20 setembro 2007

A VERDADEIRA BALADA DO AMOR INABALÁVEL

De repente, a vodca virou vinho. A festa fechou as portas. A solteira se comprometeu. A cidadã baladeira que não perdia uma festa sequer, perdeu o juízo e se jogou. Perdeu também a paciência com a amiga que fica horas descrevendo a roupa de não sei quantas cifras que ela comprou pra ir àquela super-mega-ultra-power festa do final de semana naquele super-mega-ultra-power lugar que ela já foi zilhões de vezes. A cidadã ouviu o toque de recolher.

Acabou a graça de sair pra paquerar carinhas que não vão dar em nada. Acabaram as noites sem dias seguintes, os dias seguintes que ainda eram a balada da noite anterior. A cidadã não tem mais paciência pra festas regadas a saias que exibem o útero, por cabelos que exalam formol, por decotes que disputam o maior silicone, por playboys que também disputam o maior silicone, pelos silicones que disputam o carro mais caro e o cara mais barato. A música alta torrou a paciência, corrompeu os neurônios e estourou os tímpanos. Suas roupas curtas são tão curtas que não caberiam em nenhum outro lugar a não ser em festas com pessoas dopadas pela droga do momento e embaladas por música que repetem o tuntz-tuntz a noite inteira.

A cidadã, que nunca teve vícios, se viciou. Se viciou em querer um cidadão só. Um cidadão que agüenta todas suas manias. Um cidadão que criou nela o hábito dele. Que viciou ela nele. E agora o vício dela é repetir ele. O vício dele. Vinte quatro horas dele. Sete dias por semana ele. Acorda, ele. Dorme, ele. Só ele.

Ele faz todas as vontades dela, viaja, sua, ri, canta, toca, come, beija. Ela é a cidadã que faz a única vontade dele. Ele compra vinho, ela faz chapinha. Ele toca violão, ela canta música brega. Ele compõe, ela desafina. Ele é sol, ela é de lua. Ele quer envelhecer junto, ela quer morrer antes de envelhecer. Ele planeja o futuro, ela não tem a mínima pista de amanhã cedo. Ele paga previdência privada, ela paga depilação a laser. Ele é tudo que ela sempre quis um dia, antes mesmo de ela saber que queria. Ele quer ela, ela quer ele.

A cidadã ex-baladeira-frenética-sem-rumo recolheu suas fichas e foi apostar em outro lugar. Mais seguro. Com menos risco. Mais certezas. E, por incrível que pareça, mais emoção. A cidadã prefere acordar de manhã e saber pra quem ligar do que tentar lembrar o nome da noite anterior. Prefere estar com alguém que conheça seus defeitos, que tolere suas pirraças, que a ame apesar do que ela é. Prefere saber onde está pisando.

Como se preferir fosse algo que ela tivesse escolhido. Não foi. Aconteceu enquanto ela planejava um final de semana e outro. Aconteceu enquanto ela não tinha planos para o carnaval e lamentava a maldita época do ano em que os rolos mal enrolados aproveitam pra desenrolar. Aconteceu numa noite de céu estrelado e aviões que ainda voavam baixo lá em cima. Aconteceu sem que ela tivesse o mínimo controle ou pelo menos uma vaga pista do que estava fazendo. Aconteceu e ela ainda não sabe muito bem o que está fazendo. Só que, agora, se ela tiver dúvidas, ela tem pra quem perguntar. E quando ela não tiver certezas, ela ainda vai ter ele.

12 setembro 2007

FORA DE MODA

É só ligar a tv ou abrir uma revista qualquer pra você fazer a seguinte constatação: você está fora de moda. Os anúncios publicitários com garotas de 1,80m, 49kg e mais de 300ml de silicone nos peitos não deixam dúvidas: você está realmente fora de moda. Você é magra, sarada e linda, mas isso não basta. Coloque um pouco mais de peito – mesmo que sua altura não comporte os 475ml de silicone que você quer colocar pra ficar igual àquela famosa pelada da tv, da revista e da casa de massagem – coma alface no café da manhã, ricota no almoço e meia cenoura crua ralada no jantar – mesmo que isso vá te causar uma puta dor no estômago, te deixar com bafo de macaco morto e provocar vertigens - use salto 15 pra ver se você fica com o corpo mais esguio – mesmo que você não durma à noite com dores na coluna e tenha que fazer fisioterapia pra arrumar seu joelho.

Sou publicitária, mas não foi pra isso que eu freqüentei uma faculdade. Não perdi minhas noites de sono acordando às seis da manhã por quatro anos seguidos pra fazer as pessoas se sentirem mal. Me recuso a “emagrecer” modelos no Photoshop, me recuso a aumentar bocas, peitos e bundas pra distorcer a realidade e fazer as pessoas acreditarem nisso. Como se já não bastassem as “perfeitas” das revistas com as peles esticadas, as bundas sem celulites, as cinturas sem gordurinhas e com os peitos encostando um no outro. Onde estamos querendo chegar???

Criaram monstros. Pessoas frustradas com o que vêem no espelho de suas casas. Criaram minha amiga que só come salada porque acha que está gorda com 1,72m e 52kg. Que, com esses mesmos 52kg, já fez três lipoaspirações, duas cirurgias no nariz, uma nas orelhas, colocou 275ml de silicone nos peitos e acabou de comprar um pacote de 20 sessões de uma tal estimulação russa. Culpa dela? Acredito que não.

Não estou tirando meu corpo fora. Muito pelo contrário. Meu corpo é a maior vítima desse circo que a mídia armou. Já coloquei meu nariz de palhaço. Uso o Photoshop pra tirar minha cicatriz de quatro milímetros (quatro milímetros!!!) no queixo. Gasto rios de dinheiro em cremes anti-celulites e tratamentos que nunca melhoraram em nada, porque, segundo minhas amigas, meu namorado e até eu mesma, eu não tenho celulite. Mas a mídia insiste em vender cremes milagrosos, xampus de 279 Reais (que fazem o mesmo efeito que os de 3,99 da farmácia), tratamentos que não tratam nada. A solução milagrosa que só te traz um problema maior ainda: a realidade.

E a realidade é que os homens procuram as mulheres perfeitas das revistas e encontram a gente. Eu e você. Gente que dorme e acorda sem Photoshop. Que dorme maquiada e acorda com olheiras. Que come chocolate e mata a academia porque trabalhou o dia inteiro e chegou morta de cansaço em casa à noite. Que a pele da axila não tá lisinha igual os caras vêem na revista porque, de tanto passar gilete, ela começou a ficar meio áspera. Que a pele do rosto tem cicatriz, tem mancha e tem umas espinhas de vez em quando. Que, se alguém beliscar sua bunda, vai ter uma celulitezinha escondida por mais que você malhe, sue e use todos os cremes anti-celulites da farmácia. Gente de verdade. Que não mostra a bunda na tv e não abre as pernas nas revistas como se fosse um consultório ginecológico. Gente de boa fé que acredita no que a mídia vende – e eu não estou falando de produtos aqui. Gente sem muito peito, nem muita bunda, com 1,60m e uma cicatriz no queixo. Gente como eu: fora de moda.

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Amores, desativei os comentários a partir desta postagem. Mas, vocês sabem onde me encontrar: e-mail, orkut, comunidade dos textos (o link tá aí do lado)... enfim... to aí.
Beijos.

24 agosto 2007

AMOR E ORIGAMI

Isso não é um poema. Nunca soube fazer poesia. Escrevo assim mesmo. Reto. Com minhas idéias tortas. Magôo as pessoas com palavras mal-ditas. Duvido do seu amor por mim e te testo o tempo inteiro. É o que você me diz. É o que eu faço sem perceber porque me acostumei a não acreditar nas pessoas. Você move o mundo, sacode nas curvas dessa estrada tonta enquanto eu me recuso a te dar qualquer garantia.

