30 abril 2007

EU QUE ACREDITEI

Não que eu seja uma cidadã vivida. Pelo contrário. Minhas experiências não resultaram em aprendizado nenhum. Continuo entrando em roubadas. Me dando mal em finais infelizes. Escolhendo os homens errados (quando eu bem sei quais são os certos, mas finjo não saber). Trocando o mocinho pelo bandido. Fazendo grandes investimentos em pequenas pessoas. Sei que isso acontece com todo mundo. Mas acho que comigo já deu. Sou pouco tolerante.

Tolero falta de grana. Tolero desemprego. Tolero ciúme. Tolero chatice. Tolero amigos chatos. Tolero futebol 57 vezes por semana. Tolero boteco com os amigos. Tolero amigas bonitas e peitudas. Tolero até homem bêbado. Mas certas coisas não descem mesmo. Não tolero falta de caráter. Não tolero mentira. Não tolero enrolação. Não tolero conversa pra boi dormir. Por um único motivo: detesto me sentir feita de idiota.

Nunca me iludi com palavras bonitas. Com frases bem formuladas. Com presentes bacanas. Com caras que pareciam bacanas. Sou pé-no-chão. Nunca me vendi pra carinhas que abrem a porta do carro e fecham a cara quando você pede a verdade. Nunca troquei minha companhia pela conta do restaurante. Nunca acreditei em pessoas que falam bonito. Nunca aceitei champanhe de estranho. Nunca precisei disso. Nunca precisei de um namorado pra me auto-afirmar. Pelo contrário. Vivo bem comigo mesma. Por isso reverencio a vida de solteiro. Namorar pra ter dor de cabeça não é pra mim.

Não gosto de dar conselhos. Não gosto quando as pessoas tentam se meter na minha vida com soluções mágicas. Acredito mesmo que a gente só aprende – ou não – dando cabeçadas na vida. Que a gente só aprende com as próprias experiências. Acredito também que quanto mais a gente vive, menos tolerante se torna. Acredito que as atitudes contam muito mais do que as palavras. Acredito que cidadãos que bancam os bons moços têm muito mais chances de te decepcionar. Acredito que mentira tem perna curta, como dizia minha avó. Acredito que a gente deve conhecer uma pessoa antes de se apaixonar (e não o contrário). Acredito que tudo que vem rápido demais vai embora com a mesma velocidade. Acredito que a gente só tem uma chance na vida de fazer uma grande merda. Acredito que perder a confiança é como quebrar um vaso: você pode até conseguir colar, mas vai ser sempre um vaso colado. Acredito em duendes, gnomos e em papai-noel. Mas não acredito nos homens. Não mais. Duvido até de mim mesma agora.

20 abril 2007

DIÁRIO VIRTUAL

Amores, como eu sempre digo aqui, este blog não tem intenção de ser um diário virtual. Porém, sou humana (óooooooooooh!) e é inevitável que eu escreva sobre as coisas que me rodeiam. Além de humana, tenho uma alma super baranga e minha maior fonte de inspiração são as tragédias do dia-a-dia.
A boa notícia é que tá tudo lindo e, conseqüentemente, ando pouco inspirada... mas continuem por aqui porque juro que to tentando me inspirar na poesia da vida (que barango!).
Beijos.
Ah, siiiiiiiiiiim, sou eu com o Pituco na foto acima!

02 abril 2007

O DIA EM QUE ACORDEI VELHA E CHATA

Ando meio nostálgica. Peguei umas fitas VHS esses dias (sim!!! Fitas de videocassete) de quando eu tinha dez anos de idade e tinha um paquera que era dez meses mais novo que eu. Hoje, ele está casado e com dois filhos. E eu to aqui. Solteira. Ainda com medo de me comprometer. Ainda me envaidecendo por estar bem melhor do que minhas amigas da minha idade que se casaram e tiveram filhos. Ainda me esquivando e inventando uma desculpa nova a cada dia que alguém cisma que quer namorar comigo. Ainda achando que casar e ter filhos não é pra mim. Ainda achando barangos todos os vestidos de noiva, as igrejas lotadas e as frases feitas do tipo “até que a morte nos separe” (que nada mais é do que um eufemismo para “até que um de nós morra”).

Tenho saudade dos tempos de escola. Das paqueras na hora do recreio. Daquela coisa inocente de esperar os meninos saírem do colégio. Do frio na barriga quando meu paquera vinha em minha direção. Do tempo em que não existia orkut e ninguém fuçava a vida de ninguém. Do tempo em que a gente pedia pra amiga descobrir o telefone do menino mais lindo da sala. Do tempo em que não existia celular, muito menos identificador de chamada e a gente ligava pro telefone dos meninos e desligava quando eles falavam alô. Do tempo em que não existia messenger e as pessoas tinham que ligar umas pras outras quando queriam se falar. Tinham que sair das suas casas se queriam se ver.

Hoje, além de a gente não ser mais adolescente, a tecnologia fodeu com a nossa vida. O identificador de chamadas do seu celular serve pra você só atender quem você quiser. O mesmo vale pro cidadão que só te atende quando ele quiser. O messenger, uma praga. Um troço que consegue reunir, na mesma janela: seu ex-namorado, uma meia dúzia de ex-ficantes, uns dois ou três paqueras que nunca saíram do virtual e mais uns duzentos cidadãos e cidadãs que nunca te disseram um oi e te adicionaram sabe deus porque.

Acabou o glamour da coisa. Tudo acontece tão rápido agora que, na mesma noite que você conhece um cara, você já tem o celular dele, o messenger, o skype e já sabe da vida inteira do cidadão porque o orkut dele tem fotos de todos os lugares por onde ele esteve nos últimos tempos e recados de todas as meninas que ele pegou (ou está pegando). As pessoas não ligam mais pra casa das outras porque os relacionamentos são tão efêmeros que “ligar pra casa de alguém” passou a ser uma coisa muuuuuuuito íntima. Seu ficante não liga pra sua casa pra te chamar pra sair. Ele espera pra ver se você vai estar online na hora que ele estiver afim de falar com você e, se você estiver offline, ele chama a próxima da lista (literalmente) que estiver online. Simples assim.

Acabaram as flores, os cartões de aniversário, as cartas, a monogamia. Acabou o sossego. Seu namorado interage virtualmente com a ex-namorada dele, com a vizinha da frente (com quem ele não interagiria se não existissem todos essas malditas ferramentas virtuais), com as ex-ficantes e com as futuras. Pela internet, ele avalia e escolha a mulher que vai ser delivered na casa dele. Loira ou morena. Com roupa ou pelada.

Acho que to é ficando velha (pelo menos é o que o calendário me diz). Velha e mal humorada. Tenho saudade de um tempo que não volta mais (mesmo achando que casamento, monogamia, vestido de noiva e ter filhos é ultrapassado). Tenho saudade do interfone tocando. Da campainha e do telefone da minha casa. Tenho saudade da minha mãe gritando: fulano tá te esperando lá embaixo. Saudade das pessoas disponíveis ao invés de online. Saudade de alguém chegar na minha casa de ao invés de “fulano acabou de se conectar”. Saudade da vida real. De me estrepar ao invés de tomar end. De brigarem comigo ao invés de me bloquearem. De ouvir um não ao invés de me deletarem. Tão simples e a gente complica. Tão complicado e a gente simplifica.

23 março 2007

FICA NA MINHA VIDA PRA SEMPRE?


Você não precisa mais de chocolate. Agora, você tem um cidadão que te causa o mesmo efeito. Que te dá uma sensação boa pelo corpo inteiro. Que te dá energia e que te dá gosto. Que dá gosto de olhar, de tocar, de sentir, de beijar. Ele dirige bem seu carro, seu corpo e, se sua vida fosse um filme, ele poderia ser o diretor. Ou o personagem principal.

Ele escreve as coisas mais lindas que você já leu e, mesmo assim, ele consegue ler seus textos cheios de clichês. E ele é meio clichê do seu lado. Ele fala que te adora. Te chama de linda. Diz que te quer pra sempre.

Mas enquanto o pra sempre não chega, você quer aproveitar cada segundo do lado dele. Você queria não ter hora pra ir embora. Você queria que ele não fosse embora. Você só queria rir com ele à noite inteira. E queria que a noite inteira não tivesse fim. Pra vocês falarem besteiras. Pra jogar conversa fora. Pra você falar das coisas fúteis sem parecer estúpida. Pra ele rir porque o álcool é intolerante a você.

