de você na segunda vez que vocês estiverem saindo. Tudo estratégico. Só pra você pensar que ele está emocionalmente envolvido.

Ele vai te ligar sexta-feira pra dizer que está com saudade, mas... ops! Sexta-feira é o dia oficial em que ele fica doente! E sábado geralmente morre alguém da família. Pobrezinho. Tão azarado. Ele gostaria tanto de estar com você, sente tanta saudade, mas, todo final de semana, tem um contratempo.

Ele vai dizer que você é a pessoa mais especial que ele já conheceu nos últimos tempos. A mais linda. Ele está apaixonado. Te liga todo dia pra saber como você está. Você, que não nasceu ontem nem nada, finge que acredita nesse tipinho manjado. Já deu os “pêsames” a ele por três sábados consecutivos nos quais a mãe dele morreu. Você faz voz de triste e deseja melhoras quando ele te liga às sextas “doente” (e depois, parte pra gandaia, claro).

Esse tipinho tem a melhor lábia do mundo. Se diz seletivo com as mulheres (mas diz isso pra todas). Diz que você é única (também diz isso pra todas). Ele poderia, realmente, ser tudo de bom. Tem lá suas qualidades. Geralmente é gato, sarado, rico, mora bem, tem carro do ano, inteligente, culto e bem relacionado. O único problema dele é achar que é mais esperto que você. Achar que você é uma idiota que acredita em tudo que ele fala. Não mesmo. Você finge que acredita e ainda faz ele se sentir o máximo (o máximo do trouxa, só se for!). Você dá corda e ele mesmo acaba se enforcando.

Mentira tem perna curta, já dizia minha avó. (A avó dele provavelmente morreu num sábado desses antes de poder contar isso pra ele).

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P.S.: Este texto é uma obra de ficção. No entanto, qualquer semelhança com a realidade não terá sido mera coincidência.

26 março 2006


Você acorda às 4h da manhã de terça-feira com fortes dores no estômago. Finge que não é com você, afinal, de nada adiantaria levantar pra pedir socorro pra... pra quem mesmo? Ah, é! Você mora sozinha.

Então você continua deitada mentalizando mantras cabalísticos que te dizem que você está bem. De repente, você começa a suar frio. Joga o lençol pro lado. Você deseja que a Cabala e a Madonna sumam da face da Terra. Você se vira para um lado... para o outro e nada da dor passar.

Então, você resolve se levantar e ver o que pode fazer por si mesma. A dor piora. Sim, mas você precisa se levantar e procurar algum remédio que seja. Se apóia no corrimão pra descer as escadas até a cozinha. Pega um copo d’água e começa a revirar sua caixinha de remédios. Neosaldina... Dorflex... Nebacetin... Dexafenicol... pomada pra picada de abelha... Você lê todas as bulas deitada no chão da cozinha. Nada parece servir para essa dor infernal que você ainda não sabe definir o que é. Nem exatamente onde. Enfim, um Sonrisal. Tá escrito na bula que é para má digestão. Má digestão... estômago... tudo a ver. Vai isso mesmo! Você toma o milagroso. Mas, após o último gole naquela água branca, você constata que a data de vencimento vai fazer aniversário de dois anos.

Então, você volta e deita na sua cama que está mais quente que o chão da cozinha. Começa a xingar o fabricante da Quinua Real que você comeu algumas horas antes de se deitar. Só pode ter sido isso que te fez mal! Também, com um nome desses, não poderia acabar em boa coisa.

Mais uma vez, então, às 4h40 da manhã, no auge do desespero, você tem a fatídica e infeliz idéia de passar uma mensagem pro celular do seu ex-namorado pra ver se o cidadão se comove e resolve te ajudar. Você simplesmente ignora o fato de que, além de ser seu EX- namorado (muita atenção para o prefixo), ele talvez esteja no meio de um amasso com uma baranga qualquer àquela hora. Mas você mora sozinha e não consegue imaginar quem poderia ser a boa alma que te ajudaria às 4h40 da manhã.

Ainda deitada e suando de dor, você começa a lembrar que, se continuar acordada, o dia vai clarear e você não vai ter dormido nada. E começa a mentalizar canções de ninar porque, afinal, você precisa trabalhar daqui a algumas horas.

O Sonrisal vencido começa a te lembrar que você não deveria tê-lo tomado. Alguma coisa que está dentro de você começa a se revirar e a dar sinais de que precisa sair (não se sabe ainda se por cima ou por baixo). O fato é que a dor não passa.