Você me fotografa a cada movimento com seu celular de não-sei-quantos mega pixels e acha lindo até meu nariz torto. Você tem ciúme dos meus amigos da academia que me vêem com roupas minúsculas, dos meus amigos que saem comigo pra balada - e também me vêem com roupas minúsculas - e do veterinário do meu passarinho, que não sabe nem que roupa eu uso. Eu te bloqueio no MSN, desligo o celular pra não te atender e esqueço de passar o perfume que você gosta em mim. Você faz planos pra gente ficar junto pra sempre, enquanto eu estudo a hora que o sol bate no meu prédio no inverno. Você quer casar e ter filhos, eu quero dormir sozinha na minha cama queen e ter uma casa com uma girafa, uma onça e 379 pássaros. Soltos. Você quer me segurar. Eu quero ser solta.

Você escreve melhor que eu, e eu reclamo das suas palavras. Eu peço pra você tirar a barba numa semana e digo que não gosto da sua cara lisa. Você me alisa. Eu te analiso. Você sua pra eu ser sua. Você se esforça. Você vem atrás. Você tenta. Eu implico.

Eu faço leilão comigo mesma pra ver se você dá mais. Eu me coloquei à venda pra ver quanto eu valho pra você. Pra descobrir depois desse tempo todo que eu valho suas noites de sono. Eu compenso a distância. Por mim, você chora, viaja, muda de vida, larga o emprego, muda de rumo, troca de cidade.

Por mim, não precisa fazer nada disso. Acabou o choro, a gente vai ser só riso. Chega de viagem, eu to indo ficar com você. Não precisa mudar de vida, eu mudo com você. Eu mudo e vou continuar sendo a mesma chatinha que você ama. A chatinha tatuada. A sua chatinha. A chatinha que tinha um coração aposentado porque apanhava mais do que batia. A chatura infinita que você dobrou, amoleceu e arrancou de dentro dela uma cidadã que ela não lembrava mais que existia. E agora, não quero esquecer mais um segundo. E se eu esquecer, tenho você pra me lembrar. Tenho você com esse nariz lindo pra me lembrar que eu odeio o meu. Tenho seus textos perfeitos que me deixam sem palavras e me fazem querer apagar tudo que já escrevi. Tenho esse homem maduro do meu lado pra me lembrar que eu preciso ser uma pessoa melhor. Tenho você que conhece meus defeitos e só enxerga o meu melhor. Tenho você que me faz acreditar que não preciso de mais nada. Tenho você e isso me basta. Tenho você e, agora, você me tem.

23 agosto 2007

A ALMA MURCHA E OUTROS SINTOMAS

Mais uma balada e você lá. Alma aberta, coração vazio, copo cheio. O cidadão lindo, cheiroso e sarado do seu lado puxa papo e, você que não tá fazendo nada mesmo, começa uma interação. É “como você se chama?” daqui, “o que você faz da vida?” dali, “quantos anos você tem?” de lá... o currículo inicial básico. Depois de algum tempo, o módulo básico pula pro avançado. E a noite termina no avançado plus com direito a upgrade no dia seguinte. Perfeito.

No começo, tudo é lindo. Ninguém tem defeito. Todo mundo jura fidelidade e amor eterno. No terceiro mês, você desconfia porque a vizinha do quarto andar liga tanto pra ele, porque o futebol termina meia-noite, porque todo dia ele tem uma nova entrevista de emprego, porque ele sempre sai com algum amigo que você nunca ouviu falar antes. Por que tanta história estranha? É só coisa da sua cabeça? Você tá vendo coisa demais? Ou é só ciúme?

Você já não freqüenta as baladas que gostava. Mal sai com as amigas. Perdeu contato com seu amigos homens. Parou de correr às terças e quintas com seu vizinho. Deletou seus ex-namorados, rolos e ficantes do MSN. Excluiu seu orkut. Deletou números suspeitos do seu celular. Você cede, cede, cede. Até uma hora que a corda cede. Arrebenta.

Você cedeu tanto, sem perceber, que murchou. Secou feito uma flor no inverno. E agora espera a primavera da janela da sua casa, de onde, inclusive, você mal sai. É de casa pro trabalho, do trabalho pra casa. Ele que te achava linda, mal te vê. Sua luz apagou. Foi-se o brilho junto com as noites de festa. A poesia virou drama. O avião virou ônibus. O amor se transformou num saco de lixo sem fundo onde vocês vão jogando todas as brigas.

Mas será que o amor é isso? Cadê aquele cidadão que te achava linda com o cabelo atrapalhado de manhã cedo? Cadê aquele cara que andava com o celular tirando foto de cada movimento que você fazia? Cadê aquele cara que fechava os olhos e sentia seu perfume no ar quando você usava Love Spell? Cadê aquele cara que disse que nunca ia te largar? Cadê aquele cara que viajou, que insistiu, que moveu o mundo pra ficar com você? E cadê você?

Você tá em algum canto. Largou sua vida de lado e foi viver a dele. Enquanto ele se divertia com os amigos, você enchia o saco dele com suas crises de ciúme. Enquanto ele ia pra festa, você ficava em casa queimando neurônios imaginando o que ele estaria aprontando. E quanto mais ele vivia, mais você esmoecia. Murcha como uma criança que acabou de descobrir que Papai Noel não existe. Que o amor, você nem sabe mesmo se ele existe. Que a confiança e o respeito às vezes valem mais do que juras de fidelidade eterna. Que não existe nada eterno. Que a gente nunca sabe até onde vai se a gente não pagar pra ver e for junto. Que vai até aonde a gente deixar ir. Que alguns caminhos não têm volta, mas têm várias saídas de emergência. Que a sua vida tem urgência e todo resto é bobagem. Que você nasce sozinho pra aprender a fazer escolhas sozinho. E que você só está acompanhado quando aprende a ficar sozinho.

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Não me canso de dizer que este blog não é um diário virtual e que os textos são obras de ficção. Obras na minha mente em construção. E para os curiosos de plantão, comunico que sim, tá tudo lindo!
Beijos e ótimo final de semana.

08 agosto 2007

MENTIRAS SINCERAS

“De vez em quando, nessa vida, a gente engole um caô... pra se arrumar, pra se arrumar, pra namorar, pra namorar, pra ser feliz, pra ser feliz, pra ter amor.”

Elba Ramalho estava certa. Na vida, a gente precisa engolir umas mentirinhas de vez em quando e fazer cara de paisagem. Pra se dar bem. Pra ser feliz. E até pra namorar.

Sempre fui metida à pessoa-mais-sincera-do-mundo e sempre me dei mal. Portanto, não aconselho ninguém a seguir meus passos. Minha mania insuportável de falar a verdade faz com que eu exija o mesmo tipo de atitude das pessoas. E aí, qualquer deslize é o suficiente pra eu mostrar o cartão vermelho. Falta grave. Não tolero mentira de espécie alguma. Se um dia eu perguntar pra uma amiga qual o caminho que ela faz pra chegar até minha casa e ela mentir, a amizade se encerra junto com a resposta dela.

As pessoas mentem basicamente por duas razões: pra protegerem a si mesmas ou pra protegerem alguém. "Eu já disse mil vezes que eu não fiquei com essa garota". E assim, cada um protege o seu como pode. "Olha, seu guarda... eu acabei de estacionar aqui... já ia colocar a faixa-azul". E o “seu guarda” já ouviu esse papo centenas de vezes! "Se você se comportar bem, Papai Noel vai trazer presentes pra você no Natal". E essa era sua mãe te ensinando, desde pequeno, a mentir pra conseguir o que quer.

