28 novembro 2006

À PROCURA DA BATIDA PERFEITA

Um fala que está viciado em você. Que não vai deixar você sair do MSN porque você é tudo de bom. O outro cidadão te chama pra ir com ele à festa mais badalada da cidade (e você não vai, claro). O outro pega seu telefone sem ao menos ter te beijado, te liga no dia seguinte e quer te ver no mesmo instante (e você também não vai, claro). E tem aquele loirinho, seu ex-ficante. Que agora cismou que você é a mulher da vida dele. Ele te liga insistentemente todo final de semana, te chama pra ir ao cinema, pra ir pra num sei onde... e adivinha? Não. Você não vai. E ainda tem aquele carioca bacanérrimo. O cara quer sair lá do Rio pra vir te ver. E você dá 500 desculpas, diz que não vai estar na cidade nos próximos meses e nem sabe quando volta. Ah, sem falar no francês que você conheceu no carnaval. Nove meses depois, ele ainda te manda e-mails, cisma que você tem que ir conhecer Paris e não vê a hora de voltar ao Brasil pra te ver. E liga pro seu celular, falando um inglês com sotaque carregado que você quase não entende muita coisa. Fora os dois paulistas. Fora seu vizinho gato (e casado). Fora aquele loiro aparentemente seu tipo que só te viu uma vez na vida, pegou seu telefone e agora acha que, por isso, você vai mudar com ele de BH. E fora o bombado da academia, aquele do cabelo espetadinho. O que está acontecendo com o mundo? Ou o problema é você? Por que, diante de inúmeras possibilidades, você não consegue simplesmente escolher? Tem alto. Baixo. Rico. Pobre. Loiro. Moreno. Sarado. Flácido. Tatuado. Careta. Médico. Advogado. Herdeiro (sim, herdeiro é a profissão dele!!!). Cabelo liso. Cabelo espetado. Caseiro. Da night. Da rave. Do sertanejo. Que mora no seu prédio. Que mora em outra cidade. Solteiro. Casado. Seu ex-ficante. Ex-namorado da sua amiga. Tem pra todos os gostos. Menos pro seu.

Será que é porque a gente se perde diante das possibilidades? Ou quanto maior a gama de opções, mais você quer escolher? Ou é só porque você resolveu ficar velha e exigente? Ou não, nada disso? Talvez essa não seja uma escolha tão objetiva assim. Talvez não dê pra montar seu modelo de cara ideal e apontar: é esse. E talvez você nunca vá conseguir reunir todas as características que você admira, num cara, em uma só pessoa. E talvez, mais importante ainda, talvez nada disso importe no final das contas. Você ainda não encontrou “o cara” porque simplesmente ainda não “bateu”. Porque a batida perfeita não deixaria você errar jamais. A batida perfeita é mais coração do que razão. É mais pele do que cabeça. É mais sentido do que entendimento. É viver mais e entender menos. É simplesmente ir sem se importar se é a melhor festa da cidade ou se a casa do cara é lá onde Judas perdeu as botas. É achar lindo aquela barriga mole. É achar lindo as coisas clichês que ele fala. É se tornar um pouco clichê também. A batida perfeita acontece quando você menos espera. Pode ser o amigo do amigo do amigo. Ou aquele cara que você conhece há 15 anos e nunca havia prestado atenção nele antes. Ou aquele cara que surgiu do nada numa festa e entrou na sua vida tão aos poucos que você nem percebeu. A batida perfeita simplesmente acontece. Sem que a gente tenha o mínimo controle sobre a gente mesma. Sem que a gente tenha que fazer qualquer tipo de escolha. E todo o resto? Bom, todo o resto serve pra fazer você dormir e acordar acreditando que você é realmente tudo de bom. Que você tem essa capacidade de deixar alguém viciado em você. Ou que você move o mundo e faz qualquer pessoa atravessar o oceano pra te ver. Ou que você possa realmente ser a mulher da vida de alguém. Todos esses outros são aqueles caras do bem que entraram na sua vida pra fazer você acreditar em você. Pra massagear o seu ego e fazer você acreditar que realmente pode escolher alguma coisa. Até o dia em que você não vai ter escolha. Vai acontecer e você vai saber na hora.

21 novembro 2006

O TUNTZ-TUNTZ E AS NOVAS POSSIBILIDADES

Dizem que mineiro é muito tradicional. Conservador. Pode ser isso. Pode ser por isso que você sempre teve esse medo do novo. De experimentar. De se abrir a novas possibilidades. Novas pessoas. Novos lugares. Novas experiências. Você sempre foi daquele tipo que prefere voltar a um lugar que já conhece do que conhecer um lugar novo e correr o risco de não gostar. Você tem medo de arriscar. De trocar aquilo que já conhece pelo que você ainda pode conhecer. Pois bem. A boa notícia é que isso mudou.

Em outros tempos, você jamais iria a uma Rave. Não, obrigada. Você não iria nem por todo dinheiro do mundo. Nem com todos seus amigos te chamando. Não adianta insistir. Você acha o lugar muito longe. A música muito tuntz. O povo muito louco. O horário muito alternativo. Sim, você acha tudo isso sem nunca ter ido. Até que, um belo dia (nem tão belo assim, estava chovendo sem parar e fazendo aquele friozinho chato), você pronuncia a jamais esperada frase “então vamos!”. Sim, aquela era você quebrando seu conceito “eu odeio rave”. Aquela era você pulando igual louca no meio da multidão. Aquela era você tomando vodca com energético. Aquela era você dançando em cima da caixa de som. Aquela era você se acabando e se divertindo horrores. Aquela era você que não queria ir embora nunca mais.

E essa é você agora. Sem medo de trocar o certo pelo duvidoso. Sem medo de conhecer coisas novas. Lugares novos. Pessoas novas. Aberta a novas possibilidades. A viver novas aventuras. Arriscando ser clichê (“novas aventuras” é muito clichê!). Arriscando mesmo que você erre e dê tudo errado. Jogando tudo pro alto. Ligando o “foda-se” no talo. Cortando vínculos antigos e estabelecendo outros novos. Apostando mais na novidade. Porque, de agora em diante, essa é você.

E daí se ele não for tão sarado quanto você gostaria que ele fosse? E daí se ele morar em outra cidade? E daí se ele for médico e trabalhar 24 horas por dia? E daí se ele for músico e tiver uma penca de mulheres enlouquecidas atrás dele? E daí se ele tiver o mesmo nome do seu ex-namorado? E daí se ele for amigo do seu irmão? E daí se ele não for tão descolado quanto você? E daí se ele viajar por mais tempo do que você agüentaria? E daí se ele tiver mais tatuagens do que você gostaria? E daí que você vai pagar o preço. Vai pagar pra ver. Chega de coisas previsíveis. Chega de ser tão tradicional. De querer tudo pronto, enlatado e com rótulo. Você vai viver a diferença. Ir a lugares que você não iria. Beber bebidas que você não beberia. Experimentar. Essa é a palavra de ordem. Trocar. Trocar tudo que já está morno na sua vida. Trocar pela possibilidade de gostar de outras coisas. Quem disse que não vai dar certo? Quem disse que você não vai gostar? Então, você vai lá. Meter a cara. Se jogar. Jogar desse jogo que você nunca jogou. E arriscar. Apostar suas fichas sem saber se vai ganhar ou perder. Porque só tem como você saber se vai dar certo - ou não - se você tentar. Porque você só começa a gostar de um lugar depois de conhecê-lo de perto. Porque você só pode gostar de alguém depois de conhecê-lo melhor.

E, agora, você não é mais mineira. Você é cidadã do mundo. Da rave, do sertanejo ou do funk. De BH, do Rio ou de São Paulo. Da zona norte ou da zona sul. Do loiro ou do moreno. Você parou de se definir pra não correr o risco de se limitar. Você é uma página em branco. Um novo começo a cada dia. Uma nova história que você ainda não escreveu. Um novo affair. Uma cama nova ou uma nova cidade (e porque não???). Você é isso. Novas possibilidades.

16 novembro 2006

SAUDADE SEM DESTINATÁRIO

Ando sentindo uma saudade descabida. Saudade descabida porque não está cabendo em mim mesmo. Não cabe em lugar algum. Transbordou. Saiu da borda. Uma saudade estranha. Uma saudade de ninguém. Uma saudade que não tem nome ou um endereço específico. Saudade de ligar pra alguém e chamar pra almoçar. Saudade de sair do trabalho seis horas da tarde e chamar pro cinema. Saudade de assistir televisão domingo à tarde debaixo do edredom. Saudade de ter com quem conversar no final do dia. E de ter alguém em quem pensar quando acordo. Saudade de poder falar que gosto (e também poder falar “não gostei”) sem precisar ensaiar antes. Saudade de sentir saudade de alguém.

Saudade do cheiro do meu perfume favorito em outra pele suada. Saudade de ouvir que eu sou linda (de manhã cedo com a cara amassada). Saudade de ficar em silêncio ouvindo a respiração. Saudade de viajar sem precisar dirigir. De cantar no carro e alguém me ouvir. Saudade de ouvir o CD de músicas favoritas que eu não gosto.

Saudade de acordar com flores e de receber presentes sem nenhuma data especial. Saudade de ter uns apelidos estranhos, que não têm nada a ver com o meu nome. Saudade de fazer as pazes e abraçar mais forte. Saudade de ser a número um e não apenas mais um número. Saudade de ser entendida sem precisar me explicar. De dizer o que eu quero sem precisar falar. Saudade de ser tão igual e fazer toda a diferença. Saudade de gostar dos mesmos lugares e de bebidas tão diferentes. Saudade do calor, do cheiro, do gosto. Saudade do toque, do beijo, do carinho. Saudade com remetente e sem destinatário. Saudade sem preço, sem endereço e sem data pra expirar. Saudade do que ainda me falta viver.

