23 agosto 2006

VOU TE DAR UM CONSELHO


A gente tem uma mania estranha. Todo mundo tem. A mania de pedir e de dar conselhos. E lá alguém é capacitado pra dar conselho pra vida de alguém? Como se fosse um mestre espiritual. Um Dalai Lama. Quiçá fosse. Nem assim. Nem assim estamos aptos a dar conselhos pra vida de quem quer que seja. Ainda que pro bem da pessoa que recebe o tão “estimado” conselho.

Tenho pensado muito nisso ultimamente. Especialmente porque estou tentando me adaptar à nova vida que escolhi pra mim. E essa nova vida se chama: minha vida é um livro fechado. Com cadeado. E protegido por senha alfa e código de segurança máxima. Não está sendo fácil. Até mesmo porque sempre fui muito transparente. Mas, agora, parei de contar minha vida e pedir conselhos. Não me interessam mais. Da minha vida, sei eu. Porque, se no final, der tudo errado, quem tem que arcar com o estrago sou eu mesma.

As pessoas pensam que conhecem as outras. Mas, na verdade, o que elas fazem, a todo tempo, é julgar umas às outras. Ainda que inconscientemente. O fato é que estamos 24 horas sob julgamento alheio. Seja dos nossos amigos, dos nossos colegas de trabalho, dos nossos ficantes, da nossa família, da atendente da padaria ao lado. As pessoas nos julgam o tempo todo. Nos julgam pela marca da roupa que nós vestimos. Pelo carro que a gente dirige. Pelo tom da voz que a gente fala ao telefone. Pelo modelo do aparelho de celular que carregamos na bolsa. Pela bolsa. Pela empresa onde trabalhamos. Pelo cargo que ocupamos. Pelo nosso corpo. Pela cor da nossa pele. Pelo nosso sexo. Pela nossa idade. E por uma outra infinidade de coisas que não significam nada no final das contas.

Eu mesma conheço muita gente que anda de carro do ano (pago em sei lá quantas milhares de prestações) e mal tem dinheiro pra pagar as contas no final do mês. Conheço gente que ganha salário mínimo e usa calça Diesel. Conheço gente que tem o celular mais caro do mercado e não tem dinheiro pra manter uma linha telefônica. Conheço gente que fala manso e é pilantra. Conheço gente que fala alto e é um doce. Conheço gente nova que já viveu pra vida inteira. Conheço gente velha que ainda tem muito o que viver. Conheço mulheres que trabalham feito homens. E homens que não encaram uma barata no chão da cozinha (conheço inclusive homens que não encaram nada, mas isso é uma outra história). Portanto, vamos viver mais e julgar menos. Viver mais a nossa vida e nos preocupar menos com a dos outros. Vamos parar de colocar rótulo em tudo. De comprar o produto pela embalagem. De achar que sabemos de antemão quem é a pessoa com quem estamos tratando. Nunca sabemos. Nem nunca saberemos.

Então, por favor: não me dê conselhos. Tudo que você conhece de mim é a embalagem. Você não sabe o que vai aqui dentro. Não sabe o que eu já vivi. E, mesmo que eu te contasse, você nunca saberia, porque nunca sentiu por mim. Você não sabe o quanto eu gosto (ou não) daquele cara que você acha idiota. Então, não venha me dizer que ele não presta. Quem tem que saber disso sou eu. Quem sabe o tanto que é bom quando eu estou com ele sou eu. Não venha me dizer que fulano ou beltrano são os caras ideais pra mim. Porque, por incrível que possa parecer, eu não acho a mínima graça neles. Não venha me dizer se eu devo trabalhar mais ou trabalhar menos. Gastar mais ou gastar menos. Beber mais ou beber menos. Sair mais ou sair menos. Comer mais ou comer menos. Comer carne ou não. Comer comida japonesa ou não. Ir pra festa X ou Y. Não me julgue pelo que eu faço, pelos lugares que eu freqüento ou pelas pessoas com quem eu me relaciono. Antes de me telefonar pra dar conselhos sobre quem “presta” ou “não presta” pra mim, preste mais atenção na sua própria vida. Se quer um conselho, não vou te dar. Acho que você deveria fazer o mesmo. Apenas acho.


“Conselho é aquilo que pedimos quando já sabemos a resposta, mas gostaríamos que não fosse aquela.”

16 agosto 2006

MOCINHO X BANDIDO

Um faz o tipo bom moço. Tem cara de anjo. E aquele cabelo. Ah, aquele cabelo! Ele desperta seu lado mais romântico. É uma mistura de príncipe William com Leonardo DiCaprio em Titanic. Esse é o mocinho da vez. O outro faz o tipo cafajeste. Tem cara de mau. E aqueles braços. Putz, aqueles braços! Ele é só desejo. Puro sex appeal. Faz você se sentir a Sharon Stone em carne e osso. Esse é o bandido.

O mocinho te chama de linda. Elogia seu sorriso. Convida você pra tomar vinho. O bandido nem precisa te chamar. Ele olha pro seu lado e você se rende. Ele passa a mão no cabelo e você passa mal. Ele convida você pra dormir na casa dele e você já se entregou.

E o bom moço tem aquela boca macia. Aquela pele de edredom. Aquelas mãos suaves quando seguram seu rosto. Aqueles olhos verdes mais doces do mundo. O outro tem pegada. Tem as mãos firmes. Tem aqueles braços fortes te segurando pela cintura. E aquele olhar. Putaquepariu, aquele olhar!

E entre um e outro, tem você. Que quer namorar e quer estar solteira. Que quer o bom moço e quer aquele que te puxa pelo cabelo. Que quer tomar vinho com um e quer dormir na casa do outro. Que quer um te mandando mensagens lindas à tarde e quer o outro te ligando à noite. Que quer alguém pro resto da vida e quer alguém que vá embora de manhã cedo. Entre o bom moço e aquele outro que não vale nada, tem você que não sabe de nada. Que se pergunta o tempo todo o que é mesmo que você quer pra sua vida.

O bom moço te leva pro cinema domingo à noite. Vai com você sábado à tarde fazer compras no shopping lotado. E não reclama. Está sempre de bom humor. Tem sempre uma solução pros seus problemas mais sem importância (mas que, pra você, são os maiores do mundo). O outro nunca tem tempo pra você. Nem sempre está de bom humor, muito menos disponível. E se você tem um problema, qualquer que seja, o problema realmente é seu.

Na verdade, seu único problema é querer resolver a briga entre a razão e o coração. Querer que os dois lados se entendam a qualquer custo. Só que isso não vai acontecer. A razão escolhe um e o coração escolhe outro. E você fica no meio desse fogo cruzado. Mandaram você pra guerra sem armas. Sem munição. Sem sequer uma armadura decente pra você se defender. E agora, dá-lhe tiros de todos os lados. Sua cabeça está prestes a explodir. E seu mundo, a cair bem a seus pés. Em pedaços estilhaçados.

Mas, quando você optar por uma coisa, vai ter que abrir mão de outra. E você não quer abrir mão de coisa alguma. Você quer tudo de uma vez. É egoísta. Ciumenta. Possessiva. Mimada. Não aceita “não” como resposta. Pensa que o mundo deveria ser do jeito que você gostaria. Pensa que pode ter o mundo na sua mão. Só que, uma hora, você vai ter que fazer a escolha, já que esse negócio de ficar em cima do muro nunca foi a sua praia mesmo. Mas você sabe que seguir a razão não tem a mínima graça. E seguir o coração é se meter em grandes enrascadas (quase sempre). Então, você continua dividida entre o que você quer e o que é melhor pra você. Entre aquele que você quer e aquele que quer você. Entre jogar e se jogar. Entre o mocinho e o bandido. Entre uma balada e outra. Entre uma e outra cantada barata na noite. Entre uma caipi-fruta e um vinho barato. Entre uma e outra carinha bonita interessada em você. Entre dois passarinhos voando e uma mão vazia.

09 agosto 2006

TIMING

Era janeiro e tudo que você queria era curtir uma praia e um amor de verão. Você só não imaginava que tudo fosse acontecer tão rápido, tão intenso e tão perfeito. Vocês se encontraram na estrada. Você nunca acreditou no acaso. Ele conseguiu seu celular no dia seguinte. Você aceitou o convite pra sair. Ele disse que queria te roubar pra ele. Você pediu que o mundo parasse pra você descer.

E, no dia seguinte, mal você tinha acordado, lá estava ele tocando o interfone. “Vamos pra praia comigo?” Um fofo. Lindo e loiro. Loiro e sarado. Sarado e fofo. Com aquele coração de atleta. Aquele coração que fazia tum tum enquanto o seu fazia tum tum tum tum tum. E aquelas coxas de jogador de futebol. Pelamordedeus, aquelas coxas de jogador de futebol! E aquele jeito fofo de te olhar. De te abraçar. De rir de você quando você começava a dançar sozinha. Aquelas manhãs na areia da praia. Aquelas tardes no cinema. Aquelas noites.