E assim, homens e mulheres mentem. Seja pra proteger o relacionamento, seja pra tirar o próprio da reta. "Essa é a última cerveja e nós vamos embora". E você esperou por duas horas e intermináveis 48 minutos enquanto o bebum do seu namorado contava piadas sem graça e falava de futebol com os amigos. "Eu nem acho a Sandrinha bonita, você sabe que eu não gosto de mulher com silicone". E lá estava seu namorado hipnotizado quando a cidadã adentrou seu baile de formatura com um decote no melhor estilo mamãe-quero-dar-pra-festa-inteira.

Minha avó dizia que mentira tem perna curta. E eu digo mais: tem perna curta e tropeça. Quem mente tropeça em si mesmo. Tropeça nas palavras. Embola frases. Mistura idéias. Se confunde. Tenta confundir o outro. Engasga. Contradiz a si mesmo a cada três frases ditas. Os olhos piscam mais rápido que o normal e vagueiam sem foco. Quem mente, mais cedo ou mais tarde, acaba se entregando de alguma forma.

E eu, que já me dediquei a estudar sobre mentiras e pessoas que mentem, hoje, preferia mentir pra mim mesma e fingir que nada sei. Preferia acreditar que minha amiga está dizendo a verdade sobre meu cabelo novo. Preferia acreditar quando meu namorado diz que me acha a mulher mais linda do mundo. Preferia acreditar quando minha mãe fala que meu nariz não é torto e que eu nem sou tão baixa assim. Preferia acreditar que a amiga do meu namorado é só amiga mesmo. Preferia acreditar que existe amizade entre homem e mulher e que todos meus amigos gostam de mim só porque eu sou gente fina e não porque me acham sarada e gostosa. Preferia acreditar que as pessoas podem mudar. Preferia acreditar que o que passou é só passado. Preferia acreditar só pra namorar. Só pra ser feliz. Só pra ter amor.

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Queridos, mais uma vez, obrigada pelos comentários lindos, pelos emails infinitos, pelas pessoas fofas que estão na minha comunidade no orkut (quem fez foi a fofa da Lu e o link da comunidade tá aí do lado). Amo tudo isso!
Beijos.

Foto: Rafaela. Olhares.com

31 julho 2007

JOGOS

Entenda de uma vez por todas: eu não agüento mais fingir que não te quero. Cansei de fazer o seu jogo. De fingir que não estou nem aí. De me segurar cada vez que tenho vontade de te ligar pra falar de nada. De fingir que não te vejo toda vez que a gente se encontra por aí sem querer. Quer saber a verdade? Eu gosto de você. E, por mais que doa em mim admitir isso, acho que passou da hora de eu te dizer.

Assumo: não sei jogar. Sempre que tento, perco. Sempre que jogo, me jogo. Arrisco. Não sei falar frases pela metade. Não sei gostar pela metade. Não sei estar com alguém pela metade. E muito menos vou aceitar suas metades. Cansei de ser a sua segunda opção. De ser o seu refúgio da madrugada. Cansei de ser a carinha bonitinha que você encontra de madrugada e jura amor eterno.

Posso repetir quantas vezes for preciso pra você entender: suas palavras não valem nada. É sua atitude que conta. Se amar for isso, então, vá amar outra mulher. Vá fazer outra de trouxa. Vá jurar amor eterno numa noite e ser visto com outra mulher no dia seguinte. Sinceramente, não entendo.

Se me ama, me prove. Coloque seu coração à prova. Porque eu cansei de colocar o meu. Cansei de dar a alma pra bater. Cansei de esperar por seus telefonemas. De esperar por você. De acreditar em você. Você diz que me ama mas nem ao menos me conhece. O que você sabe sobre mim? Meu nome? Meu sobrenome? Que eu gosto de chocolate? Que eu gosto de música eletrônica e de Madonna? Pouco. Você não me conhece. Não conhece meus sonhos. Não esteve no meu passado e é muito provável que não esteja no meu futuro.

Sabe de uma coisa? Eu mentia pra você quando me mostrava apenas como um corpinho legal. Tudo mentira. Aqui neste corpo, meu bem, tem uma cidadã completa. A mesma cidadã que te abraça e faz carinho no seu cabelo enquanto você dorme. A mesma cidadã que esquenta seu corpo nas madrugadas quando seu celular só precisa discar um número. A mesma cidadã que te atende prontamente de manhã, de tarde e de noite. A mesma cidadã que responde todas as suas mensagens sexta-feira à noite enquanto espera, de você, um convite seu pra sair. A mesma cidadã que finge o tempo todo pra você que não te quer só pra fazer o seu jogo de não-querer. A mesma cidadã que se deixou levar pelo seu papo mole e agora percebe que o mais mole é você. A mesma cidadã que banca a durona do seu lado. A mesma cidadã que nunca vai jogar com você.

Queria fazer o seu jogo, só pra ver você perder.

14 julho 2007

VIVA E DEIXE MORRER

Meu último final de relacionamento não foi lá muito agradável. Fiquei mal. Chorei. Fui ao fundo do poço. Mas voltei. Mais forte. Com mais vontade de começar tudo de novo. E o melhor disso foi que aprendi. Aprendi que existem duas formas de você sair de uma grande merda feita: ou você liga o foda-se ou quem se fode é você. Então eu resolvi ligar o foda-se.

Descobri que nada pode ser tão ruim quanto parece. E que a gente costuma ver nossos problemas como os piores grandes acontecimentos do mundo. Mas não são. Seu último namorado não é a última bolacha do pacote. Acredite em mim. Não é. Mas só o tempo mesmo pra fazer a gente enxergar isso. Não adianta sua melhor amiga falar. Ou sua mãe. Muito menos eu.

Você não vai achar outro cara igual ao seu ex-namorado. Ninguém vai te olhar com aquela carinha fofa e aqueles olhinhos pequenininhos que ele tinha. Ninguém vai segurar seu pé do jeito que seu ex-namorado segurava. Ninguém vai te chamar por aquele apelido que ele inventou pra você. Você não vai achar outro cara como ele. Mas você vai achar um cara que te trata como uma princesa. Vai achar um cara que te faz rir das coisas bobas que ele fala. Vai achar um cara que te amolece com o jeito que ele encosta o nariz dele no seu. Existem milhares de cidadãos bacanas por aí. E esse cidadão pode não ter a boquinha rosinha que você adorava mas vai ter um narizinho em pé que você vai adorar também. Ele pode não ter um calo abdominal pra você implicar mas vai ter aquele pé branco-de-dar-medo que vai te matar de rir.

É assim. Ninguém faz igual a ninguém. Mas alguém pode fazer melhor. Alguém pode fazer diferente e você vai gostar também. As pessoas chegam na sua vida, as pessoas vão embora. É assim que funciona. Final de namoro? Ótimo. Ao invés de ficar deitada na sua cama, chorando, coloque a sua melhor roupa, seu salto mais alto e seu melhor sorriso. A boa notícia é que tem outro cara tão bacana quanto aquele último perdido por aí. E que está cheio de caras bacanas fora da sua cama doidos pra estar nela.

Pra isso serviu meu estágio na vida de solteiro. Pra eu ver que existe um mundo de possibilidades aí fora. Que a gente cai pra aprender a se levantar (isso eu aprendi no último filme do Batman). Que, se alguém não quer estar com você, mande esse alguenzinho de merda pastar! Ele pode ser lindo, cheiroso, gostoso, charmoso e um monte de outros “osos”. Se ele não te quer, ele não tem o primeiro quesito da lista.

Meus amigos dizem que sou fria. Que tenho coração de gelo. De jeito nenhum! Sou apenas prática. A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional. Até porque nunca tive talento pra auto-flagelação. Fui mimada a vida inteira. Por isso gosto de ser bem tratada. Exijo. Comigo, é do meu jeito (my way or the highway). E se não tiver bom assim, querido, passe mais tarde! O produto é de boa qualidade e tem garantia. Não gostou? Devolve. Tem uma fila gigante lá fora só esperando a porta abrir.