A noite é sempre perfeita. Você bebe uma ou duas doses da sua bebida favorita e ri horrores. Ri porque se diverte com ele. Ri porque ele consegue ser mais bobo que você. Ri porque não entende como pode ser tão gostoso estar do lado daquele cara que nada sabe sobre você e gosta da sua companhia mesmo assim. Ri porque está feliz com tão pouco. Está feliz de estar ali. E queria estar ali pra sempre. Você ri porque ele não é nada daquilo que você imaginou pra sua vida. Mas ele te convence, sem palavras, de que é o cara perfeito pra você. E faz com que tudo que você viveu antes dele pareça tão morno. Faz com que os outros caras que já passaram pela sua vida pareçam tão pouco.

Ele admira seu sorriso. Diz que seu corpo é lindo. Adora seu cabelo. Suas pernas. Beija sua mão. Beija seu rosto com um carinho ingênuo. Toca sua pele e faz você se sentir uma adolescente. Ele te abraça e muda o ritmo da sua respiração. Porque, na verdade, ele mudou sua vida. Ele não fez nada pra isso, mas te faz a pessoa mais feliz do mundo. Você não quer mais nada dessa vida. Quer ele. E só. Quer ele te abraçando com aquela mão macia. Com aquele corpo quente. Aqueles olhinhos brilhando do seu lado. Aquele olhar que fala sem palavras. Aquele sorriso mais do que fofo. Aquele cara que chegou e te rendeu sem o mínimo esforço. Por quem você abandonaria todos os outros caras interessantes que te ligam sábado à noite. Deletaria do seu celular todos os números de telefone. Por quem você largaria todas as outras propostas. Arriscaria começar tudo de novo. Ele é o cara pra quem você olha e pensa: fica na minha vida pra sempre?

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Gente, preciso compartilhar uma coisa linda com vocês!!! Além de todos os fofos virtuais (que mandam emails, comentam e tudo mais), agora as pessoas me param na rua tipo "você é a Brena... do blog?". Siiiiiiiiiiiim, sou eu! Vou ali morrer do coração e já volto!

12 março 2007

NOSSO ORGULHO E OUTRAS MERDAS

Mal acordei hoje porque mal dormi. Pisco o olho e vejo seu rosto. Fecho os olhos e seu olhar assustado me olhando, ontem à noite, não me sai da cabeça. E se você quer saber, tá foda mesmo. Tá foda ter que fingir que eu não to nem aí se te vejo com outra. Tá foda esperar por uma ligação que nunca acontece. Tá foda não poder te ligar porque meu orgulho idiota não deixa. Tá foda saber que você não me liga porque seu orgulho muito mais idiota que o meu não deixa. Tá foda agüentar a sua covardia e muito mais a minha que só conseguiu juntar algumas palavras toscas e escrever um texto. Tá foda fingir pra mim mesma que não tá foda toda vez que eu te vejo. Tá foda até quando eu não te vejo.

Eu não sei quantos anos a gente finge que tem, mas a gente não é adulto o suficiente pra conversar como deveria. Eu não sei o que essa merda desse orgulho idiota faz na vida da gente que não deixa a gente ser a gente e simplesmente viver. Que não deixa a gente se entender. Que não deixa a gente se querer mesmo sem entender. Eu não sei e se soubesse também não saberia explicar. O que eu sei é que tá foda te ver e não poder te querer. Ainda ter seu telefone e não poder te ligar. O que eu sei é que por meia dúzia de atitudes idiotas, a gente nunca mais se falou. Meia dúzia e duas pessoas idiotas.

Isso não combina comigo. Fingir que nada aconteceu, fingir que não te conheço, fingir que não te vejo e fingir que não te quero. Pro inferno com esse negócio. Já devo ter te contado que sou péssima atriz. Finjo pra mim mesma e nem eu acredito. E não acredito que você não me quer mais. Não acredito que você me viu ontem e não sentiu um friozinho na barriga. Não acredito que você só me quis por causa da minha barriga. Não acredito que a gente daria certo por mais que uma noite de festa. Não acredito na gente, na verdade. E, mesmo assim, não acredito que seja o fim.

Na verdade, não sei mais em que acredito. Eu, que já acreditei em você, não acredito em mim mesma escrevendo esse texto. Eu, agora, nada sei, só sinto. E o que eu sinto é que eu engasgo com a respiração quando você passa do meu lado. Sinto que o homem forte que você é fica sem saber o que fazer quando me vê. Sinto muito, mas a gente ainda sente. E acho que se não sentisse, a gente deixaria a porra do orgulho de lado. Sinceramente, você nunca foi meu homem-objeto como você pensava. E, no fundo, eu sei que não fui só um corpo que te fez companhia nas festas onde você nunca precisou de mais nada além da sua vodca com energético. Você sempre foi uma boa companhia e um papo inteligente. Eu sempre fui uma piada nos momentos trágicos e um carinho no seu cabelo. E, por mais que eu nunca tivesse acreditado num final feliz pra gente, eu nunca imaginei que o desfecho fosse esse. Nunca imaginei que nosso orgulho fosse separar a gente.

27 fevereiro 2007

O MEU UAI E O SEU SOTAQUE PAULISTANO

Já disse que to viciada em você e vou ficar repetindo até você se viciar no meu vício. Repito quantas vezes for preciso cada frase estúpida que você adora ouvir de mim pra fazer poesia. Abandono o top less porque assim o mundo fica em paz com você e as marcas do meu biquíni viram inspiração pra sua piração. Abandono meu vício pelas baladas intermináveis pra me viciar só em você. Interminável. Infinito. Como tudo deve ser.

Porra!

Adoro seu sotaque paulistano (agora eu sei que paulistano é diferente de paulista!). Adoro que tudo que eu falo tarde da noite vira texto na sua mão. Adoro quando eu to na sua mão. Adoro que eu to na sua mão. Adoro seu jeito de inventar nomes pro meu nome. Adoro seu jeito de brigar comigo e falar meu nome. Adoro o jeito que você me amolece aos poucos. Adoro o jeito que você me paparica quando eu brigo com você só pra você me paparicar. Adoro sua imaginação branca. Adoro ser uma página em branco. Adoro que você é fofo de vez em quando. Adoro que você é poeta e pensa que é redator. Adoro que você é gênio e pensa que é publicitário. Adoro seus recados no orkut que só eu entendo. Adoro o jeito que você gosta de mim que nem eu entendo. Adoro até quando eu não te entendo.

Adoro-te. Porra!

21 fevereiro 2007

A ÚLTIMA PRIMEIRA VEZ

Ele toca a campainha e, ao contrário de todas as vezes anteriores, ela não corre pra terminar de se arrumar. Ela não coloca brinco na orelha, não retoca o batom, não troca a sandália de dedos pelo salto alto. Ela atende a porta de chinelo velho e cabelo preso pra trás da orelha com piranha de plástico daquelas de duas por um Real. Ele a olha nos olhos, diz que está com saudade e a abraça com tanta força que parece que vai quebrar aquele corpinho magrelo. Ela fica na ponta dos pés para abraçá-lo e, nesse instante, se lembra que costumava fazer isso para alcançá-lo.

Foi tudo muito estranho pela primeira vez. O tênis esquisito dele não combinava mais com ela. Aquela camisa larga e aquela bermuda mais pareciam seu irmão de 17 anos. Nada nele havia mudado, mas era tudo diferente pra ela. A voz, o sorriso meio sem graça, o cabelo liso meio sei lá, as canelas finas, as mãos quadradas num tom rosado de tão brancas. Tudo tão igual sempre foi e tão estranho pra ela.

A vida dela andou nesse um ano e pouco que eles ficaram sem se falar. Ela mudou. Piorou em algumas coisas, melhorou em outras, mas mudou. Ela, que não gostava de rave e andava pra música eletrônica, agora compra ingresso com um mês de antecedência. Ela trocou a cama por uma melhor, o sofá da sala por um branco lindo, mudou os móveis de lugar depois do Natal, trocou o carro por outro que anda muito mais. Mudou o tom do cabelo, o estilo das roupas. Fez vários novos amigos. Para ele, parece que o tempo não passou. Ele acha que pode chamá-la pelos apelidos que ele costumava inventar pra ela, acha que pode pegar nela onde bem entender e que pode arrumar o cabelo dela pra trás da orelha. Não.