E ele corria um sério risco cada vez que ele abria a boca pra falar alguma coisa. Porque, a qualquer momento, você poderia responder “sim, aceito.” Foi tudo tão perfeito. Tudo tão intenso. Tudo tão rápido. Tão rápido quanto o fim do verão. Acabou o verão e vocês voltaram à vida normal. Voltaram pra cidade onde moram. E, por coincidência (ham???), vocês moram na mesma cidade. E você esperou que ele te ligasse. Esperou um dia. Esperou uma semana. Esperou um mês. E você cansou de esperar. E nunca mais teve notícias dele. Você foi viver sua vida. Saiu. Conheceu gente nova. Conheceu alguns caras bacanas. Conheceu alguns caras chatos. Conheceu vários idiotas. Você se apaixonou novamente. Você se desapaixonou. Você viveu. E o mundo parou várias vezes pra você descer.

Então, sete meses depois (sete meses!), toca o telefone da sua casa (da sua casa!!!). Você reconhece aquela voz, mas prefere não acreditar nos seus ouvidos. “Alô, quem fala?” Seus ouvidos não mentem e seu sexto sentido muito menos. Uma hora ou outra, isso ia acabar acontecendo. Um pouco sem entender nada, um pouco desconcertada, você recusa um convite pra sair sexta-feira à noite. Sim, você inventa uma desculpa e prefere ficar em casa sexta-feira à noite.

Como assim??? Como assim que, um dia, você ficou arrasada em casa porque aquele lindo-tudo-de-bom tinha sumido e, no outro, você recusa o convite pra sair com ele??? Mas ele tem essa mania de ser fofo mesmo. Então, sábado, seis horas da tarde, seu telefone toca novamente. Adivinha?! “Hoje, não vou sair. Estou passando mal. Morrendo de dor de garganta”. Dor de garganta onde, Senhor Jesus??? Era tão mais justo você falar que não estava afim de sair com ele mais. Tão mais simples do que pensar numa desculpa esfarrapada e ainda ter que ouvir um “tudo bem... te ligo no meio da semana pra gente combinar alguma coisa.”

Ele continua lindo. Fofo. Loiro. Sarado. Bem nascido. Bem criado. Bem educado. Continua com aqueles olhos azuis. Com aquela voz fofa. Com aquela risada gostosa. Com aquele jeito de falar seu nome que te desmancha na cadeira. Nada mudou. A não ser pelo tempo que passou. Estranho como o tempo muda tudo. Muda nossa percepção das coisas. Estranho o que o tempo faz com a gente. E ainda bem que você guardou o “sim, aceito” pra uma outra ocasião. Porque, hoje, simplesmente, passou. Vocês perderam o momento certo. Você viveu o que tinha pra viver até a última gota. Você esticou a corda até o limite. Você sempre teve essa mania de tentar agarrar tudo com unhas e dentes, mas, quando solta, solta mesmo.

Hoje, sete meses depois, você prefere que ele não te ligue pra não ter que pensar em uma boa desculpa pra recusar o convite. E ele continua tendo todas aquelas qualidades que faziam você babar por ele. Só que, hoje, você não baba mais. Hoje, seu coração não dispara mais quando ele te liga. Hoje, você não quer mais que o mundo pare pra você descer. Você quer é abraçar o mundo por ele ser redondo desse jeito. Mundo redondo. E, hoje, é você que pára e agradece o mundo por ele ser redondo e dar voltas.


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Obrigada por serem tão fofos comigo. Por deixarem comentários lindos. Por me mandarem e-mails lindos. Sou boba mesmo e fico rindo sozinha na frente do computador com cada nome novo que aparece aqui no blog!
Aninha, "esticou a corda" foi em sua homenagem, fofis! E, só pra constar: a corda arrebentou!
Beijos

02 agosto 2006

PERSONAGEM DA VIDA REAL


Você é solteira. Você mora sozinha. Você é divertida. Você tem um papo legal. Você é inteligente. Você é geração saúde. Você não curte drogas. Você é bem nascida. Você é bronzeada. Você tem a barriga que pediu a Deus. Mas você pensa que tudo isso não basta. Então, você cria personagens pra si mesma. Inventou uma super-mulher que não existe. Inventou uma armadura invisível pra se defender de alguma coisa que nem você sabe muito bem o que é. Você tem medo de se envolver com as pessoas erradas e acaba se envolvendo com as pessoas que não se envolvem também.

E, pra cada história, um personagem. Pra sua família, você é a perfeitinha. A melhor aluna na época de colégio. A filha exemplar. A garota mimada que nunca se envolveu com coisa errada. Pros seus amigos, você é a louca. Você está sempre pronta pra ajudar. Você resgata sua amiga de uma enrascada às 3h da manhã, bêbada. Você atende o celular no meio da noite quando sua outra amiga te liga em prantos. E você sai de onde está porque alguém precisa da sua ajuda. Você é sempre sorrisos. Sempre aquela pessoa alegre que fala bobagem e diverte as outras.

E, pro seu ficante, você criou uma mistura de Sharon Stone com Madonna. A mulher fatal. Moderna. Sexy. Desinibida. Que desenvolveu uma espécie de "corpo-delivery". Ele liga e você vai. No strings attached. E você sai com ele da festa às 5h da manhã. Você é a incansável. A que volta pra casa sozinha às 9h30 da manhã. Que faz cara de paisagem quando ele diz que adorou a noite e responde um “também” quase mudo. Como se não se importasse. Você elogia o cabelo dele quando, na verdade, gostaria de dizer “cara, você é bacana”. Você pede pra ele te levar embora quando simplesmente poderia pedir “me abraça”. Você desestimula qualquer manifestação de sentimento do cidadão. Faz isso desde a primeira vez que vocês saíram. E, agora, está presa ao personagem que criou pra si mesma.

Você é exatamente o que as pessoas esperam de você. Você fala o que elas querem ouvir. Você faz o que elas esperam que você faça. Você se comporta da forma que elas esperam que você se comporte. Você cansou de dar a cara pra bater e resolveu brincar de ser outra pessoa. De encarar um novo papel a cada nova situação. Você analisa a pessoa, descobre o que ela espera de você e puf! Você se transforma exatamente naquilo.

E, numa bela manhã, a ficha caiu. Seu mundo caiu. Você descobre que voltar pra casa, morta, às 9h30 da manhã, não é exatamente o que você queria estar fazendo naquele momento. De novo aquela sensação de estar fazendo tudo errado. Você até seguiu seu coração. Dispensou dois ex-ficantes na noite pra ficar com o cara que você queria. Fez exatamente como queria ter feito. Então, de repente, a Sharon-Madonna entra em ação e põe tudo a perder. Você veste o personagem e é como se você fosse só aquilo. Um corpo. Um sorriso mal intencionado. A noite se torna tão previsível que você já sabe onde vai acabar. Você montou toda a cena, apesar de não ter o mínimo controle da situação.

Talvez, então, seja a hora de deixar cair a máscara. De pedir licença ao público pra ser você mesma. De se permitir errar quando tenta acertar. De mostrar pros seus amigos que, às vezes, é você quem precisa de ajuda no meio da madrugada. Que você não é só sorrisos, tem hora que você chora. Que você gosta de colo também. Que você gosta quando as pessoas são fofas com você e não só quando elas te pegam de jeito. Que você não é esse furacão 24 horas por dia. Que você dorme sexy e acorda um lixo. Que você odeia se sentir só mais uma. Que você, às vezes, se sente um corpo por ir embora de manhã cedo. Que você pode ser a perfeitinha, a louca, a Sharon, a Madonna, a Britney e até a Madre Tereza de Calcutá, mas ainda assim, você continua sendo você. Imperfeita. Única. Cheia de qualidades e defeitos só seus. De saco cheio das pessoas comprarem seus personagens. De saco cheio de acreditar nos próprios personagens que criou pra si. E cheia de vontade de jogar tudo pro alto.

26 julho 2006

Não ter um namorado na sua vida pode significar muita coisa. No meu caso, significa que, além de uma cidadã mais livre, sou uma cidadã privilegiada por ter amigos maravilhosos. Amigos que me deram a mão nas horas que mais precisei. Que me tiraram de casa (muitas vezes à força) e me levaram pra rua quando eu acreditei que fosse o fim. Que me jogaram de volta no mundo quando eu pensei que meu mundo fosse acabar.