É... ninguém me falou que cama nova provocava efeitos colaterais. Ou talvez seja só a carência do domingo à tarde. Amanhã eu descubro.

07 novembro 2006

TEORIA DA INVOLUÇÃO AMOROSA


por Brena Braz e Deco Toledo

Porque é assim e não de outra forma.

Nenhum de nós precisou comer pedra e ir entalado para o hospital, para saber que pedra não se come. A gente simplesmente sabe. Porque lá trás, quando um cidadão iluminado criou esse mundo, algumas coisas foram determinadas... Entre elas, que pedra é para construir, não para comer. Da mesma forma, quando encostamos a mão numa panela quente, rapidamente retiramos, antes de nos queimar. É um reflexo. Um instinto de sobrevivência. Nosso cérebro age em frações de segundos. Não precisamos pensar antes de tirar a mão e nem derretê-la na danada da panela, simplesmente tiramos, automaticamente.

Mas nos contem aqui... Por que esse instinto de sobrevivência ou esse automatismo lógico não funciona com nosso coração? Por que nosso coração não sabe o que é bom ou ruim pra gente? Por que ele não fala com todas as letras “sai fora antes que você quebre a cara”? Por que ele não fala se é ele o primeiro a se dar mal?

Ao contrário do cérebro, nosso coração não evoluiu ao ponto de saber definir o que é e o que não é bom para nossa vida. Volta e meia estamos envolvidos em relações sem nexo, sem paixão, sem razão nenhuma de ser. Envolvidos num duelo entre o pensar e o sentir, entre o saber e o descobrir. Envolvidos com pessoas que “semi-portavam” um outdoor dizendo: Eu não sou para você! Nós não temos futuro! E nós cegos, ou melhor, insistentemente cegos, momentaneamente cegos e propositalmente cegos, vamos lá conferir e ver no que dá... Vamos lá pagar o preço, perder nosso tempo, nossos beijos e quebrar a cara mesmo sabendo que no fim, mais uma vez, não vai dar em nada.

Deus! Jesus! Santo Antônio Casamenteiro! De onde vem essa insistência? Essa mania de querermos algo que sabemos (de antemão) que não vai dar certo? Por que duas pessoas que têm essências, hábitos, desejos e sonhos tão contrários se envolvem?

Chamem de química. Paixão. Atração. Desejo. Seja lá o que for essa coisa louca, algo nos leva a insistir em relações com pessoas que não têm nada a ver com a gente. E que nunca dariam certo e que nunca dão, efetivamente. Você gosta de passar os finais de semana nas montanhas, curtindo a natureza, tomando sol nas cachoeiras e fazendo um rapel. Ela passa as tardes no shopping, falando ao celular como uma louca e torrando o cartão de crédito em coisas fúteis. Você é quase uma atleta, nunca fumou e gosta de música sertaneja. Ele curte música eletrônica, é playboy e acha que drogas ilícitas são o máximo. Enfim... Por que é que está tão na cara (dos dois) que não vai dar certo e queremos ver até onde vai? De onde o coração tirou que ele pode ser independente e seguir na direção contrária da razão (aquela, que nos avisa o tempo inteiro: sai daí)?

Será que, no futuro, estaremos evoluídos a ponto de nos atrairmos somente pela pessoa certa? A ponto de coração e razão entrarem em acordo. Ou estamos fadados a viver pra sempre dando cabeçada por aí e nos envolvendo com as pessoas erradas?

Acreditamos que os opostos não se atraem, mas insistimos em opostos, em contrários, em pessoas super-nada-a-ver. Insistimos e aprendemos. Talvez por isso existam tantas pessoas erradas... Aprendizado. Preparação. Porque quem não vive o errado, não valoriza o certo. Seria perfeito amar sem sofrer, ter sucesso e dinheiro sem trabalhar, seria – e seria fácil, sem graça, sem valor também. Essa mesma razão que nos leva pensar: Por que eu insisti? Por que eu caí nessa outra vez? Nos leva a concluir que a vida é assim... Que razão e emoção não costumam falar a mesma língua e que o amor é isso mesmo, meio loteria, meio destino, meio loucura. Não queira entender... Apenas sinta.


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Gente!!! Esse texto foi resultado de uma parceria perfeita com o Deco, do Trilhas da Vida.
E essa foto perfeita é uma fusão da foto dele com a minha! Além de escrever tão bem, Deco é essa fera no Photoshop e conseguiu me deixar linda assim. Anda, clica logo no link dele aí em cima pra ler os outros textos bacanérrimos que ele já escreveu.
Obrigada sempre pelo carinho, pelos comentários lindos, pelos emails fofos e por todo mundo que enche aquela comunidade de gente bacana! Vocês me matam do coração qualquer hora!
Beijos, amores.

31 outubro 2006

CAMA NOVA, LENÇÓIS BRANCOS E A VELHA COMPANHIA

Eu penso que estou ficando velha desde que eu tinha 19 anos de idade. Hoje, praticamente uma anciã, sinto sinais claros de envelhecimento. Não que meu espelho esteja acusando alguma coisa. Minha pele continua lisinha apesar de tanto sol e tanta bronca do meu dermatologista. Meu corpo está melhor hoje do que quando eu tinha 20 anos e um personal trainer. Meu cabelo finalmente passou do loiro-arregalado-paquita para um tom que combina mais comigo. A gente vai criando certas noções com o tempo. E, talvez, esses sejam os sinais mais evidentes de que estamos envelhecendo.

Depois de muitos carnavais, micaretas e shows de bandas que nunca fizeram a mínima diferença na minha vida, eu comecei a só beijar pessoas que vão fazer alguma diferença. Depois de me envolver com caras bacanas e caras idiotas, caras legais e caras chatos, caras sarados e caras flácidos, comecei a perceber que o cara certo não tem um rótulo. Ele simplesmente te quer. A idade, ou a maturidade, ou o envelhecimento... ou seja lá o que for, me fez perceber que é muito adolescente esse negócio de querer quem não quer a gente. Hoje, se o cara não me quer, sinto muito. Vá cantar em outro terreiro. Sei exatamente o que quero pra mim. E, definitivamente, quero alguém que me queira.

Mas o sintoma mais grave de envelhecimento está por vir: ando fazendo compras na M.Martan. Isso mesmo. Por dois domingos consecutivos, saí do shopping carregando sacolas que não cabiam no porta-malas do meu carro. Edredons, lençóis, travesseiros. Que pessoa da minha idade gasta tempo e dinheiro com coisas de casa se ela não vai se casar nem está mudando de apartamento? Sim, uma pessoa que se casou com ela mesma (e que também está em constante mudança). Uma pessoa que comprou uma cama gigante (gigante!!!) pra dormir sozinha. Que comprou lençóis brancos e um edredom de 2,80m pra esquentar ela mesma. Uma pessoa madura o suficiente pra gostar da sua própria companhia. Uma pessoa que não ocupa o espaço sobrando na sua cama com pessoas que sobram na sua vida. Uma pessoa que também não vai ser sobra na vida de ninguém. E, sim, essa pessoa sou eu.

Envelhecer tem seu preço. Você fica muito mais exigente. Você quer lençóis 100% algodão com num sei quantas centenas de fios (entendo tudo de lençol agora!). E você não importa de pagar mais caro por isso. Você quer um cara que seja 100% seu (continuo sem entender nada de homens!). E você vai pagar o preço que for pra isso. Você exige qualidade e durabilidade. Exige material de primeira linha. Você não compra mais roupa de cama que acaba na primeira lavada. Você não tolera relacionamentos que desbotam depois da primeira noite. Você não quer tecido que tenha nem 10% de poliéster. Não quer 15 caras te ligando se nenhum deles te interessa.

Ando nessa fase de lua-de-mel com a cama nova e comigo mesma. Curtindo minha própria companhia. Pintando as paredes do quarto. Jogando fora os lençóis velhos. Dando pros outros os relacionamentos antigos que eu não quero mais. Me reciclando. Amadurecendo. Tecendo meu casulo novo pra criar asas e virar borboleta. Passando por um processo de transformação pra crescer. E o melhor disso tudo? Esse é o tipo de casamento que dura pra sempre.

23 outubro 2006

A NOSSA LIBERDADE É O QUE NOS FAZ SEGUIR EM FRENTE

Dia desses, coloquei no messenger uma frase da Fernanda Mello que eu gosto muito: “A nossa liberdade é o que nos prende”. Não por nenhuma razão específica. Simplesmente porque acredito que a liberdade pode ser realmente a única coisa que prende duas pessoas que não têm a mínima intenção de se comprometer. Ficantes, como chamamos hoje. Mas, e aí? Se essas pessoas não têm intenção de se comprometer, quando e como vai ser o fim (daquilo que nem começou)?

Você sai de casa. Coloca um scarpin novo. Veste a roupa que mais combina com seu estado de espírito. Estampa na cara seu melhor sorriso. Sua melhor maquiagem. E vai pra melhor festa da cidade. E, toda festa, as mesmas músicas tocando. As mesmas caras te olhando. Os mesmos papos rolando. A mesma boca te beijando. Os mesmos braços te segurando. O mesmo cidadão te desejando. Mas isso, por enquanto, basta. A noite-sem-dia-seguinte tá valendo pra vocês.