Eles ainda têm algum assunto, mas ela já não faz mais piadinhas pra implicar com a vida de solteiro dele. Ela não é mais dissimulada quando ele pergunta se ela está com alguém. Ela está solteira e não precisa mais fingir que está de rolo com alguém pra fazer ciúme nele. Não faz mais sentido. Nada mais faz sentido. As brincadeiras, o abraço, o toque do corpo. Acabou a emoção, acabou o brilho no sorriso, acabou o sorriso nos olhos. Coisas do tempo.

Ele partiu sem nenhuma dor. Ela fechou a porta e sua vida continuou de onde estava. Pela primeira vez, ela fechava aquela porta sem sentar na escada e chorar por ele ter ido embora pra sempre. Pela primeira vez, ele saiu sem que ela o observasse partir com o coração apertado. Pela primeira vez, ele foi embora sem deixar uma gotinha de esperança de que ela pudesse tê-lo de volta na vida dela. Pela primeira vez, ele partiu sem que eles tivessem trocado mais do que um abraço apertado. Pela primeira vez, ele se foi sem que eles tivessem remexido o passado ou chorado porque alguma coisa não deu certo entre eles. Pela primeira vez, ele foi embora de verdade. Pela última vez, ele foi embora.

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Meus amores, tenho recebido vários pedidos de texto, mas, por favor, deixem o e-mail no comentário quando fizerem isso. Vários perfis de pessoas que comentam não estão disponíveis para visualização e isso tem me impossibilitado de retornar a visita ou de fazer algum contato.
Beijos e vamos começar o ano finalmente!

07 fevereiro 2007

SEU PASSADO NÃO TE CONDENA

Não vou te adicionar no orkut. Não quero saber quem deixa recados pra você e qual o conteúdo deles. Isso é problema seu. Também não vou fuçar sua página na internet porque não quero achar assuntos que não me pertençam e acabar por interpretá-los mal. O que eu quiser saber da sua vida, vou te perguntar sem rodeios. Também não sou mulher de espionar celular. E-mail. Caixa postal. Nada disso. Não vou perguntar a ninguém sobre seu passado. Seus amores. Sua história. Prefiro que você mesmo me conte o que eu precisar saber. E, aliás, quero saber só o que você quiser me contar.

Saber da sua vida pelos outros seria deixar que eles resolvessem por mim. E eu detesto que resolvam qualquer coisa por mim. E muito menos vou deixar seu passado resolver o seu futuro comigo. Taí. Detesto especulações. O que vai ser do meu futuro junto com o seu não tem como eu, nem você, nem outra pessoa qualquer saber. Só pagando pra ver. E a gente paga. Assume os riscos. Calcula o custo-benefício. E, no final, o saldo promete ser positivo.

Traiu sua ex-namorada? Fugiu de casa? Jogou a outra da janela? Não me interessa. O que você vai ser comigo nunca vai ser igual ao que você foi com qualquer outra pessoa. Sabe por que? Porque eu não sou igual a qualquer outra pessoa. Por isso não quero saber. Não quero saber da sua vida o que você não quiser me contar. Não quero saber o que os outros têm pra falar de você. Se é do bem ou do mal. Se trabalha ou é vagabundo. Se é fiel ou trai a si mesmo. Deixe que eu tire minhas próprias conclusões a seu respeito. Não gosto que me digam como fazer. Meu passado não é um lençol de cetim branco. O seu não é. E atire a primeira pedra quem não tem uma manchinha negra escondidinha lá no canto.

A gente tá começando do zero. Eu sou uma nova pessoa pra você, e você é esse cidadão que eu não sei ainda. E quer saber mais? Eu confio cem por cento nos meus sentimentos. E eu confio em você porque eu confio naquilo que eu senti a primeira vez que te vi. Afinal, não tinha como ser diferente. Eu te olhei e já sabia o final da história (e olha que ela mal começou). Eu te olhei e meu passado, presente e futuro passaram como um flash diante dos meus olhos. Eu não quis saber se sua boca tinha gosto de cigarro ou de chocolate. Eu não quis saber se você era rico ou pobre. Se morava na zona norte ou na zona sul (ou em outra cidade!!!). Eu não quis saber se você andava de carro ou de carruagem. Se era príncipe ou sapo. Eu só quis saber se você me queria. E então, não me faltou mais nada. Seu sorriso te entregou. Aquele cabelo liso caindo na cara e fazendo charme falou por você. E tudo que eu queria estava ali, mesmo antes de eu saber que eu queria. E eu sabia que era você. Eu já te conhecia antes de você me contar da sua vida. Eu li tudinho no fundo dos seus olhos enquanto você falava oi pela primeira vez. Eu te li sem te julgar. Por isso, insisto: eu não quero saber de onde você veio, o que você fez ou quem amou. Quero saber quem você é quando está comigo. Quero saber se quando eu colocar meu coração na sua mão, você vai segurá-lo com a mesma força que você segura minha mão. Quero saber se posso confiar em você como confio em mim mesma. Quero saber da sua vida só hoje. E do amanhã, quero saber só se você estiver comigo. Anda, diz pra mim que você vai estar!

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Queridos, como sempre, agradeço os e-mails, as visitas de quem comenta, de quem só lê e não comenta, de quem lê e comenta comigo... de todos os fofos desse mundo que fazem a blogueira aqui morrer do coração! Beijos.

31 janeiro 2007

SOBRE PAIXÕES E A VIDA REAL


Eu já me apaixonei perdidamente várias vezes. A primeira vez foi pelo Paulinho. Eu tinha 11 anos de idade e ele tinha dez e meio. Na época, eu ficava arrasadíssima porque esses seis meses realmente o tornavam uma pessoa mais nova que eu. Ele era uma série abaixo da minha por causa desses malditos seis meses. Acreditem, cheguei a considerar a possibilidade de repetir o ano só pra ser da sala do Paulinho. E tudo era o Paulinho. Eu queria ir às festas que o Paulinho ia. Eu queria ir pro sítio onde o Paulinho jogava futebol. Eu queria freqüentar a mesma praia que o Paulinho. Meu Deus, eu nunca conheci ninguém tão perfeito quanto o Paulinho!

Aí, lá pelos meus 15 anos, teve o Cal. O Cal era um ano mais velho que eu e, conseqüentemente, estava um ano na minha frente no colégio. Até que a praga que eu roguei vingou e ele repetiu o ano. Caiu na minha sala. Eu chegava atrasada só pra assentar atrás dele na aula e ficava olhando aquele cabelo mel com aqueles pelinhos loiros na nuca. Meu Deus, o que era o Cal?! O homem da minha vida. O cara mais perfeito que eu já tinha conhecido no mundo. O Cal era descolado. Tinha 16 anos e andava de carro sem carteira de habilitação. Bebia até cair, em todas as festas. Tinha mais nicotina no pulmão do que cabelo no saco. Eu odiava isso tudo mas, ainda assim, achava o Cal o cara perfeito.

Daí, no alto dos meus 21 anos de idade, veio o Vitor. Um cidadão de 16 anos (isso mesmo, cinco anos mais novo que eu!). O Vitor era o cara mais popular da turma. Andava de carro tunado e eu achava aquilo o máximo. Ele me esnobava horrores e mesmo assim eu era apaixonada por ele. O jeito que ele me chamava de “lôra” me dava calafrios na espinha. O jeito que ele dirigia meu carro fazia meu coração ir de zero a 100 em seis segundos. O jeito que ele não me queria fazia eu querê-lo ainda mais.

Fora esses, ainda vieram vários caras perfeitos: o Henrique, o Camelo, o Boca e algum outro que eu não lembro mais. Mas só hoje eu percebo que o tal homem perfeito não existe a não ser na cabeça da gente. O Paulinho? Não passava de um menino riquinho e mimado. O Cal? Era um adolescente rebelde sem causa, sem documento e sem um pai que o parasse. O Vitor? Era um pirralho galinha, pegava todas as breguetis da cidade e, hoje em dia, deve ter todas as DSTs que a medicina já descobriu. Ah, e aquele carro rebaixado dele era baranguérrimo.