Mas tenho um amigo que é a praga mór da minha vida: The Rennis (o nome dele é Gustavo, mas, por favor, não espalhem!). The é meu melhor amigo. O meu amigo mais rico (êta lelê!). O meu amigo mais velho (te fodi agora, hein?!). A amizade mais antiga. A mais duradoura. A pessoa mais bem vestida que eu já conheci na vida. A mais vaidosa. Com o cabelo mais impecável. Com aqueles olhos verde-escuros que ele insiste em me mostrar, todo ano na praia, pra eu ver como ficam mais claros no sol. Aqueles dentes branco-guardanapo. Aquelas coxas da grossura do Roberto Carlos (me paga um Chandon depois dessa, viu?!). Aquela barriga sem cabelo. Aquelas sungas de homem gato na praia. Aqueles óculos mais caros do que a minha produção inteira da noite. Aquela mega produção Osklen escolhida a dedo. Aquela pessoa fina que bebe Black Label a noite toda.

The Rennis e eu somos as pessoas mais engraçadas quando estamos juntos. As que mais falam besteiras. Que mais riem sem parar. Que mais se divertem na noite. No dia. Na praia. Na boate. Em casa. Na casa dele. Na minha casa. Dormindo. Deitados juntos rindo de nós mesmos.

Nossa amizade é maior do que qualquer outra coisa no mundo. Eu sei o que ele quer dizer só de olhar pra ele por meio segundo. E ele me acha linda, me acha sarada, me acha toda boa de um jeito que até me convence. Me acha doida às vezes, mas é por isso que a gente se entende. E a gente se entende até no silêncio. Até no choro no meio da madrugada. E a gente atende o celular cantando. E isso só a gente entende. E eu entendo é que ele tem um coração maior que ele. Que ele é a pessoa em quem eu confiaria minha vida. Porque ele torce por mim em qualquer circunstância. Porque ele já apostou alto no meu trabalho. Despejou o cofre do Tio Patinhas na minha cabeça e disse “faça”. Sem qualquer garantia de que ia dar certo. Apostou todas as fichas em mim apenas por me conhecer tão bem e confiar em mim. Apenas por ser tão profissional. Por ser esse empresário competente e bem sucedido. Por exportar pro mundo esse talento. Por ser essa pessoa tão New York.

The Rennis, sua praga mór, torço por você infinito. To do seu lado infinito. Te admiro infinito. Te acho gato infinito. Fofo infinito. Gente boa infinito. Bom gosto infinito. Casa linda infinito. Coração infinito. Obrigada infinito por existir na minha vida.

TE AMO INFINITO.

Beijos, sua praga!

17 julho 2006

AS COISAS QUE A GENTE FAZ COM A GENTE

Por que algumas pessoas jogam o tempo todo umas com as outras? Por que uma cidadã que se diz tão bem resolvida se sabota tanto? E, no dia seguinte, acorda com uma ressaca moral infinita por ter feito tudo errado. Por não ter agido da forma que ela gostaria. Por planejar as coisas ao invés de simplesmente deixar rolar.

Logo ela. A tal cidadã que diz que não tem mais idade pra joguinhos. Essa mesma cidadã que joga o tempo todo. Que diz que fala o que pensa, mas que mede as palavras. Que diz que age por impulso, mas que calcula cada movimento (dela e dos outros). Que faz planos pra noite toda na sua cabeça, pensando que, assim, nada vai dar errado. E dá. Sempre dá.

Então essa cidadã sai com aquele carinha bacana que ela está afim de beijar. Aquele cara que ela já beijou algumas poucas vezes (menos do que ela gostaria). O cidadão a convida pra sair. Busca a cidadã em casa. Eles vão pra balada com mais alguns amigos dele. Só que a cidadã resolve bancar a difícil. E é aí que ela começa a fazer tudo errado. Fazer joguinho. Dar pistas falsas. Fingir que não está interessada. Fingir que só saiu pra se divertir. A cidadã se comporta como uma pessoa que não está afim do cidadão. Bebe. Finge que está ligeiramente bêbada. Conversa com todas as pessoas da noite menos com o cidadão. Encosta na parede mais longe com seu copo de caipi-morango na mão. Assenta no lugar mais afastado. O cidadão não entende muito bem o que está acontecendo. Mas ela entende. Ela calculou friamente como tudo iria acontecer. E ela pensa que deveria agir de forma a não parecer interessada. E é assim que ela se comporta a noite toda. Fria. Distante. Rindo com outras pessoas. Sem trocar uma palavra ou sorriso com quem realmente deveria. E o resultado disso vem exatamente às 2h35 da manhã. O cidadão beija aquela menina bonitinha, fofa e que estava dando mole pra ele há mais de meia hora. Ali. Bem diante dos olhos da cidadã que acompanhava tudo. Perplexa. Sem acreditar no que via. Sem saber pra onde olhar. Tentando disfarçar seu desconforto. Mais uma vez jogando e fingindo não se importar. A cidadã age como se nada tivesse acontecido, reforçando o pensamento do cidadão de que ela realmente não estava interessada e que ela não se importou com o fato de ele ter beijado outra na sua frente. A cidadã vai pra casa se sentindo um lixo. Se sentindo menor do que aquele pedaço de morango em sua caipi-vodka.

E, no dia seguinte, a cidadã mal abre os olhos e lá está ela: a tal ressaca moral. Que não deixa ninguém dormir de manhã. Que fica batendo na cabeça como um martelo bêbado. Que faz a cidadã ter raiva de si mesma. Por se sabotar tanto. Por não se permitir ser ela mesma. Por não se permitir viver livre de regras. Livre do tal “o que as pessoas vão pensar”. Por pensar o tempo todo. Por esquecer que ela é humana e não precisa ser uma super-mulher 24 horas por dia. Por se testar o tempo inteiro. Por achar que ela precisa ser magra, inteligente, linda e sarada pra ser amada (por ela mesma, inclusive).

Ainda bem que é segunda-feira. Dia oficial de começar coisas. Começar um parágrafo novo. Acabar com todas as interrogações e colocar um ponto final. Começar uma nova fase com o coração fechado pra balanço. Desculpe-nos o transtorno, mas a cidadã está em obras por tempo indeterminado. Esperamos que, em breve, ela possa retornar. Livre das regras que criou pra si mesma. Livre das pessoas descartáveis que ocupam seu tempo. Livre dessa mania de querer dar palpite no destino. E presa somente a uma ordem: seguir seu coração.

10 julho 2006

QUEM MANDA?

Meu mal é este. Achar que posso controlar coisas que não têm o mínimo controle. Achar que mando no meu coração. E ignoro completamente que não depende da minha vontade se ele vai bater mais rápido ou mais devagar. Que ele dispara e quer sair pela boca quando eu vejo aquele cidadão. E que eu só penso nisso e não controlo nem meus pensamentos.

Juro que tento. Mas não é tão simples assim. Nunca me apaixonei por quem eu deveria me apaixonar. Sei exatamente o que eu deveria querer, mas nunca achei muita graça em fazer o que eu deveria. E, na hora que eu acho que vou fazer tudo certo, lá estou eu, de novo, dando a cara pra bater. Me jogando. Entrando em furadas e rindo dos meus próprios erros. Metendo os pés pelas mãos. Rindo pra não chorar. Chorando e começando tudo de novo.

Acho que tenho problemas mentais sérios. É isso. Escolhi a dedo. O mais lindo. O mais inteligente. O mais bem sucedido. O mais sarado. O mais gente boa. O mais “bom moço”. O mais carinhoso. O mais fofo. O mais velho que eu. O que menos bebe. O que nunca fumou. Que nunca se drogou. (Sim, esse cara existe de verdade!). E quem disse que eu quero agora? Quem disse que meus batimentos cardíacos aumentam – por um segundo que seja – quando eu estou com ele?! Quem disse que eu coloquei pra ele um toque especial no meu celular?

Não mesmo. Meu celular toca diferente é quando aquele infeliz liga. Sim. Porque, pra ele, eu coloquei um toque especial no dia seguinte. E, se meu celular tivesse luzes coloridas, sirene de ambulância, apito de trânsito, tambores do Olodum, eu colocaria todos tocando ao mesmo tempo quando ele liga. Se bem que nem precisaria. Meu coração sai pela boca até quando ele liga e meu celular está no modo “silencioso”. E eu atendo sem tomar fôlego, engasgando com o ar. Falo atropelando as palavras. Não ouço muito bem o que ele fala, mas acho tudo lindo. Não entendo qual foi o convite do dia, mas digo que vou.