Mas, e aí? Até onde vai? Até onde vocês dois podem ir, brincando de usar corpos na madrugada, sem se machucarem? E, se essa liberdade que vocês têm é tão grande assim, porque estão sempre um com o outro? Por que, toda vez que vocês se encontram, vocês colam um no outro? Cadê a porra da liberdade? E a hora que vocês estiverem na mesma festa e um de vocês se interessar por outra pessoa? Cadê, de novo, a porra da liberdade que vocês têm que faria você dizer “tudo bem”?

Não tem nada de “tudo bem”. Você fica tensa. Seu coração dispara. Sua boca seca. Você deseja sumir. Você deseja que o cidadão suma (da sua vida, claro). Você deseja nunca ter estado ali naquela noite. Você se pergunta porque foi mesmo que essa história começou. E quando era pra ter terminado. Só que você pulou essa parte. E por que foi mesmo que você pulou a parte em que você coloca um ponto final nessa história? Ah, é. Não é tão simples assim. Como se encerra um vínculo que não existe? Por que é tão difícil colocar um ponto final? Será que é porque a porra da liberdade prende vocês?

É assim mesmo que você fica. Irritada. Puta. Falando palavrão (cadê os bons modos que a dona Kátia ensinou?). Você se sente no direito de tirar satisfação com o cidadão que não é nada seu. Vocês discutem. Isso mesmo. Você discute com o cidadão que – insisto – não é nada seu. Muita intimidade pra vocês (ah, só uma observação: o conceito de intimidade, hoje, é um pouco diferente. Fazer sexo no elevador com câmera, tudo bem. Discutir sobre o que incomoda... não... muita intimidade). Então, cadê a PORRA da liberdade que faria você dizer “foda-se” nessa hora? Onde, caramba, estava a liberdade quando o cidadão cismou que viu você dar seu telefone pra outro cara e saiu emburrado? Que pseudo-liberdade é essa que te prende e te deixa tão solta? Onde, diabos, estava a merda da liberdade quando você mais precisou dela???

Você não sabe. Não quer saber. Não tem mais paciência pra ficar se perguntando. Pra ficar enchendo os textos de interrogações. Pra fazer seus leitores engolirem tantos palavrões. Os problemas assumem dimensões maiores do que deveriam ter. Se duas pessoas são livres, elas deveriam ser livres pra fazer o que bem entenderem sem se importarem uma com a outra. E por que não é assim? (Não espere uma resposta no final do texto porque eu também não sei). Por que você se importa tanto se, pra ele, tanto faz? Por que você quer alguém que só te quer quando convém? Por que tem tanta interrogação onde deveria ter um ponto de afirmação? Ou um ponto final. Ou um texto novo. Um texto com menos interrogações e mais exclamações. Uma poesia, quem sabe. E, por falar em poesia, não vou discordar de Fê Mello. Apenas coloquei uma nova frase no messenger: “A nossa liberdade é o que nos faz seguir em frente”.

P.S.: A gente fica tristinha, mas acorda no dia seguinte com uma bunda sem celulite e um cartão de crédito sem limite e tudo volta ao normal!

09 outubro 2006

A VIZINHA GOSTOSA DO PRÉDIO DA FRENTE

Da janela de seu apartamento, aquele cidadão observa todos os movimentos da vizinha do prédio da frente. Ele observa ela trocar de roupa. Lavar a varanda usando roupa de ginástica. Almoçar sozinha nos finais de semana. Passar a madrugada de calcinha na frente do computador. Assistir TV em alguns raros momentos. Conversar com seu passarinho. Tomar vinho. Receber os amigos. Ele sabe quando ela não está em casa. Sabe que horas ela chega do trabalho. Que horas sai pra academia. Sabe quando ela viaja. Sabe quando ela tem visita. Da janela do seu apartamento, ele acompanha tudo que acontece com aquela cidadã. E ela parece tão linda e loira. Tão meiga. Tão sexy. Ela parece uma menina que precisa de colo. E, ao mesmo tempo, uma mulher tão independente. E ela tem aquele cabelo dourado enorme. Aquela pele bronzeada. Aquele corpinho de passeio. Mas, ele nunca a viu de perto. Se um dia cruzar com ela na rua, é provável que não a reconheça. Porque, de perto, essa cidadã é muito diferente.

De perto, essa cidadã não é tão simples assim. De perto, ela é complicada. Mimada. Chata. Exigente. Temperamental. Egoísta. Vingativa. E, se ele a olhasse nos olhos, talvez ele nem achasse tanta graça nela assim. De perto, essa cidadã tem olheiras quando está cansada. Ela volta pra casa suada depois da academia. Ela fica com a raiz do cabelo por algum tempo sem retocar. Ela tem umas espinhas no rosto. Tem uma cicatriz perto do umbigo. Tem uma mancha no meio do peito. Ela inventa uma TPM pra justificar seu humor oscilante. Ela esquece de levar a roupa pra lavanderia. E ela odeia esquecer coisas. Ela odeia acordar cedo. Ela odeia que puxem seu saco. Odeia gente interesseira. E ela adora elogio. Adora um carinho sincero. Adora que a olhem nos olhos. Adora pessoas transparentes.

Se o tal cidadão conhecesse aquela vizinha, ele veria muito mais coisas do que ele vê de longe. Ele veria que, por trás daquela carinha feliz, se esconde uma menina. Insegura. Carente. Desconfiada. Vivida. Descrente. Que, por trás daquela cidadã bem resolvida, tem uma mulher que não sabe o que quer da vida. Que já teve seu coração dilacerado e agora procura os pedaços que sobraram por aí. Procura numa festa. Numa mesa de bar. Numa companhia agradável. Num telefonema no meio da tarde. Num convite pra passar a noite. Numa viagem de final de semana. Procura em lugares que ela não vai encontrar. Procura em lugares onde ela não vai encontrar nada além de pedaços soltos. Pedaços dela mesma que ela esqueceu de juntar. Pedaços de noites mal dormidas. De pessoas descartáveis. De festas com muito sorriso e pouca alegria. Com muita gente e pouco calor humano.

A vizinha que tira a roupa sem pudores e que não mostra a alma. Que adora mostrar o corpo mas não mostra o que vai lá dentro. Que adora quando elogiam sua barriga, mas que se desconcerta se elogiam seu caráter. Que conhece todas as quinhentas funções do seu telefone celular mas não consegue apertar um único botão e ligar pro cara de quem ela gosta. Que manda mensagens com fotos quando deveria mandar um convite pra sair. Mas isso, o tal vizinho não sabe. E, mesmo que eles morassem no mesmo prédio e freqüentassem a mesma piscina nos finais de semana, ele nunca saberia. Então, ele continua da janela do 901 observando a vizinha gostosa. Sem ter a mínima idéia do que se passa ou de quem ela é. E talvez ele nem queira saber. Pra ele, o que ele sabe é suficiente. Pra pessoas que não têm a mínima intenção de se envolver, é melhor que se olhem de longe mesmo. Assim, a vizinha continua linda e loira (e gostosa!) e ele continua sonhando com ela todas as noites.

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P.S.: Queridos, o vizinho do 901 é fruto da minha imaginação. E quanto à cidadã, ela manda avisar que fecha a cortina quando está de calcinha na frente do computador. Rsrs
Beijos e boa semana.

25 setembro 2006

HOMEM CERTO X HOMEM ERRADO


Sempre ouvi minhas amigas dizerem que, enquanto não acharem o homem certo, vão se divertir com os errados. Andei pensando sobre isso. A gente conhece os homens certos e pensa que são os errados, conhece os errados e pensa que são os certos. No fundo, no fundo, a gente nunca sabe. Já vivi casos dos mais malucos e, acredite, não é nada fácil saber quem é o homem certo e quem é o homem errado. Eu mesma ainda não sei. O que eu sei é que eu já tenho algumas pistas bem claras. E continuo errando.

O homem certo é aquele que quer te encontrar sábado à noite. Então, ele leva a melhor pizza da cidade pra sua casa. Leva vinho – e melhor: leva taças lindas – e fica com você (lindo e cheiroso) na sua casa. O homem errado quer ir pra melhor festa da cidade no sábado à noite. Com ou sem você. De preferência, sem. Agora, se ele te encontrar (por acaso) nessa festa, ele vai jurar, de pés juntos, que estava afim de te encontrar naquela noite. Vai ver não te ligou porque acabaram todos os telefones do mundo.

O homem certo telefona pra você e faz o convite: vamos fazer alguma coisa hoje à noite? Ele quer sua companhia. Liga pro seu celular às sete da noite pra garantir que você não vai arrumar nenhum programa melhor do que sair com ele. O homem errado te liga meia-noite e pergunta onde você tá. Claro, ele saiu e viu que a noite dele não ia dar em nada, então, resolveu te ligar. Muito provavelmente, você era o último número discado no celular dele. E, mais provável ainda: se você não atender, ele disca a próxima letra da agenda.

O homem certo te chama por apelidos carinhosos. Você é a Ju. A Renatinha. A Carol. Ou a Mi. O homem errado evita pronunciar seu nome em qualquer que seja a situação. Por razões óbvias: ele corre um sério risco de confundir seu nome com o de alguma outra baranga que ele pega. E, pra não confundir Brena com Bruna, ele evita pronunciar seu nome a menos que seja estritamente necessário. Quando quer falar com você, as frases começam com “ow”, “aqui” ou “véi”. Aff.

O homem certo quer te conhecer melhor. Pergunta sobre sua família, quer saber quantos irmãos tem. Quer saber dos seus valores. Do que você faz. Dos seus planos pro futuro. Dos seus objetivos na vida. O homem errado quer saber a cor da sua calcinha.