Tudo é perfeito quando a gente está apaixonado. Ninguém tem defeito. A distância não importa. A sogra é gente boa. O cunhado é “parceiro”. A gente sai de casa cansado depois do trabalho. A gente freqüenta festa de tia-avó achando ótimo. Aquele tênis verde arregalado que o cidadão usa é lindo. Aquela camiseta regata realça os braços fortes dele. Tudo é lindo. Até que o tempo passa e você percebe que o trajeto de 670km da cidade dele até a sua tá foda de agüentar. Que a passagem de avião é muito cara pra você ir toda semana. Que num ônibus você não entra nem amarrada. A sogra é uma amélia. O cunhado é um mala. Você está muito cansado sexta-feira à noite e sair que nada! Você acha que a tia-avó já passou da idade de partir dessa pra melhor. Aquele tênis verde arregalado deve ser coisa de camelô porque não existe nada mais brega no mundo e, pelamordedeus, o que é aquela regata??? De onde ele tirou que pode usar regata, ainda mais com aqueles braços brancos da cor da parede da sua casa?

Dizem que o amor é cego, mas não é, não. A paixão é que é. A paixão deixa a gente meio idiota mesmo. Depois vem o tempo, joga um balde de água e coloca um par de óculos na cara da gente e a gente começa a enxergar as coisas do jeito que elas realmente são. Acho que quero me apaixonar pra sempre. Passar um tempo idiota e voltar ao normal. Idiota. Normal. Idiota. Normal. Idiota. Normal. Idiota. Normal. Idiota. Normal. Só espero que eu termine a jornada normal. Ah, não! Quero terminar idiota!

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Devo lembrar, mais uma vez, que os textos aqui publicados são obras de ficção. No entanto, qualquer semelhança com a realidade não terá sido mera coincidência!

24 janeiro 2007

O TEMPO DA SUA VIDA


Você termina seu namoro de longa data. Você chora até secar os setenta por cento de água do seu corpo. Você sai na rua e olha pra placa de todos os carros iguais ao dele pra ver se é o cidadão. Com o coração do tamanho de um pistache sem casca. Querendo vê-lo mas, no fundo, morrendo de medo de vê-lo com outra. Será que ele está com alguém? Será que está namorando? Será que está pegando todas nos axés e micaretas por aí? Você não faz a mínima idéia de como ele está. Se mudou de emprego. Se deu certo aquele projeto pelo qual você estava torcendo. Se ele voltou a fumar. Se ele continua falando aquele inglês com sotaque californiano (lindo!). Você simplesmente não tem mais notícias dele. Daquele cidadão que era o mundo pra você. Daquele cidadão que foi pro hospital chorando no seu colo e fez você chorar junto por medo de perdê-lo.

Seu mundo caiu. Você ficou sem chão. Você ficou sem o amor da sua vida que agora vai ser o amor da vida de alguma outra por aí. Você ficou sem aquele cidadão que acreditava em você mais do que você mesma. Que acreditava nos seus projetos profissionais quando você mesma não tinha sequer uma pista de que a coisa ia dar certo. Na verdade, você ficou sem a outra parte de você. Arrancaram seu coração e você não acreditou que conseguiria sobreviver sem ele.

Recomeçar sozinha não é tarefa das mais fáceis. Você chora na volta pra casa depois da melhor balada. Você chora no dia dos namorados que você passa sozinha. Você chora no dia do seu aniversário que ele não está presente. Você chora simplesmente porque o coração aperta e está vazio. Você chora porque sente a falta e não queria sentir, porque gosta dele e não queria gostar, porque agora você não tem mais pra quem ligar no final do dia e jogar conversa fora. Você chora porque é domingo e está chovendo e está muito mais frio do que estaria se ele estivesse do seu lado.

Então, sua vida anda. Você não encontrou outro cara bacana. Ninguém substituiu o lugar de amor da sua vida. Você agora é quem mais tem que acreditar em você e nos seus projetos. Você não tem mais por quem chorar, o que, de certa forma, é bom porque você não agüentava mais aquele chororô. Você não precisa dar satisfação se quer viajar pra praia ou se simplesmente quer ficar em casa sozinha sem fazer nada. Você aproveita as tardes de domingo chuvosas pra ler um livro e relaxar a cabeça. Aproveita também pra descansar o corpo daquela noite de sábado quebradeira que durou até às oito da manhã. Ninguém vai te ligar meia-noite só pra te desejar boa noite então você pode estar em qualquer lugar do mundo e com o celular desligado dentro da bolsa sem te xingarem depois. Você pode ter quantos amigos homens quiser sem ninguém te encher o saco porque fulano ou sicrano te liga demais. Você pode ficar na piscina sábado à tarde com seu vizinho saradíssimo sem ser importunada por telefonemas do tipo “você está aí com quem?”.

Até que, um belo dia, sua vida, que havia andado, te joga um laço, te golpeia pra trás e coloca aquele cidadão na sua frente de novo. Ham??? Como assim, cara pálida? O tempo passou. Você mudou. Sua vida mudou. Seus projetos mudaram. Você deu um passo à frente. Você cresceu e se transformou em você inteira. Uma versão completa de si mesma. Você deu conta da sua vida muito bem sozinha. Você passou a acreditar mais em você do que em qualquer outra pessoa. E agora é tarde demais quando ele diz que quer voltar. Você já descobriu que voltar é retroceder. Andar pra trás. E essa sua nova versão jamais permitiria isso.

16 janeiro 2007

O GRANDE MOMENTO

A gente está sempre esperando um grande acontecimento pra ser feliz. Faltam 29 dias pra num sei o que... faltam 16 dias pro meu carro novo chegar... faltam 28 dias pra eu chegar ao peso que eu quero... faltam seis dias praquela festa... faltam num sei quantos dias pro Fat Boy. Que porra é essa? Por que é que a gente tá sempre esperando algo de muuuuuuuuuito importante acontecer na nossa vida e nada muda depois do graaaaaaaaaaaande acontecimento? Ninguém sabe. O que a gente sabe é que vivemos sempre esperando um grande acontecimento e nada acontece depois dele. Haja vista que, logo no dia seguinte, começamos a aguardar ansiosos pelo próximo evento. E quando é que vamos ser felizes de fato?

Estamos sempre esperando pela viagem da nossa vida, pelo reveillon da nossa vida, pelo carnaval da nossa vida, pela festa da nossa vida, pelo show da nossa vida, quando, na verdade, nossa vida acontece é entre um final de semana e outro, entre umas férias e outras, entre uma festa e outra. Essa espera do que vem pela frente só cria a ilusão de que a gente tem alguma coisa pra esperar. Algo de muuuuuuito importante está pra acontecer e precisamos estar aqui pra viver isso. E a gente vai vivendo enquanto isso. Vai levando a vida naquele emprego que a gente não gosta. Ficando com aquele ficante mais ou menos. Namorando com aquele carinha que já encheu o saco. Morando naquela cidade onde nada mais te surpreende. Freqüentando os mesmos lugares com as mesmas pessoas e os mesmos prazeres repetidos. Será que a gente tem mesmo que viver nessa sensação de que a gente está sempre na fila?

Sei que esse papo é muito antigo. Mas tão antigo quanto esse papo é essa espera infinita de uma coisa que nunca chega. O que é isso que criaram na cabeça da gente? Você só vai ser feliz se tiver 1,78m e pesar 50kg. Se sua bunda não tiver nem uma sombra de celulite. Se seu cabelo não tiver um fio fora do lugar. Se sua calça for Osklen e seu tênis, Nike. Se você tiver o carro do ano. Se sua internet tiver uma conexão de um milhão de mega bytes. Se seu celular for o último lançamento do mercado (daquele modelo que filma, tira foto, vira cambalhota e dá tchau quando o ladrão te rouba). Se você fizer a dieta da nova loira-burra do momento. Se você só comer alface (orgânico, claro). Se seu corpo for igual ao daquela arreganhada na capa da Playboy (com Photoshop até lá onde vocês estão imaginando). Ou se você estiver pegando a boazuda do momento. Ah, me poupem!

Por que é que ninguém fala do que realmente dá prazer na vida? Não contaram pra gente que beijo na boca é melhor do que MC Donald’s. Que a comida feita por quem a gente gosta é melhor do que qualquer fast food. Que estar com quem a gente ama é melhor do que fazer compras no shopping. Que festa com os amigos é melhor do que aquela multidão no show da banda de hip-hop do momento no meio da praia de Copacabana. Ninguém conta pra gente que o que a gente come com prazer não engorda. Ninguém conta pra gente que homem não gosta de mulher-esqueleto. Que mulher não gosta de homem-bomba. Ninguém me contou nada disso. Ninguém vai te contar.