E agüento até as piadas das minhas amigas. Escuto a Gissa dizer que ele é a “visão do inferno” e ainda dou risada. E ele não é nada meu tipo. Não tem nenhuma das características que eu admiro num cara. É um menino que pensa que é homem. Mas ele manda no meu coração muito mais do que eu. Ele tem esse poder de me tirar o fôlego. De me deixar sem forças. De me fazer querer ele e só ele. De me fazer não querer nem o mais perfeito dos caras que eu encontrei depois dele. Ele me faz jogar pro alto todos os meus conceitos, tudo o que eu listei cuidadosamente na minha cabeça pra procurar num cara. Sim, ele me surpreende. Ele supera minhas expectativas. Ele me diz: “apronte-se em dez minutos que estou passando aí”, quando eu nem banho tomei. Ele aparece no meio da tarde só pra dizer “oi”. Ele liga, às duas da manhã, pra me dar boa noite. E ele me olha de um jeito que parece que é meu. E eu mal o conheço mas me sinto tão à vontade do lado dele. E eu posso ser eu mesma sem precisar me explicar. Sem querer controlar o futuro. Sem querer controlar minha própria vida. E começo a desejar que as coisas que não têm o mínimo controle que se explodam! Ele me faz entender, de uma forma tão simples, que tem alguém que realmente manda nesse coração.

27 junho 2006

TUDO ERRADO

Este não é um texto sobre o amor. É um texto sobre uma cidadã que já amou demais. Uma cidadã que faz tudo errado. Que se desconserta quando alguém fala que gosta dela. Que é contraditória por natureza. Que fala a verdade quando deveria mentir. Que diz que é fiel aos seus sentimentos mas não entende nada sobre fidelidade. Que gosta de um cara mas sai com outro sábado à noite. Que quer se matar por dar end no cidadão que ela mais quer quando ele liga e ela está com outro. Que já largou um cara dentro do cinema sozinho e nunca mais voltou. Que já saiu de casa às duas da manhã numa terça-feira fria. Que já viajou 400km só pra falar pra um imbecil que ela o amava - e ele disse que já tinha outra. Que já chorou por um homem. Que já chorou por alguns homens. Que não tem vergonha de falar o que sente. Uma cidadã cujo sorriso entrega suas emoções. Cujos lábios movem quando ela pensa. E cujos olhos não a deixam mentir.

Uma cidadã que odeia tomate. Odeia beterraba. Odeia quando tem que esperar alguém ligar. Odeia mais ainda quando esse alguém não liga. Odeia os homens que têm namorada e ficam ligando pra ela (qualé?!). Uma cidadã que adora chocolate. Adora morar sozinha. Adora sua própria companhia. Adora não ter mais idade pra brincar de polícia-e-ladrão. Pra fazer joguinho. Adora já ter passado da fase de fingir que ela não está afim quando está.

Só que essa cidadã faz tudo errado. Ela diz por aí que quer namorar. Mas se esquiva quando seus casos começam a ficar sérios. E só se envolve com os “não-namoráveis”. Os mais galinhas. Os mais baladeiros. E anda dispensando todos os caras com quem ela poderia pensar em fazer planos. Talvez porque, lá no fundo, ela goste de ser solteira. De poder escolher com quem ela vai sair no final de semana. Talvez ela queira ligar praquele cara bacana no meio do show do Rappa. Talvez porque ela ache que sair e conhecer novas pessoas seja uma coisa bacana. E porque ela ainda não encontrou alguém que faça valer a pena largar tudo isso pra se comprometer a um cara só.

Talvez porque ela goste de chegar em casa sozinha. Tirar suas roupas e se jogar em cima da cama. Poder deixar tudo espalhado. Tomar banho de porta aberta. Reservar-se o direito de não atender o telefone fixo. Assistir ao canal de TV que ela bem entender. Ficar na internet por quantas horas achar conveniente. Dar end no celular de acordo com seu humor. Ir e vir de onde ela bem entender. À hora que ela bem entender. E com quem ela bem entender. Talvez ela até goste de comer miojo quando tem preguiça de sair pra almoçar nos finais de semana. E talvez ela prefira a companhia do seu passarinho na sua cama. Talvez tudo isso seja verdade. E talvez tudo isso passe. Mas fato é que a cidadã não vai abrir mão disso por pouca coisa. E que ela não troca suas tardes de domingo sozinha por tardes de domingo em companhia errada.

Fato é que a cidadã não quer alguém pra chamar de namorado. Ela quer um alguém que ainda não encontrou. E o dia que ela encontrar, ela não vai deixar esse alguém escapar por nada deste mundo. Porque essa cidadã sabe o que é perder o cara que é o amor da sua vida. Sabe o que é fazer tudo errado sempre. Mas, mesmo assim, ela não tem medo de começar tudo de novo. De tentar outra vez. De viajar mais 800km pra dizer, mais uma vez, que ama. E essa cidadã só quer viver de novo aquilo que ela conhece muito bem. Amar. Incondicionalmente. Viver incondicionalmente. Viver sem fazer planos. Sem querer prever o futuro. Estar do lado de alguém que é o mundo pra ela. Estar do lado da pessoa certa. Aquela única pessoa com quem ela gostaria de estar. Alguém que conhece todos os seus medos. Todos os seus sonhos. Que sonha junto com ela. Alguém por quem ela abriria mão de todas as maravilhas da vida de solteira. E por quem ela acredita que vai fazer tudo certo um dia.

20 junho 2006

PÁRA TUDO

Aquele surfista me parou. Me segurou pelo braço. Me encostou na parede. Deixou minhas pernas bambas. Meu coração disparado. Parou meu mundo por um segundo. Com aquela pele bronzeada. Aquele cabelo loiro atrapalhado. Aqueles olhos cor de mel. Aquela boca com gosto de “te quero”. E aqueles braços fortes pedindo “me beija”. Aquele sorriso de um lado só da boca. Meio tímido, meio tarado. E completamente apaixonante.

Bastou um olhar pra eu achar que ele valia a pena. Não era um olhar qualquer. Era aquele olhar que me arrancava a roupa em pensamento. Sem pudor. Em público. Estático. Um olhar que me deixou seca. Que me tirou do prumo. Que fez eu esquecer que nós dois estávamos respectivamente acompanhados. Fez eu lembrar que eu preciso da emoção. Do desafio. De alguém pra quem olhar e pensar: é você que eu quero agora. Preciso ter você pra mim.

E aquele surfista era a materialização de tudo que eu queria. Aquela cara de mau, aquele olhar de menino. Definitivamente, não era o genro que minha mãe pediu a Deus. Mas certamente era o cara que minhas amigas pediriam emprestado se eu o tivesse pra mim. Se eu o tivesse. Por mais de um segundo. Por mais do que aquelas noites breves. Por mais do que aquelas conversas virtuais. Aqueles papos infindáveis na webcam. Eu até aprenderia a surfar. Trocaria meu bronzeado-de-piscina-da-capital-longe-da-praia pela cor dourada das ondas do mar. Trocaria meus músculos esculpidos a ferro na academia pelo corpo sarado bailando em cima da prancha. Trocaria os dias cinzas na metrópole pelo pôr-do-sol na beira do mar. Pelo céu azul de lápis de cor. Trocaria todas as minhas neuroses, minhas dores de cabeça, meus problemas existenciais por aquele surfista na areia da praia. E minha maior preocupação seria com o tamanho das ondas. Com o Sol. A Lua. A chuva. As nuvens. E as estrelas. E tudo mais que se classifique como fenômeno da natureza.

Mas, sem dúvida, aquele surfista é o maior de todos os fenômenos. Um eclipse na minha vida que só acontece de tempos em tempos. E que ganha matéria de capa. Primeira página. Rouba a cena. E me rouba de onde eu estiver. Me faz largar tudo. Jogar tudo pro alto. Porque ele é um espetáculo à parte. E me tem sentada na primeira fila. Ali. Babando. Rindo com aquela cara boba quando ele me chama de linda. Ficando com as bochechas rosadas quando ele diz que me quer. Sentindo um arrepio na espinha quando ele fala que vai me agarrar.

Faz isso. Me agarra. Me joga em cima dessa prancha sua. Me leva pra alto mar. Me tira o fôlego e me faz respiração boca-a-boca. Se não souber, eu te ensino. E você me ensina a surfar. A gente tem mesmo muito o que aprender um com o outro. Somos de mundos diferentes. O Sol e a Lua. O garoto da praia e a patricinha urbana. O garoto do mundo e a menina da capital. Suas havaianas e meu salto agulha. Seus cabelos que nasceram loiros e os meus que se tornaram Loiro-Mel 7.2 Excellence. Sua prancha de surfe e meu celular a tiracolo. Suas bermudas floridas e minhas calças jeans. Seu jeito leve de viver a vida e minha correria do dia-a-dia. Suas manhãs na praia e minhas noites na internet. O surfista e a marombeira.

Foge comigo pra uma ilha deserta?