O homem certo diz que você está bonita com aquela calça nova. Elogia seu bronzeado e pergunta se você tem tomado sol. Repara em você. Repara se você está com uma carinha triste. Se está feliz. Se está passando mal-quase-morrendo no meio da festa. Pergunta se você melhorou, no dia seguinte. O homem errado nunca a elogia porque não repara em você. Só fala você é sarada (isso seu espelho já diz). Que você é gostosa. Gostosa o escambau!

E eu já não sei mais de nada. Se me divirto com os homens certos ou se insisto nos homens errados. E acabo procurando príncipes e beijando sapos. E beijando príncipes que viram sapos. E preferia não saber de nada disso pra continuar me divertindo e dando risada. Ainda que de mim mesma. Ainda que dos meus tropeços. Das minhas mancadas. Das escolhas erradas. E até dos homens errados. Queria rir disso tudo. Mas simplesmente não consigo. Não consigo fingir que não é comigo. Porque sou eu que me ferro por achar que o homem errado é o homem certo. Ou por dispensar o homem certo achando que era errado. Ou por fazer tudo errado. Sou eu que analiso, o tempo inteiro, as situações. As atitudes. Os mínimos detalhes que passariam despercebidos. Tentando fazer com que o homem errado pareça o homem certo. Tentando justificar, pra mim mesma, porque é que eu perco tanto tempo com aquele cidadão que não merece um minuto. Tentando achar defeitos no outro cidadão que merece a vida inteira. Tentando estabelecer rótulos do que é certo ou o que é errado ao invés de simplesmente viver sem tentar entender. Sabe de uma coisa? Vou me divertir sozinha mesmo enquanto não me encontro.


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Pessoal, continuo insistindo para que briguem comigo se esqueci de linkar alguém, ok?!
P.S.: Devo me ausentar por algum tempo devido a uma distensão muscular nas costas que me impede de ficar muito tempo na frente do computador. Descobri que tenho um músculo chamado rombóide que resolveu se revoltar contra mim. Por favor, me adulem enquanto isso... rs. Comentem. Comentem. Comentem!
Beijos.

18 setembro 2006

O HOMEM SEU TIPO

Lá estava você. Sentada na beirada do sofá daquele lugar badalado na cidade. Você e seu drink favorito da noite. E eis que surge aquele cidadão do nada absoluto. Com uma abordagem um tanto quando manjada “Você está sozinha aqui? Cadê suas amigas?”. Você não repara muito no cidadão mas, à primeira vista, ele é o oposto do seu tipo ideal de homem. Você gosta de loiros, altos e de olhos claros. Mas você é uma cidadã da maior finesse e não vai destratar o cidadão. Então, vocês começam um papo típico de pessoas que se conhecem na noite. O velho e bom “como é seu nome”, “o que você faz da vida”, “onde você mora” e por aí vai.

Em poucos minutos, você conclui que uma conversa interessante vale muito mais do que um rostinho bonito. Do que um bíceps de 40cm de diâmetro. Do que um cabelo loiro ou uma pele bronzeada. E, mais do que isso. Em cinco minutos de conversa, você descobre que o cara conhece seu chefe. Adivinhou seu sobrenome quando você disse a cidade onde mora sua família. Coincidência??? Deixa pra lá (você mora numa cidade com dois milhões e meio de habitantes e deve ser normal que essas coincidências aconteçam mesmo). Mais alguns poucos minutos e o cidadão passa da condição de homem-nada-seu-tipo para homem-que-você-beijaria.

Pois bem. Você acaba beijando o cidadão e descobrindo que uma química sem noção acomete também as pessoas que não são o tipo umas das outras. Você achava mesmo que só se atraia pelo estilo Brad Pitt e por aquele saradíssimo bronzeado da academia. Você nunca pensou que pudesse se atrair pelo playboy frenético da música eletrônica. Ledo engano. Mas, lá estava você. Encostada na parede da boate como nos tempos de adolescente. Segurando aquele cabelo macio. Beijando uma boca nova e quebrando conceitos antigos. Derrubando vodka com energético no seu Schutz novinho e morrendo de rir da situação. Perdendo o fôlego e tentando controlar a respiração. Quebrando as regras. Quebrando seus próprios limites. Deixando seus instintos te guiarem.

Até onde vai? Você não faz a mínima idéia. A única coisa que você sabe agora é que você não sai mais por aí procurando homens seu tipo. Procurando homens com um rótulo específico. Comprando o produto pela embalagem. Agora, e daqui pra frente, você lê a bula. Você checa se os compostos químicos são compatíveis. Você pula a parte que fala dos efeitos colaterais (isso você acaba descobrindo mais cedo ou mais tarde!). E, claro, evita a superdosagem. A superdosagem mata qualquer um.

O conceito do homem seu tipo, agora, está completamente reformulado. O homem seu tipo tem um papo legal. Ele lembra coisas que você disse na segunda vez que saíram que nem você lembrava de ter dito. Ele ri das coisas idiotas que você fala. Ele fala coisas mais idiotas que você. Ele ouve você cantar, pela décima vez, aquela música baranga que você adora. Pior: ouve você cantar e dança junto no meio da rua. O homem seu tipo entende um conceito de pontuação louco e imaginário que você criou, na sua cabeça, para avaliar a atitude das pessoas positiva ou negativamente. Ele dorme infinito. O novo homem seu tipo não pode ser encontrado em festivais de Pop-rock, Axés e Micaretas, pois ele, dificilmente, poderá ser reconhecido à distância. Mas, não se preocupe se não o identificar logo de cara. Você, certamente, irá reconhecê-lo assim que ele abrir a boca. E, o mais importante: o homem que não te quer, definitivamente, não é seu tipo.


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Gente, finalmente linkei as pessoas que me linkam e que me visitam com freqüência. Se esqueci de alguém, por favor, briguem comigo!
E, por favor, não matem a blogueira aqui de curiosidade. Quando comentarem, deixem algum meio de contato (um e-mail se você não tem blog)! E não deixem de comentar! Amo amo amo infinito ler os comentários.
Beijos e boa semana.

05 setembro 2006

DAS COISAS QUE A GENTE NÃO DISSE

Não tenho porque esconder. Ontem, na frente dessa tela de computador idiota, eu chorei por sua causa. E não foi a primeira vez, você sabe disso. Mas talvez tenha sido a última. Chorei porque, finalmente, tive a coragem de te dizer que eu te amei. Chorei porque você me disse que também me amou. Chorei porque essa história seria linda se fosse uma novela mexicana. Mas é a vida real. E, na vida real, é tarde demais pra deixar o “te amo” pro último capítulo.

Hoje, a história é bem outra. Meu coração já não dispara mais quando te vejo. Você é quase uma pessoa como outra qualquer pra mim. Quase. No fundo, bem lá no fundo, sei que você não é simplesmente um transeunte qualquer quando cruza meu caminho. Sei que você fez a diferença na minha história. E foi você quem me fez perder o medo de me jogar, de me atirar, de mergulhar de cabeça. Você que fez eu ter vontade de abraçar o mundo. De sair sem direção. De dizer o que eu penso mesmo que as pessoas não gostem. De dizer o que eu sinto mesmo que as pessoas se assustem. De não ter medo de me expor. De ser transparente. De ser eu mesma. Ainda que esse “eu mesma” seja tola. Seja ingênua. Seja criança. Seja desavisada. Seja apressada. Seja afobada. Seja histérica. Seja ansiosa. Seja imediatista. Ainda que esse “eu mesma” precise de alguém, às vezes, pra parar de ser isso tudo.

Foi com você que eu aprendi que amar vale à pena, mesmo que dê tudo errado no final. Aprendi que, quando a gente está do lado de quem a gente gosta, basta estar ali, na companhia certa. Mesmo que ela não diga nada. Que ela não te toque. Que ela não te beije. Quando a gente está com aquela pessoa, só isso basta. Só estar ali. Junto. Basta o olhar. O cheiro. O silencio. O calor do corpo. O pensamento que está exatamente ali, naquele instante.

Eu me lembro como se fosse ontem. Eu, apaixonada por você. Você, o mais galinha da turma. Eu pensei que eu era só mais uma. Você me disse que eu tinha prioridade. Eu ri da sua cara. Você me pediu em namoro. Eu disse não. Você ficou sem entender nada. Eu chorei a noite inteira. Você procurou um novo amor. Eu vi que tinha te perdido. Você se encontrou em novos braços. Eu fui atrás. Você disse que já tinha outra. Eu novamente chorei. Você começou a distrair seus sentimentos. E eu a me morder por te ver com sua nova namorada.

E a gente nunca mais se encontrou. Não pra falarmos de nós dois. Não pra sentarmos na porta da sua casa e você ficar me olhando daquele jeito que eu gostava. Nunca mais eu passei na sua casa enquanto você lavava seu carro. Nunca mais parei meu carro lá nas tardes de sábado sem nada pra fazer. Nunca mais você pôde implicar comigo por eu usar óculos maiores que eu. Nunca mais nos encontramos sem que eu ou você estivéssemos namorando. O destino (ou sei lá o quê) separou a gente pra sempre, sem que a gente percebesse.

Agora, seis anos depois, você vem me dizer que me amou de verdade. Só que a nossa hora passou. Ou a gente deixou passar. Hoje, aí está você, feliz (???) com sua namorada. Eu? Amei um ou outro cara. Me distraí com alguns. Mas aprendi a não deixar nada mais passar. Se a gente vai ficar junto novamente um dia? Não sei. O que sei é que o nosso tempo passou. E, quer saber? To chorando de novo depois de ter escrito tudo isso. Mas é um choro do bem. Um choro de alguém que aprendeu demais com você. Um choro de alguém madura o suficiente pra falar as coisas certas. Na hora certa. Pras pessoas certas. Ou pra falar as coisas erradas. Na hora errada. Pras pessoas erradas. Mas alguém madura pra simplesmente fazer o que está com vontade. Porque, daqui a seis anos, ou, quem sabe, 60, eu não quero lamentar ter perdido alguém por simplesmente não ter dito o que eu sentia.