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Queridos, agradeço todos os infinitos e-mails que tenho recebido pedindo cadastro no blog. Só no primeiro dia, foram quase 50! E quase morri do coração. Depois, parei de contar com medo de infartar. Meu coração é fraco, apesar de eu tentar bancar a durona.
Estou respondendo todos os e-mails um por um, mas realmente ainda não sei qual o destino do blog. Estou avaliando as sugestões que tenho recebido.
Amo vocês! Dá vontade de postar cada e-mail lindo aqui!!!
Obrigada demais!
Beijo

22 junho 2007

AMOR, JAZZ E VINHO BARATO


Das duas, uma. Ou você leu meu manual de instruções ou você tem uma bola de cristal em perfeita sintonia comigo. Só pode ser. Porque não é possível alguém ser assim. Alguém que me trata como uma princesa. Que faz todas as minhas vontades. Que despenca de tão longe pra me ver por tão pouco. Não é possível alguém ser tão tudo de bom e fazer tão do jeito que eu gosto. Não é possível uma sintonia tão fina. Uma panturrilha tão grossa. Uma cabeça tão macia.

Eu sabia que esse dia ia chegar. E chegou como um samba de carnaval. Me arrancou do chão. Aumentou minha pulsação. Me levou junto. Eu sabia que um dia eu ia fazer tudo certo. E agora eu entendo porque. Porque agora todas as peças se encaixam e não falta mais nada. Você fez a aposta. Eu perdi.

Perdi noites de sono em baladas freqüentadas por garotas de saias e cabeças pequenas. Por playboys deslumbrados, com algum dinheiro e nenhum pedigree. Por corpos sarados e mentes doentes. Festas com muita pose e pouca atitude. Com convites que custam caro e pessoas que se vendem por tão pouco. Me perdi e não encontrei ninguém. Torrei meu dinheiro e minha paciência. Estourei meu cartão de crédito e, por pouco, não estouro meus tímpanos.

Mas, quer saber? Cansei de música alta. Prefiro quando você fala baixo no meu ouvido. Prefiro ficar vendo os aviões brancos dando rasantes sobre nossos corpos tintos. Prefiro você suave. Prefiro o silencio dos seus olhos me dizendo que me ama. Prefiro seu violão de madrugada. Prefiro você dedilhando. Prefiro quando você se perde nas notas. Prefiro sua música, seu tom.

Por você, eu dei uma nova chance a mim mesma. Eu dei minha cara a tapa. Por você, eu voltei a acreditar no amor adolescente e a ter calafrios na espinha. Por você, parei de ler seus textos e comecei a ter ciúme. Por você, posso largar a música eletrônica e aprender a gostar de jazz. Por você, eu largo os vinhos baratos, os xampus caros e as roupas curtas. Porque quando você está dentro, não existe mais nada lá fora. O mundo acaba aqui, na gente. Porque você me faz tão sua. Porque você me faz tão eu.


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Amores, dias lindos pra todos!
Comentem, mandem e-mails, sinais de fumaça, comuniquem-se.
Beijo.

15 junho 2007

OS INCOMODADOS QUE SE RETIREM

Dizem que os incomodados é que devem se retirar. Concordo. Se alguma coisa me incomoda, abandono o barco. Chuto o tal do balde. Ficar insistindo em uma coisa que não vai dar certo nunca foi a minha especialidade. Manter namoros estressantes, amizades interesseiras, empregos sem futuro não faz muito sentido na minha cabeça. Desculpe minha mania de ser clichê, mas a vida é muito curta pra gente perder tempo.

Não é nada fácil me agüentar, eu sei. Sou implicante. Pouco tolerante. Pirracenta. Mimada. Falo o que penso. Faço o que tenho vontade (só o que tenho vontade!). E pior: sou adepta de uma filosofia de vida muito objetiva que eu mesma desenvolvi: “Quer? Quer. Não quer? Não quer”. Muito simples. E é assim que eu gostaria que agissem comigo. Não me quer, saia da minha vida logo. Me quer? Faça por merecer.

Não puxo saco de ninguém. Detesto que puxem meu saco também. Nunca saí com quem não queria estar comigo. Nunca fui à festa sem ser convidada. Não faço amizades por conveniência. Não sei rir se não estou achando graça. Não seguro o choro se o coração estiver apertado. Não atendo o telefone se não estou com vontade de conversar. Não namoro pra falar que tenho companhia. Nunca pertenci a grupos em que as pessoas pensassem, agissem e se vestissem todas iguais. Nunca precisei beber, fumar ou me drogar pra pertencer a nenhum grupo social. Isso não sou eu.

Sou eu a cidadã cansada dos padrões machistas da sociedade. Sou eu a cidadã cansada de ver as capas de revistas com corpos de fora e imaginar se o que conta realmente é ter alguma coisa por dentro. A cidadã que, de tanto pensar, não dorme. De tanto não dormir, não pensa. A cidadã que, aos onze anos de idade, queria consertar o mundo fazendo cover da Xuxa nas escolas e falando pras crianças não se drogarem. A cidadã que não confia nos homens, não acredita na humanidade e gostaria de adotar uma girafa. A cidadã que planeja montar uma família com onças, aves e siris - além da girafa. Sou eu essa cidadã estranha. Sonho que sou a Branca de Neve e acordo engasgada com a maçã.

E de tanto comer maçã podre, aprendi. Agora, jogo fora o que não presta. Ou melhor, saio eu mesma do jogo. Não faz mais sentido acreditar que a sua amiga interesseira vai ser uma pessoa melhor depois que você conversar com ela. Ou que seu namorado vai mudar aquele hábito que te incomoda porque ele te ama. Ou que seu chefe vai reconhecer seu esforço e não vai te demitir quando precisar reduzir o quadro de funcionários. Não funciona dessa forma. Por isso, saio fora antes do final do jogo se eu não estiver de acordo com as regras. Me retiro se a incomodada sou eu.

O que incomoda vai estar sempre ali no mesmo lugar. Mas você não precisa estar. Mude de lugar. Mude de casa. Mude de emprego. Mude de amigo. De ficante. De namorado. De marido. Mude de atitude. Só não fique parada reclamando. Faça aulas de boxe. Aprenda a dar bicudos, a fazer gestos obscenos, a falar palavrão, a xingar as pessoas, a largar tudo pra trás. Aprenda a não levar a vida tão a sério. Aprenda que o stress só vai destruir seu estômago e torrar seu dinheiro em análises e remédios caros. Aprenda que as pessoas não são do jeito que você gostaria que elas fossem. Eu aprendi. Aprendi a hora de me retirar: vou embora antes do final da festa.