12 junho 2006

NÃO MANDA MAIS

To ficando com preguiça de você. Do seu papo de playboy e das baladas que você freqüenta. Dos seus telefonemas quando você não tem nada pra fazer terça-feira à noite. Das suas mensagens de madrugada. De você achar que eu sou um corpo. Já disse que sou mais do que isso, mas repito quantas vezes precisar. Já te disse que não sou estepe. Então, não me trate como segunda opção. Como uma qualquer. Não me trate como se não soubesse o que quer de mim. Dos meus abraços. Do meu carinho.

Me trate como uma princesa. Como na primeira vez que nos vimos. Me queira. Ou, pelo menos, me trate como se me quisesse. Me queira do seu lado. De dia ou de noite, tanto faz. Só não sou mulher de fim de noite. De me entregar pra qualquer um. Me chame de boneca, mas me chame. Não me deixe esperando você ligar. Não me deixe esperando você chegar. Só venha quando quiser me encontrar.

Poupe seu esforço de fingir que sente algum carinho por mim. Prefiro as coisas bem claras. Se quer só meu corpo, tudo bem. Pegue a senha e entre na fila. Se quiser meu coração, faça por merecer. Me conquiste. Tenha mais atitudes sinceras do que palavras bonitas. Prefiro que você seja mais presente e que me compre menos presentes. Prefiro que você seja você mesmo, assim, tolo, e que não finja ser alguém que não é. Prefiro morrer de rir com suas piadas infames do que me impressionar com seu linguajar culto.

Esqueço que gosto de abdomens sarados, de braços bem definidos, de coxas de jogador de futebol. Porque, pra mim, você é muito mais do que um corpo em evidência. Muito mais do que esse seu cabelo macio. Do que essa pele lisinha. Essas mãos quentes. Essa boca gostosa. Esse olhar que me despe. Muito mais do que as marcas famosas que você veste. Do que o carro que você dirige. Que esses seus óculos de ir pra trance que custaram o olho da cara.

Preguiça profunda dessa sua mania de achar que é o único na minha vida. Que tem exclusividade sem sequer me dar alguma garantia. Quer saber? Não me pergunte se sou só sua se não quer me ver mentir. Pergunte se te quero e não vou gaguejar. Ao contrário do que você pensa, eu sei muito bem o que quero pra mim. Quero você. Mas não aceito migalhas. Não quero o que restou de você no fim da noite. A sobra da sua carência noturna. Quero ter prioridade. Quero fazer a diferença. Quero garantia de que alguma coisa vai dar certo. Mas você faz tudo errado. Me trata como se eu fosse só mais uma na sua vida (ou talvez eu seja, realmente). Me liga quando esgotaram-se todas as suas possibilidades na noite. Mente pra mim com a cara mais deslavada. Some e aparece como quem tem a certeza de que eu ainda vou estar no mesmo lugar. Te esperando. Me procura com a certeza de que vai me encontrar. Me liga sabendo que vou te atender. Mas, sabe de uma coisa? Cansei. Vou procurar minha turma. Vou me divertir com as bocas certas. Me deitar em outros colos. Sentir outros abraços. Você não manda mais aqui. E sabe o que mais? Ou eu sou a número um na sua vida, ou nem quero fazer parte dela.


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P.S.: Devo lembrar que os textos publicados aqui são obras de ficção. Ainda assim, qualquer semelhança com a realidade não terá sido mera coincidência.

31 maio 2006

MOVIDA PELA PAIXÃO

Eu não tenho mais idade pra me apaixonar. Não mesmo. Não sou mais uma adolescente e meus dezoito anos já viraram história. Mas, sentir aquele frio na barriga é muito bom. Já contei aqui mil vezes. Não gosto de nada morno. Se não tiver paixão, se não tiver emoção, se não me arrancar do chão, não serve.

Tem coisa melhor do que aquele telefonema no meio da tarde? Aquela ligação que te deixa com um sorriso apaixonado grudado na cara o resto do dia. Tem coisa melhor do que estar com alguém que te faz rir o tempo todo? Aquela pessoa que tem “aquela coisa que você não sabe explicar” que faz você não querer sair de perto dela nunca mais.

Sabe o que eu não consigo entender? Gente morna. Namoro de longa data em que as pessoas “se acostumam” com a outra. Como pode isso? Como pode alguém estar cansado sexta-feira à noite e querer dormir? Como pode alguém empurrar a própria vida com a barriga? Não vou atirar a primeira pedra. Já cometi essa insanidade. Mas hoje, e cada dia, sou uma nova pessoa. Penso. Logo, mudo de idéia. De gosto. De roupa. De estilo. De vida.

Você já esteve com alguém pensando em outra pessoa? Eu já. Você já namorou uma pessoa enquanto amava outra? Eu já. O pior erro. Mas eu não imaginava o que estava perdendo. O tanto que é bom você estar com a pessoa certa. Com aquele cara que você olha pra ele e pensa: “é exatamente com você que eu queria estar agora, nesse instante”. E o Brad Pitt poderia aparecer pelado na sua frente. E quem mais fosse. E você não trocaria aquele momento por nenhum outro. Por nenhuma outra sensação de mundo. Por ninguém mais no mundo. Nem outro lugar. Nada.

Não sei muita coisa do que quero pra minha vida. E nem tenho essa pretensão. Mas sei isto: quero tudo intenso. Tudo agora. Tudo pra já. Minha vida já está acontecendo e eu não tenho mais tempo a perder com sorrisos amarelos. Com abraços frouxos. Com bocas aleatórias. Com noites sem dias seguintes. Com pessoas que não se dão. Quero viver tudo intensamente. Até a última gota. Correr o risco. Me atirar. E sentir o coração bater forte. Sair pela boca. Me engolir. Ter aquela sensação de não estar cabendo no próprio corpo (mais alguém aqui já sentiu isso?). Quero ser arrebatada. Não conseguir dormir à noite. Acordar com olheiras e estar linda mesmo assim. Quero rir de mim mesma. Rir sozinha no meio da rua. Sair descabelada. Quero andar cantando. E fazer poesia em dia de chuva. Quero cair da escada com as pernas pra cima. Quero um dia. Uma hora. Um minuto. Desde que seja de verdade. E a verdade é que eu quero me apaixonar.

23 maio 2006

NÃO PERCA SEU TEMPO COMIGO


Verdade seja dita. Eu não sou como você esperava. Eu não sou uma loira-barbie pra te acompanhar nas festas jet-setters que você freqüenta. Eu não tenho um par de peitos de 300ml de silicone em cada um. Não tenho uma bunda de 102cm de diâmetro como a da Juliana Paes. Eu sou muito mais do que você espera. Muito mais do que você agüentaria. E talvez até mais do que você merece.

Porque eu sou fiel aos meus sentimentos. Vou estar com você quando eu realmente quiser estar. Vou te ligar quando eu quiser falar com você. Porque eu não passo vontade. E nem vou passar vontade de você. Não vou fazer joguinho. Eu me entrego mesmo. Assim. Na lata. Eu abro meu coração. Rasgo o verbo. Me dou em prosa. E se te disser que não te quero, meu olhar vai me desmentir na tua frente. Porque eu falo antes de pensar. Eu falo até sem sequer pensar. Eu penso falando. E se estou com você, aí, não penso duas vezes. Não penso em nada. Não quero mais nada.

Então, não perca seu tempo comigo. Eu não sou um corpo que você achou na noite. Eu não sou uma boca que precisa ser beijada por outra qualquer. Eu não preciso do seu dinheiro. Muito menos do seu carro. Mas, talvez, eu precise dos seus braços fortes. Das suas mãos quentes. Do seu colo pra eu me deitar. Do seu conselho quando meu lado menina não souber o que fazer do meu futuro. Eu não vou te pedir nada. Não vou te cobrar aquilo que você não pode me dar. Mas uma coisa, eu exijo. Quando estiver comigo, seja todo você. Corpo e alma. Às vezes, mais alma. Às vezes, mais corpo. Mas, por favor, não me apareça pela metade. Não me venha com falsas promessas. Eu não me iludo com presentes caros. Não, eu não estou à venda. Eu não quero saber onde você mora. Desde que você saiba o caminho da minha casa. Eu não quero saber quanto você ganha. Quero saber se ganha o dia quando está comigo.

Você não vai me ver mentir. Desista. Mentiria sobre a cor do meu cabelo. Sobre minha altura. Até sobre meus planos para o futuro. Mas não vou mentir sobre o que eu sinto. Nem sob tortura. Posso mentir sobre minha noite anterior. Sobre minha viagem inesquecível. Mas não agüentaria mentir sobre você por um segundo. Não na sua cara. Mentiria pras minhas amigas sobre a sua beleza. Diria que tem corpo de atleta e um quê de Don Juan (mesmo sabendo que elas iriam descobrir a farsa depois). Mas não me faça mentir e dizer que não te quero. Que eu não estou na sua. Não me obrigue a jogar. Não me obrigue a dizer “não” quando eu quiser dizer “sim”. Não me faça tirar você da minha vida porque meu coração ainda acelera quando você me liga.