Não adianta pensar que sua vida vai mudar porque você passou o reveillon de preto ou de branco ou sem roupa. Dormindo ou acordado. Na sua casa ou em Paris. Óoooobvio que eu queria passar o reveillon em Paris. Óoooobvio que eu quero ter o corpo da Cicarelli e o carro do ano. Óooobvio. Mas é óoooobvio que eu não vou viver em função disso. Eu só não agüento mais ter amigas infelizes porque não têm dinheiro pra festa tal. Que não vão à praia porque não têm o corpo de não sei quem. Ou frustradas porque não estavam numa suuuuuper festa quando o ano aumentou um dígito. Qual é?! Vamos curtir o sol, vamos ao cinema, vamos comer muita pizza. Vamos comer chocolate sem culpa. Vamos colocar biquíni e nos sentir a Gisele Bündchen. Vamos trabalhar naquilo que nos dá prazer. Vamos viver todo dia sem esperar que a vida aconteça no final de semana ou no carnaval. Nossa vida tá acontecendo agora. E todo dia deveria ser uma festa pra comemorar esse grande acontecimento.

09 janeiro 2007

UM 2007 MAIS E MENOS

Cheguei a fazer uma lista das coisas que eu queria pra 2007. Sério. A lista parecia de uma criança de sete anos pedindo coisas pro Papai Noel: “mais dinheiro, mais gente bonita no mundo, mais homens em Belo Horizonte, mais festas bacanas, mais sol, mais piscina, mais praia, mais caipi-saquê” e mais uma infinidade de “mais”. Rasguei. Tava tudo errado. Ninguém precisa sempre de mais. Tem hora que a gente precisa é de menos. O cabelo da minha vizinha, pelamordedeus, menos loiro. O vizinho da vaga ao lado, menos barbeiro. O vizinho do décimo primeiro, menos gato. A namorada do vizinho do décimo primeiro, menos visitas ao prédio. O vizinho do quarto andar, menos álcool. Não tem jeito. Algumas coisas precisam ser menos. Então, nessa confusão de mais e menos, acabei fazendo outra lista. A lista de 2007 agora é bem mais e menos.

Menos mentiras e mais caráter. Menos vaidade e mais conteúdo. Menos playboys e mais homens. Menos festas e mais diversão. Menos futilidade e mais utilidade. Menos histórias e mais coerência. Menos bolsadas e mais beijo na boca. Menos dinheiro e mais valores. Menos aparência e mais realidade. Menos passado e mais agora. Menos barulho e mais música. Menos drogas e mais viagens. Menos roupas e mais sexo. Menos gente e mais intimidade. Menos conversas e mais atitude. Menos rolos e mais certezas. Menos poluição e mais praia. Menos hipocrisia e mais pessoas felizes. Menos correria e mais tesão. Menos advogados e mais surfistas. Menos dietas e mais chocolates. Menos cartões de créditos e mais cartas de amor. Menos contas pra pagar e mais livros. Menos auto-afirmação e mais auto-estima. Menos conselhos e mais sabedoria. Menos pressa e mais qualidade. Menos padrões de beleza e mais amigas felizes. Menos padrões e mais beleza. Menos neuroses e mais prazer. Menos pose e mais desejo. Menos meninas querendo ser modelos e mais pessoas preocupadas em ser gente. Menos mulheres mostrando os peitos e mais mulheres de peito. Menos revistas de fofoca e mais livros da Martha Medeiros. Menos eu e mais todo mundo. Menos BH e mais o mundo.

Tem jeito???

21 dezembro 2006

CAFAJESTAGEM É POESIA


Era tudo mentira quando eu falava pra você só falar a verdade. Pra ser direto. Não. Mulher gosta de rodeios. Gosta de ser galanteada. E até de ouvir uma mentirinha de vez em quando. Fale que eu sou a mulher mais linda do mundo. Que eu sou mais bonita que a Gisele Bündchen. Fale que vai me amar pra sempre. Jure fidelidade eterna. Diga que eu sou a pessoa mais importante na sua vida. Minta como se estivesse dizendo a verdade.

Eu não gosto tanto assim do escracho como eu dizia que gostava. No fundo – ainda que muito fundo – eu gosto de um pouco de romantismo. Quem fala que não gosta está mentindo. Despiste se quiser só meu corpo. Me mande flores, me leve pra jantar. Finja que gosta de mim mesmo que, no final das contas, só queira me levar pro motel. Finja que é meu, ainda que só por uma noite. Eu gosto desse conto de fadas imaginário que toda mulher cria na cabeça pra colorir a vida um pouco. Eu gosto de ouvir elogios exagerados. De receber mensagens bobas no celular. De receber e-mails no final da tarde e flores no meio do trabalho. Eu gosto de criar fantasias impossíveis. Se eu te chamar pra viajar comigo, não significa que você precisa ir. Minta que vai só pra não estragar a história. O que eu quero mesmo não é nenhuma viagem.

Eu finjo que odeio o seu ciúme mas morro de rir por dentro. Acho lindo quando algum bonitão passa do meu lado e você vigia meu olhar com seus olhos. Acho lindo quando meu celular toca e você, despistadamente, tenta ver quem é. Acho lindo quando a gente sobe no elevador com algum vizinho gato e você me pergunta “quem é esse cara?” depois que ele desce no andar dele. Acho lindo que você não tem ciúmes dos meus amigos feios.

Mas você se tornou tão previsível que perdeu o encanto. Você me conta que acha a vizinha “gostosa”, que acha aquela baranga da televisão “boazuda” e que acha minha amiga “muito boa”. Você conta que “quebrou o pau” na noite anterior. Que bebeu além da conta. Que seus amigos são todos galinhas. Essa sua mania de ser direto acabou com toda a poesia. Você se tornou meu homem-objeto e eu me tornei alguém que eu não sou. Inventei uma mulher-objeto pra te agradar. Invento que eu não gosto de você. Que eu não to nem aí pros seus desejos pelas outras mulheres e finjo que não ouço as coisas desnecessárias que você fala. Invento que eu não gosto do romance e da poesia da coisa.

Mas, quer saber?! Eu gosto da meia-luz. Eu gosto das palavras que só insinuam. Eu gosto do jogo que eu sei jogar. Eu gosto de ser seduzida e não arrastada pelo cabelo. Eu gosto da sua mão segurando a minha e não só dela pelo meu corpo. Eu gosto de me sentir a Marilyn Monroe e não a loira do Tchan. Eu gosto de vinho tinto e não de cerveja na lata. Eu gosto de jazz e não de funk.

Te peço: finja de bom moço. Mande mensagem. Mande flores. Mande no rumo da minha vida. Me pegue no colo. Dance comigo no supermercado. Coloque o meu CD favorito quando eu entrar no seu carro. Me chame de princesa. Me chame de linda. Me chame pra fazer parte da sua vida. Apareça de surpresa. Entre na minha vida sem eu perceber. Minta que eu sou a única mulher que você deseja. Minta que você mataria um dia de trabalho pra ficar à toa comigo em casa. Minta mesmo que eu não acredite em nada disso. E, se você resolver tornar tudo isso realidade, apenas seja. Eu não preciso saber que é verdade.

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Queridos, esse blog não tem a intenção de ser um diário virtual. O texto do último dia 12 foi uma exceção. No mais, Feliz Natal pra todo mundo que me agüentou esse ano, que acompanhou meus choramingos aqui no blog e que torce pra que a gente tenha um 2007 bacana!

12 dezembro 2006

SOCO NO ESTÔMAGO E BOLSA NA CARA

“A gente é muito igual”. E com essa frase, você ganhou a noite. Seu ficante acabava de constatar aquilo que você já sabia há sete meses. Sete meses. Exatamente. Você é tão boa de memória quanto ele (pras coisas que você quer, óbvio). Você acha lindo que ele se lembra dos mínimos detalhes de tudo que você fala. Você acha lindo que ele está malhando e ficando fortinho. Você acha lindo que ele vem te beijar no começo da noite. Você acha lindo que ele te leva pra interagir com os amigos dele. Você acha lindo que ele te apresenta pras amigas barangas e te beija na frente delas. Você acha lindo que ele desfila pela festa de mãos dadas com você.