23 agosto 2006

VOU TE DAR UM CONSELHO


A gente tem uma mania estranha. Todo mundo tem. A mania de pedir e de dar conselhos. E lá alguém é capacitado pra dar conselho pra vida de alguém? Como se fosse um mestre espiritual. Um Dalai Lama. Quiçá fosse. Nem assim. Nem assim estamos aptos a dar conselhos pra vida de quem quer que seja. Ainda que pro bem da pessoa que recebe o tão “estimado” conselho.

Tenho pensado muito nisso ultimamente. Especialmente porque estou tentando me adaptar à nova vida que escolhi pra mim. E essa nova vida se chama: minha vida é um livro fechado. Com cadeado. E protegido por senha alfa e código de segurança máxima. Não está sendo fácil. Até mesmo porque sempre fui muito transparente. Mas, agora, parei de contar minha vida e pedir conselhos. Não me interessam mais. Da minha vida, sei eu. Porque, se no final, der tudo errado, quem tem que arcar com o estrago sou eu mesma.

As pessoas pensam que conhecem as outras. Mas, na verdade, o que elas fazem, a todo tempo, é julgar umas às outras. Ainda que inconscientemente. O fato é que estamos 24 horas sob julgamento alheio. Seja dos nossos amigos, dos nossos colegas de trabalho, dos nossos ficantes, da nossa família, da atendente da padaria ao lado. As pessoas nos julgam o tempo todo. Nos julgam pela marca da roupa que nós vestimos. Pelo carro que a gente dirige. Pelo tom da voz que a gente fala ao telefone. Pelo modelo do aparelho de celular que carregamos na bolsa. Pela bolsa. Pela empresa onde trabalhamos. Pelo cargo que ocupamos. Pelo nosso corpo. Pela cor da nossa pele. Pelo nosso sexo. Pela nossa idade. E por uma outra infinidade de coisas que não significam nada no final das contas.

Eu mesma conheço muita gente que anda de carro do ano (pago em sei lá quantas milhares de prestações) e mal tem dinheiro pra pagar as contas no final do mês. Conheço gente que ganha salário mínimo e usa calça Diesel. Conheço gente que tem o celular mais caro do mercado e não tem dinheiro pra manter uma linha telefônica. Conheço gente que fala manso e é pilantra. Conheço gente que fala alto e é um doce. Conheço gente nova que já viveu pra vida inteira. Conheço gente velha que ainda tem muito o que viver. Conheço mulheres que trabalham feito homens. E homens que não encaram uma barata no chão da cozinha (conheço inclusive homens que não encaram nada, mas isso é uma outra história). Portanto, vamos viver mais e julgar menos. Viver mais a nossa vida e nos preocupar menos com a dos outros. Vamos parar de colocar rótulo em tudo. De comprar o produto pela embalagem. De achar que sabemos de antemão quem é a pessoa com quem estamos tratando. Nunca sabemos. Nem nunca saberemos.

Então, por favor: não me dê conselhos. Tudo que você conhece de mim é a embalagem. Você não sabe o que vai aqui dentro. Não sabe o que eu já vivi. E, mesmo que eu te contasse, você nunca saberia, porque nunca sentiu por mim. Você não sabe o quanto eu gosto (ou não) daquele cara que você acha idiota. Então, não venha me dizer que ele não presta. Quem tem que saber disso sou eu. Quem sabe o tanto que é bom quando eu estou com ele sou eu. Não venha me dizer que fulano ou beltrano são os caras ideais pra mim. Porque, por incrível que possa parecer, eu não acho a mínima graça neles. Não venha me dizer se eu devo trabalhar mais ou trabalhar menos. Gastar mais ou gastar menos. Beber mais ou beber menos. Sair mais ou sair menos. Comer mais ou comer menos. Comer carne ou não. Comer comida japonesa ou não. Ir pra festa X ou Y. Não me julgue pelo que eu faço, pelos lugares que eu freqüento ou pelas pessoas com quem eu me relaciono. Antes de me telefonar pra dar conselhos sobre quem “presta” ou “não presta” pra mim, preste mais atenção na sua própria vida. Se quer um conselho, não vou te dar. Acho que você deveria fazer o mesmo. Apenas acho.


“Conselho é aquilo que pedimos quando já sabemos a resposta, mas gostaríamos que não fosse aquela.”

16 agosto 2006

MOCINHO X BANDIDO

Um faz o tipo bom moço. Tem cara de anjo. E aquele cabelo. Ah, aquele cabelo! Ele desperta seu lado mais romântico. É uma mistura de príncipe William com Leonardo DiCaprio em Titanic. Esse é o mocinho da vez. O outro faz o tipo cafajeste. Tem cara de mau. E aqueles braços. Putz, aqueles braços! Ele é só desejo. Puro sex appeal. Faz você se sentir a Sharon Stone em carne e osso. Esse é o bandido.

O mocinho te chama de linda. Elogia seu sorriso. Convida você pra tomar vinho. O bandido nem precisa te chamar. Ele olha pro seu lado e você se rende. Ele passa a mão no cabelo e você passa mal. Ele convida você pra dormir na casa dele e você já se entregou.

E o bom moço tem aquela boca macia. Aquela pele de edredom. Aquelas mãos suaves quando seguram seu rosto. Aqueles olhos verdes mais doces do mundo. O outro tem pegada. Tem as mãos firmes. Tem aqueles braços fortes te segurando pela cintura. E aquele olhar. Putaquepariu, aquele olhar!

E entre um e outro, tem você. Que quer namorar e quer estar solteira. Que quer o bom moço e quer aquele que te puxa pelo cabelo. Que quer tomar vinho com um e quer dormir na casa do outro. Que quer um te mandando mensagens lindas à tarde e quer o outro te ligando à noite. Que quer alguém pro resto da vida e quer alguém que vá embora de manhã cedo. Entre o bom moço e aquele outro que não vale nada, tem você que não sabe de nada. Que se pergunta o tempo todo o que é mesmo que você quer pra sua vida.

O bom moço te leva pro cinema domingo à noite. Vai com você sábado à tarde fazer compras no shopping lotado. E não reclama. Está sempre de bom humor. Tem sempre uma solução pros seus problemas mais sem importância (mas que, pra você, são os maiores do mundo). O outro nunca tem tempo pra você. Nem sempre está de bom humor, muito menos disponível. E se você tem um problema, qualquer que seja, o problema realmente é seu.

Na verdade, seu único problema é querer resolver a briga entre a razão e o coração. Querer que os dois lados se entendam a qualquer custo. Só que isso não vai acontecer. A razão escolhe um e o coração escolhe outro. E você fica no meio desse fogo cruzado. Mandaram você pra guerra sem armas. Sem munição. Sem sequer uma armadura decente pra você se defender. E agora, dá-lhe tiros de todos os lados. Sua cabeça está prestes a explodir. E seu mundo, a cair bem a seus pés. Em pedaços estilhaçados.

Mas, quando você optar por uma coisa, vai ter que abrir mão de outra. E você não quer abrir mão de coisa alguma. Você quer tudo de uma vez. É egoísta. Ciumenta. Possessiva. Mimada. Não aceita “não” como resposta. Pensa que o mundo deveria ser do jeito que você gostaria. Pensa que pode ter o mundo na sua mão. Só que, uma hora, você vai ter que fazer a escolha, já que esse negócio de ficar em cima do muro nunca foi a sua praia mesmo. Mas você sabe que seguir a razão não tem a mínima graça. E seguir o coração é se meter em grandes enrascadas (quase sempre). Então, você continua dividida entre o que você quer e o que é melhor pra você. Entre aquele que você quer e aquele que quer você. Entre jogar e se jogar. Entre o mocinho e o bandido. Entre uma balada e outra. Entre uma e outra cantada barata na noite. Entre uma caipi-fruta e um vinho barato. Entre uma e outra carinha bonita interessada em você. Entre dois passarinhos voando e uma mão vazia.

09 agosto 2006

TIMING

Era janeiro e tudo que você queria era curtir uma praia e um amor de verão. Você só não imaginava que tudo fosse acontecer tão rápido, tão intenso e tão perfeito. Vocês se encontraram na estrada. Você nunca acreditou no acaso. Ele conseguiu seu celular no dia seguinte. Você aceitou o convite pra sair. Ele disse que queria te roubar pra ele. Você pediu que o mundo parasse pra você descer.

E, no dia seguinte, mal você tinha acordado, lá estava ele tocando o interfone. “Vamos pra praia comigo?” Um fofo. Lindo e loiro. Loiro e sarado. Sarado e fofo. Com aquele coração de atleta. Aquele coração que fazia tum tum enquanto o seu fazia tum tum tum tum tum. E aquelas coxas de jogador de futebol. Pelamordedeus, aquelas coxas de jogador de futebol! E aquele jeito fofo de te olhar. De te abraçar. De rir de você quando você começava a dançar sozinha. Aquelas manhãs na areia da praia. Aquelas tardes no cinema. Aquelas noites.