Você chora de dor. Na verdade, chora de dor misturada com a constatação de que você é um ser frágil e não tem ninguém terça-feira às 5h da manhã. Então, você resolve pegar seu caderninho e sua caneta (o computador está longe demais pra ir andando) e começa a escrever seu drama afim de que ele vire assunto no blog depois. Seria cômico se não fosse trágico.

São 5h30 da manhã e você constata a incompetência do seu ex-namorado. Ou, talvez, ele tenha começado a sofrer de surdez depois que vocês terminaram e ele não ouviu a mensagem apitar no celular. Nada disso. Triste e cruel constatação: é você que é uma sem-noção e não tem nada que amolar as pessoas com seus problemas. Ainda mais quando as pessoas não estão mais na sua vida (ou estão, quando lhes convém).

MORAL DA HISTÓRIA:
Você é uma incompetente que ainda não aprendeu que quem mora sozinha não pode passar mal de madrugada. Continue deitada e, se a coisa agravar, chame os bombeiros. Quem sabe, Deus resolve te recompensar e mandar um bombeiro sarado. Comece a rezar logo.

23 março 2006


Dizem que amigos são os irmãos que a gente escolheu. Pois bem. Tive a sorte de ser escolhida pela melhor amiga do mundo. Por aquela que sempre esteve do meu lado nas horas que eu mais precisei dela (e olha que não foram poucas!). Aquela praga (!!!) que já me viu de cara inchada, maquiagem borrada por chorar no meio da noite. Aquela figura, cujo joelho eu apertei tanto que ficou roxo (foi mal, amiga!). Essa “amiga-irmã” que eu ganhei por puro acaso, se é que existe mesmo esse tal de acaso.

Gissa é essa peça... que se irrita quando erram seu nome... só quando erram seu nome. Nunca vejo Gissa irritada com mais nada. Amiga do sorriso fácil. Do coração difícil. Da amizade à distância... 310km de distância.

Amiga pra vida toda. Pra toda hora. Pra toda festa. Pra todos os vinhos baratos no parque de exposição. Pra toda manhã voltando da noite que ainda não tinha acabado. Pra toda praia com homem sarado. Pra todas as vezes que a gente se livrou das marmotas (ôxi!!!) Pra todos os pés-na-bunda que eu tomei e pra todas as vezes que meu coração disparou. Essa peste já me viu chegar em casa às 4h da manhã, toda molhada de chuva e as canelas cheias de barro. Foi minha cúmplice quando saí de casa às 2h da manhã com a chave do carro na calcinha e a sandália na mão. E ela ria compulsivamente. Mais por estar nervosa do que por qualquer outra coisa.

Mas a gente se entende. Nossa amizade ultrapassa a barreira da distância e a barreira do tempo. Ultrapassa todos aqueles malas que entraram nas nossas vidas e nos fizeram menos felizes (isso é o que eles pensam! Hahaha). Nossa amizade sobreviveu aos nossos desentendimentos e se tornou mais forte.

Amiga, parabéns por completar 23 anos dando alegria pra gente (ficou meio baranga a frase, mas resolvi deixar mesmo assim). Espero que consiga me agüentar por mais uns 50 anos ainda. Ou mais.

Te amo, sua peste!
Vê se te cuida e vai esticar o pixaim porque hoje é o seu dia!
Beijos

19 março 2006

AQUELE IDIOTA


Ele é o cara perfeito pra você. Lindo, loiro e sarado. Mais velho. Rico. Do tipo que manda flores. Um gentleman. Tudo que você faz, ele acha lindo. Ele gosta do cheiro da sua pele (mesmo que você tenha acabado de sair da academia!). Do seu cabelo. Ele compra seu chocolate favorito e leva pra você quarta-feira à noite quando você está deprimida em casa. Ele deixa de assistir o time dele jogar pra ir com você àquela festa da sua tia-avó mais chata. Ele cuida de você quando está doente e ainda diz que você está linda mesmo assim. Ele é o genro que sua mãe pediu a Deus. E o cara pra quem você disse adeus.

Você quer mesmo é aquele mala. Aquele idiota que te faz sofrer. Aquele infeliz que racha conta de três reais com você. Aquela anta paralítica que não tem dinheiro pra colocar gasolina no próprio carro. Aquele ser desprezível que diz que vai te ligar e some. Some. Só aparece na segunda-feira. Isso mesmo. Segunda-feira, dia oficial de ligar pras pessoas de quem nos lembramos quando não temos mais nada pra fazer.