Vocês são realmente muito iguais. Vocês gostam das mesmas baladas. Vocês têm 500 amigos em comum. Vocês trabalham com pessoas que se relacionam. Suas vidas se cruzam o tempo todo. Lindo. Fora dizer que ele é um fofo com você. Ele se oferece pra ir com você ao hospital no dia que você está quase morrendo. Ele liga pra saber se você melhorou. Ele te abraça enquanto dorme. Ele faz carinho no seu cabelo no meio da festa. Ah, sem dizer também da química perfeita. Deve ser por isso, inclusive, que vocês não conseguem se encontrar sem se beijarem. Os corpos automaticamente colam um no outro. Você beija o cidadão e a temperatura do seu corpo sobe em cinco segundos. Lindo. Você é realmente igual a ele. Como ele chegou a essa conclusão só hoje???

Ele nunca foi santo e você sempre soube disso. Mas você confia nele. Você acredita que ele te respeita. No dia em que vocês discutiram, ele te disse, olhando nos seus olhos, que uma coisa ele sempre teria por você: respeito. E você acreditou. Por aquele instante e por todos os outros. Assim como você acreditou que ele ia dar uma volta na festa e voltaria pra encontrar com você novamente. Tudo bem. Você já acreditou em Papai Noel um dia e acreditar numa pessoa tão bacana não seria tarefa das mais difíceis (A Xuxa acredita em duendes!!!). E você, assim como nos outros sete meses passados, acreditou no cidadão.

Você dança. Você se diverte. Você não entende porque tanto tempo se passou e nada de ele aparecer. Você continua dançando. Mas seu sexto sentido é uma praga que não deveria existir. Você tenta ignorá-lo assim como tenta ignorar o fato de que tanto tempo se passou e nada do cidadão. Até que seu sexto sentido te leva e te coloca de cara com os fatos. E você duvida do que seus olhos estão vendo. Você acreditou tanto no cidadão que acha que seus olhos é que estão mentindo. E toda aquela cena era muito improvável mesmo. O cidadão beijando uma menina. A mesma menina pra quem ele te apresentou uma hora atrás e te deu um beijo na frente dela. Claro, se ele tivesse 16 ou 17 anos, você até acreditaria no que estava vendo. Mas não é esse o caso. Estamos falando de adultos aqui. E você pára diante da cena esperando o momento em que ele vai olhar pra frente e te ver. Espera essa que durou pouco mais de 10 segundos. E você, sem pensar meia vez, acerta a bolsa na cara dele com toda a força que seus 14 anos de academia lhe deram. E sai.

Ele não precisava explicar nada. Não tinha o que explicar. Estava ali. Diante dos seus olhos: os fatos. Como bom advogado, o cidadão deve saber: contra fatos, não há argumentos. Não mesmo. Sua amiga, sem entender nada, assiste à cena, perplexa. Assim como todo o resto da festa que conseguiu presenciar os três segundos de barraco. E, se aquela menina que ele estava beijando não tem um pingo de amor próprio e vergonha na cara, você tem de sobra. E você volta a se divertir (???) na festa, enquanto o novo casal desfila, de mãos dadas, embalados por música alta, muita bebida e comprimidos ilícitos.

Você deixa a festa de cabeça erguida. A cena da bolsa na cara não foi bonita, não. Mas foi infinitamente mais digna. Uma atitude muito mais homem do que a dele. Você sai de mãos limpas e consciência tranqüila. Porque você não enganou ninguém. A dor de levar uma bolsa de 10cm na cara passa em 10 segundos. A sua decepção, a sua mágoa e outros sentimentos que você não sabe nem o nome, vão durar ainda um bom tempo. Mas, depois de tomar esse soco no estômago, você consegue enxergar que vocês dois são, na verdade, muito diferentes. Você jamais teria uma atitude tão pequena como a dele. Você jamais machucaria alguém assim, DE GRAÇA, como ele fez com você. Você tem o mínimo de escrúpulos e de RESPEITO pelas pessoas. E você nunca precisou falar isso olhando nos olhos de ninguém. Certas coisas estão implícitas.

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P.S.: Gostaria de registrar aqui que sou totalmente contra barracos. Mas ainda pior que barraco é gente que faz papel de moleque quando você espera dele atitude de homem.

05 dezembro 2006

VOCÊ

Você virou parâmetro de comparação. Você virou o cara com quem eu comparo todos os outros. Com quem eu gostaria que todos se parecessem. Eu só olho pros outros caras procurando um cabelo tão lindo quanto o seu. Umas costas tão fortes quanto as suas. Um sorriso tão sincero nos olhos. Mas ninguém conseguiu essa façanha. Ninguém tem a sua boca fofa, a sua pele macia, o seu abraço quente. Ninguém é você e ninguém me basta tanto quanto você. Ninguém tem o seu jeito de me olhar. De falar meu nome. Ninguém tem esse cheiro. Ninguém me faz rir como você. Ninguém nunca me viu chorar com a alma tão aberta, com a cara tão pálida e o coração tão pequeno. Não consigo ser tão eu como quando estou com você. Você me conhece sem maquiagem, sem pudores, sem grana e até sem unha (lembra quando prendi o dedo no aparelho da academia e ela caiu?). Você conhece meu melhor e agüenta o meu pior. Você é tão eu que eu penso que é meu.

Depois de você, os outros são os outros e só. Eu cito Kid Abelha. Aprendo a dançar forró (aprendo a dançar qualquer coisa, na verdade). Eu viro morena. Eu passo a noite em claro. Você vale qualquer mudança de planos. Você merece que eu tire férias só pra dormir e acordar do seu lado. Pra te ter suado. Você me leva pra Lua, ida e volta em cinco segundos. Você me tira do ar, me deixa no chão. E você é essa pessoa do bem. Esse coração enorme. Pra quem eu nunca conseguiria mentir porque você lê meus pensamentos no fundo dos meus olhos.

Você é o que faz tudo valer a pena. Você compensa qualquer esforço. Você vale o risco. Você me apetece. Me desafia. Me faz ir atrás. Ir além. Ir mais longe e querer mais. Você me apaixona. Me arranca pedaços. Me deixa de boca aberta. De coração na mão. Você é o que me faz levantar da cama de manhã cedo. Você é que me faz precisar de mais 36 horas no meu dia. Você me devolve a vontade de viver quando eu penso que tudo acabou. Você me tira de casa de madrugada. Você faz meu coração bater mais forte. Você me faz querer viver pra sempre. Você é o que me move.

E agora eu quero patentear isso. Quero meus direitos autorais. Dá pra fazer várias cópias de você e espalhar pela cidade pra toda hora que eu precisar? Dá pra parar de mexer no seu computador pra eu ficar só te olhando? Dá pra ficar mais tempo me explicando qualquer coisa em que eu não vá prestar atenção porque sua boca se mexe tão suave que eu tenho vontade de mexer meu corpo inteiro junto com ela? Dá pra me olhar por mais um segundo (ou dois, se eu sobreviver ao primeiro)? Dá pra parar de ser tão tudo de bom pra eu conseguir achar graça em mais alguém? Dá pra ser só meu pra sempre?

Dá pra mandar eu parar de escrever sobre você porque eu to ficando muito clichê?

28 novembro 2006

À PROCURA DA BATIDA PERFEITA

Um fala que está viciado em você. Que não vai deixar você sair do MSN porque você é tudo de bom. O outro cidadão te chama pra ir com ele à festa mais badalada da cidade (e você não vai, claro). O outro pega seu telefone sem ao menos ter te beijado, te liga no dia seguinte e quer te ver no mesmo instante (e você também não vai, claro). E tem aquele loirinho, seu ex-ficante. Que agora cismou que você é a mulher da vida dele. Ele te liga insistentemente todo final de semana, te chama pra ir ao cinema, pra ir pra num sei onde... e adivinha? Não. Você não vai. E ainda tem aquele carioca bacanérrimo. O cara quer sair lá do Rio pra vir te ver. E você dá 500 desculpas, diz que não vai estar na cidade nos próximos meses e nem sabe quando volta. Ah, sem falar no francês que você conheceu no carnaval. Nove meses depois, ele ainda te manda e-mails, cisma que você tem que ir conhecer Paris e não vê a hora de voltar ao Brasil pra te ver. E liga pro seu celular, falando um inglês com sotaque carregado que você quase não entende muita coisa. Fora os dois paulistas. Fora seu vizinho gato (e casado). Fora aquele loiro aparentemente seu tipo que só te viu uma vez na vida, pegou seu telefone e agora acha que, por isso, você vai mudar com ele de BH. E fora o bombado da academia, aquele do cabelo espetadinho. O que está acontecendo com o mundo? Ou o problema é você? Por que, diante de inúmeras possibilidades, você não consegue simplesmente escolher? Tem alto. Baixo. Rico. Pobre. Loiro. Moreno. Sarado. Flácido. Tatuado. Careta. Médico. Advogado. Herdeiro (sim, herdeiro é a profissão dele!!!). Cabelo liso. Cabelo espetado. Caseiro. Da night. Da rave. Do sertanejo. Que mora no seu prédio. Que mora em outra cidade. Solteiro. Casado. Seu ex-ficante. Ex-namorado da sua amiga. Tem pra todos os gostos. Menos pro seu.