05 junho 2007

UMA COMPLETA IDIOTA

Vira e mexe, me pedem pra escrever sobre uma história que aconteceu com outra pessoa ou um assunto qualquer que eu nunca vivi. Recuso sempre. Não consigo. Simplesmente não consigo escrever sobre algo que nunca vivi na pele. Dizem que é porque eu escrevo com o coração. Sei lá. O fato é que escrever sobre um tema determinado por outra pessoa nunca deu certo comigo. Os textos, por mais que eu tente fazer de forma diferente, acabam ficando com a minha cara. É por isso que eu fico tão irritada toda vez que “clonam” meus textos por aí em orkuts e blogs de outras pessoas sem colocarem que o texto é meu. E é por isso também que acabo escrevendo sobre temas parecidos. Amar, não amar. Apaixonar-se, não se apaixonar. Dar foras, levar foras. Os homens bonitos, os homens feios. Os ficantes. Os que querem a gente e a gente não quer. Os que a gente quer que não querem a gente. Os que querem a gente e a gente queria querê-los. Não que eu tenha grande conhecimento de causa em acertos. Mas em tentativas, sim. Agora, o mais engraçado de tudo é que estão sempre me escrevendo pedindo conselhos. E os casos se repetem sempre. Só mudam os personagens. (The players change, but the game remains the same). Comigo, com a vizinha da porta ao lado, com uma mocinha que mora em Goiânia, com a outra de Portugal. Mas, já adianto: não me peçam conselhos sobre o que fazer. Só entro em furadas. E, se não é furada, faço virar uma no final. Incrível. Acho que, no fundo, eu gosto dessa coisa de me apaixonar no dia seguinte e me desapaixonar uma semana depois. Atire a primeira pedra quem nunca se apaixonou - e tome uma pedrada na cabeça porque quem nunca se apaixonou não sabe como é se sentir imortal.

Imortal. É exatamente assim que se sente uma pessoa apaixonada. E disso eu posso falar com um bagageiro cheio de conhecimento de causa. Sabe chegar em casa e não sentir os pés tocarem o chão? Sabe acordar rindo sozinha igual uma idiota? Sabe rir sozinha no meio dos outros, sem motivo (idioooota)? Sabe seu coração disparar quando seu celular toca e você vê o nome dele piscando? Sabe engasgar com o ar porque o ritmo da sua respiração tá diferente durante o dia? Sabe fazer loucuras que você jamais faria em sã consciência? Sabe achar tudo que ele fala lindo? Sabe não achar defeito nenhum em uma pessoa? Sabe quando a pessoa fica on-line no MSN e você tem vontade de beijar o monitor? Sabe quando ele vem teclar com você e você fica prestando atenção na janela “fulano está digitando uma mensagem” pra ver o que é que ele vai escrever? Sabe sentir um frio na espinha quando você chega perto da pessoa e achar que o mundo parou? Sabe a pessoa te convidar praquele programa que você detesta e você ir feliz? Sabe ir ao aniversário da tia-avó com ele e achar tudo lindo? Sabe achar tudo lindo? Tuuuuuuuuuuudo lindo! Sabe de repente as cores das coisas ficarem mais vivas e até filme antigo ficar colorido? Sabe querer dançar até com aquela música baranga que você odeia? Sabe olhar pra placa de todos os carros iguais ao dele na rua pra ver se é ele? Sabe suas amigas não te agüentarem mais porque você só fala dele? Sabe querer viver pra sempre? Sabe descobrir que sua alma é brega? Sabe um texto não ter fim porque você fica lembrando de tudo que você faz e que na verdade todas essas coisas só te deixam parecendo uma idiota? Sabe se sentir a idiota mais feliz do mundo? Eu sei.

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22 maio 2007

DAS REGRAS QUE EU CRIEI PRA MIM

Eu só queria um namorado que lesse Quatro Rodas, jogasse futebol e não cuspisse no chão. Eu só queria um namorado que fosse homem, mas que fosse um gentleman. Eu só queria um namorado que me entendesse mesmo sendo homem. Que entendesse as minhas chatices e as TPMs que eu invento. Eu só queria um namorado que não assistisse Big Brother, que não tivesse fixação por revista de mulher pelada e que não fosse como todos os homens machistas deste mundo. Eu só queria um namorado que não fosse machista a ponto de achar que os homens devem sair com prostitutas.

Eu só queria um namorado que não me comparasse com as mulheres arreganhadas nas revistas com photoshop entre as pernas. Eu só queria um namorado que me permitisse ter um metro e sessenta e cabelos ondulados. Eu só queria um namorado que me permitisse não querer ter silicone e gostar dos meus peitos pequenos.

Eu só queria um namorado que não tivesse Orkut com milhares de barangas pulando em cima dele. Eu só queria um namorado que não tivesse 57 ficantes e 23 ex-namoradas no Messenger. Eu só queria um namorado que não usasse o chat do Gmail pra mascar as meninas deslumbradas que acham o máximo o que ele escreve. Eu só queria um namorado que fosse só meu.

Eu só queria que quando a gente estivesse deitado na minha cama, o mundo fosse só a gente. Que quando a gente se tocasse, ele estivesse de corpo e alma presentes. Que a minha foto não dividisse espaço com a bunda de um monte de gostosas na tela do seu computador. Que a minha escova de dente não morasse em cima de outros corpos estampados de frente, de costas, de trás, de viés.

Eu só queria não ser só mais uma. Eu só queria não ser só um corpo. Eu só queria que quando eu ficasse com raiva do seu comportamento machista, eu colocasse meu menor vestido e fosse me acabar na melhor balada eletrônica da cidade. Eu só queria dançar em cima da caixa de som e sentir que o mundo me deseja. Eu só queria que todos os bonitos das festas me olhassem e quisessem me levar pra casa. Eu só queria testar se corpos e bundas são tão importantes assim na vida das pessoas. Eu só queria ver mesmo se é isso que conta. Eu só queria ver se quem se tranca no banheiro com as Sheilas, Julianas, Giseles e Isabelas das revistas sente tesão por mulher de verdade. Pela magrela-sarada-baixinha, sem photoshop e sem maquiagem da vida real.

Eu só queria saber como são os homens na vida real. Eu só queria um namorado do jeito que eu queria. Mas isso tudo é uma grande bobagem. Agora, o que eu mais quero é ser solteira.

10 maio 2007

FISCAL DO TEMPO

Por que três em cada quatro casamentos vão pro saco? Simplesmente acabam? O que acontece? Acaba o amor? Onde está aquele casal que fez juras de amor eterno na segunda semana de namoro? Por que tanta gente se separa? Talvez, por uma razão muito simples: nunca deveriam ter se casado.

Alguém me explica porque uma pessoa de 35 anos decide se casar com outra que conheceu há quatro meses? Quem está cronometrando o tempo? Fazendo contagem regressiva e dizendo pra ele: “Case-se logo. Você já está velho demais pra ficar solteiro.”? E por que ele não se casou com o amor da sua vida aos 18 anos? Quem disse pra ele que era “cedo demais”???

É essa mania que a gente tem de querer dar palpite no tempo. Como se o amor tivesse hora marcada pra acontecer. Alguém inventou que, aos 20 anos, você é muito nova para casar. E que, aos 30, já está passando da hora. Provavelmente esse alguém nunca amou de verdade. Me perdoem, mas o morno nunca me atraiu. Amor, pra mim, é quente. Vermelho. Brasa. Pegando fogo. É querer estar com alguém a qualquer hora do dia. Da noite. É fugir do trabalho no meio da tarde só pra falar oi. É não estar junto, mas sentir o calor do outro. É poder estar a quilômetros de distância, mas sentir a pessoa do seu lado. É sentir que o programa mais chato do mundo se torna o melhor, única e exclusivamente porque vocês estão juntos. Ali. É olhar nos olhos da outra pessoa e ver que ela está feliz. É estar feliz até nos momentos tristes. É contar com aquele colo que já tem a sua marca nele.

Não me venha com essa história de “crise dos 30 anos”. Pro inferno com essa mentalidade ultrapassada. Case-se, então, com o infeliz que você conheceu há cinco meses e está junto dele apenas porque ele também acha que “já passou da hora de casar”. Case-se com ele e continue com esse sorriso amarelo, essa cara morna de tanto-faz e esses olhos que brilham quando vêem seu ex-namorado, mas sequer demonstram alegria do lado da pessoa com quem você, agora, faz planos para o futuro. Case-se com ele, mesmo sabendo que a paixão da vida dele não é - nem nunca - será você. E que ele só não se casou com ela porque se achava “novo demais” na época.