E ele corria um sério risco cada vez que ele abria a boca pra falar alguma coisa. Porque, a qualquer momento, você poderia responder “sim, aceito.” Foi tudo tão perfeito. Tudo tão intenso. Tudo tão rápido. Tão rápido quanto o fim do verão. Acabou o verão e vocês voltaram à vida normal. Voltaram pra cidade onde moram. E, por coincidência (ham???), vocês moram na mesma cidade. E você esperou que ele te ligasse. Esperou um dia. Esperou uma semana. Esperou um mês. E você cansou de esperar. E nunca mais teve notícias dele. Você foi viver sua vida. Saiu. Conheceu gente nova. Conheceu alguns caras bacanas. Conheceu alguns caras chatos. Conheceu vários idiotas. Você se apaixonou novamente. Você se desapaixonou. Você viveu. E o mundo parou várias vezes pra você descer.

Então, sete meses depois (sete meses!), toca o telefone da sua casa (da sua casa!!!). Você reconhece aquela voz, mas prefere não acreditar nos seus ouvidos. “Alô, quem fala?” Seus ouvidos não mentem e seu sexto sentido muito menos. Uma hora ou outra, isso ia acabar acontecendo. Um pouco sem entender nada, um pouco desconcertada, você recusa um convite pra sair sexta-feira à noite. Sim, você inventa uma desculpa e prefere ficar em casa sexta-feira à noite.

Como assim??? Como assim que, um dia, você ficou arrasada em casa porque aquele lindo-tudo-de-bom tinha sumido e, no outro, você recusa o convite pra sair com ele??? Mas ele tem essa mania de ser fofo mesmo. Então, sábado, seis horas da tarde, seu telefone toca novamente. Adivinha?! “Hoje, não vou sair. Estou passando mal. Morrendo de dor de garganta”. Dor de garganta onde, Senhor Jesus??? Era tão mais justo você falar que não estava afim de sair com ele mais. Tão mais simples do que pensar numa desculpa esfarrapada e ainda ter que ouvir um “tudo bem... te ligo no meio da semana pra gente combinar alguma coisa.”

Ele continua lindo. Fofo. Loiro. Sarado. Bem nascido. Bem criado. Bem educado. Continua com aqueles olhos azuis. Com aquela voz fofa. Com aquela risada gostosa. Com aquele jeito de falar seu nome que te desmancha na cadeira. Nada mudou. A não ser pelo tempo que passou. Estranho como o tempo muda tudo. Muda nossa percepção das coisas. Estranho o que o tempo faz com a gente. E ainda bem que você guardou o “sim, aceito” pra uma outra ocasião. Porque, hoje, simplesmente, passou. Vocês perderam o momento certo. Você viveu o que tinha pra viver até a última gota. Você esticou a corda até o limite. Você sempre teve essa mania de tentar agarrar tudo com unhas e dentes, mas, quando solta, solta mesmo.

Hoje, sete meses depois, você prefere que ele não te ligue pra não ter que pensar em uma boa desculpa pra recusar o convite. E ele continua tendo todas aquelas qualidades que faziam você babar por ele. Só que, hoje, você não baba mais. Hoje, seu coração não dispara mais quando ele te liga. Hoje, você não quer mais que o mundo pare pra você descer. Você quer é abraçar o mundo por ele ser redondo desse jeito. Mundo redondo. E, hoje, é você que pára e agradece o mundo por ele ser redondo e dar voltas.


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Obrigada por serem tão fofos comigo. Por deixarem comentários lindos. Por me mandarem e-mails lindos. Sou boba mesmo e fico rindo sozinha na frente do computador com cada nome novo que aparece aqui no blog!
Aninha, "esticou a corda" foi em sua homenagem, fofis! E, só pra constar: a corda arrebentou!
Beijos

02 agosto 2006

PERSONAGEM DA VIDA REAL


Você é solteira. Você mora sozinha. Você é divertida. Você tem um papo legal. Você é inteligente. Você é geração saúde. Você não curte drogas. Você é bem nascida. Você é bronzeada. Você tem a barriga que pediu a Deus. Mas você pensa que tudo isso não basta. Então, você cria personagens pra si mesma. Inventou uma super-mulher que não existe. Inventou uma armadura invisível pra se defender de alguma coisa que nem você sabe muito bem o que é. Você tem medo de se envolver com as pessoas erradas e acaba se envolvendo com as pessoas que não se envolvem também.

E, pra cada história, um personagem. Pra sua família, você é a perfeitinha. A melhor aluna na época de colégio. A filha exemplar. A garota mimada que nunca se envolveu com coisa errada. Pros seus amigos, você é a louca. Você está sempre pronta pra ajudar. Você resgata sua amiga de uma enrascada às 3h da manhã, bêbada. Você atende o celular no meio da noite quando sua outra amiga te liga em prantos. E você sai de onde está porque alguém precisa da sua ajuda. Você é sempre sorrisos. Sempre aquela pessoa alegre que fala bobagem e diverte as outras.

E, pro seu ficante, você criou uma mistura de Sharon Stone com Madonna. A mulher fatal. Moderna. Sexy. Desinibida. Que desenvolveu uma espécie de "corpo-delivery". Ele liga e você vai. No strings attached. E você sai com ele da festa às 5h da manhã. Você é a incansável. A que volta pra casa sozinha às 9h30 da manhã. Que faz cara de paisagem quando ele diz que adorou a noite e responde um “também” quase mudo. Como se não se importasse. Você elogia o cabelo dele quando, na verdade, gostaria de dizer “cara, você é bacana”. Você pede pra ele te levar embora quando simplesmente poderia pedir “me abraça”. Você desestimula qualquer manifestação de sentimento do cidadão. Faz isso desde a primeira vez que vocês saíram. E, agora, está presa ao personagem que criou pra si mesma.

Você é exatamente o que as pessoas esperam de você. Você fala o que elas querem ouvir. Você faz o que elas esperam que você faça. Você se comporta da forma que elas esperam que você se comporte. Você cansou de dar a cara pra bater e resolveu brincar de ser outra pessoa. De encarar um novo papel a cada nova situação. Você analisa a pessoa, descobre o que ela espera de você e puf! Você se transforma exatamente naquilo.

E, numa bela manhã, a ficha caiu. Seu mundo caiu. Você descobre que voltar pra casa, morta, às 9h30 da manhã, não é exatamente o que você queria estar fazendo naquele momento. De novo aquela sensação de estar fazendo tudo errado. Você até seguiu seu coração. Dispensou dois ex-ficantes na noite pra ficar com o cara que você queria. Fez exatamente como queria ter feito. Então, de repente, a Sharon-Madonna entra em ação e põe tudo a perder. Você veste o personagem e é como se você fosse só aquilo. Um corpo. Um sorriso mal intencionado. A noite se torna tão previsível que você já sabe onde vai acabar. Você montou toda a cena, apesar de não ter o mínimo controle da situação.

Talvez, então, seja a hora de deixar cair a máscara. De pedir licença ao público pra ser você mesma. De se permitir errar quando tenta acertar. De mostrar pros seus amigos que, às vezes, é você quem precisa de ajuda no meio da madrugada. Que você não é só sorrisos, tem hora que você chora. Que você gosta de colo também. Que você gosta quando as pessoas são fofas com você e não só quando elas te pegam de jeito. Que você não é esse furacão 24 horas por dia. Que você dorme sexy e acorda um lixo. Que você odeia se sentir só mais uma. Que você, às vezes, se sente um corpo por ir embora de manhã cedo. Que você pode ser a perfeitinha, a louca, a Sharon, a Madonna, a Britney e até a Madre Tereza de Calcutá, mas ainda assim, você continua sendo você. Imperfeita. Única. Cheia de qualidades e defeitos só seus. De saco cheio das pessoas comprarem seus personagens. De saco cheio de acreditar nos próprios personagens que criou pra si. E cheia de vontade de jogar tudo pro alto.

26 julho 2006

Não ter um namorado na sua vida pode significar muita coisa. No meu caso, significa que, além de uma cidadã mais livre, sou uma cidadã privilegiada por ter amigos maravilhosos. Amigos que me deram a mão nas horas que mais precisei. Que me tiraram de casa (muitas vezes à força) e me levaram pra rua quando eu acreditei que fosse o fim. Que me jogaram de volta no mundo quando eu pensei que meu mundo fosse acabar.

Mas tenho um amigo que é a praga mór da minha vida: The Rennis (o nome dele é Gustavo, mas, por favor, não espalhem!). The é meu melhor amigo. O meu amigo mais rico (êta lelê!). O meu amigo mais velho (te fodi agora, hein?!). A amizade mais antiga. A mais duradoura. A pessoa mais bem vestida que eu já conheci na vida. A mais vaidosa. Com o cabelo mais impecável. Com aqueles olhos verde-escuros que ele insiste em me mostrar, todo ano na praia, pra eu ver como ficam mais claros no sol. Aqueles dentes branco-guardanapo. Aquelas coxas da grossura do Roberto Carlos (me paga um Chandon depois dessa, viu?!). Aquela barriga sem cabelo. Aquelas sungas de homem gato na praia. Aqueles óculos mais caros do que a minha produção inteira da noite. Aquela mega produção Osklen escolhida a dedo. Aquela pessoa fina que bebe Black Label a noite toda.

The Rennis e eu somos as pessoas mais engraçadas quando estamos juntos. As que mais falam besteiras. Que mais riem sem parar. Que mais se divertem na noite. No dia. Na praia. Na boate. Em casa. Na casa dele. Na minha casa. Dormindo. Deitados juntos rindo de nós mesmos.