Será que é porque a gente se perde diante das possibilidades? Ou quanto maior a gama de opções, mais você quer escolher? Ou é só porque você resolveu ficar velha e exigente? Ou não, nada disso? Talvez essa não seja uma escolha tão objetiva assim. Talvez não dê pra montar seu modelo de cara ideal e apontar: é esse. E talvez você nunca vá conseguir reunir todas as características que você admira, num cara, em uma só pessoa. E talvez, mais importante ainda, talvez nada disso importe no final das contas. Você ainda não encontrou “o cara” porque simplesmente ainda não “bateu”. Porque a batida perfeita não deixaria você errar jamais. A batida perfeita é mais coração do que razão. É mais pele do que cabeça. É mais sentido do que entendimento. É viver mais e entender menos. É simplesmente ir sem se importar se é a melhor festa da cidade ou se a casa do cara é lá onde Judas perdeu as botas. É achar lindo aquela barriga mole. É achar lindo as coisas clichês que ele fala. É se tornar um pouco clichê também. A batida perfeita acontece quando você menos espera. Pode ser o amigo do amigo do amigo. Ou aquele cara que você conhece há 15 anos e nunca havia prestado atenção nele antes. Ou aquele cara que surgiu do nada numa festa e entrou na sua vida tão aos poucos que você nem percebeu. A batida perfeita simplesmente acontece. Sem que a gente tenha o mínimo controle sobre a gente mesma. Sem que a gente tenha que fazer qualquer tipo de escolha. E todo o resto? Bom, todo o resto serve pra fazer você dormir e acordar acreditando que você é realmente tudo de bom. Que você tem essa capacidade de deixar alguém viciado em você. Ou que você move o mundo e faz qualquer pessoa atravessar o oceano pra te ver. Ou que você possa realmente ser a mulher da vida de alguém. Todos esses outros são aqueles caras do bem que entraram na sua vida pra fazer você acreditar em você. Pra massagear o seu ego e fazer você acreditar que realmente pode escolher alguma coisa. Até o dia em que você não vai ter escolha. Vai acontecer e você vai saber na hora.

21 novembro 2006

O TUNTZ-TUNTZ E AS NOVAS POSSIBILIDADES

Dizem que mineiro é muito tradicional. Conservador. Pode ser isso. Pode ser por isso que você sempre teve esse medo do novo. De experimentar. De se abrir a novas possibilidades. Novas pessoas. Novos lugares. Novas experiências. Você sempre foi daquele tipo que prefere voltar a um lugar que já conhece do que conhecer um lugar novo e correr o risco de não gostar. Você tem medo de arriscar. De trocar aquilo que já conhece pelo que você ainda pode conhecer. Pois bem. A boa notícia é que isso mudou.

Em outros tempos, você jamais iria a uma Rave. Não, obrigada. Você não iria nem por todo dinheiro do mundo. Nem com todos seus amigos te chamando. Não adianta insistir. Você acha o lugar muito longe. A música muito tuntz. O povo muito louco. O horário muito alternativo. Sim, você acha tudo isso sem nunca ter ido. Até que, um belo dia (nem tão belo assim, estava chovendo sem parar e fazendo aquele friozinho chato), você pronuncia a jamais esperada frase “então vamos!”. Sim, aquela era você quebrando seu conceito “eu odeio rave”. Aquela era você pulando igual louca no meio da multidão. Aquela era você tomando vodca com energético. Aquela era você dançando em cima da caixa de som. Aquela era você se acabando e se divertindo horrores. Aquela era você que não queria ir embora nunca mais.

E essa é você agora. Sem medo de trocar o certo pelo duvidoso. Sem medo de conhecer coisas novas. Lugares novos. Pessoas novas. Aberta a novas possibilidades. A viver novas aventuras. Arriscando ser clichê (“novas aventuras” é muito clichê!). Arriscando mesmo que você erre e dê tudo errado. Jogando tudo pro alto. Ligando o “foda-se” no talo. Cortando vínculos antigos e estabelecendo outros novos. Apostando mais na novidade. Porque, de agora em diante, essa é você.

E daí se ele não for tão sarado quanto você gostaria que ele fosse? E daí se ele morar em outra cidade? E daí se ele for médico e trabalhar 24 horas por dia? E daí se ele for músico e tiver uma penca de mulheres enlouquecidas atrás dele? E daí se ele tiver o mesmo nome do seu ex-namorado? E daí se ele for amigo do seu irmão? E daí se ele não for tão descolado quanto você? E daí se ele viajar por mais tempo do que você agüentaria? E daí se ele tiver mais tatuagens do que você gostaria? E daí que você vai pagar o preço. Vai pagar pra ver. Chega de coisas previsíveis. Chega de ser tão tradicional. De querer tudo pronto, enlatado e com rótulo. Você vai viver a diferença. Ir a lugares que você não iria. Beber bebidas que você não beberia. Experimentar. Essa é a palavra de ordem. Trocar. Trocar tudo que já está morno na sua vida. Trocar pela possibilidade de gostar de outras coisas. Quem disse que não vai dar certo? Quem disse que você não vai gostar? Então, você vai lá. Meter a cara. Se jogar. Jogar desse jogo que você nunca jogou. E arriscar. Apostar suas fichas sem saber se vai ganhar ou perder. Porque só tem como você saber se vai dar certo - ou não - se você tentar. Porque você só começa a gostar de um lugar depois de conhecê-lo de perto. Porque você só pode gostar de alguém depois de conhecê-lo melhor.

E, agora, você não é mais mineira. Você é cidadã do mundo. Da rave, do sertanejo ou do funk. De BH, do Rio ou de São Paulo. Da zona norte ou da zona sul. Do loiro ou do moreno. Você parou de se definir pra não correr o risco de se limitar. Você é uma página em branco. Um novo começo a cada dia. Uma nova história que você ainda não escreveu. Um novo affair. Uma cama nova ou uma nova cidade (e porque não???). Você é isso. Novas possibilidades.

16 novembro 2006

SAUDADE SEM DESTINATÁRIO

Ando sentindo uma saudade descabida. Saudade descabida porque não está cabendo em mim mesmo. Não cabe em lugar algum. Transbordou. Saiu da borda. Uma saudade estranha. Uma saudade de ninguém. Uma saudade que não tem nome ou um endereço específico. Saudade de ligar pra alguém e chamar pra almoçar. Saudade de sair do trabalho seis horas da tarde e chamar pro cinema. Saudade de assistir televisão domingo à tarde debaixo do edredom. Saudade de ter com quem conversar no final do dia. E de ter alguém em quem pensar quando acordo. Saudade de poder falar que gosto (e também poder falar “não gostei”) sem precisar ensaiar antes. Saudade de sentir saudade de alguém.

Saudade do cheiro do meu perfume favorito em outra pele suada. Saudade de ouvir que eu sou linda (de manhã cedo com a cara amassada). Saudade de ficar em silêncio ouvindo a respiração. Saudade de viajar sem precisar dirigir. De cantar no carro e alguém me ouvir. Saudade de ouvir o CD de músicas favoritas que eu não gosto.

Saudade de acordar com flores e de receber presentes sem nenhuma data especial. Saudade de ter uns apelidos estranhos, que não têm nada a ver com o meu nome. Saudade de fazer as pazes e abraçar mais forte. Saudade de ser a número um e não apenas mais um número. Saudade de ser entendida sem precisar me explicar. De dizer o que eu quero sem precisar falar. Saudade de ser tão igual e fazer toda a diferença. Saudade de gostar dos mesmos lugares e de bebidas tão diferentes. Saudade do calor, do cheiro, do gosto. Saudade do toque, do beijo, do carinho. Saudade com remetente e sem destinatário. Saudade sem preço, sem endereço e sem data pra expirar. Saudade do que ainda me falta viver.