Aquele. Ele mesmo. Que desmarca o cinema com você vinte minutos antes da sessão pra ir jogar bola com os amigos. Que se embriaga nas festas e quer voltar dirigindo pra casa. Que nunca tem dinheiro pra viajar com você, mas que sempre arruma grana pra cerveja e pra coisas de suma importância na vida dele - como despencar de BH no Rio de Janeiro para assistir ao show dos Rolling Stones e voltar no dia seguinte.

Não precisa ser nenhum gênio, nem muito menos a Mãe Dinah, pra saber que o problema é você. A mala, a idiota, a infeliz, a anta paralítica, o ser desprezível é você. É você que sofre de problemas mentais sérios. Que acredita no amor impossível. Nas love-stories. Na paixão que te tira o fôlego e te deixa no chão. Que acredita em tudo isso só porque, quando vocês estão juntos, o mundo parece que pára. E alguma coisa te diz que vocês dois são o melhor plano já feito. E você sente que é imortal. E que tudo é pra sempre. E você confia mais nele do que nos seus próprios sentimentos. E, quando está com ele, você gostaria que cada segundo durasse pra sempre. Que as noites não tivessem fim. Você se sente viva. E trocaria a eternidade por aquele momento. Pelas tardes sem fazer nada juntos. E vocês se comunicam sem palavras. E você é capaz de dizer o que ele está pensando só de olhar pra ele.

E você ainda acredita no amor porque ele te olha nos olhos de um jeito que sua respiração pára por um segundo. E seu coração ainda dispara quando aquela voz linda diz “alô” do outro lado da linha. E ele te liga no final do dia só pra dizer que te ama e que está com saudades, mesmo que tenham passado a tarde juntos. E tudo isso parece tão simples. E ele parece tão seu.

Ele mesmo... aquele idiota...

14 março 2006

SOZINHA

Morar sozinha é um eterno exercício de conviver com a falta das coisas. Falta comida na geladeira, falta Veja Multiuso, falta Perfex e falta gelo no congelador. Faltam coisas que a gente, simplesmente, esquece de comprar. Só que, tem dias, como as tardes de domingo, que faltam muito mais coisas do que essas que a gente simplesmente esquece de comprar. Falta a conversa com a melhor amiga de infância que não está aqui mais, falta o colo da mãe, falta o pai instalando fios pela casa e consertando o DVD, falta a briga com o irmão mais novo, falta o conselho do irmão mais velho, falta o assovio estridente do Coração na varanda, falta a Quita e o Coração brigando e se bicando depois, falta o carinho do namorado (!!!), falta aquele filme tosco com edredom no sofá da sala.

Quem mora sozinha, às vezes, se sente a pessoa mais triste do mundo. Mas não é tristeza. É só saudade. Como já disse Martha Medeiros, “saudade é (...) não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche” e eu digo mais. É não saber o que fazer com as tardes de domingo que nunca terminam. As tardes de domingo, quando cada um está na sua casa, com sua família, com seu namorado e, você está na sua casa, com sua TV e seu DVD (pirata) da Grande Família.

Morar sozinha é nunca ter almoço em casa. Ninguém cozinha pra uma pessoa só. Guardar o resto da comida? Nem pensar. Duraria uma eternidade na geladeira. Quem mora sozinha não pode ter nunca a geladeira cheia. Tudo estraga. Experiente comprar um queijo Minas, por exemplo. E a penca de bananas? De cada doze, você come duas e o resto joga fora. Preta.

Morar sozinha é almoçar sábado e domingo no self-service. É ligar, às duas da tarde, para a amiga que está almoçando com os pais no Porcão, e para uma outra, que está com o namorado na pizzaria da esquina da sua casa. E você, comendo arroz integral no self-service. É ter que fazer supermercado no sábado à noite e dar aquela “ajeitada” na casa que está de cabeça pra baixo e você não faz a mínima idéia de quem bagunçou aquilo tudo! É levar a roupa pra lavanderia segunda-feira meia noite.

É voltar pra casa sozinha, chorando, depois de terem roubado o som do seu carro às duas da manhã num bairro que fica a quase meia hora da sua casa. Chorar sentada na beirada da cama, deitar e dormir. É acordar todo dia e ficar feliz porque seu passarinho faz festa pra você, porque ele vem correndo quando você chega do trabalho e quer ficar do seu lado.