Já amei demais. Já sofri demais. Já chorei demais. Já ri demais. Já me apaixonei demais. Mas, principalmente, já vivi demais. Intensamente. E ainda tenho muito pra viver. Muito. Quente ou frio. Morno jamais. E, hoje, sei que vivi tudo da melhor forma. Não deixei nada pra trás. Nenhum caso de amor mal resolvido. Nenhuma paixão antiga. Fui até a última gota. Até saber que vivi tudo que tinha pra viver. E vou viver ainda cada instante se valer a pena. Se der emoção. Se acelerar o coração.

Mas, por favor, parem com essa história de “eu tenho que achar a pessoa certa em cinco meses, dois dias e 13 horas” ou vou sugerir aos donos das grandes redes de departamentos que vendam amores enlatados. “Leve este, senhora... 32 anos, bonito, empresário, pouco rodado...” “Esta aqui, senhor: 26 anos, morena, ancas largas, boa parideira, tetas grandes. Vai ser uma boa mãe e futura rainha do lar”

Me poupem.

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Amores, me desculpem por tantas aspas. Nesse caso, elas representam expressões que nunca vão sair da minha boca. Literalmente.
Beijocas

30 abril 2007

EU QUE ACREDITEI

Não que eu seja uma cidadã vivida. Pelo contrário. Minhas experiências não resultaram em aprendizado nenhum. Continuo entrando em roubadas. Me dando mal em finais infelizes. Escolhendo os homens errados (quando eu bem sei quais são os certos, mas finjo não saber). Trocando o mocinho pelo bandido. Fazendo grandes investimentos em pequenas pessoas. Sei que isso acontece com todo mundo. Mas acho que comigo já deu. Sou pouco tolerante.

Tolero falta de grana. Tolero desemprego. Tolero ciúme. Tolero chatice. Tolero amigos chatos. Tolero futebol 57 vezes por semana. Tolero boteco com os amigos. Tolero amigas bonitas e peitudas. Tolero até homem bêbado. Mas certas coisas não descem mesmo. Não tolero falta de caráter. Não tolero mentira. Não tolero enrolação. Não tolero conversa pra boi dormir. Por um único motivo: detesto me sentir feita de idiota.

Nunca me iludi com palavras bonitas. Com frases bem formuladas. Com presentes bacanas. Com caras que pareciam bacanas. Sou pé-no-chão. Nunca me vendi pra carinhas que abrem a porta do carro e fecham a cara quando você pede a verdade. Nunca troquei minha companhia pela conta do restaurante. Nunca acreditei em pessoas que falam bonito. Nunca aceitei champanhe de estranho. Nunca precisei disso. Nunca precisei de um namorado pra me auto-afirmar. Pelo contrário. Vivo bem comigo mesma. Por isso reverencio a vida de solteiro. Namorar pra ter dor de cabeça não é pra mim.

Não gosto de dar conselhos. Não gosto quando as pessoas tentam se meter na minha vida com soluções mágicas. Acredito mesmo que a gente só aprende – ou não – dando cabeçadas na vida. Que a gente só aprende com as próprias experiências. Acredito também que quanto mais a gente vive, menos tolerante se torna. Acredito que as atitudes contam muito mais do que as palavras. Acredito que cidadãos que bancam os bons moços têm muito mais chances de te decepcionar. Acredito que mentira tem perna curta, como dizia minha avó. Acredito que a gente deve conhecer uma pessoa antes de se apaixonar (e não o contrário). Acredito que tudo que vem rápido demais vai embora com a mesma velocidade. Acredito que a gente só tem uma chance na vida de fazer uma grande merda. Acredito que perder a confiança é como quebrar um vaso: você pode até conseguir colar, mas vai ser sempre um vaso colado. Acredito em duendes, gnomos e em papai-noel. Mas não acredito nos homens. Não mais. Duvido até de mim mesma agora.

20 abril 2007

DIÁRIO VIRTUAL

Amores, como eu sempre digo aqui, este blog não tem intenção de ser um diário virtual. Porém, sou humana (óooooooooooh!) e é inevitável que eu escreva sobre as coisas que me rodeiam. Além de humana, tenho uma alma super baranga e minha maior fonte de inspiração são as tragédias do dia-a-dia.
A boa notícia é que tá tudo lindo e, conseqüentemente, ando pouco inspirada... mas continuem por aqui porque juro que to tentando me inspirar na poesia da vida (que barango!).
Beijos.
Ah, siiiiiiiiiiim, sou eu com o Pituco na foto acima!

02 abril 2007

O DIA EM QUE ACORDEI VELHA E CHATA

Ando meio nostálgica. Peguei umas fitas VHS esses dias (sim!!! Fitas de videocassete) de quando eu tinha dez anos de idade e tinha um paquera que era dez meses mais novo que eu. Hoje, ele está casado e com dois filhos. E eu to aqui. Solteira. Ainda com medo de me comprometer. Ainda me envaidecendo por estar bem melhor do que minhas amigas da minha idade que se casaram e tiveram filhos. Ainda me esquivando e inventando uma desculpa nova a cada dia que alguém cisma que quer namorar comigo. Ainda achando que casar e ter filhos não é pra mim. Ainda achando barangos todos os vestidos de noiva, as igrejas lotadas e as frases feitas do tipo “até que a morte nos separe” (que nada mais é do que um eufemismo para “até que um de nós morra”).

Tenho saudade dos tempos de escola. Das paqueras na hora do recreio. Daquela coisa inocente de esperar os meninos saírem do colégio. Do frio na barriga quando meu paquera vinha em minha direção. Do tempo em que não existia orkut e ninguém fuçava a vida de ninguém. Do tempo em que a gente pedia pra amiga descobrir o telefone do menino mais lindo da sala. Do tempo em que não existia celular, muito menos identificador de chamada e a gente ligava pro telefone dos meninos e desligava quando eles falavam alô. Do tempo em que não existia messenger e as pessoas tinham que ligar umas pras outras quando queriam se falar. Tinham que sair das suas casas se queriam se ver.

Hoje, além de a gente não ser mais adolescente, a tecnologia fodeu com a nossa vida. O identificador de chamadas do seu celular serve pra você só atender quem você quiser. O mesmo vale pro cidadão que só te atende quando ele quiser. O messenger, uma praga. Um troço que consegue reunir, na mesma janela: seu ex-namorado, uma meia dúzia de ex-ficantes, uns dois ou três paqueras que nunca saíram do virtual e mais uns duzentos cidadãos e cidadãs que nunca te disseram um oi e te adicionaram sabe deus porque.

Acabou o glamour da coisa. Tudo acontece tão rápido agora que, na mesma noite que você conhece um cara, você já tem o celular dele, o messenger, o skype e já sabe da vida inteira do cidadão porque o orkut dele tem fotos de todos os lugares por onde ele esteve nos últimos tempos e recados de todas as meninas que ele pegou (ou está pegando). As pessoas não ligam mais pra casa das outras porque os relacionamentos são tão efêmeros que “ligar pra casa de alguém” passou a ser uma coisa muuuuuuuito íntima. Seu ficante não liga pra sua casa pra te chamar pra sair. Ele espera pra ver se você vai estar online na hora que ele estiver afim de falar com você e, se você estiver offline, ele chama a próxima da lista (literalmente) que estiver online. Simples assim.

Acabaram as flores, os cartões de aniversário, as cartas, a monogamia. Acabou o sossego. Seu namorado interage virtualmente com a ex-namorada dele, com a vizinha da frente (com quem ele não interagiria se não existissem todos essas malditas ferramentas virtuais), com as ex-ficantes e com as futuras. Pela internet, ele avalia e escolha a mulher que vai ser delivered na casa dele. Loira ou morena. Com roupa ou pelada.