Insisto. Não perca seu tempo comigo. Porque eu não quero entrar no seu carro se não puder entrar na sua vida. Não me conte seu passado se eu não puder viver seu presente. Não faça planos comigo se não me incluir no seu futuro. Não me apresente seus amigos se, amanhã, vou virar só mais uma. Me poupe do trabalho de adivinhar seus pensamentos. Diga que me quer apenas quando for verdade. Diga que está com saudade apenas se sentir minha falta do seu lado. Peça minha companhia quando não desejar só meu corpo. Me ligue quando tiver algo pra dizer. Mas, por favor, me desligue quando não estiver mais afim de mim.


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Pessoal, esse texto circula na internet com várias autorias. Mas o texto é MEU e, assim como todos os outros, é registrado na Biblioteca Nacional, no escritório de direitos autorais.

Portanto, pesquisem antes de espalhar as coisas na internet.
Beijos.

15 maio 2006

AS TARDES DE DOMINGO


Este é só mais um texto sobre as tardes de domingo. As tardes de domingo de uma cidadã solteira. Avulsa mesmo. Sozinha. Em casa. Mora sozinha. Almoça sozinha nos finais de semana. Dorme sozinha. Acorda sozinha no domingo com a cara borrada de maquiagem da noite anterior. Viaja sozinha. Dirige sozinha pela estrada. Dança sozinha em casa com o som alto. Chora sozinha. Uma cidadã que está cansada de todos acharem que ela é uma super-mulher. E ela se sentir uma menina ainda. Carente. Intensa. Que quer abraçar o mundo. Que tem preguiça profunda de gente que mente. De gente que se entrega pela metade.

E a cidadã enfrenta mais uma tarde de domingo daquelas que não se tem nada pra fazer. Ninguém pra quem ela gostaria de ligar. Seu celular toca uma vez. END. Toca duas. END. Toca três. END mortal. E ela começa a colecionar números. Sete cidadãos ligando no mesmo final de semana. Seis ENDs. 160 contatos no MSN. 32 bloqueados. Alguns scraps com cantadas baratas no orkut. 492 amigos. Zero sentido nisso tudo.

A cidadã-super-mulher-de-uma-figa é metida a entender os homens. Mas não entende nem sobre si mesma. Não entende como consegue não se apaixonar pelo vizinho que lhe mandou uma cesta de café-da-manhã porque a viu uma única vez na vida. Uma cesta deliciosa com um bilhete mais do que gentil. Um convite pra sair que nunca saiu do papel. Ou porque ela não se apaixonou por aquele cara que cozinhava quando ela tinha preguiça de sair pra almoçar. E a recebia em casa com taças de champagne na mão e um sorriso no rosto.

E ela não entende o que leva um cidadão a convidá-la pra sair. Buscá-la em casa num carro importado que vale mais do que seu apartamento. Levá-la ao melhor restaurante. Ser um gentleman. Pagar a conta. Abrir (e fechar!) a porta do carro. Depois sumir. Aparecer novamente. Sumir. Aparecer novamente. A cidadã simplesmente não entende porque ele não some de vez.

A cidadã-filósofa-barata-de-merda entende é que os homens fazem tudo errado. Que não adianta abrir a porta do carro, se ele não abre o coração. Que não adianta mandar flores, se ele não manda no rumo da sua vida. Que não adianta convidar pra sair, se ele não a convida pra fazer parte da vida dele. Que não adianta passar a noite se, no dia seguinte, ele some sem dar notícias. Que não adianta pagar a conta se o que ela quer mesmo não tem preço.

E a tarde de domingo vai chegando ao fim. Aquele gosto azedo de segunda-feira no ar. Pra começar tudo de novo. Sozinha. De saco cheio de promessas baratas. De bocas aleatórias. De pessoas que nada sabem a seu respeito. De carinho com muita mão e pouco sentimento. De músculos fortes e cabeça fraca. De agenda cheia e vida vazia. Uma cidadã sem saco pra joguinhos. Que fala o que pensa. O que sente. Que não passa vontade. Mas que, às vezes, não liga pro único cidadão que ela quer por puro medo de ser mal interpretada. Por puro medo de dar tudo errado. Essa cidadã acha que controla o futuro, mas morre de medo dele. E não controla a própria vida. Muito menos os próprios sentimentos. E lá vai ela começar tudo de novo. Com aquela pose de super-mulher. Aquela barriga dura e aquele coração mole.

10 maio 2006

TUDO IGUAL

Você já ouviu várias histórias sobre “igualdade entre homens e mulheres”. Já ouviu também várias histórias sobre Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e Fada Madrinha. Pois bem. Você quer aquele lindo. Mas acontece que você nasceu mulher, ou seja, a menos que ELE te convide pra sair, sua linda história de amor acaba aqui, nesta linha.

Não importa se você tem 13 ou 31 anos, certas coisas nunca mudam. Se você nasceu mulher, vai ter todos os homens a seus pés, mas sua sentença será bancar a desentendida sempre, para que eles pensem que ELES estão no comando. Deixar que eles tomem a iniciativa sempre (seja lá qual for o quesito). Caso contrário, você será execrada pelo resto da sua existência por estar fazendo o papel que o homem pensa que é dele.

Alguém, por favor, me explica o que é essa cultura machista que transforma a mulher na caça e o homem no caçador. Por que nós, mulheres, temos que esperar a boa vontade dos homens de convidar a gente pra sair?

Eu posso dirigir de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro. Sozinha. Ir e vir de onde eu bem entender. À noite. De madrugada. Administrar minha própria casa. Pagar minhas contas. Trabalhar. Cuidar da minha própria vida. Sair de manhã e voltar à noite. Ser dona do meu próprio nariz. Mas, na hora que estou do lado de um homem, preciso me tornar um ser “indefeso”, ser o que não sou de verdade. Fingir uma fragilidade que não existe.

Por que os homens se assustam tanto com essa nossa independência? O que é essa cultura machista em que o homem precisa ser mais inteligente que a mulher? Mais forte. Dirigir melhor. Mais rico. Ter mais poder. Estar no comando da empresa. Ter o poder de decidir se vai ou não te convidar pra sair. Vai ou não assumir um compromisso. Vai ou não te pedir em casamento.

Quer saber?! Essa falsa igualdade entre os sexos está cansando a minha beleza. Você é igualmente independente. Você viaja sozinha no seu próprio carro. Pilota como um homem. Troca pneu no meio da estrada. Sabe o que é uma correia do alternador. Troca lâmpada. Instala chuveiro elétrico. Conserta a descarga. Prega prego na parede. Pinta a escada. Faz leg-press com 140kg. Mas experimente agir como um homem. Beijar vários no mesmo final de semana. Fazer sexo com pessoas aleatórias. Flertar com o bonito da academia e convidá-lo pra sair. Não, não pode.

Pro inferno então com esse papo de igualdade. Vou rever meus conceitos. Parar com esse blog e fingir que não sei escrever. Que não tenho opinião formada sobre assunto nenhum. Bater meu carro por aí. Assistir Ana Maria Braga e aprender a cozinhar (tudo bem que eu sei fazer ovo cozido, mas meus amigos dizem que isso não conta). Me tornar uma “lôra burra”. Colocar 300ml de silicone em cada peito. Passar as tardes no salão de beleza. Na academia. No clube. Vou abandonar tudo e ser dondoca. Comprar um poodle e tosar o pêlo dele com aqueles pompons nos pés. Arrumar um homem velho e rico que pague minhas contas. Todas elas, por favor.

E viva a desigualdade.


P.S.: Tudo mentira, viu, gente?! Continuo aquela mesma Brena que tem forte atração por vinhos baratos e por homens mais novos que racham conta de três reais. Aff.

26 abril 2006

AMIGA PELA METADE


Que história é essa de amiga pela metade? Eu não gosto de metades. De gente que não sabe ser. Que não sabe a que veio. De respostas em monossílabos. “Não” e “sim” nunca foram resposta. Isso não é amizade. Amizade de verdade tem que ter cumplicidade. Tem que ter olho no olho. Sentimento. Troca. Troca de confidências. De desabafos. Amores à parte. Esses não trocamos.

Quem é você que se diz minha amiga e eu não sei da sua vida? Que já fomos confidentes e hoje eu nem sei se está saindo com alguém. Se está feliz. Se ele te faz feliz. E eu não sei o nome do cara que está saindo com aquela que um dia se disse minha amiga sem conhecer o verdadeiro sentido da amizade. De compartilhar emoções perdidas. Conquistas. Derrotas. De compartilhar aquela noite de sexta-feira, quando ninguém te chamou pra sair e você teve que ficar em casa assistindo tv.