É... ninguém me falou que cama nova provocava efeitos colaterais. Ou talvez seja só a carência do domingo à tarde. Amanhã eu descubro.

07 novembro 2006

TEORIA DA INVOLUÇÃO AMOROSA


por Brena Braz e Deco Toledo

Porque é assim e não de outra forma.

Nenhum de nós precisou comer pedra e ir entalado para o hospital, para saber que pedra não se come. A gente simplesmente sabe. Porque lá trás, quando um cidadão iluminado criou esse mundo, algumas coisas foram determinadas... Entre elas, que pedra é para construir, não para comer. Da mesma forma, quando encostamos a mão numa panela quente, rapidamente retiramos, antes de nos queimar. É um reflexo. Um instinto de sobrevivência. Nosso cérebro age em frações de segundos. Não precisamos pensar antes de tirar a mão e nem derretê-la na danada da panela, simplesmente tiramos, automaticamente.

Mas nos contem aqui... Por que esse instinto de sobrevivência ou esse automatismo lógico não funciona com nosso coração? Por que nosso coração não sabe o que é bom ou ruim pra gente? Por que ele não fala com todas as letras “sai fora antes que você quebre a cara”? Por que ele não fala se é ele o primeiro a se dar mal?

Ao contrário do cérebro, nosso coração não evoluiu ao ponto de saber definir o que é e o que não é bom para nossa vida. Volta e meia estamos envolvidos em relações sem nexo, sem paixão, sem razão nenhuma de ser. Envolvidos num duelo entre o pensar e o sentir, entre o saber e o descobrir. Envolvidos com pessoas que “semi-portavam” um outdoor dizendo: Eu não sou para você! Nós não temos futuro! E nós cegos, ou melhor, insistentemente cegos, momentaneamente cegos e propositalmente cegos, vamos lá conferir e ver no que dá... Vamos lá pagar o preço, perder nosso tempo, nossos beijos e quebrar a cara mesmo sabendo que no fim, mais uma vez, não vai dar em nada.

Deus! Jesus! Santo Antônio Casamenteiro! De onde vem essa insistência? Essa mania de querermos algo que sabemos (de antemão) que não vai dar certo? Por que duas pessoas que têm essências, hábitos, desejos e sonhos tão contrários se envolvem?

Chamem de química. Paixão. Atração. Desejo. Seja lá o que for essa coisa louca, algo nos leva a insistir em relações com pessoas que não têm nada a ver com a gente. E que nunca dariam certo e que nunca dão, efetivamente. Você gosta de passar os finais de semana nas montanhas, curtindo a natureza, tomando sol nas cachoeiras e fazendo um rapel. Ela passa as tardes no shopping, falando ao celular como uma louca e torrando o cartão de crédito em coisas fúteis. Você é quase uma atleta, nunca fumou e gosta de música sertaneja. Ele curte música eletrônica, é playboy e acha que drogas ilícitas são o máximo. Enfim... Por que é que está tão na cara (dos dois) que não vai dar certo e queremos ver até onde vai? De onde o coração tirou que ele pode ser independente e seguir na direção contrária da razão (aquela, que nos avisa o tempo inteiro: sai daí)?

Será que, no futuro, estaremos evoluídos a ponto de nos atrairmos somente pela pessoa certa? A ponto de coração e razão entrarem em acordo. Ou estamos fadados a viver pra sempre dando cabeçada por aí e nos envolvendo com as pessoas erradas?

Acreditamos que os opostos não se atraem, mas insistimos em opostos, em contrários, em pessoas super-nada-a-ver. Insistimos e aprendemos. Talvez por isso existam tantas pessoas erradas... Aprendizado. Preparação. Porque quem não vive o errado, não valoriza o certo. Seria perfeito amar sem sofrer, ter sucesso e dinheiro sem trabalhar, seria – e seria fácil, sem graça, sem valor também. Essa mesma razão que nos leva pensar: Por que eu insisti? Por que eu caí nessa outra vez? Nos leva a concluir que a vida é assim... Que razão e emoção não costumam falar a mesma língua e que o amor é isso mesmo, meio loteria, meio destino, meio loucura. Não queira entender... Apenas sinta.


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Gente!!! Esse texto foi resultado de uma parceria perfeita com o Deco, do Trilhas da Vida.
E essa foto perfeita é uma fusão da foto dele com a minha! Além de escrever tão bem, Deco é essa fera no Photoshop e conseguiu me deixar linda assim. Anda, clica logo no link dele aí em cima pra ler os outros textos bacanérrimos que ele já escreveu.
Obrigada sempre pelo carinho, pelos comentários lindos, pelos emails fofos e por todo mundo que enche aquela comunidade de gente bacana! Vocês me matam do coração qualquer hora!
Beijos, amores.

31 outubro 2006

CAMA NOVA, LENÇÓIS BRANCOS E A VELHA COMPANHIA

Eu penso que estou ficando velha desde que eu tinha 19 anos de idade. Hoje, praticamente uma anciã, sinto sinais claros de envelhecimento. Não que meu espelho esteja acusando alguma coisa. Minha pele continua lisinha apesar de tanto sol e tanta bronca do meu dermatologista. Meu corpo está melhor hoje do que quando eu tinha 20 anos e um personal trainer. Meu cabelo finalmente passou do loiro-arregalado-paquita para um tom que combina mais comigo. A gente vai criando certas noções com o tempo. E, talvez, esses sejam os sinais mais evidentes de que estamos envelhecendo.

Depois de muitos carnavais, micaretas e shows de bandas que nunca fizeram a mínima diferença na minha vida, eu comecei a só beijar pessoas que vão fazer alguma diferença. Depois de me envolver com caras bacanas e caras idiotas, caras legais e caras chatos, caras sarados e caras flácidos, comecei a perceber que o cara certo não tem um rótulo. Ele simplesmente te quer. A idade, ou a maturidade, ou o envelhecimento... ou seja lá o que for, me fez perceber que é muito adolescente esse negócio de querer quem não quer a gente. Hoje, se o cara não me quer, sinto muito. Vá cantar em outro terreiro. Sei exatamente o que quero pra mim. E, definitivamente, quero alguém que me queira.

Mas o sintoma mais grave de envelhecimento está por vir: ando fazendo compras na M.Martan. Isso mesmo. Por dois domingos consecutivos, saí do shopping carregando sacolas que não cabiam no porta-malas do meu carro. Edredons, lençóis, travesseiros. Que pessoa da minha idade gasta tempo e dinheiro com coisas de casa se ela não vai se casar nem está mudando de apartamento? Sim, uma pessoa que se casou com ela mesma (e que também está em constante mudança). Uma pessoa que comprou uma cama gigante (gigante!!!) pra dormir sozinha. Que comprou lençóis brancos e um edredom de 2,80m pra esquentar ela mesma. Uma pessoa madura o suficiente pra gostar da sua própria companhia. Uma pessoa que não ocupa o espaço sobrando na sua cama com pessoas que sobram na sua vida. Uma pessoa que também não vai ser sobra na vida de ninguém. E, sim, essa pessoa sou eu.

Envelhecer tem seu preço. Você fica muito mais exigente. Você quer lençóis 100% algodão com num sei quantas centenas de fios (entendo tudo de lençol agora!). E você não importa de pagar mais caro por isso. Você quer um cara que seja 100% seu (continuo sem entender nada de homens!). E você vai pagar o preço que for pra isso. Você exige qualidade e durabilidade. Exige material de primeira linha. Você não compra mais roupa de cama que acaba na primeira lavada. Você não tolera relacionamentos que desbotam depois da primeira noite. Você não quer tecido que tenha nem 10% de poliéster. Não quer 15 caras te ligando se nenhum deles te interessa.

Ando nessa fase de lua-de-mel com a cama nova e comigo mesma. Curtindo minha própria companhia. Pintando as paredes do quarto. Jogando fora os lençóis velhos. Dando pros outros os relacionamentos antigos que eu não quero mais. Me reciclando. Amadurecendo. Tecendo meu casulo novo pra criar asas e virar borboleta. Passando por um processo de transformação pra crescer. E o melhor disso tudo? Esse é o tipo de casamento que dura pra sempre.