Nossa amizade é maior do que qualquer outra coisa no mundo. Eu sei o que ele quer dizer só de olhar pra ele por meio segundo. E ele me acha linda, me acha sarada, me acha toda boa de um jeito que até me convence. Me acha doida às vezes, mas é por isso que a gente se entende. E a gente se entende até no silêncio. Até no choro no meio da madrugada. E a gente atende o celular cantando. E isso só a gente entende. E eu entendo é que ele tem um coração maior que ele. Que ele é a pessoa em quem eu confiaria minha vida. Porque ele torce por mim em qualquer circunstância. Porque ele já apostou alto no meu trabalho. Despejou o cofre do Tio Patinhas na minha cabeça e disse “faça”. Sem qualquer garantia de que ia dar certo. Apostou todas as fichas em mim apenas por me conhecer tão bem e confiar em mim. Apenas por ser tão profissional. Por ser esse empresário competente e bem sucedido. Por exportar pro mundo esse talento. Por ser essa pessoa tão New York.

The Rennis, sua praga mór, torço por você infinito. To do seu lado infinito. Te admiro infinito. Te acho gato infinito. Fofo infinito. Gente boa infinito. Bom gosto infinito. Casa linda infinito. Coração infinito. Obrigada infinito por existir na minha vida.

TE AMO INFINITO.

Beijos, sua praga!

17 julho 2006

AS COISAS QUE A GENTE FAZ COM A GENTE

Por que algumas pessoas jogam o tempo todo umas com as outras? Por que uma cidadã que se diz tão bem resolvida se sabota tanto? E, no dia seguinte, acorda com uma ressaca moral infinita por ter feito tudo errado. Por não ter agido da forma que ela gostaria. Por planejar as coisas ao invés de simplesmente deixar rolar.

Logo ela. A tal cidadã que diz que não tem mais idade pra joguinhos. Essa mesma cidadã que joga o tempo todo. Que diz que fala o que pensa, mas que mede as palavras. Que diz que age por impulso, mas que calcula cada movimento (dela e dos outros). Que faz planos pra noite toda na sua cabeça, pensando que, assim, nada vai dar errado. E dá. Sempre dá.

Então essa cidadã sai com aquele carinha bacana que ela está afim de beijar. Aquele cara que ela já beijou algumas poucas vezes (menos do que ela gostaria). O cidadão a convida pra sair. Busca a cidadã em casa. Eles vão pra balada com mais alguns amigos dele. Só que a cidadã resolve bancar a difícil. E é aí que ela começa a fazer tudo errado. Fazer joguinho. Dar pistas falsas. Fingir que não está interessada. Fingir que só saiu pra se divertir. A cidadã se comporta como uma pessoa que não está afim do cidadão. Bebe. Finge que está ligeiramente bêbada. Conversa com todas as pessoas da noite menos com o cidadão. Encosta na parede mais longe com seu copo de caipi-morango na mão. Assenta no lugar mais afastado. O cidadão não entende muito bem o que está acontecendo. Mas ela entende. Ela calculou friamente como tudo iria acontecer. E ela pensa que deveria agir de forma a não parecer interessada. E é assim que ela se comporta a noite toda. Fria. Distante. Rindo com outras pessoas. Sem trocar uma palavra ou sorriso com quem realmente deveria. E o resultado disso vem exatamente às 2h35 da manhã. O cidadão beija aquela menina bonitinha, fofa e que estava dando mole pra ele há mais de meia hora. Ali. Bem diante dos olhos da cidadã que acompanhava tudo. Perplexa. Sem acreditar no que via. Sem saber pra onde olhar. Tentando disfarçar seu desconforto. Mais uma vez jogando e fingindo não se importar. A cidadã age como se nada tivesse acontecido, reforçando o pensamento do cidadão de que ela realmente não estava interessada e que ela não se importou com o fato de ele ter beijado outra na sua frente. A cidadã vai pra casa se sentindo um lixo. Se sentindo menor do que aquele pedaço de morango em sua caipi-vodka.

E, no dia seguinte, a cidadã mal abre os olhos e lá está ela: a tal ressaca moral. Que não deixa ninguém dormir de manhã. Que fica batendo na cabeça como um martelo bêbado. Que faz a cidadã ter raiva de si mesma. Por se sabotar tanto. Por não se permitir ser ela mesma. Por não se permitir viver livre de regras. Livre do tal “o que as pessoas vão pensar”. Por pensar o tempo todo. Por esquecer que ela é humana e não precisa ser uma super-mulher 24 horas por dia. Por se testar o tempo inteiro. Por achar que ela precisa ser magra, inteligente, linda e sarada pra ser amada (por ela mesma, inclusive).

Ainda bem que é segunda-feira. Dia oficial de começar coisas. Começar um parágrafo novo. Acabar com todas as interrogações e colocar um ponto final. Começar uma nova fase com o coração fechado pra balanço. Desculpe-nos o transtorno, mas a cidadã está em obras por tempo indeterminado. Esperamos que, em breve, ela possa retornar. Livre das regras que criou pra si mesma. Livre das pessoas descartáveis que ocupam seu tempo. Livre dessa mania de querer dar palpite no destino. E presa somente a uma ordem: seguir seu coração.

10 julho 2006

QUEM MANDA?

Meu mal é este. Achar que posso controlar coisas que não têm o mínimo controle. Achar que mando no meu coração. E ignoro completamente que não depende da minha vontade se ele vai bater mais rápido ou mais devagar. Que ele dispara e quer sair pela boca quando eu vejo aquele cidadão. E que eu só penso nisso e não controlo nem meus pensamentos.

Juro que tento. Mas não é tão simples assim. Nunca me apaixonei por quem eu deveria me apaixonar. Sei exatamente o que eu deveria querer, mas nunca achei muita graça em fazer o que eu deveria. E, na hora que eu acho que vou fazer tudo certo, lá estou eu, de novo, dando a cara pra bater. Me jogando. Entrando em furadas e rindo dos meus próprios erros. Metendo os pés pelas mãos. Rindo pra não chorar. Chorando e começando tudo de novo.

Acho que tenho problemas mentais sérios. É isso. Escolhi a dedo. O mais lindo. O mais inteligente. O mais bem sucedido. O mais sarado. O mais gente boa. O mais “bom moço”. O mais carinhoso. O mais fofo. O mais velho que eu. O que menos bebe. O que nunca fumou. Que nunca se drogou. (Sim, esse cara existe de verdade!). E quem disse que eu quero agora? Quem disse que meus batimentos cardíacos aumentam – por um segundo que seja – quando eu estou com ele?! Quem disse que eu coloquei pra ele um toque especial no meu celular?

Não mesmo. Meu celular toca diferente é quando aquele infeliz liga. Sim. Porque, pra ele, eu coloquei um toque especial no dia seguinte. E, se meu celular tivesse luzes coloridas, sirene de ambulância, apito de trânsito, tambores do Olodum, eu colocaria todos tocando ao mesmo tempo quando ele liga. Se bem que nem precisaria. Meu coração sai pela boca até quando ele liga e meu celular está no modo “silencioso”. E eu atendo sem tomar fôlego, engasgando com o ar. Falo atropelando as palavras. Não ouço muito bem o que ele fala, mas acho tudo lindo. Não entendo qual foi o convite do dia, mas digo que vou.

E agüento até as piadas das minhas amigas. Escuto a Gissa dizer que ele é a “visão do inferno” e ainda dou risada. E ele não é nada meu tipo. Não tem nenhuma das características que eu admiro num cara. É um menino que pensa que é homem. Mas ele manda no meu coração muito mais do que eu. Ele tem esse poder de me tirar o fôlego. De me deixar sem forças. De me fazer querer ele e só ele. De me fazer não querer nem o mais perfeito dos caras que eu encontrei depois dele. Ele me faz jogar pro alto todos os meus conceitos, tudo o que eu listei cuidadosamente na minha cabeça pra procurar num cara. Sim, ele me surpreende. Ele supera minhas expectativas. Ele me diz: “apronte-se em dez minutos que estou passando aí”, quando eu nem banho tomei. Ele aparece no meio da tarde só pra dizer “oi”. Ele liga, às duas da manhã, pra me dar boa noite. E ele me olha de um jeito que parece que é meu. E eu mal o conheço mas me sinto tão à vontade do lado dele. E eu posso ser eu mesma sem precisar me explicar. Sem querer controlar o futuro. Sem querer controlar minha própria vida. E começo a desejar que as coisas que não têm o mínimo controle que se explodam! Ele me faz entender, de uma forma tão simples, que tem alguém que realmente manda nesse coração.

27 junho 2006

TUDO ERRADO

Este não é um texto sobre o amor. É um texto sobre uma cidadã que já amou demais. Uma cidadã que faz tudo errado. Que se desconserta quando alguém fala que gosta dela. Que é contraditória por natureza. Que fala a verdade quando deveria mentir. Que diz que é fiel aos seus sentimentos mas não entende nada sobre fidelidade. Que gosta de um cara mas sai com outro sábado à noite. Que quer se matar por dar end no cidadão que ela mais quer quando ele liga e ela está com outro. Que já largou um cara dentro do cinema sozinho e nunca mais voltou. Que já saiu de casa às duas da manhã numa terça-feira fria. Que já viajou 400km só pra falar pra um imbecil que ela o amava - e ele disse que já tinha outra. Que já chorou por um homem. Que já chorou por alguns homens. Que não tem vergonha de falar o que sente. Uma cidadã cujo sorriso entrega suas emoções. Cujos lábios movem quando ela pensa. E cujos olhos não a deixam mentir.

Uma cidadã que odeia tomate. Odeia beterraba. Odeia quando tem que esperar alguém ligar. Odeia mais ainda quando esse alguém não liga. Odeia os homens que têm namorada e ficam ligando pra ela (qualé?!). Uma cidadã que adora chocolate. Adora morar sozinha. Adora sua própria companhia. Adora não ter mais idade pra brincar de polícia-e-ladrão. Pra fazer joguinho. Adora já ter passado da fase de fingir que ela não está afim quando está.