Quer saber? Você não me apetece. Tenho preguiça profunda de gente que não se dá. De gente “pé atrás”. De gente que é amigo nas horas vagas. Não, baby, eu quero full time. Eu quero a amiga que é toda ouvidos. Conselhos. Palavrão. Choro. Riso. Noite. Champagne. Vinho barato. Festas. Tropeços na calçada. Convites pro evento do ano. Mico do ano. Chocolate no cinema. Fila de cinema. Shopping no meio da tarde. Piscina no sábado de manhã. Assunto que não acaba mais. Telefonema sem assunto. Viagem pra praia. Os bonitos no trânsito. Os feios por toda parte. Os caras que a gente quer. Os caras que a gente não quer. Os caras que querem a gente. Os caras que não querem a gente. A gente.

No amor, existe essa história de “cara metade”. Não sei. Nunca achei que tivesse faltando nada por aqui. Agora, não me venha com essa moda de “amiga pela metade”. Não vai colar. Dobre seus monossílabos numa mala e envie-os pra Abu-ghraib. Daí, se os sintomas persistirem, despacho você junto semana que vem.

19 abril 2006


Tive que aprender, na marra, a lidar com a saudade que nunca vai passar. A saudade de quem foi embora pra sempre. E sempre quis escrever isso, mas nunca antes tive coragem. Ou, talvez, nunca tenha tido forças. Começo e, de repente, não consigo mais teclar.

Se eu soubesse que aquela seria a última vez que eu fosse te ver, teria te abraçado mais forte. Teria atrasado minha viagem, em meia hora que fosse, pra jogar conversa fora. Pra lembrar do seu sorriso ingênuo. Pra contar casos que agora eu não posso mais te contar. Casos do Vitinho, do Henrique e do Renatinho. Coisas que não fazem sentido pra mais ninguém, mas pra gente fazia. E como. Outro dia, tive notícias do Vitinho. Queria ter te contado.

E das vezes que eu chorei na escada do prédio. Menina. Por uma coisa tão banal. E você, tão menina quanto eu, me socorria. E me dizia palavras que pareciam tão mais maduras do que eu. E nem eram. Éramos duas meninas com nossos problemas adolescentes que, para nós, eram os maiores problemas do mundo. E seu chapéu de Paquita? Está na minha casa até hoje. Assim como todas as cartas com aquela letra linda que só você tinha na época do colégio. Aquela letra que escrevia as fichas do nosso “Xou da Xuxa”. Aquela sua inocência de menina que nunca passou. Pessoa boa que pensava que o mundo era bom também.

Por um ano, guardei seu presente de aniversário. Por falta de tempo pra gente se encontrar e eu poder entregá-lo pessoalmente a você. Já era quase o outro aniversário quando nos encontramos pra aquela que seria a nossa despedida. Mas só soube disso depois. O destino aprontou essa comigo. E ainda me pergunto se as coisas acontecem do jeito que têm que acontecer mesmo. Quis Deus que eu tivesse te entregado seu presente de aniversário naquele dia. Não fosse isso, não me perdoaria por não ter achado um tempo que fosse pra te encontrar.

The Maris, você vai ser, pra sempre, minha melhor amiga de infância. Quando você foi embora, levou junto parte da minha história. Mas eu tenho minha máquina do tempo. E o que me faz voltar ao passado são minhas lembranças. Lembranças de um tempo que não volta nunca mais. Espero que Deus esteja cuidando de você direitinho, porque eu ainda tenho vários casos pra te contar. Por enquanto, é só saudade.

12 abril 2006

QUERO VOLTAR HOMEM


Na próxima encarnação (se é que isso existe mesmo), eu quero voltar homem. Tenho pedido isso todos os dias nas minhas orações, porque acredito que, se eu fosse homem, minha vida seria muito mais fácil.

Eu quero voltar homem pra achar que futebol é a coisa mais importante do mundo. Pra conseguir odiar o Eurico Miranda num dia e amá-lo no outro. Pra saber de cor e salteado a escalação de todos os times de todos os campeonatos (suma importância!). Para que minha maior referência histórica seja a escalação completa da seleção nas copas de 1970, 1974, 1978... e quiçá 2006.

Pra achar que eu posso pegar tanto mais mulheres quanto mais caro for meu carro. Tanto mais mulheres quanto mais gorda for minha conta bancária. Tanto mais mulheres quanto mais eu mentir para seduzi-las. Para achar que a cerveja é minha melhor companhia. E que estar embriagado é o melhor que eu posso fazer por mim antes de “pegar” uma mulher. Pra achar que eu preciso me fazer de bom moço pra levar uma mulher pra cama (enquanto tem tanta mulher fácil por aí, né?!). Pra conseguir classificar as mulheres em “fácil” e “difícil” me baseando em um único critério (precisa explicar qual é???).

Vou querer ser homem para que minha maior preocupação com o futuro se resuma a “quem vai ser a próxima capa da Playboy?”. Pra não fazer a mínima idéia do que se passa na cabeça de uma mulher, mas conhecer até o útero da Sheila Carvalho. Pra nunca ter tempo pra ler sites com conteúdo, mas visitar 50 sites pornográficos por dia. Para pensar que os e-mails mais interessantes são aqueles de mulheres em poses ginecológicas. Pra pensar que mulher é um objeto. Um decote. Um rabo de saia. Uma bunda de 102cm de diâmetro. Um par de peitos de 250ml cada um.

Vou ser homem pra achar que não preciso ter vaidade nenhuma e que ninguém se importará se minha barriga mais parecer uma nhá-benta. Ou pra passar as tardes na academia, tomar bomba e ficar medindo meu bíceps com do meu amigo no espelho. Pra achar que um braço de 40cm é mais importante do que um QI de 130. Pra ler tudo sobre hemogenin, deca-durabolin, winstrol e durateston, mas nunca ter lido Nietzsche.

Definitivamente, preciso ser homem na próxima encarnação. Mas, enquanto esse dia não chega, continuo aqui. Mulher. Complicada. Loira. Nada burra. E apaixonada por esses homens.

P.S.: Homens da minha vida, não fiquem bravos comigo. Mas é que, realmente, não ando muito bem com vocês!

05 abril 2006

O DIA SEGUINTE


Lá está você. Protagonizando aquela cena digna de novela mexicana. Você se tranca no banheiro. Senta na tampa do vaso sanitário. Apóia o rosto nas mãos e os cotovelos nas pernas. Chora. Chora, não. Desaba! Você chora até perder as forças. E deixa a dor escorrer pelos olhos. E essa dor te consome. Suga de você toda energia, todo viço da pele e todo brilho dos olhos. Mas é que você nunca soube muito bem lidar com finais infelizes. E vai ter que aprender na marra agora.

Acontece que não te contaram que Romeu e Julieta morreram e nunca mais se encontraram. Não te contaram que hollywood cria histórias mágicas que não se repetem na vida real. E você acreditou que podia ter o amor da sua vida pra sempre. E agora, você está sem chão. Sem forças. Sem rumo. Sem o mínimo controle da situação. E o que é pior: sem a mínima vontade de começar tudo de novo. Encarar a vida de solteira. As cantadas baratas. As noites vazias. Os “eu te ligo” nada confiáveis. Os finais de semana em casa. Os finais de semana na rua. Os feriados em que você precisa arrumar uma super viagem bacana pra não correr o risco de sobrar na capital sozinha.

Até que suas amigas te tiram de casa - praticamente à força - e você decide se aventurar na primeira noitada da sua nova (!!!) vida de solteira. E é então que alguma coisa parece avisar ao sexo masculino que você é “carne nova” no pedaço. Você está altamente solicitada na festa. Aqueles que já te conhecem vêm falar com você. Vêm dizer como está linda. Perguntam pelo namorado. Que namorado??? Tudo bem. Era só um pretexto pra se aproximarem de você e se certificarem de que está mesmo solteira. O papo não é lá dos piores. Você conversa com um, conversa com outro. Conhece gente nova. Ri horrores. Conhece gente interessante. Gente chata. Uns mais novos. Outros mais velhos. Homens bonitos. Outros feios de doer.