Acho que to é ficando velha (pelo menos é o que o calendário me diz). Velha e mal humorada. Tenho saudade de um tempo que não volta mais (mesmo achando que casamento, monogamia, vestido de noiva e ter filhos é ultrapassado). Tenho saudade do interfone tocando. Da campainha e do telefone da minha casa. Tenho saudade da minha mãe gritando: fulano tá te esperando lá embaixo. Saudade das pessoas disponíveis ao invés de online. Saudade de alguém chegar na minha casa de ao invés de “fulano acabou de se conectar”. Saudade da vida real. De me estrepar ao invés de tomar end. De brigarem comigo ao invés de me bloquearem. De ouvir um não ao invés de me deletarem. Tão simples e a gente complica. Tão complicado e a gente simplifica.

23 março 2007

FICA NA MINHA VIDA PRA SEMPRE?


Você não precisa mais de chocolate. Agora, você tem um cidadão que te causa o mesmo efeito. Que te dá uma sensação boa pelo corpo inteiro. Que te dá energia e que te dá gosto. Que dá gosto de olhar, de tocar, de sentir, de beijar. Ele dirige bem seu carro, seu corpo e, se sua vida fosse um filme, ele poderia ser o diretor. Ou o personagem principal.

Ele escreve as coisas mais lindas que você já leu e, mesmo assim, ele consegue ler seus textos cheios de clichês. E ele é meio clichê do seu lado. Ele fala que te adora. Te chama de linda. Diz que te quer pra sempre.

Mas enquanto o pra sempre não chega, você quer aproveitar cada segundo do lado dele. Você queria não ter hora pra ir embora. Você queria que ele não fosse embora. Você só queria rir com ele à noite inteira. E queria que a noite inteira não tivesse fim. Pra vocês falarem besteiras. Pra jogar conversa fora. Pra você falar das coisas fúteis sem parecer estúpida. Pra ele rir porque o álcool é intolerante a você.

A noite é sempre perfeita. Você bebe uma ou duas doses da sua bebida favorita e ri horrores. Ri porque se diverte com ele. Ri porque ele consegue ser mais bobo que você. Ri porque não entende como pode ser tão gostoso estar do lado daquele cara que nada sabe sobre você e gosta da sua companhia mesmo assim. Ri porque está feliz com tão pouco. Está feliz de estar ali. E queria estar ali pra sempre. Você ri porque ele não é nada daquilo que você imaginou pra sua vida. Mas ele te convence, sem palavras, de que é o cara perfeito pra você. E faz com que tudo que você viveu antes dele pareça tão morno. Faz com que os outros caras que já passaram pela sua vida pareçam tão pouco.

Ele admira seu sorriso. Diz que seu corpo é lindo. Adora seu cabelo. Suas pernas. Beija sua mão. Beija seu rosto com um carinho ingênuo. Toca sua pele e faz você se sentir uma adolescente. Ele te abraça e muda o ritmo da sua respiração. Porque, na verdade, ele mudou sua vida. Ele não fez nada pra isso, mas te faz a pessoa mais feliz do mundo. Você não quer mais nada dessa vida. Quer ele. E só. Quer ele te abraçando com aquela mão macia. Com aquele corpo quente. Aqueles olhinhos brilhando do seu lado. Aquele olhar que fala sem palavras. Aquele sorriso mais do que fofo. Aquele cara que chegou e te rendeu sem o mínimo esforço. Por quem você abandonaria todos os outros caras interessantes que te ligam sábado à noite. Deletaria do seu celular todos os números de telefone. Por quem você largaria todas as outras propostas. Arriscaria começar tudo de novo. Ele é o cara pra quem você olha e pensa: fica na minha vida pra sempre?

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Gente, preciso compartilhar uma coisa linda com vocês!!! Além de todos os fofos virtuais (que mandam emails, comentam e tudo mais), agora as pessoas me param na rua tipo "você é a Brena... do blog?". Siiiiiiiiiiiim, sou eu! Vou ali morrer do coração e já volto!

12 março 2007

NOSSO ORGULHO E OUTRAS MERDAS

Mal acordei hoje porque mal dormi. Pisco o olho e vejo seu rosto. Fecho os olhos e seu olhar assustado me olhando, ontem à noite, não me sai da cabeça. E se você quer saber, tá foda mesmo. Tá foda ter que fingir que eu não to nem aí se te vejo com outra. Tá foda esperar por uma ligação que nunca acontece. Tá foda não poder te ligar porque meu orgulho idiota não deixa. Tá foda saber que você não me liga porque seu orgulho muito mais idiota que o meu não deixa. Tá foda agüentar a sua covardia e muito mais a minha que só conseguiu juntar algumas palavras toscas e escrever um texto. Tá foda fingir pra mim mesma que não tá foda toda vez que eu te vejo. Tá foda até quando eu não te vejo.

Eu não sei quantos anos a gente finge que tem, mas a gente não é adulto o suficiente pra conversar como deveria. Eu não sei o que essa merda desse orgulho idiota faz na vida da gente que não deixa a gente ser a gente e simplesmente viver. Que não deixa a gente se entender. Que não deixa a gente se querer mesmo sem entender. Eu não sei e se soubesse também não saberia explicar. O que eu sei é que tá foda te ver e não poder te querer. Ainda ter seu telefone e não poder te ligar. O que eu sei é que por meia dúzia de atitudes idiotas, a gente nunca mais se falou. Meia dúzia e duas pessoas idiotas.

Isso não combina comigo. Fingir que nada aconteceu, fingir que não te conheço, fingir que não te vejo e fingir que não te quero. Pro inferno com esse negócio. Já devo ter te contado que sou péssima atriz. Finjo pra mim mesma e nem eu acredito. E não acredito que você não me quer mais. Não acredito que você me viu ontem e não sentiu um friozinho na barriga. Não acredito que você só me quis por causa da minha barriga. Não acredito que a gente daria certo por mais que uma noite de festa. Não acredito na gente, na verdade. E, mesmo assim, não acredito que seja o fim.

Na verdade, não sei mais em que acredito. Eu, que já acreditei em você, não acredito em mim mesma escrevendo esse texto. Eu, agora, nada sei, só sinto. E o que eu sinto é que eu engasgo com a respiração quando você passa do meu lado. Sinto que o homem forte que você é fica sem saber o que fazer quando me vê. Sinto muito, mas a gente ainda sente. E acho que se não sentisse, a gente deixaria a porra do orgulho de lado. Sinceramente, você nunca foi meu homem-objeto como você pensava. E, no fundo, eu sei que não fui só um corpo que te fez companhia nas festas onde você nunca precisou de mais nada além da sua vodca com energético. Você sempre foi uma boa companhia e um papo inteligente. Eu sempre fui uma piada nos momentos trágicos e um carinho no seu cabelo. E, por mais que eu nunca tivesse acreditado num final feliz pra gente, eu nunca imaginei que o desfecho fosse esse. Nunca imaginei que nosso orgulho fosse separar a gente.

27 fevereiro 2007

O MEU UAI E O SEU SOTAQUE PAULISTANO

Já disse que to viciada em você e vou ficar repetindo até você se viciar no meu vício. Repito quantas vezes for preciso cada frase estúpida que você adora ouvir de mim pra fazer poesia. Abandono o top less porque assim o mundo fica em paz com você e as marcas do meu biquíni viram inspiração pra sua piração. Abandono meu vício pelas baladas intermináveis pra me viciar só em você. Interminável. Infinito. Como tudo deve ser.

Porra!