Só que essa cidadã faz tudo errado. Ela diz por aí que quer namorar. Mas se esquiva quando seus casos começam a ficar sérios. E só se envolve com os “não-namoráveis”. Os mais galinhas. Os mais baladeiros. E anda dispensando todos os caras com quem ela poderia pensar em fazer planos. Talvez porque, lá no fundo, ela goste de ser solteira. De poder escolher com quem ela vai sair no final de semana. Talvez ela queira ligar praquele cara bacana no meio do show do Rappa. Talvez porque ela ache que sair e conhecer novas pessoas seja uma coisa bacana. E porque ela ainda não encontrou alguém que faça valer a pena largar tudo isso pra se comprometer a um cara só.

Talvez porque ela goste de chegar em casa sozinha. Tirar suas roupas e se jogar em cima da cama. Poder deixar tudo espalhado. Tomar banho de porta aberta. Reservar-se o direito de não atender o telefone fixo. Assistir ao canal de TV que ela bem entender. Ficar na internet por quantas horas achar conveniente. Dar end no celular de acordo com seu humor. Ir e vir de onde ela bem entender. À hora que ela bem entender. E com quem ela bem entender. Talvez ela até goste de comer miojo quando tem preguiça de sair pra almoçar nos finais de semana. E talvez ela prefira a companhia do seu passarinho na sua cama. Talvez tudo isso seja verdade. E talvez tudo isso passe. Mas fato é que a cidadã não vai abrir mão disso por pouca coisa. E que ela não troca suas tardes de domingo sozinha por tardes de domingo em companhia errada.

Fato é que a cidadã não quer alguém pra chamar de namorado. Ela quer um alguém que ainda não encontrou. E o dia que ela encontrar, ela não vai deixar esse alguém escapar por nada deste mundo. Porque essa cidadã sabe o que é perder o cara que é o amor da sua vida. Sabe o que é fazer tudo errado sempre. Mas, mesmo assim, ela não tem medo de começar tudo de novo. De tentar outra vez. De viajar mais 800km pra dizer, mais uma vez, que ama. E essa cidadã só quer viver de novo aquilo que ela conhece muito bem. Amar. Incondicionalmente. Viver incondicionalmente. Viver sem fazer planos. Sem querer prever o futuro. Estar do lado de alguém que é o mundo pra ela. Estar do lado da pessoa certa. Aquela única pessoa com quem ela gostaria de estar. Alguém que conhece todos os seus medos. Todos os seus sonhos. Que sonha junto com ela. Alguém por quem ela abriria mão de todas as maravilhas da vida de solteira. E por quem ela acredita que vai fazer tudo certo um dia.

20 junho 2006

PÁRA TUDO

Aquele surfista me parou. Me segurou pelo braço. Me encostou na parede. Deixou minhas pernas bambas. Meu coração disparado. Parou meu mundo por um segundo. Com aquela pele bronzeada. Aquele cabelo loiro atrapalhado. Aqueles olhos cor de mel. Aquela boca com gosto de “te quero”. E aqueles braços fortes pedindo “me beija”. Aquele sorriso de um lado só da boca. Meio tímido, meio tarado. E completamente apaixonante.

Bastou um olhar pra eu achar que ele valia a pena. Não era um olhar qualquer. Era aquele olhar que me arrancava a roupa em pensamento. Sem pudor. Em público. Estático. Um olhar que me deixou seca. Que me tirou do prumo. Que fez eu esquecer que nós dois estávamos respectivamente acompanhados. Fez eu lembrar que eu preciso da emoção. Do desafio. De alguém pra quem olhar e pensar: é você que eu quero agora. Preciso ter você pra mim.

E aquele surfista era a materialização de tudo que eu queria. Aquela cara de mau, aquele olhar de menino. Definitivamente, não era o genro que minha mãe pediu a Deus. Mas certamente era o cara que minhas amigas pediriam emprestado se eu o tivesse pra mim. Se eu o tivesse. Por mais de um segundo. Por mais do que aquelas noites breves. Por mais do que aquelas conversas virtuais. Aqueles papos infindáveis na webcam. Eu até aprenderia a surfar. Trocaria meu bronzeado-de-piscina-da-capital-longe-da-praia pela cor dourada das ondas do mar. Trocaria meus músculos esculpidos a ferro na academia pelo corpo sarado bailando em cima da prancha. Trocaria os dias cinzas na metrópole pelo pôr-do-sol na beira do mar. Pelo céu azul de lápis de cor. Trocaria todas as minhas neuroses, minhas dores de cabeça, meus problemas existenciais por aquele surfista na areia da praia. E minha maior preocupação seria com o tamanho das ondas. Com o Sol. A Lua. A chuva. As nuvens. E as estrelas. E tudo mais que se classifique como fenômeno da natureza.

Mas, sem dúvida, aquele surfista é o maior de todos os fenômenos. Um eclipse na minha vida que só acontece de tempos em tempos. E que ganha matéria de capa. Primeira página. Rouba a cena. E me rouba de onde eu estiver. Me faz largar tudo. Jogar tudo pro alto. Porque ele é um espetáculo à parte. E me tem sentada na primeira fila. Ali. Babando. Rindo com aquela cara boba quando ele me chama de linda. Ficando com as bochechas rosadas quando ele diz que me quer. Sentindo um arrepio na espinha quando ele fala que vai me agarrar.

Faz isso. Me agarra. Me joga em cima dessa prancha sua. Me leva pra alto mar. Me tira o fôlego e me faz respiração boca-a-boca. Se não souber, eu te ensino. E você me ensina a surfar. A gente tem mesmo muito o que aprender um com o outro. Somos de mundos diferentes. O Sol e a Lua. O garoto da praia e a patricinha urbana. O garoto do mundo e a menina da capital. Suas havaianas e meu salto agulha. Seus cabelos que nasceram loiros e os meus que se tornaram Loiro-Mel 7.2 Excellence. Sua prancha de surfe e meu celular a tiracolo. Suas bermudas floridas e minhas calças jeans. Seu jeito leve de viver a vida e minha correria do dia-a-dia. Suas manhãs na praia e minhas noites na internet. O surfista e a marombeira.

Foge comigo pra uma ilha deserta?

12 junho 2006

NÃO MANDA MAIS

To ficando com preguiça de você. Do seu papo de playboy e das baladas que você freqüenta. Dos seus telefonemas quando você não tem nada pra fazer terça-feira à noite. Das suas mensagens de madrugada. De você achar que eu sou um corpo. Já disse que sou mais do que isso, mas repito quantas vezes precisar. Já te disse que não sou estepe. Então, não me trate como segunda opção. Como uma qualquer. Não me trate como se não soubesse o que quer de mim. Dos meus abraços. Do meu carinho.

Me trate como uma princesa. Como na primeira vez que nos vimos. Me queira. Ou, pelo menos, me trate como se me quisesse. Me queira do seu lado. De dia ou de noite, tanto faz. Só não sou mulher de fim de noite. De me entregar pra qualquer um. Me chame de boneca, mas me chame. Não me deixe esperando você ligar. Não me deixe esperando você chegar. Só venha quando quiser me encontrar.

Poupe seu esforço de fingir que sente algum carinho por mim. Prefiro as coisas bem claras. Se quer só meu corpo, tudo bem. Pegue a senha e entre na fila. Se quiser meu coração, faça por merecer. Me conquiste. Tenha mais atitudes sinceras do que palavras bonitas. Prefiro que você seja mais presente e que me compre menos presentes. Prefiro que você seja você mesmo, assim, tolo, e que não finja ser alguém que não é. Prefiro morrer de rir com suas piadas infames do que me impressionar com seu linguajar culto.

Esqueço que gosto de abdomens sarados, de braços bem definidos, de coxas de jogador de futebol. Porque, pra mim, você é muito mais do que um corpo em evidência. Muito mais do que esse seu cabelo macio. Do que essa pele lisinha. Essas mãos quentes. Essa boca gostosa. Esse olhar que me despe. Muito mais do que as marcas famosas que você veste. Do que o carro que você dirige. Que esses seus óculos de ir pra trance que custaram o olho da cara.

Preguiça profunda dessa sua mania de achar que é o único na minha vida. Que tem exclusividade sem sequer me dar alguma garantia. Quer saber? Não me pergunte se sou só sua se não quer me ver mentir. Pergunte se te quero e não vou gaguejar. Ao contrário do que você pensa, eu sei muito bem o que quero pra mim. Quero você. Mas não aceito migalhas. Não quero o que restou de você no fim da noite. A sobra da sua carência noturna. Quero ter prioridade. Quero fazer a diferença. Quero garantia de que alguma coisa vai dar certo. Mas você faz tudo errado. Me trata como se eu fosse só mais uma na sua vida (ou talvez eu seja, realmente). Me liga quando esgotaram-se todas as suas possibilidades na noite. Mente pra mim com a cara mais deslavada. Some e aparece como quem tem a certeza de que eu ainda vou estar no mesmo lugar. Te esperando. Me procura com a certeza de que vai me encontrar. Me liga sabendo que vou te atender. Mas, sabe de uma coisa? Cansei. Vou procurar minha turma. Vou me divertir com as bocas certas. Me deitar em outros colos. Sentir outros abraços. Você não manda mais aqui. E sabe o que mais? Ou eu sou a número um na sua vida, ou nem quero fazer parte dela.


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P.S.: Devo lembrar que os textos publicados aqui são obras de ficção. Ainda assim, qualquer semelhança com a realidade não terá sido mera coincidência.