Você está cercada de pessoas por todos os lados. Mas você senta no canto da festa sozinha. Você e aquele mísero copo de plástico de vinho suave barato (outra vez!). As pessoas parecem estar se divertindo enquanto você faz um enorme esforço pra entender como alguém pode se divertir daquela maneira. Beijando bocas aleatórias e conversando com pessoas que nada sabem a seu respeito. Virando garrafas de álcool e rindo de si próprios. Subitamente, então, sua filosofia barata é interrompida. Um inconveniente, chato, feio e bêbado tira seu sossego. Fala duas frases. Não pergunta seu nome mas diz que quer te beijar. Você não enxerga quais as razões que a levariam a cometer tal insanidade. Depois de meia hora tentando se livrar daquele encosto, você percebe que ele não vai mesmo sair dali e resolve fazer isso você mesma. Deixa o cidadão falando sozinho e continua na festa. Bebendo, rindo num tom que beira o nervosismo e observando quais as possibilidades na sua nova vida noturna.

Já é quase dia e seus pés doem incessantemente. Todo mundo bêbado e feliz (ou pelo menos se achando). Você bebeu um ou dois copos de vinho e está sóbria. E, mesmo que tivesse se embriagado, sabe que iria pra sua casa dormir e acordar sóbria e com uma puta dor de cabeça. E tudo voltaria ao normal. Mas você nem curte beber assim. É hora de partir e você entra no seu carro. Aquele pedacinho de poucos metros quadrados se transforma no maior espaço do mundo. E você, na menor pessoa do mundo. É tanto espaço sobrando. Você gostaria de não saber o que está faltando, mas você sabe muito bem. Você chora. Compulsivamente. E começa a imaginar, então, como vai ser sua vida daí pra frente. Com perspectivas nada animadoras. Você precisa de você de volta. Com urgência. Precisa preencher aquele espaço e o espaço da sua vida. Porque, daqui pra frente, você será sua melhor companhia.

31 março 2006

IDIOTA X IDIOTA


Por mais que você deteste rótulos e que jamais tenha pensado em classificar os homens da sua vida em diferentes categorias, no final das contas, vai chegar a uma simples - porém reveladora - conclusão. Existem dois tipos de idiota: o idiota propriamente dito e o idiota que pensa que você é a idiota.

O idiota propriamente dito é aquele cara que te engana descaradamente. Que some e aparece depois, na maior cara de pau. Não te faz promessas. Deixa bem claro que prefere sair para beber com os amigos a ir com você ao cinema. Ele se embriaga no final de semana, dorme e se esquece de encontrar com você. Ele te mata de ódio. Mas, de uma coisa, você nunca poderá reclamar. Ele nunca te enganou. Ele não é nada cavalheiro. Do tipo que você abre a porta do elevador e ele entra. Nunca vai te mandar flores. O maior elogio que você vai ouvir dele soa como “você é gostosa pra caralho”. É um completo idiota. Mas, também, completamente inofensivo.

Perigoso mesmo é aquele segundo tipo. O que pensa que a idiota é você. Com esse, todo cuidado é pouco. Ele quer, a todo momento, te impressionar. Ele não conta vantagens, mas isso fica implícito em cada frase que sai da boca dele. Ele não diz pra você que é rico, mas se apressa em contar onde mora (claro, no bairro mais nobre da cidade).

É do tipo que abre a porta do carro (importado!) pra você e a leva para lugares bacanas. Ele te elogia da cabeça aos pés. Sabe como agradar uma mulher. Ele vai te ligar “só pra ouvir a sua voz” (apesar de você achar isso super manjado). Vai fingir que tem ciúmes de você na segunda vez que vocês estiverem saindo. Tudo estratégico. Só pra você pensar que ele está emocionalmente envolvido.

Ele vai te ligar sexta-feira pra dizer que está com saudade, mas... ops! Sexta-feira é o dia oficial em que ele fica doente! E sábado geralmente morre alguém da família. Pobrezinho. Tão azarado. Ele gostaria tanto de estar com você, sente tanta saudade, mas, todo final de semana, tem um contratempo.

Ele vai dizer que você é a pessoa mais especial que ele já conheceu nos últimos tempos. A mais linda. Ele está apaixonado. Te liga todo dia pra saber como você está. Você, que não nasceu ontem nem nada, finge que acredita nesse tipinho manjado. Já deu os “pêsames” a ele por três sábados consecutivos nos quais a mãe dele morreu. Você faz voz de triste e deseja melhoras quando ele te liga às sextas “doente” (e depois, parte pra gandaia, claro).

Esse tipinho tem a melhor lábia do mundo. Se diz seletivo com as mulheres (mas diz isso pra todas). Diz que você é única (também diz isso pra todas). Ele poderia, realmente, ser tudo de bom. Tem lá suas qualidades. Geralmente é gato, sarado, rico, mora bem, tem carro do ano, inteligente, culto e bem relacionado. O único problema dele é achar que é mais esperto que você. Achar que você é uma idiota que acredita em tudo que ele fala. Não mesmo. Você finge que acredita e ainda faz ele se sentir o máximo (o máximo do trouxa, só se for!). Você dá corda e ele mesmo acaba se enforcando.

Mentira tem perna curta, já dizia minha avó. (A avó dele provavelmente morreu num sábado desses antes de poder contar isso pra ele).

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P.S.: Este texto é uma obra de ficção. No entanto, qualquer semelhança com a realidade não terá sido mera coincidência.

26 março 2006


Você acorda às 4h da manhã de terça-feira com fortes dores no estômago. Finge que não é com você, afinal, de nada adiantaria levantar pra pedir socorro pra... pra quem mesmo? Ah, é! Você mora sozinha.

Então você continua deitada mentalizando mantras cabalísticos que te dizem que você está bem. De repente, você começa a suar frio. Joga o lençol pro lado. Você deseja que a Cabala e a Madonna sumam da face da Terra. Você se vira para um lado... para o outro e nada da dor passar.

Então, você resolve se levantar e ver o que pode fazer por si mesma. A dor piora. Sim, mas você precisa se levantar e procurar algum remédio que seja. Se apóia no corrimão pra descer as escadas até a cozinha. Pega um copo d’água e começa a revirar sua caixinha de remédios. Neosaldina... Dorflex... Nebacetin... Dexafenicol... pomada pra picada de abelha... Você lê todas as bulas deitada no chão da cozinha. Nada parece servir para essa dor infernal que você ainda não sabe definir o que é. Nem exatamente onde. Enfim, um Sonrisal. Tá escrito na bula que é para má digestão. Má digestão... estômago... tudo a ver. Vai isso mesmo! Você toma o milagroso. Mas, após o último gole naquela água branca, você constata que a data de vencimento vai fazer aniversário de dois anos.

Então, você volta e deita na sua cama que está mais quente que o chão da cozinha. Começa a xingar o fabricante da Quinua Real que você comeu algumas horas antes de se deitar. Só pode ter sido isso que te fez mal! Também, com um nome desses, não poderia acabar em boa coisa.

Mais uma vez, então, às 4h40 da manhã, no auge do desespero, você tem a fatídica e infeliz idéia de passar uma mensagem pro celular do seu ex-namorado pra ver se o cidadão se comove e resolve te ajudar. Você simplesmente ignora o fato de que, além de ser seu EX- namorado (muita atenção para o prefixo), ele talvez esteja no meio de um amasso com uma baranga qualquer àquela hora. Mas você mora sozinha e não consegue imaginar quem poderia ser a boa alma que te ajudaria às 4h40 da manhã.

Ainda deitada e suando de dor, você começa a lembrar que, se continuar acordada, o dia vai clarear e você não vai ter dormido nada. E começa a mentalizar canções de ninar porque, afinal, você precisa trabalhar daqui a algumas horas.

O Sonrisal vencido começa a te lembrar que você não deveria tê-lo tomado. Alguma coisa que está dentro de você começa a se revirar e a dar sinais de que precisa sair (não se sabe ainda se por cima ou por baixo). O fato é que a dor não passa.

Você chora de dor. Na verdade, chora de dor misturada com a constatação de que você é um ser frágil e não tem ninguém terça-feira às 5h da manhã. Então, você resolve pegar seu caderninho e sua caneta (o computador está longe demais pra ir andando) e começa a escrever seu drama afim de que ele vire assunto no blog depois. Seria cômico se não fosse trágico.

São 5h30 da manhã e você constata a incompetência do seu ex-namorado. Ou, talvez, ele tenha começado a sofrer de surdez depois que vocês terminaram e ele não ouviu a mensagem apitar no celular. Nada disso. Triste e cruel constatação: é você que é uma sem-noção e não tem nada que amolar as pessoas com seus problemas. Ainda mais quando as pessoas não estão mais na sua vida (ou estão, quando lhes convém).

MORAL DA HISTÓRIA:
Você é uma incompetente que ainda não aprendeu que quem mora sozinha não pode passar mal de madrugada. Continue deitada e, se a coisa agravar, chame os bombeiros. Quem sabe, Deus resolve te recompensar e mandar um bombeiro sarado. Comece a rezar logo.