Viver sozinha é aprender a dar valor às coisas simples da vida: o cheiro de quem a gente gosta, a conversa jogada fora, a crise de riso (por um motivo que nenhuma outra pessoa no mundo acharia graça), o abraço de quem não volta mais, a tarde na beira da piscina, os pés embolados debaixo do edredom, o socorro à 1h30 da manhã de terça-feira quando você não tinha forças nem pra se levantar. Morar sozinha é aprender a conviver com sua própria companhia e ter que gostar dela. Mesmo quando ela está triste nas tardes de domingo.

10 março 2006

PROZAC


Eu prometi pra mim mesma aqui neste blog que não iria postar nada mais sobre “assuntos do coração”, que eu iria dar um tempo, mas não tem jeito. Eu nunca fui muito boa com promessas mesmo. E nunca me dei bem com regras, nem quando tento criar regras pra mim mesma. Essa coisa de padrão de comportamento, padrão de beleza, padrão disso e daquilo só serve pra frustrar aqueles que não se encaixam nos tais “padrões”.

Quem teve a infame idéia de determinar o que é certo pra vida das pessoas como se todo mundo tivesse que ser igual? “Tias velhas” que te perguntam toda semana porque você não tem um namorado sem cogitar a hipótese de que você não está namorando porque não aceita qualquer coisa e não vai pegar o primeiro “mala” que aparecer na sua frente com promessas idiotas. Quem foi que inventou que a gente tem uma idade pra casar? E que tem alguma coisa errada com a pessoa porque ela se aproxima dos 30 anos e não se casou ainda. Quem é o fiscal do tempo? Por que alguém não pode se casar com 40 anos? Acho estranho como as pessoas têm essa mania incontrolável de querer fiscalizar a vida das outras, ditando regras e criando padrões.

O resultado disso? Pessoas frustradas. Todas. Pessoas que fazem o que querem, mas se perguntam se deveriam fazer como manda a regra. Pessoas que seguem as regras, mas percebem que, no fundo, deveriam fazer o que elas realmente gostariam de fazer. Casamentos frustrados. Mulheres que se casam antes que fiquem “velhas demais” pra se casar. Homens que se casam porque empurraram um namoro com a barriga por sete anos (e agora a barriga está tão grande que ele se vê lerdo, prostrado diante da TV assistindo Faustão domingo à tarde enquanto a namorada passa creme de pepino na cara e faz chapinha no cabelo).

Você tem que ter 1,80m, pesar 50 quilos, ser loira, linda e difícil. Tomar a iniciativa? Jamais. Ter 31 anos e namorar um bonitão de 19? Tá louca! A menos que você seja a Ivete Sangalo... e mesmo assim, vai ter que agüentar as capas de jornais e revistas de todo o país divulgando o “mico”.

Namore caras mais velhos, ricos e independentes. Case-se antes dos 30. Seja linda. Independente. Ganhe bem - mesmo que todo seu dinheiro seja torrado em bolsas Louis Vuitton e sapatos Prada. Tenha um cachorro de bolsa. Sorria quando quiser chorar. Tome remédios pra dormir. Tenha o Prozac como seu melhor amigo. E, se sobreviver a tudo isso, me conte depois. Vou querer estar aqui pra saber.

08 fevereiro 2006

PLÁGIO

Meu post dessa tarde quente é o comentário perfeito que Lodi deixou aqui...

joão alguém disse...
Perdeu-se uma mala cansada, com diversas expectativas dobradas dentro. Quem a encontrar, diga-lhe boa viagem.
*o tempo está mais em nós do que a gente nele.
Fevereiro 08, 2006 2:03 PM

05 fevereiro 2006

O TEMPO É O SENHOR DA RAZÃO

Engraçado como tudo nessa vida passa. E só o tempo mesmo pra fazer a gente perceber isso. As conversas não são as mesmas, o toque não é o mesmo. Não somos os mesmos, na verdade.

Não sei se é só o tempo ou se é também uma questão de “percepção” das coisas. A gente cria uma pessoa fantasiosa na cabeça da gente que não existe na realidade. E a realidade está bem longe de se parecer com o que a gente criou na nossa cabeça.

Cadê aquela pessoa cheirosa, companheira e linda que a gente imaginava? Não existe mais. Ou talvez nunca tenha existido a não ser na nossa cabeça. É tudo diferente... os papos, o cabelo, a voz... o cheiro do carro. Aff.

Mas é isso aí. Não me arrependo de nada. Tudo serve pra gente aprender alguma coisa. Hoje, estou muito mais madura. Sei exatamente o que eu quero pra mim. Sei também o que eu não quero. E isso eu não quero.

Por isso, eu digo: só entre na minha vida se for pra fazer alguma diferença. To cansada de mala! Aff.