Adoro seu sotaque paulistano (agora eu sei que paulistano é diferente de paulista!). Adoro que tudo que eu falo tarde da noite vira texto na sua mão. Adoro quando eu to na sua mão. Adoro que eu to na sua mão. Adoro seu jeito de inventar nomes pro meu nome. Adoro seu jeito de brigar comigo e falar meu nome. Adoro o jeito que você me amolece aos poucos. Adoro o jeito que você me paparica quando eu brigo com você só pra você me paparicar. Adoro sua imaginação branca. Adoro ser uma página em branco. Adoro que você é fofo de vez em quando. Adoro que você é poeta e pensa que é redator. Adoro que você é gênio e pensa que é publicitário. Adoro seus recados no orkut que só eu entendo. Adoro o jeito que você gosta de mim que nem eu entendo. Adoro até quando eu não te entendo.

Adoro-te. Porra!

21 fevereiro 2007

A ÚLTIMA PRIMEIRA VEZ

Ele toca a campainha e, ao contrário de todas as vezes anteriores, ela não corre pra terminar de se arrumar. Ela não coloca brinco na orelha, não retoca o batom, não troca a sandália de dedos pelo salto alto. Ela atende a porta de chinelo velho e cabelo preso pra trás da orelha com piranha de plástico daquelas de duas por um Real. Ele a olha nos olhos, diz que está com saudade e a abraça com tanta força que parece que vai quebrar aquele corpinho magrelo. Ela fica na ponta dos pés para abraçá-lo e, nesse instante, se lembra que costumava fazer isso para alcançá-lo.

Foi tudo muito estranho pela primeira vez. O tênis esquisito dele não combinava mais com ela. Aquela camisa larga e aquela bermuda mais pareciam seu irmão de 17 anos. Nada nele havia mudado, mas era tudo diferente pra ela. A voz, o sorriso meio sem graça, o cabelo liso meio sei lá, as canelas finas, as mãos quadradas num tom rosado de tão brancas. Tudo tão igual sempre foi e tão estranho pra ela.

A vida dela andou nesse um ano e pouco que eles ficaram sem se falar. Ela mudou. Piorou em algumas coisas, melhorou em outras, mas mudou. Ela, que não gostava de rave e andava pra música eletrônica, agora compra ingresso com um mês de antecedência. Ela trocou a cama por uma melhor, o sofá da sala por um branco lindo, mudou os móveis de lugar depois do Natal, trocou o carro por outro que anda muito mais. Mudou o tom do cabelo, o estilo das roupas. Fez vários novos amigos. Para ele, parece que o tempo não passou. Ele acha que pode chamá-la pelos apelidos que ele costumava inventar pra ela, acha que pode pegar nela onde bem entender e que pode arrumar o cabelo dela pra trás da orelha. Não.

Eles ainda têm algum assunto, mas ela já não faz mais piadinhas pra implicar com a vida de solteiro dele. Ela não é mais dissimulada quando ele pergunta se ela está com alguém. Ela está solteira e não precisa mais fingir que está de rolo com alguém pra fazer ciúme nele. Não faz mais sentido. Nada mais faz sentido. As brincadeiras, o abraço, o toque do corpo. Acabou a emoção, acabou o brilho no sorriso, acabou o sorriso nos olhos. Coisas do tempo.

Ele partiu sem nenhuma dor. Ela fechou a porta e sua vida continuou de onde estava. Pela primeira vez, ela fechava aquela porta sem sentar na escada e chorar por ele ter ido embora pra sempre. Pela primeira vez, ele saiu sem que ela o observasse partir com o coração apertado. Pela primeira vez, ele foi embora sem deixar uma gotinha de esperança de que ela pudesse tê-lo de volta na vida dela. Pela primeira vez, ele partiu sem que eles tivessem trocado mais do que um abraço apertado. Pela primeira vez, ele se foi sem que eles tivessem remexido o passado ou chorado porque alguma coisa não deu certo entre eles. Pela primeira vez, ele foi embora de verdade. Pela última vez, ele foi embora.

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Meus amores, tenho recebido vários pedidos de texto, mas, por favor, deixem o e-mail no comentário quando fizerem isso. Vários perfis de pessoas que comentam não estão disponíveis para visualização e isso tem me impossibilitado de retornar a visita ou de fazer algum contato.
Beijos e vamos começar o ano finalmente!

07 fevereiro 2007

SEU PASSADO NÃO TE CONDENA

Não vou te adicionar no orkut. Não quero saber quem deixa recados pra você e qual o conteúdo deles. Isso é problema seu. Também não vou fuçar sua página na internet porque não quero achar assuntos que não me pertençam e acabar por interpretá-los mal. O que eu quiser saber da sua vida, vou te perguntar sem rodeios. Também não sou mulher de espionar celular. E-mail. Caixa postal. Nada disso. Não vou perguntar a ninguém sobre seu passado. Seus amores. Sua história. Prefiro que você mesmo me conte o que eu precisar saber. E, aliás, quero saber só o que você quiser me contar.

Saber da sua vida pelos outros seria deixar que eles resolvessem por mim. E eu detesto que resolvam qualquer coisa por mim. E muito menos vou deixar seu passado resolver o seu futuro comigo. Taí. Detesto especulações. O que vai ser do meu futuro junto com o seu não tem como eu, nem você, nem outra pessoa qualquer saber. Só pagando pra ver. E a gente paga. Assume os riscos. Calcula o custo-benefício. E, no final, o saldo promete ser positivo.

Traiu sua ex-namorada? Fugiu de casa? Jogou a outra da janela? Não me interessa. O que você vai ser comigo nunca vai ser igual ao que você foi com qualquer outra pessoa. Sabe por que? Porque eu não sou igual a qualquer outra pessoa. Por isso não quero saber. Não quero saber da sua vida o que você não quiser me contar. Não quero saber o que os outros têm pra falar de você. Se é do bem ou do mal. Se trabalha ou é vagabundo. Se é fiel ou trai a si mesmo. Deixe que eu tire minhas próprias conclusões a seu respeito. Não gosto que me digam como fazer. Meu passado não é um lençol de cetim branco. O seu não é. E atire a primeira pedra quem não tem uma manchinha negra escondidinha lá no canto.

A gente tá começando do zero. Eu sou uma nova pessoa pra você, e você é esse cidadão que eu não sei ainda. E quer saber mais? Eu confio cem por cento nos meus sentimentos. E eu confio em você porque eu confio naquilo que eu senti a primeira vez que te vi. Afinal, não tinha como ser diferente. Eu te olhei e já sabia o final da história (e olha que ela mal começou). Eu te olhei e meu passado, presente e futuro passaram como um flash diante dos meus olhos. Eu não quis saber se sua boca tinha gosto de cigarro ou de chocolate. Eu não quis saber se você era rico ou pobre. Se morava na zona norte ou na zona sul (ou em outra cidade!!!). Eu não quis saber se você andava de carro ou de carruagem. Se era príncipe ou sapo. Eu só quis saber se você me queria. E então, não me faltou mais nada. Seu sorriso te entregou. Aquele cabelo liso caindo na cara e fazendo charme falou por você. E tudo que eu queria estava ali, mesmo antes de eu saber que eu queria. E eu sabia que era você. Eu já te conhecia antes de você me contar da sua vida. Eu li tudinho no fundo dos seus olhos enquanto você falava oi pela primeira vez. Eu te li sem te julgar. Por isso, insisto: eu não quero saber de onde você veio, o que você fez ou quem amou. Quero saber quem você é quando está comigo. Quero saber se quando eu colocar meu coração na sua mão, você vai segurá-lo com a mesma força que você segura minha mão. Quero saber se posso confiar em você como confio em mim mesma. Quero saber da sua vida só hoje. E do amanhã, quero saber só se você estiver comigo. Anda, diz pra mim que você vai estar!

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Queridos, como sempre, agradeço os e-mails, as visitas de quem comenta, de quem só lê e não comenta, de quem lê e comenta comigo... de todos os fofos desse mundo que fazem a blogueira aqui morrer do coração! Beijos.